Akai Ito, o fio vermelho do destino.
14 Deixe ir
Notas iniciais
Pei era um monstro, mas o Kei não ficava muito atrás. Não sabia o que pensar depois de ouvir tudo aquilo. Fiquei em silêncio ao lado de Jin, com o computador a nossa frente e o celular na minha mão. Minha próxima decisão seria falar ou não falar com Kei. Suspirei e então Jin disse:
— Não precisa ir se não quiser.
— Tem algo nessa história que eu não entendi.
— O que?
— Porque Ayana não entregou o Kei para o pai dela?
— Ayana estava pensando na guerra que isso ia causar. Porque Hideo não abriria mão de cumprir sua palavra e proteger Kei e Hiroshi não aceitaria isso bem. Conflitos entre as famílias são evitados há anos, mas isso... Esse ato do Kei iniciaria uma guerra.
Fiquei em silêncio avaliando a situação, não havia o que fazer e discutir sobre aquilo estava me tomando um tempo que eu não tinha, então decidir sair para ir encontrar Kei:
— Então... Vou encontrar o Kei. Ele tem algo para me dizer.
— Sabe que Kei traçou seu próprio destino. Então você não pode fazer nada para mudar.
Jin parecia preocupado comigo, com o fato de que eu poderia fazer alguma besteira, mas eu não queria mais salvar o Kei, queria voltar e ver meu irmão novamente.
— Você esta certo, Jin. Kei tem que pagar pelos erros dele. – sorri para esconder minha tristeza e continuei — E você estava certo em tantas coisas.
— Que tantas coisas?
Encarei Jin com os olhos mergulhados em lágrimas e respondi:
— Talvez Kei não esteja do outro lado do meu fio vermelho do destino. E talvez ele tenha sido só o meu casulo. E talvez – as lágrimas começaram a cair pelo meu rosto – eu termine essa história como uma borboleta, não é?
— Eu torço por isso. – ele disse secando meu rosto enquanto pousava sua mão na minha bochecha – Ninguém mais do que você merece ser feliz.
— Você também merece. – eu o encarei sorrindo enquanto sentia mais lágrimas molharem a mão de Jin – Tanto quanto eu.
Jin retirou a mão de meu rosto suavemente e disse:
— Quanto mais rápido você for, mais rápido você se libertará disso.
— Ok.
***
Liguei para o telefone no cartão que o senhor Yamagoshe havia me dado e depois de alguns minutos um carro me levou até um galpão afastado do centro de Xangai.
Encontrei o Kei em uma sala pouco arejada, amarrado a uma cadeira e sendo vigiado por três homens, não parecia triste ou ansioso, estava calmo, me viu e então sorriu, sorriu como o Kei de antigamente e me disse:
— Então você veio. Estava tão preocupada com Jin e Ayana que eu realmente achei que você gostasse mais deles do que de mim.
Suspirei para me acalmar, mas não consegui evitar o sarcasmo:
— Você injetou tetrodotoxina nela e Jin estava queimando vivo. Não pude evitar.
Kei sorriu surpreso com a minha resposta e então eu completei o meu sarcasmo com um pensamento positivo sobre Ayana e Jin:
— Jin foi meu único amigo nos últimos meses e a Ayana foi uma parceira excelente. Quero a presença deles na minha vida no futuro.
— Eu sabia que você ia gostar do Jin – ele disse sério – mas da Ayana... Você mudou bastante.
— Claro – respondi com sarcasmo – Sabe como é, sofrer um atentado, perder um bebê e ver o irmão na UTI sem previsão de melhora, por causa do seu ex noivo e da atual namorada dele são coisas que mudam uma pessoa.
— Passou mesmo muito tempo com o Jin... Está tendo um comportamento passivo agressivo igual ao dele.
— É como você disse. Eu mudei bastante. Principalmente depois que vi o vídeo e ouvi a gravação.
Depois que eu disse isso, o sorriso de Kei sumiu e ele me questionou:
— Te mostraram a gravação.
— Sim. E vendo aquilo eu percebi que a Ayana tinha razão em tudo que me disse.
