Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada

63 Capítulo 63 – Uma nova alvorada


Notas iniciais
Hannah: Pessoal, estou em lágrimas, mas realmente esse é último capítulo. Essa foi a estória mais longa que escrevi, e ela me marca principalmente por que é minha primeira parceria com Miky-san! Foi divertido, empolgante e desafiador escrever, mas fico feliz por conclui-la. Mas a caminhada não termina aqui, por que ainda em setembro teremos a segunda temporada, e prometemos altas novidades. Obrigada pelo carinho, por lerem e comentar. Até loguinho

Akai Ito havia se tornado um belo vilarejo, ocupado principalmente por lobos, alguns felinos e uma raposa. Sua população era a mesma, apenas uma centena de famílias unidas, mantendo o comércio aberto entre eles e festejando vez ou outra.

Kensuke, o Alfa lobo de Akai, havia se trancado no escritório ultimamente com seus betas Ryo e Seiji, além de Yamato que se tornou algo como “quase um beta” de Kensuke. Haviam várias propostas, e eles analisaram cada uma delas com um olhar crítico ou promissor. As ideias nada mais eram do que pesquisas feitas com a própria população. Os lobos tinham uma maneira tradicional de ver as coisas, além dos gatos serem uma espécie muito mais aberta e estar mais interessada em modernizar a vila e trazer novas culturas dentro de uma já construída.

— Eu não sei se isso é algo a ser levado em conta… Não creio que os lobos irão se adaptar ao estilo de vida dos gatos. — Kensuke falou cruzando os braços sobre o peito, com um olhar pensativo em algum ponto sobre a mesa.

— Nós poderíamos optar por uma votação. — Seiji comentou um pouco entediado. Eles tinham passado horas naquela sala e nenhuma proposta válida.

Kensuke olhou para Seiji, ponderando. Ryo tomou a palavra. — Pedimos o voto de quem dá a preferência ao estilo antigo, tradicional, e o voto a quem prefere novas mudanças ou algo como modernizar a vila a fim de ter o seu crescimento.

— Eu concordo com eles, Alfa. — Yamato falou.

Arqueando a sobrancelha, Kensuke suspirou e assentiu. — Primeiro eu quero uma pesquisa melhor aprofundada sobre as vilas vizinhas. Como é o estilo de vida deles e os métodos de sobrevivência de cada um. Então faremos uma votação e todos escolherão o que melhor acha que devemos investir aqui em Akai.

Yamato revirou os olhos enquanto os outros dois betas assentiram respeitosamente.

A reunião acabou com todos bufando entediados. Havia sido chato o suficiente ter feito já todas aquelas pesquisas, mas ainda sem chegar a um resultado que Kensuke aceitasse. Ele parecia muito indeciso sobre ouvir ou não Nanami nesse quesito de fazer mudanças na vila. Talvez Kensuke estivesse com medo de piorar, ao invés de melhorar a qualidade de vida dos lobos.

Ele fechou os olhos e recordou-se de uma conversar anterior.

“Nós sempre vivemos bem. Temos segurança, todos os alimentos que podemos cultivar, lojas para as compras e saúde de sobra. O que mais há de querer em Akai?”. Kensuke falou quando Nanami e Sayuri se reuniram para lhes oferecer suas ideias de melhora.

“Eu chamo isso de brega e não qualidade de vida, Kensuke.” Sayuri havia cruzado os braços com um bico. Ryo lembrava bem de como o Alfa olhou ameaçador para ele ao invés de olhar para o seu companheiro. Ryo tinha que tomar a responsabilidade pelos atos de Sayuri, isso era fato.

“Sayuri, não fale assim com o Alfa.”

“Eu sou um príncipe! Acha que viverei em terra de chão por toda a vida? Eu posso trazer o nosso conhecimento de Masao para cá e melhorar as coisas”. Sayuri havia dito com total convicção, e Nanami concordava com ele balançando a cabeça repetidamente. Ryo queria sorrir, mas eles pareciam tão sérios juntos, mesmo sendo tão fofos.

