Akai Ito, o fio vermelho do destino.
11 Olha o que você me fez fazer (Parte 2)
Notas iniciais
Acordei aos poucos ainda zonza, tudo girava ao meu redor e então percebi que não conseguia me mover, meus braços estavam amarrados pelos pulsos nas minhas costas, meus pés também, havia um pano me amordaçando e cordas grossas me prendiam a cadeira que eu estava sentada, um forte cheiro de gasolina dominava o local, levantei a cabeça e vi uma câmera sobre um tripé focada na minha direção, o local era iluminado por algumas luzes penduradas, meu pescoço doía e quando consegui abrir meus olhos Ayana estava sentada em uma cadeira ao meu lado, ela retirou a mordaça da minha boca e antes que eu pudesse ficar lúcida o suficiente para xingá-la, ela disse:
— Me desculpa.
— Me solta que eu não te mato quando sair daqui.
— Não posso te soltar. Preciso de garantias de que o Kei vai vir aqui te resgatar. Não é nada pessoal, mas preciso que ele pense que eu vou te queimar viva.
— O que? – questionei não crendo no que ouvi – Você é maluca Ayana? Você está perdendo o seu tempo, porque ele não vai vir. Ele não me ama o suficiente para se arriscar assim.
— Kei odeia perder, Alice. Ele não vai vir para resgatar a amada indefesa. – ela disse a frase seguinte com um sorriso calmo e compassivo — Ele vai vir punir a vadia que ousou tirar dele o melhor amigo e a garota com quem ele transava.
Depois de ouvir aquilo entendi o que ela quis dizer, eu não era a isca, muito menos Jin, Ayana era a isca, ele viria para se vingar dela.
— Ele vai te matar.
— E se ele fizer isso, perderá a proteção do Sr. Yamada e então meu pai e qualquer outro membro das máfias chinesas vão poder matá-lo.
— Não, Ayana... – as lágrimas caíram dos meus olhos sem que eu mesma percebesse, pela personalidade decidida de Ayana, não havia nada que eu pudesse dizer para mudar sua mente e aquilo apertou no meu peito – Tudo isso é pela Pei?
Ayana me deu um sorriso triste enquanto secava minhas lágrimas dizendo:
— Isso é por todos que ele machucou. A Pei, Jin, Saori, O seu bebê, seu irmão e você. A lista é muito maior.
— Eu não quero te ajudar a se matar.
— Nem se eu puder salvar a vida do seu irmão em São Paulo?
— Você não pode fazer nada para ajudar.
Vi um sorriso compassivo surgir no rosto de Ayana e então ela disse:
— Christian Lenmer, Hospital Santa Clara leito 245. Precisa de um transplante de coração, rins e fígado. Posso fazer aparecer tudo isso lá para ele lá.
— Como?
— Tem uma vertente da família que trabalha com tráfico de órgãos...
Não deixei que ela terminasse dizendo:
— Tráfico de órgãos... Não quero me envolver com esse tipo de coisa. Posso estar desesperada para salvar meu irmão, mas não ao ponto de apoiar uma coisa dessas.
— Por favor, Alice, eu só quero te recompensar por me ajudar com isso.
— E também – disse tentando não parecer emotiva — Ayana, não posso escolher entre vocês dois. Por favor, não me obrigue a isso!
— Mesmo que não queira, eu já mandei alguém lá com os órgãos perfeitos.
— Não, Ayana! Quando ele chegar vou dizer que foi tudo armado – gritei em um lampejo de desespero — Que é esse seu objetivo, vou fazê-lo ir para longe e não te matar.
— Então vai estar dopada quando ele chegar e não vai poder confrontá-lo. – Ayana se pôs em pé aparentemente ansiosa e olhou as horas em seu relógio de pulso – Jin já deveria ter entrado por aquela porta como o Rambo. Porque ele ainda não apareceu?
— O que tem o Jin?
— Ele sabe que o Kei não vai se deslocar do Japão para Xangai só para te salvar, então daqui a alguns instantes ele vai entrar por aquela porta igual ao Rambo tentando me convencer que você não tem nada a ver com a história da Pei e que te matar não vai resolver nada.
— Como tem tanta certeza?
— Jin é um salvador por natureza. Defende as pessoas que julga inocentes até a morte se for possível. Não é a toa que se formou com louvor em Direito. Não sei o que ele faz na máfia, sendo um homem de coração tão bom.
