Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
53 Capítulo 53 – A festa surpresa
Notas iniciais
Capítulo 53 – A festa surpresa
Shuichi sentiu-se constrangido diante dos olhos fixados nele enquanto terminava de passar hidratante em suas pernas. Agora que era casado e pai, devia se cuidar ainda mais atentamente, mesmo que a genética de Were permitia envelhecer mais lentamente que humanos – tinha um marido lindo e cobiçado, e deveria se cuidar por ele.
— Pare com isso! — Pediu para o marido. Fazia um mês que Yuuri tinha nascido, e a relação deles floresceu ainda mais belamente.
— Mas és tão belo... E digno de ser admirado. — Yunsuke recitou. Esse levantou da cama trajando apenas uma calça de tecido leve na cor branca e aproximou-se do amado, abraçando-o por trás, permitindo que seus corpos ficassem juntinhos. — A cada dia que o vejo, o amo mais e mais... — Declarou.
Shuichi não pôde evitar corar. — Quero ver se dirá isso quando ficar velho e enrrugado. — Falou com um risinho. Sentiu seu coração aquecer quando as mãos grandes de Yunsuke acariciaram sua barriga por debaixo da yutaka de dormir. Seu estômago estava liso, nem parecia que tivera um filho.
— O amarei mesmo quando ficarmos velhinhos... Encher de rugas e nos tornar ranzinzas. — Falou ao que virou Shuichi de frente para si. Sua mão acariciou ternamente a face do outro. — Para sempre, Shuichi!
As faces se aproximaram permitindo que os lábios se tocassem levemente. Yunsuke rodeou o corpo amado com carinho e gentilmente os levou para a cama, fazendo-o cair sobre Shuichi.
— N-não... Espere Yunsuke... — Shuichi gaguejou. — Já fizemos hoje cedo. — Murmurou com a face rubra.
Yunsuke sorriu abertamente. — E faremos de novo e de novo... Pois é nossa forma de expressar o amor que sentimos. Neh... E estou duro. — Falou escondendo o rosto na curva do pescoço de Shuichi.
Shuichi não pôde evitar rir. Seu marido parecia um adolescente na ebulição de seus hormônios. — Ok... O quanto quiser... — Murmurou forçando Yunsuke erguer a face e encará-lo.
Os lábios se encontraram novamente em um beijo mais carregado de paixão e necessidade.
— Eu te amo. — Shuichi declarou em meio ao beijo.
— Eu sei, Shuichi. Eu sei. — Ele desceu pelo corpo, e beijou o interior da coxa de seu amado ninshin.
As palavras de Yunsuke o fizeram sentir fragilizado... Como o mais precioso ser que era protegido e cuidado por seu amor.
Shuichi gemeu.
— Yunsuke... Não me provoque... — Shuichi suplicou.
— Jamais, meu amor. — Yunsuke respondeu sofrego.
Um braço deslizou para baixo de Shuichi enroscando em seus cabelos, inclinando sua cabeça em um ângulo melhor para um beijo mais firme. Shuichi era completamente incapaz de pensar com os lábios fechados nos de Yunsuke.
Eles trocaram beijos afoitos, ao passo que suas mãos trabalharam arduamente para desfazerem de cada peça de tecido que impediam o contato pleno.
— Você é tão gostoso. — As palavras de Yunsuke acariciaram calorosamente o ponto debaixo da orelha de gato de Shuichi, o fazendo tremer.
— Yun-chan... Eu... Pare... — Shuichi estava tão desconcertado, que não sabia ao certo do que falava, apenas deixava-se mergulhar naquele mar de sensações.
Yunsuke soltou uma alta risada. — Parar o que?
— De me beijar. Vou ficar sem ar. — Shuichi resmungou, apenas para sentir-se bobo, porém a mão em seu cabelo massageando suavemente a parte traseira do seu pescoço, deixando-o incerto.
— Muh! Mas farei mais do que simplesmente beijá-lo, docinho. — Yunsuke provocou.
