Akai Tsuki
5 Espírito de Vingança? Péssima Ideia!
Notas iniciais
–Morra Hiiro e toda sua família traidora! – Fukawa (ou sei lá quem) grita com louca desferindo golpes e mais golpes com uma lâmina enorme e cheia de raios em volta.
Minha mente ainda tenta assimilar o que está havendo. Parece que todos aqui têm poderes ou demônios em si e só o morto aqui está por fora. Por quanto tempo eu dormi? Quer dizer que a garota que ficava me dizendo pra sorrir e tentava ocupar um lugar em meu coração é na verdade aquela louca que está lutando com Dely? Ela também é um Oni?
–Morra! Morra! Morra! – as duas são tão rápidas que quase não as vejo.
–Você roubou o Hitasura-kun de mim! – ouço Fukawa gritar enquanto atira Dely na parede – Estava seduzindo-o, não é? Quando eu cheguei estava quase nua! Sabe que eu gosto dele por isso o roubou! Sua destruidora de lares!
–Eu nem sabia quem era Hitasura Kori! – Dely a joga no chão.
–Você o matou de propósito! – acusa Fukawa.
–Eu vi um Oni, sua retardada! Ia saber que era o garoto que você gostava?
–Maldita! Você sabia! Você sabia!
–Ei! Parem com isso!
Um garoto entra na sala quebrando os vidros.
Assusto-me com sua entrada repentina, se ele tivesse asas eu acharia que é um anjo voando através das janelas. Mas ele não se parece em nada com um anjo. Tem cabelos negros e brilhantes, olhos escuros e penetrantes, sobrancelhas grossas e um ar frio. Usa roupas pretas e um casaco azul escuro, carrega armas, bombas, lâminas e algumas coisas que nem conheço no casaco e nas calças.
–Dely, para com isso – ordena ele solene.
–Foi ela quem começou – resmunga Dely.
–Não me interessa! Solte-a! – o garoto se altera.
Dely sai de cima de Fukawa rosnando e volta a sua forma normal.
–Se metendo em encrencas com a Hiiro de novo nee-san! – o garoto está indignado.
–Nii-chan, ela roubou o Hitasura-kun! Ela o matou! – choraminga Fukawa.
–Ah, para de chorar! “Ai, Hitasura-kun” “Nii, o Hitasura-kun” “Ela roubou o Hitasura-kun”... – zomba ele com voz jocosa – Esse cara morreu, não morreu?
–Ele tá ali – Fukawa aponta pra mim.
O garoto se vira e me vê, ergue uma sobrancelha.
–Espírito... – suspira – E como pretende beijá-lo se nem pode tocá-lo?
Finjo que não é comigo, isso deve ser um sonho, logo alguém vai me acordar.
Fukawa está toda vermelha de vergonha.
–Beijá-lo? Quem disse que eu queria isso?
–Ah, tanto faz... Ei! Espírito! – o garoto me chama – Vem cá!
Ando até ele sutilmente, tenho um pouco de receio que ele possa se transformar e devorar minha alma ou sei lá.
–Então Hiiro te matou? – deduz ele rindo um pouco – Sou Inazuma Tatsuya, irmão da Kiyoko.
–Kiyoko? Você quer dizer a Fukawa? – pergunto.
–Fukawa é seu nome falso, que ela usou pra se integrar no mundo humano – conta Tatsuya.
–Ah... –penso por um instante – Vocês também têm um Oni em si? Ou estou sonhando?
–Você não está sonhado – nega Dely – E eles são nossos inimigos.
–Inimigos?! – Fukawa/ Kiyoko a fuzila com o olhar – Inimiga é você! Sai de perto dela Hitasura-kun! Tome cuidado!
–Não! Ele é MEU aliado! – discorda Dely.
–Sua ladra! Traidora! – insulta Fukawa – Traidora! Você e sua...
–Nee-san! – Tatsuya a interrompe.
Fukawa/ Kiyoko se cala. Dely também não diz mais nada, sinto que eles estão escondendo algo de mim. O que será? Tenho que descobrir. Fukawa disse “você e sua...”; algo ou alguém a ver com Dely. Sua família? Sua mãe? Sua... Gata? Ah, por que estou pensando em gata?!
–Tem um Oni se aproximando – avisa Tatsuya.
–Também estou sentindo – concorda Dely.