Fiquei pensativa e pude recordar de uns momentos que tive com Jin, quando discuti com ele na minha casa e ele foi extremamente compreensivo, quando falei do bebê e ele disse que nada faltaria para o meu filho, talvez ele mesmo se encarregasse de cumprir essa promessa e depois quando eu falei que o bebê tinha morrido, ele apenas me olhou triste, mas não disse nada. Kei não viria por mim, mas por alguém com tanta bondade quanto Jin, juro que até eu viria.
Presa nos meus pensamentos, Ayana resolveu que ligaria para Jin:
— Alice, fica quieta que eu vou ligar para Jin dizendo para ele não vir, ele com certeza fará o oposto e então quando ele chegar vou desmaiar ele, amarrar e mandar um novo vídeo para o Kei. Então o Kei virá salvar vocês e completará o plano.
— Não vou mais perder meu tempo falando nada, sei que não vai desistir.
— Agradeço por isso.
Ayana andou para fora do galpão e então fez a ligação, fiquei observando o ambiente, vi que o chão ao meu redor estava molhado por algo que parecia gasolina, aquilo era muito perigoso para se brincar, resolvi que perguntaria mais sobre o plano para Ayana quando ela retornasse.
A ligação demorou e neste tempo que fiquei sozinha, refleti bastante, principalmente sobre meu relacionamento com Kei, todas as pessoas que encontraram o amor de suas vidas que eu conheci tiveram uma vida tranquila até a morte de um dos dois, ninguém precisou sofrer e com tantas pessoas boas no mundo, porque eu tive que me apaixonar por um mal caráter como Kei? Seria carma? Olha que eu até merecia um troco desses do destino, já fiz tanta besteira, já fiz muita gente sofrer. Eu merecia passar por tudo aquilo e nunca ser feliz. Essa foi a minha conclusão sobre mim, mas e o Jin, o que ele fez para merecer que a noiva morresse tão cedo? Porque o carma cobrou tão caro de alguém como ele?
Todas as conversas que tive com Jin, ele parecia se preocupar comigo muito mais do que o Kei, eu conseguia sentir ódio de Kei, mas do Jin... Só queria vê-lo de novo. E ir embora daquele país.
Suspirei e novamente aquele cheiro de gasolina, estava ficando tonta. Fechei os olhos e tentei imaginar outro lugar, outro momento da minha vida que tornasse um pouco mais suportável essa situação e então me recordei de algo um tanto constrangedor, mas que me acalmou ao mesmo tempo que me fez chorar, me lembrei do jogo de verdade ou desafio, mais especificamente, do momento que beijei Jin. E de como eu quase não sai de cima dele depois daquilo.
Queria que alguém me tirasse daquela situação, mas com certeza, não queria que fosse o Kei.
Ayana voltou para dentro do galpão rindo e disse:
— Acabei de falar com o Jin e adivinha o que ele disse?
— Fala logo Ayana – respondi tentando esconder que eu havia chorado.
— Exatamente o que eu previa.
— Jin é realmente alguém iluminado. – respondi com sarcasmo.
Ayana se sentou ao meu lado em silêncio, então questionei sobre o liquido no chão:
— Ayana, isso no chão é o que?
— O círculo ao seu redor é água com corante.
Suspirei aliviada após ouvir isso e então ela disse:
— Não achou que eu fosse louca de jogar gasolina aqui nesse chão perto de você? Não quero te matar, Alice.
— Não sabia o que esperar de você.
— E vou ter que te molhar com mais água.
— Por quê?
— Aprendi com meu pai quando eu ainda era uma criança que coisas molhadas não queimam. Assim se algo der errado e esse lugar ficar em chamas, você consegue fugir sem se machucar.
— E você Ayana?
— O objetivo é que eu não fique bem, Alice.
— Ainda dá tempo de desistir.
Ayana me olhou séria e suspirou antes de dizer:
— Você não se mata se planejou uma festa surpresa para sua irmã mais nova.
— O que? Você acha que foi assassinato?
Ayana me olhou melancólica e tomada por um misto de tristeza e fúria começou a falar:
— Pei foi ao Brasil disposta a impedir seu casamento, meu pai e eu confiamos a Jin, a missão de trazê-la de volta em segurança para Xangai. Papai achava que a obcessão de Pei pelo Kei já havia passado dos limites. E então a Pei voltou com Jin e o Kei.
