Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
5 Capítulo 5 – Nanami e o Lobo Misterioso
Notas iniciais
kkk
Espero que curtam o capítulo. Agradecemos a cada comentário. Que foram respondidos com carinho.
Boa leitura!!
Capítulo 5 – Nanami e o Lobo Misterioso
Aquela era a oportunidade perfeita. Ninguém para vigiá-lo, em algum lugar da aldeia em que praticamente ninguém estava prestando atenção nele. Nanami era esperto, mas ele não pensou muito em alternativas. Sua ânsia de fuga era tão grande que seu corpo moveu-se sem o consentimento de seu cérebro, e ele saiu desembestado para dentro da floresta gelada.
Era tão difícil correr com aquelas malditas sandálias de salto alto. Nanami não sabia andar com elas, muito menos correr. Além de que seu kimono era enorme e chegava ao chão.
Não demorou muito para que sua corrida fosse bruscamente travada por um grande tropeção. Nanami era o símbolo perfeito de ser um destrambelhado e causador de danos em si próprio. Ele mal poderia dar um passo sem correr o risco de se machucar. E o fato de não se alimentar muito bem ou cuidar de sua saúde direitinho, o fazia vulnerável ainda mais quando se feria. Normalmente Weres poderiam se curar facilmente e rápido, sem se preocupar com machucados ou arranhões. Mas Nanami era completamente frágil e estava repleto de marcas de como ele não sabia se cuidar sozinho.
Como era de se esperar, ele torceu o tornozelo quando tropeçou um pé em uma grande pedra que ele não enxergou durante a corrida. Seu calçado ficou para trás, além de um gemido que poderia provocar uma avalanche. Em seguida, ao tentar equilibrar-se, Nanami tropeçou novamente, pois o seu outro pé agarrou no próprio kimono, e droga! Ele estava à beira de um barranco.
Não que fosse uma distância tão grande, mas a queda que Nanami teve foi o suficiente para sentir algo se deslocar em seu corpo. Nanami desceu toda a colina rolando e se batendo em pedras e galhos escondidos na neve, até que por sorte entrou em uma caverna ao invés de dar de cara com a parede de pedra e se esborrachar.
O gatinho rolou até atrás de uma grande pedra. A batida foi por demais dolorosa. Nanami até tinha perdido o fôlego para gritar ou para gemer sua dor. Essa tinha sido umas das suas piores quedas em toda sua vida! Estava com muito, muito medo de ter quebrado algo em seu corpo.
Levantou muito devagar e dificultosamente seu tronco, até que seus olhos enlanguesceram com a imagem logo atrás da pedra.
Primeiro: Nanami estava em um lugar belíssimo. Era uma caverna com paredes decoradas por pedras brilhantes, além de plantas bonitas e flores brotando. Havia desenhos por todas as paredes, desenhos antigos que provavelmente representavam os antepassados dos lobos.
Mas o que mais lhe chamou a atenção foi o que havia logo a sua frente, seus olhos nunca brilharam tanto como agora. Nanami esqueceu toda a dor de seu corpo e o que tinha lhe acontecido segundos antes quando se levantou e viu um homem — forte e lindo — de costas para ele, banhando-se em meio à piscina de águas termais.
Ele detinha um corpo forte, um porte atlético como faziam parte das características dos lobos. Braços musculosos e costas definidas. Mas Nanami sentiu seu queixo cair quando ele se levantou e virou-se para ele com uma expressão completamente curiosa e ao mesmo tempo, indignada.
Quando ele se virou, Nanami sentiu um mar de novas sensações nunca antes sentidas. Seu coração sacudiu em seu peito e bateu como um grande tambor, além de — o mais estranho — seu íntimo esquentou graus muito superiores ao seu corpo frio e congelado, mas agora isso não pareceu importar.
Ele era tão lindo... Tão... Perfeito! Ele tinha orelhas de lobo no alto de sua cabeça, além de uma longa cauda felpuda cobrindo-lhe o traseiro. Nanami se derreteu ao olhar para os detalhes de seu peito esculpido, todo o seu abdômen definido... Céus, o que era aquilo entre suas pernas? Porque, santo Deus dos gatinhos, era muito maior que o seu!