— Sim! — O menor dos gêmeos gritou quando a língua quente lambeu as bordas de sua orelha felpuda antes de guiá-la entre seus lábios macios, mordiscando.
— Por que não? A sensação não é boa? — Yunsuke indagou.
Shuichi abriu a boca para responder, mas os lábios de Yunsuke estavam de volta para outro beijo hipnotizante. Shuichi choramingou, deixando-se derreter nas sensações que seu amado causava nele.
— Yun... — Shuichi gemeu, sentido o calor percorrer seu corpo.
Yunsuke riu, se empurrando para se equilibrar no cotovelo do braço que ainda segurava o cabelo de Shuichi.
— Mmm, jamais me cansarei de ti... — Falou. Ele desceu pelo corpo de Shuichi, tocando cada pedacinho de pele com seus lábios quentes.
— Espere... — Shuichi implorou. Ele queria aproveitar aquele momento, mas diante dos toques de seu gêmeo, tudo que podia fazer era gemer e tremer... Deixando sua mente totalmente em branco.
Shuichi viu seu próprio peito subindo e descendo muito rápido sobre a palma da mão de Yunsuke.
O olhar de Yunsuke vagueou abaixo do seu pescoço, e logo a sua cabeça desceu em direção ao de peito de Shuichi.
Shuichi se contorceu, mas Yunsuke ainda lhe segurava pelo cabelo e o prendeu entre suas pernas. Ele finalmente se lembrou das suas mãos esquecidas, envolvidas nos ombros de Yunsuke, enquanto a boca quente de Yunsuke encontrou um mamilo.
Shuichi ofegou.
Depois de dar a luz a seu filho, seus mamilos tornaram-se sensíveis ainda mais do que antes, e Yunsuke parecia sempre tirar proveito disso.
Yunsuke lambia os mamilos de Shuichi, girando a língua ao redor do ponto rígido antes de chupar. Quando ele mordeu, Shuichi foi inteiramente incapaz de parar de curvar as costas e empurrar o peito para o outro.
Yunsuke lançou seus mamilos com uma risada macia.
— Delicioso. — O novo Imperador murmurou, enquanto beijava pelo peito de Shuichi até que ele alcançou o outro mamilo.
Yunsuke continuou descendo, até que pairou sobre a intimidade de seu amado. Ele segurou aquela dureza na base, e cedeu uma longa lambida na cabecinha, continuando atormentando a ponta, enquanto apertava ligeiramente a ondulação no meio do eixo. Ele empurrou os seus lábios abaixo no comprimento de Yunsuke, gemendo na sensação da pele deslizando debaixo de sua língua.
— Sim... Yun-chan! — Shuichi gemeu arrastado. Ele enfiou os dedos pelo cabelo do marido, apertando ligeiramente o seu couro cabeludo.
As mãos de Yunsuke ficaram em concha nas bolas raspadas de Shuichi, maravilhando-se com a maciez da pele. Ele lambeu a volta do eixo e retornou à ponta, sugando com força e entusiasmo.
— Yun, se você não parar, eu vou gozar. — Shuichi choramingou.
Yunsuke aumentou a sucção no pênis de seu amante, balançando a cabeça para cima e para baixo.
Líquido quente encheu a boca do atual Imperador, e ele tomou cada gole com gula, no final, Yunsuke riu suavemente, se ajoelhando diante de Shuichi. — Eu adoro o seu sabor.
Ansioso por mais, Yunsuke puxou Shuichi a se levantar e de volta para a cama. Eles caíram de lado no futon e passaram a se beijar languidamente, sem pressa. Mas antes que avançassem adiante, um estridente choro ecoou, fazendo Shuichi empurrar Yunsuke com tudo, o derrubando no chão, enquanto saiu correndo pelo quarto sem ligar por sua nudez.
Yunsuke grunhiu, mas antes de falar algo, Shuichi sumiu pela porta que interligava ao quarto do filho. Se levantou do chão e pegou sua calça a vestindo, e depois tomou a yutaka de Shuichi, seguindo para o quarto.