— Isso foi quando ele me abandonou no altar.
— Sim. Ele morou com a Pei no Japão por exatos dois meses, ela não falava comigo ou com meu pai, dizia que ia conseguir o amor dele de volta, mas ele a fez enlouquecer. Quando vi minha irmã de novo, por intermédio de Jin, ela estava irreconhecível. Esquelética, com manias, ele tentou fazer minha irmã surtar para ela se matar.
— Ele agiu como um sociopata. – disse perplexa com as informações – Mas como você tem certeza que não foi suicídio?
— Não são informações infundadas. Isso você pode ter certeza.
Fiquei pensativa, vi o Kei espancando um homem e isso me fez ter certeza de que ele era um monstro, mas estava confusa sobre a história dele ter matado a Pei. Como Ayana tinha certeza disso? Me perdi rapidamente em pensamentos, mas fui despertada por Ayana e seu galão de água fria, bom, não estava calor em Xangai, então imediatamente comecei a tremer de frio e xingá-la:
— Sua filha da puta, essa água está gelada pra caralho!
— Você escolhe. — respondeu com sarcasmo — muito frio ou quente queimando?
— Vai se foder.
Agora eu estava completamente molhada, olhei para baixo e vi que ainda estava vestida com a camisa branca do Jin, e que depois desse banho de água fria, ela estava molhada e transparente:
— Agora estou ótima, da para ver minha alma através dessa camisa molhada.
— Alma sexy – disse Ayana.
Respirei fundo tremendo de frio até que ouvimos o som de um carro de longe, Ayana correu até a porta do galpão e disse:
— Jin chegou e estacionou um pouco longe do galpão, estranho que ele não desceu.
— Será que ele não vai entrar?
— Ele vai entrar – disse irritada – Ele tem que entrar.
— Se ele não entrar o que você vai fazer?
Ayana andou para os fundos do galpão e pegou uma pistola dizendo:
— Vou dar um tiro de tranquilizante nele assim que entrar. Jin ao contrario de Kei é totalmente previsível.
Respirei fundo e continuei na espera, tremendo de frio, até que depois de alguns minutos o portão se abriu, Ayana se posicionou atrás de mim e colocou a arma na minha cabeça dizendo:
— Eu disse que não era para você vir.
Então houve a surpresa, olhei para o homem que adentrou a porta atônita, aquele rosto que eu não via há meses, porém agora carregava um olhar de fúria, sorriso malicioso e um cigarro acesso na boca. Era Kei, ele havia saído da área segura como Ayana queria.
Senti a arma encostada na minha cabeça tremer, o que indicava que a mão de Ayana estava tremendo, ela não esperava por isso.
Kei deu um trago no cigarro e soltou a fumaça no ar dizendo:
— Porque eu não deveria ter vindo? Você me chamou e eu vim.
Eu e Ayana ficamos em silêncio enquanto ele se aproximava. Ayana chutou a cadeira na direção de Kei e disse:
— Sente-se, ela quer confrontar você antes que eu o mate.
— Não acha que vou te obedecer – debochou sorrindo – garotinha estúpida.
Ayana engatilhou a arma e então eu congelei, sabia que ela não me faria mal, mas aquele som mecânico tão próximo a minha orelha me fez tremer ainda mais, aquela pistola com certeza não era a de tranquilizante. Olhei para Kei tentando parecer assustada e foi só ai que Kei desfez o sorriso e se sentou. Ayana pegou algumas cordas e andou até Kei para amarrá-lo, ela o fez, mas achei que tudo aquilo estava sendo fácil demais, porém não podia avisar.
Kei me olhou ainda com o seu olhar malicioso e agora desafiador, pensei que ele não se atreveria a falar comigo, mas então ele disse:
— Sentiu minha falta?
Sorri de nervoso, desviei o olhar e revirei os olhos evitando o contato visual com ele, não sabia o que dizer. Passei tanto tempo pensando no que eu falaria para ele e agora, ali na frente dele e de todo o seu cinismo, não sabia o que dizer. Permaneci em silêncio e então ele continuou falando:
— O Jin me falou sobre o bebê. – o tom de voz dele parecia animado – Pelas minhas contas já teria completado 23 semanas. Você já deveria ter barriga.