— Mas... O que diabos está fazendo aqui? — O homem era malditamente grande comparado a ele. Nanami se sentiu um pequeno bebê perto dele.
— E-Eu... — Deuses, como ele se sentiu estranho agora. Ou melhor, Nanami ficou desesperado. — Você... Eu não posso... Eu não poderia...
— O que? — O homem saiu do pequeno lago de águas terminais. Ainda sim, Nanami se perguntou como diabos alguém poderia nadar em um lago assim — mesmo com água morna — em um frio terrível como o que estava fazendo. Só agora ele se tocou de que estava com muito, muito frio.
— Po-Por que o seu... É tão maior que o meu? — Apontou para o pênis do mais velho, sendo que ele somente conhecia o seu que era proporcional ao seu corpo pequeno. — Aaah não! Eu vi um homem nu... Eu trai o meu futuro marido! — Foi como se uma bomba relógio estourasse, pois Nanami entrou em pânico, ele começou a chorar. — Eu trair aquele com quem vou me casar... Eu nem o conheci e já o trai... Ele é o Alfa, vai me matar... — Adeus sonhos, adeus pequenas esperanças, adeus Sayuri. Nanami estava indo para o inferno como um menino mau.
O homem suspirou, recolhendo um casaco muito grande e algumas roupas. Ele se vestiu, mas usou o casaco para cobrir os ombros de um Nanami em completo desespero, chorando como um bebê.
— Eu não posso mais viver! Eu sou lamentável! Como pude ter traído o homem com quem vou me casar... Isso é abominável! Eu te odeiooo! — Nanami foi pego no colo, ainda chorando tanto que seus olhos embaçados não viam nada além de um borrão.
Conforme o homem andava em meio à floresta gelada, reparava em como o pequeno garoto se acalmava, soluçando com um bico adorável. Ele não costumava admitir e nem queria, mas a questão, é que aquele garoto era um verdadeiro gatinho choramingando sua perda.
Com o passar do tempo, Nanami dormiu em seus braços. O homem o levou até a aldeia, e quando viu os seus betas, além de seu pai, ele bufou com raiva.
— O que eu disse sobre tomar conta dele? Por acaso vocês não sabem lidar com um simples gato? Olhem o tamanho dele, parece uma criança! — Kensuke, o suposto homem suspeito que levava Nanami em seus braços, gritou para os seus companheiros.
Quem tomou a dianteira em defesa foi Seiji, talvez por ser o mais paciente e articulado com as palavras. — Ke... Alfa, lamentamos. Falhamos na responsabilidade de tomar conta de seu noivo. Mas sinceramente não pensamos que ele ousaria fugir. — Disse abaixando a cabeça em submissão.
Tanto Seiji e Ryo inclinaram as suas cabeças prontos para receberam os seus castigos, mas o Ancião Chao interveio. — Eles não têm culpa, os ordenei para que ajudassem a preparar a cerimônia! Na verdade, foi mais um teste para seu noivo. — Disse em mansa voz.
— Um teste? O que ainda duvida meu pai? Feliz que ele tenha reprovado? Pois em primeira oportunidade fugiu. — Kensuke disse rugindo de raiva.
— Na verdade, diga-me você meu filho, ele reprovou? — O Velho Lobo perguntou como se soubesse mais do que todos, ou ate do próprio alfa.
Por frações de segundos, os olhos de Kensuke arregalaram, dando conta que de alguma forma seu pai sabia do ocorrido na caverna. Logo a expressão imparcial voltou, mas ele inclinou a cabeça encarando o pequeno gatinho nos braços, e lembrou-se do desespero do ‘príncipe’ ao dar-se conta que havia visto outro homem nu e que traíra seu futuro marido.
— Uhh! — Ele resmungou, e virou sobre os pés. Ele entrou na tenda separada propositalmente para Nanami, era tradição do acasalamento dos lobos que o noivo ficasse na tenda, como forma de espiar-se da vida de antes para entrar na nova. Com cuidado, colocou o pequeno na cama feita de peles de animais, e sem perceber retirou uma mexa loira que cairá sobre o rosto de Nanami.