Entrou no belo berçário, ricamente decorado para o filho, e deparou-se com Shuichi inteiramente nu e ninando o pequeno Yuuri. — Aqui amor. — Yunsuke ajudou Shuichi a se vestir, intercalando Yuuri nos braços. — Acho que alguém quer atenção também. — Brincou.
— Eh... Está com fome. — Disse Shuichi. Ajeitou Yuuri deitado em seus braços e o levou ao seu mamilo. A natureza tinha seu curso, mesmo que fosse um homem, sendo ninshin, seu corpo era preparado para alimentar seu filho.
O pequeno balbuciou quando encontrou o mamilo, e o tomou nos pequenos lábios – mamando com força. Shuichi gemeu e acariciou os cabelos do pequeno.
— Desculpa... — Pediu ao marido com um suave sorriso.
— Não peça... É nosso filho, ele vem em primeiro lugar... Mas certamente depois que ele dormir de novo, você será meu. — Avisou colocando-se atrás de Shuichi e apoiando o queixo no ombro dele, enquanto admirava o filho mamar.
O quadro que se seguia certamente era belo. Uma pequena família feliz.
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O sol surgiu no horizonte com todo seu resplendor, tocando cada parte da floresta, terra, lagos e vilarejo... Tanto gatos como lobos.
A vida começava a rugir na Vila Akai, e seus habitantes estavam bastante animados com a festa que ocorreria naquele dia. A fim de que tudo desse certo, todos se esforçavam em fazer suas partes. Já o Alfa ficara com a missão mais importante, distrair seu esposo, do contrário estragaria a surpresa.
Mas naquela manhã, alguém que praticamente coordenava a festa, estava ausente. O pequeno embrulho, moveu-se debaixo dos cobertores fofos, em um rugido baixo.
Os olhos se abriram e enxergaram tudo preto e branco, denunciando que estava em sua forma animal. O pequeno lobo branco moveu-se para fora do cobertor e então colocou-se em suas patas. Os olhos percorreram o local, tentando identificar onde estava.
O lobo tombou a cabeça para o lado. Aos poucos percebeu que estava em seu quarto. Mas agora vinha o fato, quando chegou nele?
Fechou os olhos e deixou a transformação o tomar, e logo o lobo foi embora dando espaço ao nishin de longos cabelos negros, pele alva e olhos azuis. Chizuru olhou tudo com cuidado, e então reparou em seu corpo... Mas precisamente as marcas avermelhadas. Ele se levantou e gemeu de dor em uma parte especial em seu corpo, e isso desencadeou as memórias.
Agora recordava. Estava se sentindo estranho perto de Seiji, e então tomou a poção da clínica de Shou, somente para descobrir que era uma poção de acasalamento. Erro seu ao pensar que inibiria, pois ela o fez entrar no cio. Então pulou para as cenas em que Seiji o perseguiu até a planície de flores e o inevitável aconteceu... Eles fizeram amor pela primeira vez.
Chizuru corou fortemente. Havia sido tão perfeito sua primeira vez. Seiji cuidou dele com carinho e o fez ver estrelas de olhos fechados. O prazer... A emoção da união deles...
O sorriso sumiu da face de Chizuru, dando espaço a vergonha. Ele caiu sentado no chão e escondeu a face entre as mãos. — O que eu fiz?! — Murmurou. Havia estragado tudo.
Seu sonho sempre fora casar virgem... Segundo as leis de seu povo... E entregar-se somente ao seu marido. Ok! Seiji era seu noivo e dali algumas semanas iriam se casar.
— Isso! Ninguém precisará saber... Iremos nos casar em breve. — Respondeu para si mesmo. Ele tentou segurar as lágrimas que ameaçavam cair, e buscou acalmar sua respiração. — Mas... Tenho que evitar que aconteça novamente.
Foi retirado de seus pensamentos quando batidas soaram contra a porta de seu quarto, e logo depois veio a voz de seu pai.
— Chizu... Acorde! Tem de ajudar na organização da festa. — Seu velho pai falou.