— E o que ela disse?
— Ela me disse que ser amado ou odiado por você, não faz diferença nenhuma. Essa situação que estamos vivendo foi causada por você, eu pensei em tentar te salvar, em te tirar daqui, mas não. Vai doer muito em mim saber que você foi executado e eu não fiz nada para impedir, não acho que deveria morrer pelo que fez, mas que deveria ser preso. Sei que vou sofrer por não fazer nada porque eu amo você, mas um dia isso vai passar. Meu irmão precisa mais de mim do que você, então se eu tiver que morrer por alguém, com certeza vai ser por ele.
Kei sorriu como se aquela resposta não fosse o que ele queria ouvir e então disse:
— Então, tudo bem Alice. Sempre soube que você não se sacrificaria por mim. Para você não faz diferença eu sei, mas só acho que você tem que saber que tudo que eu fiz, foi por amor.
— Então foi por amor que você fodeu com a minha vida? Por amor a quem? – meus olhos ficaram marejados e tentei me controlar ao máximo falava — Isso é tão egoísta.
— Eu te amava.
— Não amava não – respondi o encarando – Eu te amei, mas você não me amava. Quem ama não faz isso.
Pensei que ele não diria nada depois de ouvir isso, mas então ele deu o xeque mate. As palavras que ficariam na minha mente para sempre. Ele respirou fundo e me olhou nos olhos quando disse:
— Eu realmente te amei, Alice. Cada minuto de cada hora de cada momento que passamos juntos nesses três anos, mas eu não consigo mais não ser quem eu sou por você. Quando a Pei disse que não permitiria que eu me casasse com você eu senti um misto de ódio com alívio... Meu verdadeiro eu, ia despertar em algum momento e se eu te fizesse mal, nunca iria me perdoar. Não se preocupe comigo, vou dar um jeito de sair dessa, mas eu quero que você fique bem e seja feliz. Não quero que você seja mais alguém que eu destrui. Eu fiz tudo aquilo por egoísmo, porque eu não suportaria a ideia de te ver feliz sem mim, mas agora eu estou pronto para te deixar ir. Então espero que você esteja pronta para me esquecer também e se possível, me perdoar por toda essa bagunça que eu fiz na sua vida.
— Você fez tanta merda na minha vida, mas não posso negar que você foi os melhores três anos dela.
Não consegui evitar as lágrimas ao dizer isso e então percebi que Kei também não se controlou e aquela foi a primeira vez que o vi chorar.
O deixei naquele galpão minutos depois, sentindo um aperto forte no peito, um vazio no estomago digno de toda a tristeza e culpa que estava sentindo. Nunca havia sido tão difícil respirar. Aquela foi a última vez que eu vi Kei.
***
Me hospedei novamente em um hotel, não poderia ficar no hospital para sempre. Cerca de duas semanas após minha conversa com Kei, Jin havia recebido alta do hospital, as queimaduras não requeriam mais cuidados hospitalares. Os médicos conseguiram tirar a tetrodotoxina do organismo de Ayana, se ela não tivesse pedido socorro antes de ser pega por Kei, nunca teria sobrevivido. Antes de ir embora, me despedi dela no hospital, uma despedida simples, com troca de números de telefone e um abraço longo.
Jin me levou para o aeroporto e eu apenas me comprometi a destruir o pendrive que agora estava a salvo com Lydia. Jin conseguiu fazer o senhor Yamagoshe concordar com a ideia de sumir com o pendrive.
Em nossa última conversa ele me abraçou e disse:
— Eu voltei para a máfia porque eu não tinha mais esperanças para o futuro quando a Saori se foi, mas depois de muito tempo eu entendi que todo final é um recomeço. Independente de como termine. Sua única opção é seguir em frente e ser feliz. E eu espero que você seja feliz.
— E eu – disse o olhando nos olhos – espero que você recomece. Nem todo recomeço se baseia em fazer as mesmas coisas novamente.
— Somos dois errantes.
— E eu juro que vou acertar dessa vez.