Muitos poderiam pensar que Kensuke fosse o vilão ou autor daquele tratado de paz, mas a verdade, que para ele era tão difícil quanto para o príncipe, não somente pelo fato que casaria com um gato, mas ia contra seus sonhos ou crenças. Desde filhote, Kensuke sempre imaginou que se apaixonaria e pediria sobre a borda do lago da caverna sagrada sobre um manto de borboletas dançantes ao seu amor em casamento... E os dois teriam a cerimonia mais linda além de uma noite de núpcias magica. Selariam suas vidas juntas e formaria sua família... Mas a realidade era diferente, e ele era obrigado a casar-se com um total desconhecido.
Por sua matilha, aqueles que tinham como família, estava disposto a se sacrificar... Afinal, os lobos haviam perdido muito naquela guerra, e um tratado de paz iria garantir a eles prosperarem e melhorarem de vida.
Quando Kensuke deu conta ao que fazia, puxou a mão rapidamente e levantou-se, mas permaneceu encarando o pequeno que dormia. Não negava. Ele era gracioso e lindo, mas para ele o amor ia além das aparências.
— Isso é uma grande confusão! — murmurou esfregando a grande mão no rosto.
— Pelo visto ele estragou todo kimono novo! — Uma voz melodiosa se fez presente, obrigando a Kensuke girar sobre os pés e encarar a sua origem.
— Chizuru! — Citou o nome de seu irmão. Chizuru sempre foi seu melhor amigo e confidente, de alguma forma, seu irmão era a parte suave de sua vida... Para quem tinha que liderar e cuidar da segurança e bem-estar de todos.
— Não tem que fazer isso, podemos arrumar outro jeito. — O delicado lobo ditou aprofundando mais no interior da tenda. — Ele... Não é digno de você. Um gato imundo e mesquinho.
— Já chega! Ele se tornará meu esposo, então pare de insultá-lo. Devia me ajudar e não aumentar meu... Tormento! — Kensuke disse as ultimas palavras visivelmente cansadas.
— Ok! Não falarei mais. Agora saia... Não devia tê-lo visto antes da cerimonia, isso pode trazer azar. Preciso acordar esse... e arrumá-lo novamente. — Chiruzu disse sem muita paciência. Pelas suas vestes, poderia dizer que se encontrava pronto para o ritual mais tarde.
— Ok! Tenho que terminar de conferir algumas coisas antes de ir me arrumar. — Kensuke disse andando para a saída, mas deu uma parada ao lado do irmão. — Seja suave com ele! Está em um lugar novo e com medo!
— Devia pensar mais em você do que em um estranho... — Chizuru falou fazendo um bico. — Mas... Tentarei pegar leve. — Disse.
Kensuke deu sorriso agradecido e saiu da tenda. Ele seguiu pelo Vilarejo de Akai cumprimentando aos aldeãos pelo caminho rumo a sua casa. Ele realmente precisava de um momento sozinho antes de se arrumar para aquela noite. Antes do novo amanhecer seria um homem casado e devia deixar tudo que ocupava o seu coração até aquele momento para trás.
–oo0oo-
— Meow... — Pequenos miados ecoaram, mas quem olhasse não veria seus donos, visto que eles achavam escondidos dentro de um cesta que era coberta por um manto azul bordado com desenhos de cerejeiras.
— Shii! Quietinhos, ou alguém vai descobrir vocês. — O jovem príncipe disse com a voz carregada de angustia. Sayuri seguia em passos firmes e rápidos pelos corredores do castelo.
Ele torcia para que seu pai não tivesse notado a sua ausência. Ele havia passado o dia fora, justo na pequena e humilde casa do amigo na sua espera, mas em momento algum teve sinal de Nanami, isso apenas fez sua angustia aumentar e chorar amargamente.