“Eu não vou aceitar a intervenção no nosso estilo de vida da forma que querem. Akai não precisa de mudanças. Depois do atentado que nos trouxe tantos prejuízos, não vou arriscar o meu povo a ficar insatisfeito comigo, caso eu quero modernizar a cultura deles”. Kensuke tinha saído nervoso do escritório aquele dia, e Ryo assistiu bem Sayuri olhar para ele incrédulo, enquanto Nanami saiu do escritório em puro desespero atrás de seu Alfa.

— Eu não posso entender porque ele é ignorante sobre isso. — Disse a Seiji, e o mesmo bateu em seu ombro em um gesto de amizade.

— Cara, sabe bem como Ken é. Ele é orgulhoso… Mas veja bem como já mudou as coisas. Pelo menos ele não ignorou as pesquisas de Nanami e Sayuri, as ideias deles. Ele tem pensado sobre isso repetidas vezes. — Ryo disse.

— Tem razão. — Seiji concordou.

Ryo viu Seiji entrar na cozinha, mas ele resolveu ir direto para casa. Aquele havia sido um dia e tanto. Tivera que fazer serviços comunitários pela manhã, um pouco de patrulha à tarde enquanto outros sentinelas almoçavam e viam seus companheiros. E agora à noite essa reunião exaustiva de duas horas de duração. — Eu preciso de um banho… Um jantar bem consistente. E de Sayuri.

Sim, ele precisava de Sayuri.

E foi quando chegou a sua casa, próxima a casa de Kensuke, o que lhe durou menos de cinco minutos de caminhada. Que Sayuri estava lá, praticamente debruçado sobre a mesa de jantar, dormindo profundamente, enquanto as luzes de vela iluminavam a sala de jantar de uma forma romântica.

A comida estava embalada para não estragar. Mas tudo… Parecia ter sido feito especialmente para um jantar a dois.

Um assado estava praticamente intacto dentro do suporte e parecia ter esfriado um pouco, além de todas as iguarias preparadas por Sayuri para uma noite especial.

O estômago de Ryo vibrou de fome e ele se sentou na outra extremidade da mesa, degustando da comida um pouco fria, mas saboreando com gosto e imaginando Sayuri correndo a tarde para preparar este jantar maravilhoso para ele, com tanto amor.

Isso fez seu coração inchar no peito, e ele olhou para Sayuri na mesa enquanto mastigava. Durante todo o jantar, ele ficou observando Sayuri e lembrando-se de quando o encontrou. Das vezes em que cuidou dele. Dos sorrisos que ele recebia todos os dias. De como Sayuri cresceu especial em seu coração e como se sentia sobre ele…

Era tão forte que Ryo corou acima de suas bochechas e respirou profundamente de boca cheia, evitando que seus olhos deixassem as lágrimas cair. Ele não era um sentimental, mas quando se tratava de seu companheiro… Ele não sabia como controlar os seus próprios sentimentos, pois o amava imensamente.

Quando terminou seu jantar, Ryo guardou aquilo que sobrou e tomou gentimente Sayuri em seus braços. O mesmo roncando suavemente em um sono pesado, sendo carregado até o quarto do casal no andar de cima.

Ryo o depositou na cama e retirou as vestes dele, se livrando de suas próprias para se deitar ao seu lado. Havia algo sobre Sayuri que inundava o seu peito de alegria. E sorrindo bobo, Ryo embalou Sayuri em seu corpo e beijou suavemente sobre sua testa.

Ele acordou no meio da noite com Sayuri tendo sonhos bons, rindo contra seu peito e apertando suas nádegas.

–oo0oo-

Seiji chegou à cozinha da casa de Kensuke com entusiasmo. Praticamente animado para encontrar Chizuru. Mas ele não estava lá.

— Chizu?! — Saiu pela porta dos fundos chamando seu companheiro, e Chizuru espiou atrás do muro florido.

— Seiji, estou aqui!

O beta caminhou para onde Chizuru estava e beijou sua bochecha assim que se aproximou. — O que está fazendo ai?