Então entendi porque ele estava lá, olhei para Ayana e percebi que ela me olhava com espanto, fiquei em silêncio quando a Ayana disse:
— Se você não contar, eu conto. Vai ser um prazer fazer isso.
— Contar o que?
O encarei sem dizer nada, sem expressar nada, não sentia a necessidade de falar nada, quem estava comigo quando passei por todas essas situações era o Jin e se o Jin não disse nada a ele era simplesmente porque sabia que não o interessava. O silêncio irritou Kei e então ele gritou:
— Não acredito que ele mentiu pra mim.
— Ele não mentiu – rompi o silêncio cheia de ódio – tinha um bebê e sim seriam 23 semanas se você não tivesse mandado aqueles homens jogarem o meu carro do desfiladeiro. – olhei para Ayana e afirmei — Foi por isso que ele veio Ayana. Não acredito que você pensou que ele viria por mim.
— Em um ponto eu estava certa – ela disse enquanto se sentava em um tonel — Ele veio por algo que considerava dele. Continua o mesmo egoísta e egocêntrico de sempre.
Kei nos olhava transtornado, como se fosse difícil para ele acreditar no que estava ouvindo, Ayana se divertia com a situação e eu não conseguia parar de olhar nos olhos dele, olhar esse que não era correspondido, ele estava trancado em sua própria fúria. Como se ele tivesse algum direito de sentir ódio daquela situação. Me senti na obrigação de confrontá-lo naquele momento:
— Porque você está tão irritado? Você me queria morta quando me deixou.
— Você não entende.
Neste momento me deixei ser dominada por toda a raiva, a tristeza e o ódio que contive por tanto tempo. Comecei a narrar tudo que eu passei gritando com lágrimas nos olhos:
— Claro que não. Você me deixou no dia do nosso casamento e eu esperei você por horas naquele vestido que era a sua cara, era o primeiro presente de casamento, não era? Demorei muito para perceber que você não viria e então eu destrui toda aquela festa. Fiquei tão transtornada que eu tentei me matar e foi ai que eu descobri o bebê. Eu nem fiquei feliz quando soube dele. E não foi por falta de vontade, foi porque eu não conseguia! – após dizer isso, senti o peso das minhas palavras e então comecei a chorar — Fiquei cheia de ódio daquela situação, Depois que soube da máfia com aquele seu recado na carta de despedida, pensei que a máfia tinha pego você. Me proibi de sentir a perda do meu filho, porque eu estava preocupada pra caralho com você!
— O bebê era o terceiro presente.
— O que?
— O vestido, lua de mel e o bebê. Eram esses, os três presentes. Um coisa para usar, uma para se lembrar e uma para cuidar para sempre.
Depois de ouvir aquilo muita coisa fez sentido, o vestido que ele insistiu tanto para ser mais largo e no fim ficou perfeito, o calendário com algumas datas marcadas com estrelas, ele havia planejado aquilo tudo. O encarei atônita enquanto ele tentava se explicar, dentro de mim era como se meu coração batesse devagar, podia jurar que aquilo estava doendo. Minha mente chegava a conclusões que eu não queria acreditar, não até ouvir da boca dele:
— Eu planejei tantas coisas com você e isso foi por um motivo óbvio. E com certeza esse motivo nunca foi largar tudo e ir embora.
— Não – me neguei a acreditar nele gritei ferozmente – Não! Para de Mentir! Você mandou me matar.
— A irmã dessa vadia era uma psicopata louca! – gritou Jin enquanto encarava Ayana – E duvido que a Ayana tenha te contado que as coisas que a Pei fazia. Principalmente as coisas que me fizeram terminar o meu relacionamento com ela.
— Uma coisa que eu aprendi cedo – respondi me negando a ouvir mais de toda aquela merda – por trás de toda ex namorada louca, existe um ex namorado abusivo e canalha.
— Você não conheceu a Pei.
— Também não conheço você! – gritei – Estou sabendo que você fuma hoje! O que o Jin está fazendo que não entrou ainda Ayana?
— Vou ligar para ele.
Kei me olhou com uma expressão de desprezo, naquele momento ele havia percebido que eu estava do lado da Ayana o tempo todo e isso não iria acabar bem. Tive certeza disso quando ele disse com uma voz frívola:
— Ele não vai entrar.