Quando o sol começava a esconder-se no horizonte, Sayuri foi obrigado a voltar para casa. Não querendo deixar os gatinhos sozinhos, os escondeu dentro de uma cesta e cobriu com um dos mantos que tinha dado a Nanami um tempinho atrás.
Mas sua maior dor veio quando saía da casa, ousou perguntar a uma das mulheres que moravam perto. No começo ela disse que não sabia nada da vida de um gato vagabundo como Nanami, mas depois que Sayuri deu uma moeda pelas informações, ela disse que no dia anterior alguns Samurais invadiram a casa de Nanami e o levou preso.
O desespero cresceu em Sayuri, e mais que depressa voltou para casa. Sabia que se perguntasse ao general ou conselheiro, não falariam nada.
“Nana-chan não fez nada... Não é criminoso...”, Disse em pensamento. Seu amigo jamais machucaria ninguém ou roubaria... Nanami não deveria estar preso. Sayuri sabia que poderia contar somente com duas pessoas, e mais que depressa seguiu para perdi ajudar aos mesmos.
Mais que depressa Sayuri foi até o seu próprio quarto, justo o closet, e colocou a cesta com os gatinhos no canto os descobrindo: — Neh Preciosa e Lobo fiquem aqui quietinhos. Vou tentar perdir ajudar para libertamos Nana-chan! — Disse como se os pequenos o entendesse. Após fazer uma caricia na cabeça dos gatinhos brancos, Sayuri levantou e saiu do closet fechando a porta de correr, e saiu rapidamente de seu quarto. Precisava encontrar os seus irmãos.
Seu desejo era de chorar, mas munia-se de forças que não existiam em si, e seguiu pelo corredor. Sabia que pelo horário seus irmãos deviam estar em seus quartos.
Sem bater na porta ou pedir licença, Sayuri empurrou a porta de correr em tela do quarto de Shuichi, e entrou com tudo.
— Say... Devia bater antes! — Shuichi disse sentando em seu futon, fechando seu caderno de desenho para impedir que o irmão mais novo visse o que desenhava. O mesmo vestia um yutaka azul escuro e tinha os cabelos bagunçados.
— Shui-chan... Ajuda-me! — Sayuri pediu jogando-se na cama do irmão e encolhendo nos braços dele. Ele deixou as lágrimas virem com força. — Por favor... Ajuda-me...
— O que foi Say-chan? Quem o feriu? — Shuichi se desesperou. Uma coisa que ele odiava era ver seu adorável irmão triste ou chorando.
— Não estou ferido! — Murmurou em meio ao choro, o que resultou em suas orelhas caídas. — Levaram meu Nana-chan, o prenderam Shu-chan!
— Espere, não estou entendendo Say... Quem é esse? Algum animal de estimação? Sabe que não podemos ter animais aqui no castelo. — E era um fato que ele próprio odiava.
Sayuri chorou ainda mais, ele esteve muito preocupado desde ontem. Perder seu melhor amigo era como perder uma parte de seu coração. Ele era muito especial para si, até mais do que muitos em sua família.
— Eu sei que vai brigar comigo... Até me odiar pelo que vou te contar Shu-chan... — Sayuri fungou quando se afastou. A expressão no rosto de seu irmão era cômica, ele parecia muito confuso e preocupado ao mesmo tempo.
— Sabe que eu nunca vou odiá-lo Say... É o meu precioso irmão. Eu quero somente o melhor para você, e cuidar de ti e te dar o meu amor. Sabe como sou apegado a você, não é? — Shuichi falou gentilmente, acariciando as orelhas de seu irmão caçula. — Pode confiar em mim, se precisar, manterei segredo!
— Shu-chan... — Sayuri mencionou seu nome, completamente emocionado, tanto que lágrimas não paravam de rolar por seu rosto. — Eu tenho um melhor amigo... Eu amo tanto ele, e agora ele foi preso! Eu tenho certeza que Nanami nunca fez nada de ruim! Ele é a pessoa mais doce e inocente que já conheci.