— Cuidando um pouco do jardim de Kensuke. Nanami tem ajudado na maior parte do tempo, mas ficou um pouco mais ocupado desde que Chiba surgiu… — Ele se preocupava em enterrar as mudinhas novas na terra bem preparada.

— O que está plantando, a essa hora? — Seiji perguntou se abaixando na altura de Chizuru que estava agachado, com as roupas sujas de terra e luvas grossas de jardinagem.

— São tulipas azuis. — Respondeu enquanto terminava com uma muda. Ele virou o rosto para olhar em Seiji, percebendo-o muito perto dele. Imediatamente o calor de Ryo tão próximo o fez ofegar. — C-Como foi à reunião com meu irmão?

Seiji olhou-o um pouco intrigado. — Ah… Sem resultados ainda. Kensuke não está muito certo da opinião dos gatos, ainda ponderando sobre uma possível votação para ver o que o povo acha sobre novas mudanças.

— Hum. — Chizuru olhou para suas mãos enluvadas, e pelo fato de ainda ser tão recente o casamento, certas vezes ele simplesmente não sabia como se comportar perto de Seiji. Ele treinou praticamente a vida toda para um dia se tornar um ótimo esposo, suprir todas as necessidades de seu marido e tudo mais, porém, ainda sentia-se tímido, sem ação e frequentemente com a mente em branco. Era só Seiji se aproximar que seu coração começava a bater tão forte no peito, seu corpo a suar frio e suas pernas a tremerem.

Seiji tocou seu ombro e Chizuru resistiu ao impulso de afastá-lo.

— Você ainda fica nervoso quando está perto de mim…

— Claro que não! Eu… Eu apenas… Eu… — Chizu não sabia que desculpa criar.

Seiji sorriu ao ver a bochecha de Chizuru enrubescer de seu ponto de vista. Ele estava virado para o jardim, tentando evitar olhá-lo diretamente.

Novamente tocando seu ombro, sua mão foi mais calma, simplesmente massageando-o, até que Seiji envolveu a cabeça de Chizu e a trouxe para seu peito, então passou os braços em torno dele e o abraçou. Chizuru resistiu ao abraço, mas não lutou muito até ceder.

— Você vai se sujar.

— Eu não me importo de me sujar. — Seiji o abraçou mais apertado e beijou um lado de seu rosto. — Só para ter um momento assim com a oportunidade de te abraçar, vale a pena qualquer coisa.

O lobo branco se contorceu no abraço de forma que ficasse de frente para ele, e afundou seu rosto no peito do mais velho. — Seu idiota. Não tem que me dizer essas coisas embaraçosas.

— Mas eu adoro o seu embaraço. — Seiji murmurou contra a orelha de lobo de Chizuru. E o mesmo apertou sua face contra o peito dele e suas mãos se fecharam em punhos nas vestes dele. — Que gracinha, você está envergonhado.

— Cale a boca.

— Eu adoro vê-lo assim… Poderia te atacar aqui e agora.

— Pare de dizer estas coisas… Vai que alguém escuta… — Chizuru olhou ao redor um pouco medroso.

— Se esqueceu que estamos casados? Que importância tem se alguém ouve? Ninguém tem o direito de nos criticar em nada. — Seiji puxou Chizuru a seus pés e o ajudou a retirar suas luvas sujas de barro. Ele olhou para si mesmo, vendo que suas vestes realmente se sujaram com a terra.

— Hum. — Novamente Chizuru não tinha como discutir isso. — Eu… Preciso trocar essas roupas.

— Eu vou ter a certeza de que fará. — Seiji lhe deu um olhar pecaminoso e Chizuru revidou batendo nele com sua luva suja. — Ei!

— Pare de ser um pervertido. — Resmungou se virando para sair em direção a sua casa.

— Você me crítica por isso… Mas ninguém sabe o quão pior do que eu você é. — Seiji brincou, mas recebeu um olhar fulminante de Chizuru, tendo o mesmo voltando para ele e lhe dando um baita empurrão.