Jin sorriu e então se soltou do abraço, me virei em direção a área de embarque, mas havia algo dentro de mim que eu queria dizer, mas não havia dito, não sabia quando o veria novamente, mas resolvi me virar em direção a ele e dizer:
— Vai soar estranho se eu disser que não quero te deixar?
— Agora nossos sentimentos estão confusos, deixe o destino te responder.
Sorri um pouco inconformada com a resposta de Jin e andei até a área de embarque.
***
Horas de viagem, optei por escalas rápidas, queria voltar ao Brasil e ver meu irmão logo. Pela ligação que tive com Lydia, realmente havia aparecido um doador, ela não havia entrado em detalhes sobre o transplante, mas a única coisa que ela me pediu foi para voltar o mais rápido possível.
Cheguei ao Brasil e antes de ir ao hospital, passei na casa do meu pai para tomar um banho e trocar de roupas, havia passado por tantos lugares que ia chegar ao hospital cheia de bactérias, então preferi me precaver. Peguei as chaves do carro do Chris, mas antes que eu saísse de casa, a governanta do meu pai falou comigo:
— Alice ligaram da faculdade perguntando se você ia destrancar o curso. Disseram que é a sua última chance.
— Te passaram algum telefone para contato?
— Sim – disse me entregando um papel — Eu anotei.
— Ótimo, obrigada.
Sai de casa ligando na faculdade, isso com certeza seria recomeçar, consegui avisar a instituição que eu voltaria a cursar no próximo semestre, cheguei ao hospital sorridente e animada com a possibilidade de melhora do Chris. Passei no balcão da recepção e consegui a identificação de visita, andei até o quarto quando encontrei Lydia abraçada com a minha avó, e meu pai olhando Chris pelo vidro, todos choravam, e ver aquilo arrancou de mim toda a animação que eu estava sentindo antes.
Era como o Jin havia me dito, se essa história fosse acabar do jeito certo, não acabaria bem. Quando meu pai me viu ele me abraçou firme e me disse:
— Eu achei que ele ia ficar bem. O doador apareceu, foi feito os transplantes, mas o coração... Era pequeno demais, seu irmão teve insuficiência cardíaca. E agora o quadro piorou, não sabem se ele vai sobreviver até o fim dessa semana.
— Eu preciso entrar no quarto, pai. – respondi aflita – Preciso tocar no Chris e falar com ele.
Meu pai falou com o médico sobre a possibilidade de eu entrar no quarto e visto o quadro desenganado de meu irmão, o médico autorizou. Vesti o traje hospitalar e enquanto entrava no quarto me lembrei do sonho, ele estava me esperando. A pior coisa do mundo é prender alguém que você ama por puro egoísmo de amar, amor não é um sentimento egoísta, foi o que eu aprendi nos últimos meses e querer que ele vivesse, quando seu corpo implorava para partir, não era amor, era qualquer coisa, exceto amor.
Então, andei até o lado direito da cama, segurei a mão do meu irmão e me aproximei de seu ouvido dizendo:
— Quem ama tem a péssima mania de achar que sabe o que o outro precisa. E eu vou tentar não ser assim, meu irmão. Você me disse que estava me esperando para poder partir. Eu estou aqui, pode ir agora. Vou ficar triste, mas vou ficar bem. Juro que vou cuidar da Lydia, do seu filho e do papai e da vovó. Vai em paz. Você nunca vai deixar de existir no meu coração, então eu nunca vou estar só.
Disse a última frase sorrindo e me distanciei de Chris com lágrimas nos olhos, sai do quarto e passei pelo corredor tirando as roupas hospitalares que vesti sob minhas roupas. Ignorei tudo ao meu redor, sentia as lágrimas quentes rolarem pelo meu rosto e em minha mente uma lembrança dolorosa, porém feliz da minha infância.