Chizuru ouviu o som dos passos se afastando. — Sim! A festa. — Ele se levantou rapidamente, sentido uma pontada de dor, mas a ignorou e seguiu para o banheiro. Tratou de tomar um lento banho e vestir-se com esmero. Quando saiu de seu quarto, seguiu até a cozinha, encontrando o seu pai tomando chá.
— Pa-pai... Onde eu... Quando cheguei? — Perguntou com medo.
Seu pai o encarou imparcial. — Chegou? Saiu ontem?
Chizuru ficou confuso. Não fora um sonho, lembrava que fora para a planície e fez amor com Seiji... Então dormiu. Ele tinha a prova disso, a dor em seu traseiro.
— Sim! Não lembro quando voltei da casa de Kensuke. — Mentiu.
O Ancião deu os ombros. — Fui dormir cedo ontem, não vi quando chegou. — Seu pai disse, retornando a bebericar o chá de ervas relaxantes.
Chizuru suspirou. Torcia para ninguém ter percebido. Ele tratou de tomar um rápido café da manhã e então saiu para ir ao centro da Vila, ver como estava tudo.
Chizuru seguiu lentamente pelo vilarejo, cumprimentando alguns aldeões, mas quando viu Seiji ao longe conversando com alguns sentinelas – possivelmente dando orientações para como preparar a carne do churrasco – o moreninho paralisou.
Quando Seiji ergueu o olhar e o encarou sorrindo, Chizuru sentiu um grande desespero crescer dentro dele. Sem saber o que fazer, entrou em pânico quando Seiji despediu-se dos guerreiros e seguiu em sua direção. Munido de vergonha e medo, Chizuru virou para o caminho contrário ao noivo e saiu correndo.
Correu o máximo que suas pernas permitiram, e entrou afobado na casa de Ryo e Sayuri.
— Chizu-chan? — Sayuri indagou ao ver o amigo arfando e parecendo em pânico total. — O quê?
— Posso me esconder aqui? — Chizuru pediu suplicante.
Sayuri olhou sem entender nada. — Er... Eu ia sair agora... Vou ver Nanami, porém se quiser conversar...
Chizuru negou com a cabeça. — Não quero conversar... Apenas me esconder por um tempo. Não diga a ninguém, muito menos a Seiji! — Falou apressado.
Sayuri realmente não entendeu nada. Sabia o quanto Chizuru era apaixonado pelo namorado e queria se casar com ele. — Ok... Ryo já saiu... E eu não demoro. Fique à vontade. — Sayuri disse confuso. Ele beijou a bochecha de Chizuru e então saiu da casa, mas realmente preocupado com o amigo.
Já Chizuru seguiu para um dos quartos de hóspedes. Apenas precisava se acalmar... E quando tivesse tudo controlado, iria conversar com Seiji. Mas não agora.
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Misaki acordou empolgado. Naoki tinha lhe contado que hoje era o aniversário de seu filho Nanami, e que todos estavam preparando uma festa surpresa. Misaki que agora tinha Nanami como um filho, mal podia esperar. Claro, Naoki o fez prometer surpresa e nem mesmo dar os parabéns... Pois Nanami não se lembrava do aniversário, e isso faria a surpresa ainda maior.
Misaki queria dar um lindo presente, mas não sabia o que exatamente. Havia acordado cedo e praticamente vasculhara toda a casa e vila atrás do presente perfeito, mas nada.
Mordendo o lábio inferior de nervosismo, aproximou-se de Naoki, que estava na varanda dos fundos da casa lendo um bom livro.
— Neh... Nao-chan... — Sussurrou incerto.
O feiticeiro ergueu o olhar e sorriu para o esposo. — Oi docinho... Onde esteve? — Naoki perguntou ao que estendeu a mão para Misaki, que aceitou. Ele puxou o loirinho para se sentar entre suas pernas e encostado contra seu corpo.
— Eu fui a Vila... Mas não achei nada para Nana-chan... O que dou a ele? — Perguntou em dúvida.
— Aposto que somente sua presença o fará feliz. — Declarou, mas Misaki negou com a cabeça.