— Cale a boca! Eu não sou pior do que você! — Mas você me faz ser na cama… O pensamento fez Chizuru atônico. Certo, ele não era mais um simbolo de pureza, porém, ser chamado de pervertido praticamente, não foi nada gentil e o fez se sentir tão sujo quanto suas roupas. Ele correu de Seiji, ouvindo o mesmo lhe chamar diversas vezes até ser alcançado e abraçado pelas costas. — Ei! Me solte!

— Calma, bebê. Você se chateou… Me perdoe. Eu estava brincando… Você sabe que às vezes eu digo algumas besteiras. Me perdoe, sim? — Seiji implorou ao seu ouvido, não permitindo que Chizuru fosse. E quando ele poderia permiti-lo se livrar do abraço, Chizuru praticamente quis ficar.

— Hum. — Chizuru olhou-o de canto. — Não diga isso novamente.

— Isso o que?

— Me chamar de pervertido.

— Está bem… — Seiji bufou. — Eu sou, mas você não.

— Isso mesmo.

O beta riu e virou Chizuru em seus braços para um beijo doce.

A noite brilhava bela e sedutora, ao que o casal chegou em casa e ambos trocaram suas roupas a fim de irem dormir, mas alguém bateu na porta e Chizuru sabia exatamente quem era.

— Shou está aqui. Eu o chamei para um chá.

— Eu pensei que fossemos jantar? — Seiji olhou-o confuso. Afinal já era noite.

— Eu… Eu não preparei… — Chizuru puxou seus próprios cabelos frustrado. — Eu… — Ele parecia tão desconcertado, perdido, o que fez Seiji suspeitar.

— Ei… Tudo bem, ok? — O beta não estava entendendo o que diabos havia com Chizuru, mas não iria começar outra discussão agora. Ele estava muito cansado. — Eu vou preparar algo para nós e… E então você me recompensa depois, o que acha?

— Tudo bem… — Chizu se sentiu ridículo. Ele havia se esquecido completamente do jantar. Isso era uma desonra para um ninshin.

Seiji foi para a cozinha a fim de preparar um jantar básico para eles comerem. Chizuru não se importou se usava seu kimono de dormir e correu para atender Shou na porta.

— Ual, você demorou. — Disse Shou divertido, mas então ficou preocupado com a expressão desesperada de Chizuru. — O que há de errado?

— Eu… Eu não consegui contar a ele. — Murmurou incerto.

— Contar…? — Shou olhou para ele curioso. — O que você precisa contar?

— Eu… Eu preciso que você me examine!

Shou olhou-o estranho, porém disse: — Eu irei te examinar então. Seiji sabe que me chamou?

— Agora ele sabe… Mas rápido. Eu preciso de um resultado logo!

A questão era, Chizuru havia se sentido cada vez pior nas últimas duas semanas. Começou com tonturas e desmaios. Seiji mesmo havia estado lhe rondando preocupado, mas ele sempre vinha com a desculpa de ter sua pressão baixa.

Porém Chizuru não estava aguentando nem ao menos sentir o cheiro de comida que seu estômago revirava. E o pior, estava completamente perdendo a noção do tempo e espaço, esquecendo-se de sua rotina e as vezes sua mente simplesmente nublava.

Não queria que Seiji soubesse sobre isso e ficasse preocupado, apenas contava com Shou que o livrasse de qualquer que seja a doença antes que se tornasse pior.

Shou tinha terminado com os exames de Chizuru. Ele tinha suas suspeitas do que era, porém resolveu não dar nenhuma indicação do que achava, antes de ter os resultados obtidos.

— Eu te recomendo que faça um repouso de alguns dias. Evitando qualquer esforço até soubermos exatamente o que é. Mas… Acho que seria uma boa ideia contar a Seiji que não está se sentindo muito bem.

— Não precisa. Agora eu já sei. — Seiji estava encostado à porta com os braços cruzados sobre o peito e ele parecia muito zangado. — Só acho que deveria ter me contado isso bem antes. Eu sabia que algo estava errado, mas você nunca me disse.

Shou se levantou agarrando sua mala, desconcertado por ver o casal muito desconfortável um com o outro. — Eu acho que vou indo. Mantenha uma dieta leve… Se precisar de qualquer coisa, mande me chamar.