Eu estava sentada na grama do jardim, chorando porque minha avó havia sido cruel comigo novamente. Ela não quis medir as palavras quando falava comigo depois de se irritar por uma travessura de criança, naquele dia ela havia me dito que meu pai optou pela fertilização in vitro para o meu nascimento porque Chris estava doente, do contrario ele não teria mais filhos. Também disse que a saúde de Chris valia toda a dor de cabeça que eu causava... Eu... Na época uma criança de oito anos de idade. Lembro de sair correndo enquanto chorava pela casa, Chris me seguia para conversar comigo, me escondi por horas, mas Chris não parava de me procurar, até que ele me achou sentada na grama do jardim, a frente da estufa do papai.
Chris se sentou e viu que eu estava chorando, ele ficou em silêncio até que eu o questionasse:
— É verdade Chris... Que eu só nasci porque você ficou doente?
Chris suspirou acenando negativamente com a cabeça e disse sério enquanto olhava para o nada:
— Não fique triste pensando que você só nasceu porque eu fiquei doente, porque eu fico feliz sempre que me lembro que eu só estou vivo, porque você nasceu. E isso para mim é tudo.
— Tudo o que? – questionei o olhando.
— Imagine o prazer que é viver ao lado do herói que salvou sua vida? – ele disse passando o braço pelo meu pescoço e me fazendo um cafuné – E ainda por cima, ela é minha irmã! É um prazer inestimável! É um amor inestimável.
— Eu também fico feliz por saber que salvei você, mas e se eu tivesse nascido e você não tivesse sobrevivido?
— Então seria uma pena – ele respondeu me soltando de seu abraço – Eu não teria conhecido uma pessoa tão legal e doída como você. E pensando bem – me olhou rindo – teria sido um desperdício de existência mesmo não ter conhecido você. Eu preferia ter morrido mesmo.
— Cala a boca – respondi jogando grama nele.
— Sim, não quero que entre grama nela.
Nós dois rimos da situação e então eu disse:
— Se você ficasse doente eu faria qualquer coisa para te salvar.
— Sim, mas também é bom saber perder. Se algum dia eu estivesse quase morrendo e não tivesse como me salvar, iria preferir que você me apoiasse em tudo. Inclusive, na minha vontade de partir.
— Mas isso nunca vai acontecer.
— Se acontecer, eu ia querer que fosse assim.
Voltei das lembranças bem longe do quarto de Chris, ainda com as lágrimas caindo pelo meu rosto, perder não era bom e eu nunca havia aprendido a perder. Fiquei escondida do lado de fora do hospital enquanto chorava, sabia que toda a viagem até Xangai foi apenas uma forma de prolongar tudo aquilo, no fim nem a ajuda de Ayana com os órgãos funcionou.
Chris morreu naquele dia.
***
Mais um velório ao som de hallelujah, meu pai abraçava minha avó enquanto choravam, eu abraçava Lydia. Não há o que dizer quando um irmão, um filho, um neto ou o amor da vida de uma pessoa morre. Fiquei presa naquele silêncio, enquanto minha avó lamentava o quão antinatural era uma avó enterrar um neto. Meu pai apenas chorava e eu estava trancada na minha tristeza, foi difícil não querer ser fria, mas como Jin havia me dito, toda dor precisa ser sentida. Aquela dor foi tão forte, que achei que não conseguiria suportar.
Depois do velório e do enterro, meu relacionamento com a Lydia ficou um pouco distante, eu preferia ficar horas sentada na grama da casa do meu pai do que conversar com qualquer pessoa. Por indicação da Ayana, acabei procurando um psicólogo para fazer terapia, e foi uma boa decisão. Ayana se tornou uma amiga muito presente na minha vida mesmo que só conversássemos por telefone e computador. Voltei para faculdade e foquei minha vida nos estudos, vendi a casa que eu morava com o Kei e me mudei para uma república, precisa de amigos novos, conviver com outras pessoas. Aprender a fazer minha própria comida, lavar minhas roupas, cuidar de mim sozinha, sem ajuda da minha família.
No meio de todo esse processo, Arthur nasceu. O filho do Chris, e para escolher esse nome foi uma tormenta, minha avó queria muito que o menino se chamasse Christian em homenagem ao pai, mas eu e Lydia sabíamos a paixão que o Chris tinha pelo nome Arthur, por causa do livro favorito de O rei Arthur, enfim, nós vencemos e o garoto se chama Arthur e é incrível a ligação que eu sempre tive com esse garoto. Sou tia e madrinha do Arthur, o nascimento dele acabou me reaproximando da Lydia.