— Não... Quero dar algo... Uma coisa especial e que vai protegê-lo. Ele tende a se envolver em muitos problemas. — Misaki falou.
Naoki sorriu. Gentilmente acariciou os cabelos loiros de Misaki. Queria tanto que Misaki recordasse logo das coisas. — Já sei... E se fizer um colar?
Misaki virou para olhar para o amado. — Colar? Mas não sei fazer um...
Naoki riu. Misaki não lembrava, mas sempre teve habilidades com flores e joias. Sabia desenhar e confeccionar perfeitamente. — Aposto que se surpreenderá se tentar. Façamos o seguinte... Eu vou ir rapidinho em Masao, lá tem lojas que vendem variadas peças. Compro e te trago algumas... Assim, você tenta fazer um lindo colar para Nanami!
Misaki sorriu realmente empolgado. — Vai me ajudar? — Perguntou feliz.
— Com imenso prazer. Aproveito e compro algo para ele também. — Naoki concluiu. Ele inclinou-se para frente e cedeu beijinhos na bochecha de Misaki. — Juro que não vou demorar.
Misaki se afastou colocando-se sentado sobre as pernas e sorrindo lindamente. — Obrigado! Obrigado! — Disse feliz. Oh sim, ia dar o melhor presente para Nanami... Para demostrar todo seu amor para com ele.
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— Ual, isso realmente ficou bom em você Nanami! — Sayuri bateu as mãos juntas, seus olhos brilhando em admiração ao ver Nanami vestido tão lindamente.
O were branco vestia um belo kimono que Sayuri fez questão de lhe dar de presente. Não era um dia grande ou alguma data especial, era? Nanami não se lembrava. As camadas superiores eram em uma tonalidade violeta, tendo a terceira inferir de cor branca. Saltinhos pequenos de madeira, e além disso, Nanami usava um conjunto de flores e presilhas no cabelo.
Seu rosto estava corado. — Me sinto uma gueixa usando tudo isso. Nem mesmo no meu casamento me vesti tão… Tão… — Como ele descrevia isso? Um exagero talvez.
— Não está exagerado, se é o que pensou. — Sayuri se levantou do futon onde antes repousava, e rodeou Nanami analizando as roupas e o penteado. Seus cabelos estavam em o coque concentrado em apenas um lado com os enfeites. Mechas caíam sutilmente pela face adornando seu rosto para um efeito especial. — Você está digno de ser o cadela Alfa. Todos irão reverenciar a você por sua beleza e o que representa nesta vila. — Sayuri teve um ataque de repente. — Owwwn, tão mega fofo! Não posso resistir ao meu gatinho das neves! — E o ruivinho tomou o branquinho em um abraço apertado. Nanami lutou para se afastar. Impossível.
Sayuri quando estava atacado, virava um grude. Mas Nanami tinha de rir, seu amigo certamente era o melhor. Em seu coração, confiava plenamente nele.
Kensuke havia saído bem cedo, Nanami nem tinha o visto sair, ele dormiu até mais tarde sem noção de tempo e o único que o acordou foi Sayuri.
Na noite passada Nanami sentiu falta do toque e carinho de seu marido, porém o lobo Alfa não estava muito a fim. Esperava que não fosse por algo que Nanami fez ou deixou de fazer, porque ele não fazia ideia.
— Eu não entendo porque tenho que me vestir tão bonito para um evento de política… O que é um evento de política? — Perguntou depois de se tocar que era outro fato que não fazia ideia.
— Er… Hum… — Sayuri parou o que fazia e encarou Nanami. — Eu não sei… Em Masao tinhamos “eleição” para decidir os chefes de bairro e os líderes de cada região. Também para decidir os novos conselheiros e outras funções políticas. Mas nunca participei de qualquer um.
— Entendo… — Nanami não entendeu bolhufas. — É só por hoje… Então tudo bem. Espero que Kensuke seja bonzinho depois. Acho que mereço algum doce… — Uns beijinhos e abraços também, mas ele não diria sua carência para Sayuri.