— Sim, eu farei. — Chizuru se encolheu onde estava sentado.

Shou deixou o casal que já estava tendo problemas logo cedo, mas sabia que isso era normal. Podiam ou não acreditar, mas ele tinha discussões com Yamato o tempo todo, e ele considerava isso comum. Se não brigassem, iria ser um pouco estranho.

Depois que deixou a casa de Chizuru, Shou encontrou Yamato esperando por ele do lado de fora. Ele estava com o semblante fechado até ve-lo, ao que abriu um grande sorriso.

— Você parece ameaçador quando está pensativo.

— Eu sei bem disso. — Não era a toa que ele havia sido um assassino dos melhores. Ele sabia ser bem temível. Mas agora parecia um gatinho musculoso sorridente. — Notícias?

— Fiz alguns exames em Chizuru. Tudo indica ser uma gravidez. — Lhe contou sorridente.

Yamato parou e olhou para ele com grandes olhos. — Ual, sério? Eles mal se casaram e já estão esperando um filho? Espere… Mas os ninshins não precisam entrar no cio para ter bebês?

Shou buscou a mão de Yamato na sua e acariciou o polegar sobre a pele dele.

— Em parte é verdade, embora há muitas exceções.

— Aé? E quais são essas exceções? — Yamato perguntou curioso.

— Um ninshin pode ter bebês quando os deuses decidirem por ele. Não precisa ser exatamente no período de acasalamento. Já ouvi histórias assim entre os lobos na aldeia.

Yamato olhou para ele com um certo brilho nos olhos. — E você? Não poderia estar?

Shou parou em seus pés e olhou para ele atônico.

Yamato continuou olhando para ele e se divertiu em como o rosto de Shou explodiu em vermelho quente.

— Sem chance, Yama. — Shou disparou andando rápido na frente e Yamato tentando seguir os seus passos, porém ficando para trás. — Sem chance!

–oo0oo-

O dia seguinte amanheceu tão claro como nunca. O sol estava alto e brilhava, denunciando que mais tarde faria um calor escaldante. Embora as noites ainda fossem um pouco mais frias, os dias tinham sido insuportavelmente quentes.

—- Tenho saudades do gelo eterno em Akai…— Seiji comentou sem pensar, e em consequência, recebeu uns cascudos de Chizuru.

— Não diga isso! Nós não podemos reclamar do calor, porque nós nunca tivemos isso… Apenas gelo. — Repreendeu Chizuru.

Pouco tempo depois de caminhada, fazendo silêncio desde casa até a frente da casa de Shou, Seiji finalmente disse algo.

— Eu estou um pouco decepcionado que você escondeu isso de mim, Chizu… Mas, eu não quero discutir ou ficar chateado com você. Apenas queria que você entendesse que pode confiar em mim… E que deve parar de seu preocupar com o que eu vou pensar a respeito.

Chizuru olhou para ele por debaixo dos cílios, se sentindo mal pelo que fez. — Eu realmente não queria te chatear, Seiji.

— Eu sei, mas… Esqueça, apenas se lembre que somos um casal, então você deve confiar em mim tudo o que te acontece. Apenas eu posso te ajudar. — Seiji lhe disse amavelmente, o que fez Chizuru olhar para ele com carinho.

— Eu vou. Me desculpe. — Ele respondeu, aceitando um abraço.

Shou tomou seu tempo com Chizuru no quarto da clínica. Ele parecia um pouco intrigado enquanto verificava alguns frascos e fazia sua checagem.

— Então? — Chizu perguntou impaciente. — Descobriu qual é o meu problema?

Shou olhou para ele. — Você me disse que sua pressão tem caído muito ultimamente ao ponto do desmaio?

— Sim. — Respondeu apreensivo.

— Tem tido muito enjoo e poucas coisas consegue digerir?

— Exatamente…

Um sorriso tranquilo surgiu na face do curandeiro e ele foi até a porta e chamou por Seiji que parecia assustado.