–É o Kiri-kiri? – questiono já planejando minha vingança.
–Não, dessa vez não...
Dely engole em seco, arregala ainda mais o olho bom, ele se enche de lágrimas.
–O que foi? – não sei o que está acontecendo comigo. Estou me preocupando com ela?
–Pecado... – ela murmura (diz tsumi = pecado).
Ouvimos uma risadinha meio ridícula, acho que era para parecer ameaçador, mas ficou parecendo um papagaio rindo. Olho pra cima e avisto... Outra Dely? Não, essa não tem um olho furado. Porém é exatamente igual à Dely, exceto pelas roupas vermelho sangue que ela usa, a outra Dely parece uma rainha vermelha psicótica.
–Tsumi? – pelo visto todos a conhecem (menos o desinformado aqui).
–Ah, minha querida irmãzinha, perdeu um olho? – fala a outra Dely.
–Tsumi... Tsumi... – Dely chora.
Agora acho que entendi, Tsumi é irmã gêmea dela.
–Tsumi sua traidora! Você vai pagar! – Fukawa/ Kiyoko começa a se transformar – Você vai pagar por ter matado minha família!
Ela volta a se transformar e voa rapidamente até Tsumi, lança um raio. Mas a cópia de Dely se protege e o raio volta, Fukawa/ Kiyoko (Ah, vou chamá-la só de Fukawa mesmo) desvia e o raio cai na gente.
Será que eu posso torrar com esse raio mesmo sendo um espírito? Não tenho como saber, pois Tatsuya joga algo para o lado e o raio é sugado pra ele. Não sei como ele fez isso, mas suspiro em alívio, prefiro não arriscar a sentir mais dor.
–Kori... – sussurra Dely – O que eu faço?
Ela está em conflito, chora e treme. Decide se ajuda a gente ou a irmã. Agora me sinto um inútil, não sei o que posso fazer por ela.
–Fique aqui – ordeno tentado ser autoritário.
Ela fica confusa, mas estou decidido a ajudá-la. Até agora não fiz nada por ela, apesar de Dely ser minha assassina, sinto que devo lutar pra ter pelo menos ela ao meu lado. Eu estou sozinho nesse vácuo entre a vida e a morte, preciso de alguém.
Corro o mais rápido que posso em direção a Tsumi e Fukawa lutando.
–O que está fazendo idiota?! – pergunta Tatsuya.
Não vou parar, não posso simplesmente não fazer nada e ser um espírito inútil. É ridículo! E pelo que soube, essa tal de Tsumi matou a família de Fukawa. Isso é imperdoável! Fukawa é a melhor pessoa que já conheci e mesmo assim não a dei valor. Mas quero me redimir, por isso vou vingá-la.
Pulo o mais alto que consigo quase colidindo com Tsumi e a ferindo. No entanto, ela num reflexo rápido coloca a mão em minha cabeça e tudo para, congela. Todos a minha volta estão imóveis, até mesmo eu estou parado no ar. Mas Tsumi pode se mover.
–Deixe-me devorar seu maior pecado – diz ela – Os irados são muito, muitos saborosos. Sabia? Venha conhecer... Sua punição.
Arregalo os olhos. Do que ela está falando?
Então Tsumi morde meu pescoço, grito, mas não sai som algum. Ela começa a me devorar sem dó nem piedade, isso dói ainda mais que lâminas atravessando meu corpo. E não posso nem gritar por ajuda. De qualquer forma, quem ajudaria? Os dentes dela rasgam minha carne e é uma agonia enorme tudo estar paralisado. Não posso me mexer, nem gritar. Só ouvir um zumbido incessante em meus ouvidos e as risadas de Tsumi.
–Você achou que não pagaria por seus pecados depois da morte? – zomba ela.
–Pare Tsumi, por favor – pede Dely calmamente (de algum jeito ela se descongelou) – Sabe que eu odeio quando você faz isso.
A coisa mais estranha é que não é Dely, é ela em sua versão criança, uma Dely de uns dez anos chora pedindo à irmã que pare de me torturar.
Tsumi para um pouco assustada. Mas logo depois fica com sua expressão psicótica novamente e discorda:
–Desculpe maninha, mas... Ele é meu agora!
A última coisa que vejo é uma luz azul inalcançável que se vai à medida que eu entro em meu pior pesadelo. Sabia que não ia escapar do inferno.
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