— Espere um minuto. Você disse Nanami? Er... Não está falando do filho do traidor, não é? Tem mais alguém com este nome na cidade? — Bem, Nanami era muito conhecido por todos, primeiro porque ele era um excluído e vivia no bairro mais pobre em Masao. Segundo que ele era odiado por cada santo cidadão, além de que era conhecido por dar azar e ser péssimo em tudo o que fazia. Além de mau educado e uma péssima influência.
— Ele não é o que está pensando. Não é o que todos dizem Shu-chan! Tem que acreditar em mim! Nana-chan é meu melhor amigo... Eu o conheço melhor que qualquer um. Sei o quanto ele sofre pelo preconceito de todos. Ele nunca fez mal a uma mosca! Mas descobri que soldados o pegaram na casa dele e o prenderam. Ajude-me a salvá-lo, por favor!
Sayuri estava realmente em completo desespero. Shuichi não teve dúvidas de que a situação realmente importava para seu irmão caçula. Nunca que havia o visto assim, tão desesperado e carente de ajuda.
— Olhe... Eu não conheço esse seu amigo. Devo tê-lo visto muitas poucas vezes e só escuto o mau sobre ele... — Suspirou pesado. A expressão que Sayuri fez foi tão dolorosa, tão triste... Que se tocou que o mesmo realmente amava este tal de Nanami. — Eu não sou alguém que pode fazer muito, ao menos posso ajudá-lo no que for possível... Mas eu exijo que depois me apresente esse seu amigo. Tenho que conhecê-lo para saber se ele realmente merece estar perto de você, Say. — Shuichi foi bem claro e autoritário, assim como sabia que seu irmão gêmeo seria.
Sayuri se iluminou com a resposta do irmão. — Sim! Obrigado Shu-chan, eu sabia que podia contar com você! — Se jogou em seus braços, abraçando-o apertado. Seu irmão riu e retribuiu o abraço com carinho. — Eu prometo que irá conhecê-lo quando o encontrarmos. Você vai adorá-lo, ele é lindo e fofo!
Shuichi não teve como não reparar em como os olhos de Sayuri brilharam. Ele torceu para que não fosse o que parecia ser... Se Sayuri estivesse apaixonado por este Nanami, certamente iria se magoar muito. Sendo que muito em breve seu pai estaria vendo um prometido para ele, e Sayuri seria obrigado a se casar e gerar para a nova geração da realeza, assim como a si próprio e seu irmão gêmeo, Yunsuke.
Sayuri e Shuichi se moveram pelos corredores em busca de Yunsuke. Ele não estava em seu quarto. Passado a sala de treinamento ou a sauna. Procurando pela ala de quartos reais, imaginaram que talvez ele pudesse estar com seus amigos jogando alguma coisa, ou talvez apenas tirando um cochilo por ali.
Mas foi para a surpresa de ambos que encontraram Yunsuke em um dos quartos, mas praticamente um inutilizado, e pior... Ele estava transando com uma fêmea.
— Mas que diabos? — Yunsuke levou o maior susto quando a porta se abriu e seus dois irmãos mais novos estavam ali, testemunhando seu ato carnal. — O que estão fazendo aqui? Vão embora!
—... — Shuichi estava muito chocado. Em toda sua vida ele tinha disfarçado muito bem sua dor. Por mais que estivesse chorando por dentro, ele dava o seu máximo para não parecer abalado por fora.
— Yunsuke... — Sayuri estava cobrindo os olhos até então, ele não queria ser corrompido com aquela imagem. Ele jamais tinha visto algo assim pessoalmente, e não queria ver é claro. A única coisa que ele se permitia ver e desejar eram quando via Nanami tomar banho e até arriscava a ajudá-lo a esfregar suas costas algumas vezes.
— Nós precisamos conversar Yunsuke. — Shuichi falou em um fio de voz, ainda engolindo em seco e tentando olhar por toda a parte, menos para o seu irmão gêmeo.
— Ah... — Ele suspirou e se retirou da mulher. A mesma grunhiu em desgosto, mas se vestiu rapidamente, fugindo do quarto real. Yunsuke, ainda se sentou nu à beira da cama e suspirou. Ele tinha ido de cem a zero no momento em que foi flagrado em seu ato precioso. — Vocês poderiam ter batido na porta.