— Então doutor?! — Seiji entrou exasperado no recinto com olhos repletos de preocupação. Assim como Chizuru que estava sentado olhando-o esperançoso.

— Como já foi feito os exames certinho… Eu consegui ter a certeza do que Chizuru realmente tem. E de acordo com os sintomas dele, é muito provavel que realmente seja.

— Diz logo! — Chizuru se levantou olhando-o em desespero. — Por favor!

— Você está esperando um bebê, Chizuru. — Disse diretamente e sem rodeios. Foi cômico como quem desmaiou foi Seiji no divã, e Chizu caiu contra a maca atônico, sua boca aberta e olhos arregalados. — Você não vai dizer nada? — Shou fingiu não perceber Seiji desmaiado no divã. Foi quando Yamato entrou com Minky e se assustou com o corpo inerte do beta.

— Isso é brincadeira? — Chizuru lhe perguntou com as sobrancelhas arqueadas em desconfiança. Vendo que Shou apenas sorriu para ele daquele modo sincero, fez seu coração inchar o máximo no peito e esquentar como brasa. Ele olhou para seu ventre envolvido por um obi bem apertado, e ele não conseguia imaginar uma criança ali.

Shou se sentiu emocionado por si próprio em dar a notícia. Ele assistiu Seiji ser acordado e cobrir o rosto com as mãos, emocionado demais para dizer qualquer coisa.

— Mas como? — Seiji perguntou depois de fungar. Se recompondo, se sentindo envergonhado por ter chorado na frente dos outros, coisa que raramente fazia.

Shou olhou para Chizuru e cruzou os braços sobre o peito. — Chizuru sabe muito bem, não é mesmo? — E o outro ninshin olhou debaixo de seus cílios, envergonhado.

— Eu roubei sua poção… Pensei que iria aliviar meus desejos por Seiji antes do casamento… — Ele torceu as mãos em seu colo, corando violentamente. — Mas no final das contas, aquela poção teve o efeito contrário.

Shou continuou em cima de seu embaraço. — Aquela poção tinha o poder de fazer um ninshin entrar no cio novamente. E isso aconteceu com Chizuru. — Era uma explicação plausível. — Mas ainda sim poderia ser uma excessão também… Vai saber.

Minky puxou o kimono de Shou. — Papy, o que é mesmo cio? — Ele perguntou.

Shou congelou, corando profundamente suas bochechas. Yamato e os outros riram, porém embora Shou tentasse explicar de uma forma que levasse o garotinho a compreender em sua inocência, ainda sim foi muito complicado.

Chizuru foi abraçado por Seiji e eles decidiram entre eles comemorar pela boa notícia, embora fosse aterrador. Espere só Kensuke souber.

–oo0oo-

— Eu estou te dizendo, Nana-chan. Você precisa ser mais ousado. Já é um menino casado e ainda tem vergonha de ser sexy para Kensuke? — Sayuri perguntou enquanto terminava de amarrar o laço em torno da yukata que Nanami vestia.

Nanami resmungou. — Kensuke diz que está bom do jeito que eu sou. Porque preciso ser mais ousado? — Ele estava com um bico até Sayuri apalpar suas nádegas firmes e massageou de cima para baixo. — Ei!

— Owwn, santo deus dos gatos. É disso que eu gosto. — Sayuri esfregou o bumbum de Nanami, até que seu próprio rosto estava queimando vermelho. — Você é tão gostosinho Nanami… Será que Kensuke e Ryo não negociariam comigo para eu poder te beijar inteirinho uma única vez? Você sabe que é o meu maior sonho!

Nanami grunhiu e ele pulou longe de Sayuri com os olhos arregalados e ofegante, além de suas bochechas vermelhas.

— Sayuri pervertido! — Resmungou. Seu amigo olhou-o predatóriamente. — Fique longe de mim! — Miou quando Sayuri praticamente partiu para o ataque, correndo em círculos pelo quarto atrás de Nanami. E finalmente quando conseguiu abraçá-lo por trás, esmagando-o contra si, Nanami explodiu uma nuvem e se transformou em um gatinho branco alvoroçado, pulando para fora da janela e correndo para longe.