Anos se passaram e eu me formei em medicina, com muito esforço, minha família estava lá na colação de grau e as minhas melhores amigas, Lydia e Ayana. A verdade é que quando eu olhei naquela multidão de pessoas prestigiando os formandos eu senti falta de alguém. De alguém que foi importante para que eu decidisse recomeçar. Não via e não falava com Jin desde aquele dia no aeroporto, há quatro anos e pensei que talvez ele fosse aparecer na minha formatura, pelo menos Ayana havia me dito que tinha falado com ele.
O engraçado daquela situação toda é que não fiquei chateada com Jin pela ausência dele, aproveitei aquela semana com a Ayana para mais alguns dias bem loucos de bebedeiras e quando ela foi embora, tínhamos muitas histórias para contar.
O que não te falam sobre o curso de medicina é que existe algo muito concorrido chamado residência, é difícil de entrar, mas super satisfatório de sair. Escolhi cardiologia, sim, por causa do Chris. E novamente com muito mais esforço terminei mais essa etapa.
Minha vida estava calma, na completa monotonia de aperfeiçoar meus conhecimentos na cardiologia, trabalhar em plantões cansativos e visitar minha família quando eu tinha tempo. Exceto o Arthur, às vezes ele pegava o celular da Lydia e me ligava no meio do plantão para dizer o quanto sentia saudades. Ele me desconcentrava sempre que me ligava, porque eu sabia que estava ausente e ele me lembra tanto o meu irmão, que estar ausente me fazia ver o quanto eu estava sendo relapsa com a promessa que fiz ao Chris. Até que eu decidi que viajaria com ele nas férias, o local escolhido foi a Flórida, mais especificamente a Disney, o lugar dos sonhos de toda a criança. Lydia se excluiu da viagem então ficou combinado que eu iria com Arthur.
***
Cuidar de uma criança sozinha é completamente insano. É dar banho, lembrar que a criança come, lembrar que ela não consegue se limpar sozinha, mas fora esses contra tempos, Arthur é uma criança alegre, extrovertida e muito animada. Ele me lembra o Chris até no jeito de tirar os cabelos os olhos.
O que mais fiz na viagem foi correr atrás dele sempre que ele tentava pular em um personagem. O mais engraçado de tudo é que sempre que o Pateta percebe que o Arthur está se aproximando, ele foge.
O combinado foi quinze dias em Orlando e depois encontraríamos Lydia em Paris, mas no nosso décimo dia, Arthur seguia inconformado porque o Pateta fugia dele:
— Tia porque o Pateta foge de mim? Ele não gosta de mim.
Estávamos comendo em uma lanchonete e quando ele disse isso eu quase engasguei com meu milkshake, as crianças não tem mesmo noção das coisas:
— Você pulou em cima dele, não é Arthur? – disse rindo – Algumas pessoas não gostam disso.
— Se eu pedir desculpa será que ele volta a gostar de mim?
— Podemos tentar fazer isso.
— Podemos fazer isso agora?- implorou — Eu quero agora!
— Tudo bem.
Arthur se levantou da cadeira animado, porém antes que eu levantasse da minha cadeira um garçom me entregou um bilhete dizendo:
— O homem ali do fundo pediu para você ler antes de olhar.
— Ok. – respondi controlando a curiosidade para não olhar.
O bilhete estava escrito em japonês, uma língua que eu não falava há anos e podia jurar que estava até um pouco enferrujada, porém consegui ler:
“Um encontro é acaso, mas um reencontro é destino”
Olhei rapidamente para o homem ao fundo, oito anos se passaram sem que eu visse aquele rosto novamente e agora ele estava ali, sentado em uma cadeira alguns metros ao fundo me encarando com um sorriso alegre no rosto e eu não pude evitar sorrir quando o chamei pelo nome:
— Jin.
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