— Nós te procuramos por toda a parte. — Sayuri se defendeu. — Não esperávamos que estivesse aqui.
— Ela estava gemendo!
Droga, Shuichi perdeu a paciência que detinha até o momento: — E o que importa se essa vadia estava gemendo? — Gritou com dor em seus olhos.
— Não dava para ter escutado os gemidos lá de fora? Por deuses, o que é tão importante assim para me atrapalharem no meio de uma transa? — Yunsuke parecia realmente chateado. Afinal ele tinha broxado em meio ao êxtase, quem não ficaria?
— Eu sinto muito... — Dessa vez foi Sayuri, muito sensível para uma discussão.
— Você o fez chorar, seu imundo! — Shuichi rosnou.
— Não foi minha culpa! Não é porque você não consegue garotas bonitas o suficiente para se deitar com elas, que você tem que ficar me julgando! Eu tenho o seu mesmo rosto, é você que não sabe como conquistar alguém.
Shuichi apertou seus dedos em punhos, suas unhas cravando em sua carne, enquanto ele mordia seus lábios. Ódio transparecendo nele em ondas. Sayuri estava ficando pálido em meio à confusão.
Yunsuke iria dizer mais algo, mas foi impedido por uma força maior dentro dele. O que diabos estava fazendo? Seu irmão gêmeo estava prestes a chorar. Nunca o tinha visto tão abalado por suas palavras.
Deuses, a única coisa que ele sabia fazer era machucá-lo. Mas se sua mente continuasse confusa como estava, Yunsuke não sabia se iria sobreviver. Ele tinha que ter muito sexo, se manter longe de seu gêmeo, ele tinha que encontrar as melhores formas para parar de pensar nele e se encontrar confuso em seus sentimentos... Era proibido, seu amor era proibido, ele não podia amá-lo. Mais futuramente ele seria o novo Imperador e seu irmão seguiria uma vida diferente.
— Vocês, parem de brigar! Vocês sempre foram tão unidos... Me desculpe Yunsuke. Foi minha culpa. Eu preciso muito de sua ajuda... — Com as falas de Sayuri, Yunsuke pareceu se acalmar. Sayuri sempre os acalmava entre as brigas. Por mais que ele e Shuichi fossem gêmeos e compartilhavam muitas coisas, eles brigavam muito longe da presença de seu pai, é claro. — Mas primeiro coloque uma roupa, pelo amor.
— Ah sim! — Corou sutilmente com um sorrisinho. Shuichi cruzou os braços sobre o peito, emburrando. Ele ainda parecia chateado.
–oo0oo-
— Vaaaamos, acorde Nanami! — Chizuru cutucou o ombro de Nanami enquanto o mesmo soltava sons bonitos de seu sono profundo. — Eu preciso que acorde. — Agora cutucou sua bochecha. Não é que Nanami tinha uma pele macia? Ou digamos que lhe deu um pouco de invejinha. Chizuru sabia o quanto era bonito, mas tinha que admitir, tinha algo de especial neste garoto.
Aproveitando que ele dormia, simplesmente rolou os dedos na pele de sua bochecha rosada. Nanami soltou uma risadinha em meio ao sono que o assustou. Em seguida em continuou com aqueles sons de quem estava aprofundado em seus sonhos.
Se inclinando, Chizuru olhou melhor para aquele rosto. Nanami detinha arranhões por todo o corpo, além de que seu kimono novo não passava de trapos sujos.
Um pouco depois que Chizuru rapidamente disfarçou e passou a assobiar onde estava. Nanami abriu seus olhos com dificuldade, espreguiçando no manto felpudo e ronronando para o lado de Chizuru.
— Você me tocou? — Indagou ainda meio sonolento. — Gosto que me toquem. — Admitiu, e quando percebeu isso, tanto ele quando Chizuru arregalados os olhos e coraram.
— O que diabos está falando? Eu estava apenas tentando acordá-lo. — Chizuru virou o rosto para não ter que mostrar que ele estava omitindo alguma coisa. — Porque fugiu? Por acaso é um asno ou um gato?