— Aaah, ele fugiu… — Sayuri choramingou se jogando contra o futon de Nanami. — Nanami tão gostosinho… — Sayuri abraçou um travesseiro, resmungando por muito tempo.

Já o gatinho branco só parou de correr quando tropeçou em uma pedra e saiu rolando até parar em seus pés, espirrando. Ele amava muito Sayuri, mas tinha medo de quando ele vinha lhe encochando daquela forma, era constrangedor e lhe deixava muito envergonhado. Não era como se sentisse nojo, mas simplesmente não podia seguir. Sayuri sempre parecia ultrapassar os limites, nada como um carinho qualquer.

Agora caminhando tranquilamente pela rua, Nanami parou atrás de uma carroça, percebendo Maiko e Megume logo à frente, conversando divertidamente com Misaki. O sorriso de seu pai era tão genuíno, tão sincero, que somente denunciava sua alegria, sua tranquilidade e o quão satisfeito ele estava.

Foi instintivo Misaki ergueu o seu nariz para cima farejando algo, assim como Chiba fez o mesmo, e ambos olharam na direção de Nanami.

— Acabei de me lembrar de umas coisas que tenho que resolver, nos falamos mais à tarde! — Dito isso, Misaki levou Chiba consigo para baixo da rua, até chegarem a um campo mais aberto, próximo a borda da floresta que regia Akai até a montanha.

Nanami os seguiu. Ele não gostava muito de que os lobos o vissem em sua forma animal, pois era muito pequenino e o fazia se sentir indefeso e frágil. Quando ele alcançou seu pai, rapidamente escalou em suas roupas, até seu abraçado contra o rosto de Misaki.

— Meu Nana-chan, tão doce e adorável… — Seu pai o mimava daquele jeitinho tão único dele. Chiba sorriu grandemente para eles, e assim que estavam fora de vista dos cidadãos de Akai, Chiba foi quem se transformou em um grande tigre siberiano, grunhindo divertido e empurrando os outros dois para dentro da floresta.

Nanami pulou do colo, e Misaki se transformou em um gatinho branco também, mas este um pouco maior do que Nanami e mais peludo. Eles miaram um para o outro, e divertidos, apostaram uma corrida até lugar nenhum.

Foi bom, até o olfato deles os fazerem freiar em suas patas e dar cambalhotas, até se estabelecerem. Exceto por Chiba que era grande demais.

Kensuke estava com outros rapazes cortando lenha. Nanami não o lembrava de já tê-lo visto ali, mas fez seu coração encheu de amor. Misaki empurrou o focinho em Nanami quando os outros sentinelas deixaram Kensuke sozinho.

— O que estão fazendo ai? — Kensuke largou o machado de lado e caminhou em direção para onde os gatinhos estavam e um tigre imenso. — Os sentinelas perceberam vocês, mas eu os mandei embora. Estão fazendo um passeio?

Nanami assentiu, assim como Misaki soltou um alto miado divertido. Ele parecia não estar tão acostumado ao seu próprio lado animal.

Assim, Nanami, Misaki, Chiba e Kensuke passaram a tarde em um passeio divertido. Kensuke, claro que havia se transformado em lobo e se divertido na corrida. Chiba era um pouco bruto pelo seu grande tamanho, mas sem nunca machucar ninguém, embora quando ele se colocava de barriga para cima, e os outros subiam sobre ele o arranhando, só se ouvia o alto ronronar dele.

Kensuke mordeu Nanami em seu pescoço e enfiou seu focinho em suas partes íntimas, o que fez o gatinho grunhir para ele. Misaki, claro que não ficou quieto, e mordeu a cauda de Kensuke. Foi então uma corrida, os quatros correndo atrás de suas caudas.

Foi uma total surpresa quando uma pantera amarronzada — sua cor indefinida — apareceu, correndo em total velocidade desde a floresta até atacar Kensuke, rolando ambos para longe. Era Naoki, que ficou todo carinhoso com Misaki, ambos se rodeando e esfregando seus focinhos juntos.