Meia hora depois Chizuru chegou ao quarto de Nanami com uma expressão bastante suspeita. Algo como uma mistura entre tímido e nervoso.
— Oi meninos. — Os cumprimentou quando entrou e fechou a porta atrás dele.
— Já passou? — Perguntou Sayuri meio preocupado.
— O que houve? — Nanami olhou de Sayuri para Chizuru, vendo o lobo branco único suspirar.
— Chizuru não estava muito legal de manhã e pediu para ficar em minha casa até passar. — Explicou Sayuri ao que abraçou Chizuru apertado e depois estapeou fracamente as bochechas cheias dele. — Está me parecendo triste? Aconteceu algo?
— Não! Não! — Chizuru gritou se afastando e acenando a frente dele. — Absolutamente nada. Apenas estava um pouco confuso por causa de Seiji, nada demais.
—Uh… Está bom! — Nanami sorriu convencido logo de primeira.
Sayuri por outro lado ainda olhava desconfiado. — O evento já começou?
— Sim… Eu vim para levá-los. Está muito bonito, Nana-chan. — Chizuru sorriu convencido pela aparência brilhante de Nanami.
Sayuri tinha uma mão mágica certamente, Kensuke iria ficar ainda mais apaixonado.
O irmão do Alfa levou os dois gatos consigo para fora do casarão. De longe era possível se ouvir a música tocada pela banda da vila, além da alegria do povo. Tudo parecia muito animado e Nanami estranhou, porque ele não imaginava que um evento de política seria assim. Para ele, iria ser algo monótomo. Talvez uma passeata e pessoas discursando coisas chatas.
Mas ele se permitiu ir de espontânea vontade, curioso para como esse povo festejava.
Ele tinha gostado dos casamentos, como o seu próprio. As festas haviam sido super divertidas e até o fez ter coragem para tentar alguma dança. Mas o melhor era a comida, Nanami sempre comia até se encher!
— Por que estamos indo por aqui? — Perguntou o gatinho sem entender, mas o olhar malicioso que recebeu de Sayuri e Chizuru o fez congelar. Ambos o seguraram pelos braços e Nanami gritou, tendo alguém atrás dele com um cheiro familiar, vendando os seus olhos.
Seus outros sentidos ficaram ainda mais aguçados, embora Nanami sentisse medo por não saber o que diabos estava acontecendo, porém se permitiu confiar. Toda a vida nunca teve amizades ou companhias que lhe agradassem. Pessoas que fossem verdadeiramente boas para ele sem ser por algo em troca. E neste lugar, em Akai Ito, Nanami tinha encontrado sua verdadeira família. Não pessoas com seu próprio sangue ou espécie.
Foi entre os que os gatos consideravam inimigos, que Nanami encontrou seu refúgio, seu verdadeiro laço familiar.
Ele miou quando tombou para o lado de Sayuri, seu amiguinho aproveitando para endireitá-lo e fingir uma mão boba contra o seu traseiro.
— Nana-chan, vamos devagar. Temos uma surpresinha, meu amor. — A voz de Sayuri estava melosa, e ele certamente estava escondendo algo.
— Uh, o que vocês estão escondendo, hein? — Perguntou divertido.
— É surpresa, só verá quando chegar! — Chizuru falou sorridente. Ele olhou para Sayuri e piscou, o mesmo piscou de volta e aproveitou para dar um beijinho na bochecha de Nanami.
— Está se aproveitando de mim, Sayuri-chan! — Nanami choramingou, suas orelhas se movendo no alto de sua cabeça, captando todos os sons, enquanto seu nariz farejava o caminho e então farejou muita comida!
— O que você vai fazer, hum? Vai me bater? — Sayuri provocou lambendo os próprios lábios. — Você sabe que sou mais forte.
— Sayuri! — Nanami choramingou de novo.
— Parem vocês dois… — Shou sussurrou por trás deles. Ele era quem havia posto a venda em Nanami. — Olhe, já chegamos!
A venda nos olhos de Nanami fora retirada, e o que seus olhos azuis celestes viram, o fizera se emocionar completamente.