Nanami murchou, encolhendo-se chateado. — E-Eu não pensei muito...
— Claro que não pensou! Por isso que se arrebentou inteiro! É um gato inútil, nem mesmo sabe planejar uma fuga e tem que rolar a ladeira. Você está horrível para quem vai se casar hoje ao pôr do sol.
Chizuru meio que se arrependeu de suas palavras quando viu as lágrimas borbulharem dos olhos do gatinho. Mas preferiu se manter firme, ele também tinha prometido a Kensuke pegar leve com o gato, mas ele não era bobo, odiava a ideia de ver seu querido irmão mais velho tendo que se casar com um completo desconhecido.
— Eu te disse que não pensei! Acha que eu estou feliz aqui? Eu queria ir para casa... — Nanami passou a chorar e fungar pequenos miados.
Chizuru não teve escolha. Ele bufou sua impaciência e se ajoelhou perante Nanami.
— Olhe só, nenhum de nós aqui tem culpa do que está acontecendo ok? Somente deixe as coisas acontecerem. — Tentou ser um pouco mais gentil, mas ele não estava se conhecendo. — Você está ferido e machucado, temos que cuidar disso e possivelmente curá-lo. Então nada de chorar e vamos rápido senão não dará tempo!
— Hai... — Nanami assentiu ainda chateado. Ele se levantou com dificuldade, já que seu corpo ainda sofria as dores da queda. Por sorte, nada parecia fora do lugar.
— Vai ter que tirar as roupas e tomar um banho antes que eu possa tratá-lo. — Chizuru tinha um bom conhecimento em ervas medicinal, e ele estudava muito para um príncipe. Não que ele quisesse ser um curandeiro ou algo assim, mas gostava de cuidar.
Nanami corou as bochechas e fez um enorme bico. — Eu não vou fi-ficar nu novamente, para você me tocar em lugares estranhos! — Nanami tentou se manter longe, mas Chizuru se aproximou com um sorriso estranho.
— Lugares estranhos? Ou por acaso você não entendeu porque te toquei lá? — Curiosidade falou mais alto.
Nanami olhou para o chão e depois para ele. Olhou para o chão de novo e cruzou as mãos em frente ao seu intimo.
— Oh... Você realmente é um virgem não é? Aposto que nunca beijou na boca. Ou muito menos que deu um beijo de língua. — Sua risada ecoou por todo o recinto. — Aposto que nem mesmo fora cortejado por alguém alguma vez. Céus, quem diabos é você? Por acaso você vivia preso e isolado de todos?
Foi bem pior, realmente. Mas Nanami não queria mais se ligar na humilhação que estava recebendo. Ele não pensou mais e não mais prestou atenção, assim ele começou a se despir, mesmo em frente de Chizuru.
— Você é bonito, Chizu-chan... — Murmurou depois que o silêncio pairou por alguns minutos. Chizuru achou que seus olhos fossem saltar. Ele se segurou muito naquela hora, só não sabia o que exatamente ele segurou em si.
— Não me chame assim tão intimamente. Eu serei seu cunhado, mas nunca seu amigo, entendeu? Eu te odeio desde que soube da sua existência.
E aquilo machucou tanto dentro dele. Nanami não entendeu como ele podia suportar tanto, mas um pensamento de que talvez Deus o tivesse feito muito forte o fez sorrir sobre tudo o que estava passando. Talvez um dia ele pudesse fugir com Sayuri e ser feliz em algum cantinho da floresta... Quem sabe um dia...
Chizuru estava mordendo seus próprios lábios ao ver a situação das feridas de Nanami. Havia manchas roxas por cima das que ele já tinha conseguido antes de vir para cá.
"Pobre dele... Vai sofrer muito na noite de núpcias. Não posso dizer a Ken sobre isso, ele verá com seus próprios olhos".
Continua...
Notas finais
Olá *-* Espero que tenham gostado do capítulo, apreciamos muito escrevê-lo! Hoje não teve desenho, mas semana que vem possivelmente terá HOHO
Obrigada por ler, até a próxima
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