Kensuke bufou, sua língua pendendo para fora. Ele caiu cansado sobre a grama repleta de flor dentes de leão, e Nanami veio para ele, lambendo instintivamente sua orelha. Kensuke envolveu uma pata sobre ele, e o fez deitar. Chiba deitou também bem pertindo deles e ronronou, fechando os olhos, com o focinho entre suas fofas patas.

Nanami suspirou feliz, refletinho sobre o quão alegre ele se tornou no último ano. Na verdade ele passou por um bocado em todo esse tempo, porém agora ele finalmente havia encontrado seu ponto de paz, a alegria que ele tanto buscou desde pequeno.

Seus pais estavam ali, carinhosos um com o outro e lhe dando toda a atenção que podiam. Kensuke, mesmo envolvido com os problemas de Akai e sempre tão ocupado, não deixava de mimar Nanami e cuidar dele sempre que podia. Agora eles tinham Chiba, que também teve momentos muito difíceis, e pelo que Nanami compreendeu, a alma dele praticamente renasceu em uma criança pequena. Embora Nanami soubesse que seria difícil de cuidar de Chiba, ele estava disposto a dar o seu melhor.

Akai ainda estava sendo construída, demoraria até mais de um ano para tudo estar pronto, porém Kensuke estava sendo ótimo em liderar a vila e ajudar a todos com seus problemas. Os perigos estavam quase nulos, porém quem não estaria em alerta seria um tolo. Nunca se sabe que outros ataques, sabe-se lá de quem, poderia surgir. Era por isso que a segurança sempre estava bem reforçada e todos trabalhavam bem nela.

Na verdade, os lobos eram grandes trabalhadores. Nanami os admirava bastante. Os gatos também eram, e ele queria se mostrar cada vez mais util.

Em pensar que de uma vida solitária, triste por estar sozinho garantindo, não o seu sustento, mas sim sua sobrevivência… De repente ele estar aqui, com uma familia tão grande, com seus pais e tantos amigos. Nanami queria chorar de alegria.

Ele sentiu seus olhos celestes de gato se inundarem com lágrimas, e Kensuke gentilmente soltou sua língua macia e grande para lambê-lo. Não foi como lamber suas lágrimas, Kensuke era tão maior que lambeu todo o focinho de Nanami de uma única vez.

Ele seria feliz principalmente com seu lobo grande. Enquanto estivesse com ele, sabia que nunca seria solitário. O amor que sentia por seu lobo Alfa, lhe fazia forte e esperançoso. Nanami sabia que ainda tinha muito mais pela frente, ele esperava estar bem preparado para tudo, pois com certeza daria o seu melhor!

Fim



Notas finais
Miky-san: Olá queridos :3 Obrigada por lerem Akai. Agradeço muito a todos os que comentários, aos que nos recomendaram, e pelo carinho. Foi realmente extenso a história... Nos rendeu 63 capítulos, mas isto porque nos deixamos levar completamente por nossa imaginação. Mas o que mais me orgulho, é que minha parceria com Hannah valeu a pela, realmente escrever com ela foi show, nos tornamos grandes amigas enquanto escrevíamos essa fic. Foi meeega divertido, eu juro que chorei em certos momentos, escrevi rindo ou sorridente, além de que me sinto orgulhosa por não ter atrasado uma bendita vez... Se eu fiz, eu não lembro KKKKK mas nós corremos muito para sempre ter um capítulo pronto a cada domingo. Nos perdoe se houve errinhos, se decepcionamos em qualquer momento, ou se faltou algo mais... Porém embora não somos profissionais em bulhufas sobre escrita e essas coisas, usamos de tudo o que temos para criar todo o drama. Não se sinta desamparado depois que acabou, porque vem ai a segunda temporada ! tcharãam ! kkk Estamos já trabalhando nela, então não se desanimem porque não vai demorar muito para retornarmos com mais! E claro, prometemos dar nosso melhor para nada entediante, e sim uma trama emocionante. É o que esperamos fazer :D Obrigada queridos por tudo, nos vemos na continuação... O que espero que vocês acompanhem! Beijinhos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!