— O que você fez com ele? – perguntei apavorada – O que você fez?
— Não precisamos dele aqui, não é Ayana. – ele me ignorou totalmente – Não preciso de bons conselhos e nem de alguém me impedindo de ser o que eu sou.
— Kei... – disse implorando – olhe para mim.
Kei me olhou com ódio e disse:
— Você estava com ela por todo esse tempo. Me traiu!
— Você ainda não disse porque tentou me matar.
Desviei o olhar de Kei para observar uma Ayana desesperada digitando algo no celular, neste momento não sei explicar como, mas Kei se soltou das cordas e se levantou, eu ia avisar Ayana sobre ele, porém Kei apontou uma pistola na minha direção, e posou o dedo indicador na boca dele me pedindo silêncio, senti apenas as lágrimas quentes correrem por meu rosto, medo e pânico me dominaram. Foi então que Kei me soltou da cadeira, porém deixou meus pés e mãos amarrados, depois disso ele seguiu até a Ayana. Tentei sair da cadeira e acabei caindo no chão e machucando meu ombro, aquilo doía tanto que gritei e neste momento Ayana viu Kei andando em sua direção e tentou correr, mas ele a pegou pelos cabelos, agindo como um verdadeiro executor, ele retirou uma seringa de seu bolso com um liquido transparente, eu pensei que era tranquilizante, queria que fosse, mas dentro de mim sabia que não era. Ele injetou o conteúdo da seringa nela e eu olhei aquilo do chão, ela caiu sobre o chão encharcado de líquido inflamável, Kei a pegou e a amarrou na cadeira que eu estava sentada. Ayana parecia assustada e totalmente consciente.
Kei se ajoelhou a frente dela e disse lhe mostrando a seringa:
— Sabe o que tinha aqui dentro? – sorria como um sádico – É *tetrodotoxina... Vai ficar difícil de respirar e a tendência é ficar pior, mas não tão pior quanto o inferno que esse lugar vai se transformar. Não tem quantidade suficiente para te matar rápido, mas não custa nada rezar para que o seu diafragma seja paralisado antes do fogo te pegar, porque se isso não acontecer você vai queimar até morrer.
Ayana morreria mesmo se conseguisse fugir daquele galpão, fiquei parada no chão chorando enquanto esperava a minha vez, vi Kei começar a atear fogo no local, aquela água que Ayana havia colocado no chão não serviu para nada. Ouvi a primeira explosão e então Kei me pegou em seus braços e me levou para fora do galpão, estranhei porque ele deixou a porta aberta assim que saímos. Ele me levou até o carro do Jin, e Jin não estava lá.
Kei me sentou no capô do carro e soltou meus braços e pernas, eu só olhava para o galpão em chamas, ainda chorando, quando Jin saiu de dentro do local com Ayana presa a cadeira, ele a soltou e os dois caíram na grama e então eu suspirei de alívio e gritei com toda a força:
— Jin!
Os dois ficariam bem, desci do capô do carro e então Kei me segurou pelo braço dizendo:
— Você não vai a lugar algum!
— Então é só você que pode fugir?
Ele não esperava ouvir aquilo de mim, dada a surpresa com que me olhou e me soltou. Corri até os meus amigos e me sentei na grama ao lado de Jin, coloquei a cabeça dele sobre as minhas pernas e disse:
— Vai ficar tudo bem. Precisamos pedir ajuda para a Ayana, ela vai morrer se não tiver suporte hospitalar.
Jin me olhava se contendo para não perder a consciência, mas foi impossível para ele se manter acordado. Quando ele adormeceu eu fiquei desesperada. Kei assistia aquilo tudo imóvel e eu comecei a tentar fazer os primeiros socorros em Ayana, ela estava perdendo a capacidade de respirar, pedi para que Kei ligasse para uma ambulância, mas ele se negou. Em meu desespero comecei a fazer respiração boca aboca nela, até que uma ambulância chegou junto com algumas vans pretas. Os paramédicos correram na minha direção e então começaram a socorrer Ayana e Jin e das vans saíram homens trajando preto e com armas nas mãos, aqueles homens eram da família Yamagoshe, Ayana tinha conseguido o que queria, mas as custas de que? Ela estava quase morta agora. Comecei a chorar sentada na grama.
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