Eles já se encontraram no centro da vila, uma multidão de pessoas gritaram “surpresa”, e Kensuke e seus amigos estavam bem a frente deles, sorridentes. Acima, havia um grande cartaz escrito “Feliz aniversário Nanami”. As lágrimas foram inevitáveis de cair, por mais que Nanami segurasse o choro. Ele não era um bebê, mas sentiu-se como um. Emocionado, a maior alegria de sua vida em ter sua primeira festa de aniversário.
Ele nem mesmo se lembrava de que hoje era sua data especial em que completava seus quatorze anos.
Kensuke puxou Nanami para seus braços, o abraçando quente e terno. Todos bateram palmas, envolvidos com a alegria do gatinho.
— Obrigado Ken-chan… Mas… Mas e a política? — Ele perguntou com o rosto abafado contra o ombro do alfa, pouco a pouco cessando as lágrimas.
Kensuke continuou a abraçá-lo, nunca o deixando. — Não há política, meu amor. Foi invenção minha para que pudéssemos trabalhar em preparar uma grande festa para você. Merece meu querido Nanami… Te disse que minha maior alegria é vê-lo feliz. — Kensuke se afastou um pouco, ao que tomou um lencinho do bolso e enxugou as lágrimas e o nariz escorrendo de Nanami.
— Você é esperto… Me enganou. — O gatinho fez um bico, mas depois sorriu. — E… E… Eu estou tão feliz!
— É isso mesmo! Tem que estar feliz! Vamos todos festejar por mais um ano de vida do Cadela Alfa! — Kensuke gritou para todos ouvirem e todos os lobos gritaram de volta animados. A música voltou a tocar e os aldeões de Akai passaram a dançar, comer e curtir muito aquele início de noite. A festa estava programa para se estender até o amanhecer. Hoje era dia de comemoração, comilança e grandes encontros. Eles estavam livres para se sentirem alegres.
Depois de todos estarem espalhados, curtindo seus pares e amigos. Nanami estava exclusivamente com Kensuke, terminando de bebericar um de seus sucos preferidos. Uma mistura de uma porção de frutas que para ele saboreava como céu.
— Neh Ken-chan… Obrigado pela festa. Ficou tão perfeito!
Kensuke sorriu para ele, deixando sua taça de lado. — Estou feliz de que esteja gostando. Quero que todos festejem com você e por você. E por um lado, certamente é um evento político também, pois como sendo Cadela Alfa, te dá o direito de me ajudar a governar.
— Sé-Sério? — Nanami ficou surpreso. — Ma-Mas eu não sei governar…
— Não disse que faria… Mas que pode me ajudar quando sentir necessidade. Sua opinião é importante, gatinho. — E Kensuke se arrependia das vezes em que não prestou atenção as palavras de Nanami.
O gatinho branco o surpreendia a cada dia. Primeiro fora com aquele poder que o curou de repente de um envenenamento que o levaria à morte de um dia para o outro… Então os últimos pressentimentos que Nanami tivera, como a certeza sobre a inocência de Maiko.
Kensuke ainda tinha algumas dúvidas sobre o que acontecia com seu amado, mas ele tinha o intuito de que só descobriria tudo com o tempo.
— Ken-chan… — Ouviu Nanami murmurar. Seu olhar estava focado para frente e parecia sem brilho, o que o assustou.
— Sim… Tudo bem Nanami? — Perguntou preocupado. Sentia a aura ao redor de Nanami ficar estranha.
— Sinto algo… — Olhou para ele de forma esquisita, seus olhos se fecharam em fendas como se ele olhasse desconfiado. — Estou com um mau pressentimento.
— Oh não… — Kensuke murmurou olhando ao redor procurando por algo fora do normal. Foi então que ele viu uma cena completamente perturbadora, que ele nunca imaginou que iria ver.
Foi a total quebra de confiança.
Seiji estava descaradamente beijando um ninshin, mas que não era seu irmão Chizuru. Ele o beijava com fervor, como se amasse e desejasse aquela pessoa que Kensuke nem sabia o nome.
Mas o pior não era isso, era que a apenas alguns metros, estava seu irmãozinho, assistindo de camarote. Um olhar ferido em seu rosto dizia a Kensuke que as coisas tinham se afundado até o inferno e que o coração de Chizuru, mais uma vez, se fechou de novo.
Agarrando a mão de Nanami e saindo em meio a multidão, Kensuke viu a expressão de várias pessoas surpresas com a cena.
— O que está acontecendo aqui?! — Chizuru gritou quando o choque se transformou em ódio total.
Seiji se separou do beijo ainda abraçado ao outro ninshin que parecia desnorteado.
— O que foi Chizuru? Por que vem me atrapalhar?! — Ele gritou. Sua face completamente tomada por ódio.
— Po-Por que…? — Perguntou desnorteado. Todos estavam em volta assistindo a cena humilhante. Chizuru não sabia o que dizer. Ele tinha ódio, raiva, mas não conseguia saber o que falar ou como se defender. Pois seu coração estava quebrando aos pedaços. As lágrimas vieram, mas não foi como um alívio, parecia que cada gota era como ácido, e sua garganta secou, doendo terrivelmente.
— Não é claro, óbvio para você?! — Seiji empurrou o Ninshin para cima dos outros e se virou para ele com um sorriso de escárnio. — Eu já tive o que queria de você… Abriu as pernas lindamente para mim ao ar livre e me deu sem hesitar. — A platéia fez um “oh”, todos cochichando e os olhos de curiosidade então se tornaram de desprezo para Chizuru.
Como ele pode ter tido a coragem de se desonrar assim? Isso não era um crime, mas era contra a tradição desses povos, só não parecia certo.
— Seiji! — Chizuru gritou com o último de seu esforço, seu corpo tremia enquanto ele tinha a maior humilhação de toda a sua vida.
— Você é ridículo Chizuru… Só porque é um príncipe sempre se achou melhor do que todos… Sempre com seu nariz empinado e seu jeito arrogante de ser. Nem mesmo eu te aguentava… — Falou como se fosse outra pessoa. Aquele não era o Seiji que Chizuru conheceu, que o cortejou por tanto tempo. — Eu apenas fui com você porque queria me aproveitar. Tão fácil não? Te conquistei tão rápido… Mas penso que não vai ter alguém que vai gostar um dia de alguém como você… Porque é desprezível.
Chizuru não quis ouvir mais, ele sentiu Sayuri e Shou em suas costas, tentando movê-lo longe. Suas pernas não queria funcionar, tudo parecia em branco para ele como se o sentido de tudo tivesse sido perdido e se transformado em branco.
Chizuru olhou uma última vez para trás ao ver Seiji rindo histéricamente dele como se fosse uma espécie de piada o que se passou.
Não queria acreditar.
Sua vida acabou. Da pior forma.
Por outro lado, Kensuke quando chegou ao tumulto, abriu caminho, mas Seiji ao vê-lo, arregalou os olhos e sorriu, partindo para o meio da multidão e correndo.
— Fique aqui! — Kensuke colocou Nanami parado e correu. — Pegue-o!
Seu beta Ryo e os sentinelas começaram uma perseguição atrás de Seiji, que desapareceu em meio a multidão. Então Kensuke, quase desistindo da corrida após perdê-lo de vista, vendo seus sentinelas se transformarem e correrem, esbarrou em alguém.
— Ei, Kensuke! — Seiji sorriu com uma bebida em mãos. — Estou procurando Chizuru, você o viu? — Como se nada tivesse acontecido.
— Maldito bastardo! — Kensuke agarrou Seiji pelo pescoço, a taça caindo e quebrando em mil pedaços.
— Ken… Pare.! — Seiji estava sufocando. — O que… Foi?
Os sentinelas se reuniram em torno dele, além de Ryo. Todos ressentidos com a situação.
— Levem-no para o calabouço. Mas dessa vez quero que dobrem a segurança e vigiem dia e noite. Seiji está condenado à forca.
Continua...
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