Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
42 Capítulo 42 - A condenação de Maiko
Notas iniciais
Capítulo 42 — A condenação de Maiko
— Senhora, fiz conforme solicitou… Maiko foi preso e não mais está em seu caminho. — Isamu falou quando se ajoelhou em frente ao posto em que estava a “bruxa”.
— Perfeito… — A voz enferrujada e mal afinada soou satisfeita. — Embora seria melhor tê-lo morto, não vamos fazer um alvoroço tão cedo… Ainda temos muito com o que se divertir…
Isamu não pode ver o rosto da bruxa, pois o mesmo estava coberto por um véu negro. E mesmo assim, Isamu sabia que ela estava sorrindo como louca por pensar em “diversão”.
Já não havia nada que pudesse fazer a não ser se aliar ao inimigo. Isamu nunca foi bom mesmo, se ele continuasse naquele fim de mundo ele nunca teria um futuro, nunca teria a riqueza que ele sempre desejou. E sua mestra estava lhe prometendo muito, o que ele não podia sequer pensar em desistir.
A Vila Akai estava prestes a ser derrubada pelas mãos malignas daquela mulher.
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Kensuke tomou Seiji e alguns sentinelas para acompanhá-lo até o calabouço. Akai não tinha um centro de detenção ou uma prisão para criminosos, apenas um corredor subterrânio com selas.
Não haviam prisioneiros, com excessão de Maiko, pois para uma vila pacífica, onde todos viviam em harmonia, que mesmo com suas desavenças e intriguinhas, nunca ocorriam crimes hediondos, era muito raro de acontecer.
Kensuke estava sério, pois o assunto em si era muito grave.
Maiko havia sido denunciado por Isamu, como o autor dos problemas que tanto haviam perturbado nas noites de sono de Kensuke. As tentativas de assassinato e sequestro de Nanami, além da vez em que foi envenenado, que na verdade o alvo também era seu gatinho.
Apenas em pensar nisso, Kensuke queria enlouquecer, matar o bastardo por tentar machucar seu bebê gatinho. Isso não mais iria acontecer, Maiko tinha seus dias contados. A não ser que provasse o contrário.
Kensuke torceu o nariz com o cheiro de umidade de lodo flutuando pelo ar abafado daquele corredor. Era difícil que alguém conseguisse sobreviver por muito tempo preso em um ambiente assim.
Mais algumas selas e finalmente estavam no cárcere onde Maiko estava, lá no fundo, enrolado em uma bola, com correntes em suas mãos e pés, além de uma coleira no pescoço.
— Levante-se! — Seiji gritou girando a chave para abrir a sela. Ele entrou com os outros sentinelas, e Kensuke foi por último.
Maiko se assustou quando acordou com aqueles homens em sua sela. Ele rapidamente se colocou de pé, com certa dificuldade por ter as correntes lhe puxando. Estava tão chateado que não era possível olhar nos olhos de Kensuke, por isso ele olhou para seus pés descalços, sujos, demonstrando a miséria que agora ele era.
— A-Alfa… — Maiko sussurrou o nome em cordialidade, embora sua voz saindo mais como um gemido do que um cumprimento.
— Maiko. — Kensuke estava com as mãos para trás, seu sembrante duro e arrogante, de alguém que não toleraria nada além de respostas. — Precisamos ter uma conversa séria.
Maiko estava trêmulo e visivelmente abatido. Mas Kensuke não teve dó ou pena, porém como dever de um Alfa justo e soberano, ele deveria interrogá-lo para saber com as palavras dele o que realmente tinha acontecido e o porquê.
— Você realmente foi o autor de tais crimes? — Kensuke indagou em sua voz altiva, encostado à parede de pedra, com os braços cruzados sobre o peito. A unica resposta que recebeu foi um manear afirmativo de Maiko. — Você realmente se atrevou a tais atrocidades contra o meu esposo? Como tentar envenená-lo e planejar o sequestro dele? — Kensuke estava indignado.
Maiko novamente assentiu, mas nada saiu de seus lábios.
Ele era o criminoso. Ele realmente fez tudo isso, e não mediu esforços para tal. Maiko já estava tão devastado interiormente, que seu único desejo agora era a morte e o desaparecimento.
Não queria mais pensar ou sentir. Não queria ser mais nada. Maiko já não sentia vontade de viver, pois aquele que ele mais amava não existia mais.
Embora o seu desejo de vingança estivesse forte em seu coração. O que ele poderia fazer? Maiko não tinha força alguma de combate. Ele havia mentido, dito ser um Ninshin logo depois da puberdade, tendo todos, até mesmo seus pais acreditando que ele era um Ninshin e que poderia facilmente se acasalar com o Alfa.
Maiko só queria ter tido uma vida comum como dos outros jovens na vila. Poder curtir seu companheiro e cortejá-lo por um tempo até o casamento, e então construir uma linda família. Porém ele era tão fraco e inútil, e justo ele foi o alvo daquela bruxa infeliz. Que fez de sua vida um inferno.
Megume não estava mais esperando por ele… Maiko fez tanto… Tanto… Ele sonhou tanto no dia em que o teria em seus braços novamente.
O brilho nos olhos de Maiko havia desaparecido. Ele era somente um corpo sem utilidade alguma agora, que estava esperando pela sua sentença.
— Não me faça repetir outra vez Maiko! — Kensuke estava arfando, suas mãos em punhos de cada lado de seu corpo, enquanto seu rosto era sombrio, maligno, regado em um ódio fatal. — Para quem você estava trabalhando? Quem maldições quer destruir meu Nanami? — Kensuke perdeu a última gota de paciência, no momento em que Maiko apenas balançou a cabeça e não disse uma palavra sequer. — Seu maldito desgraçado! — Quando Kensuke perdeu as estribeiras para atacar Maiko e matá-lo naquele instante, Seiji e os outros sentinelas ali presentes, seguraram Kensuke evitando que fizesse a besteira.
— Pense Kensuke, se acalme, não faça de acordo com as emoções. — Seiji aconselhou enquanto segurava o grande Alfa. Quando Kensuke se acalmou, mesmo que apenas um pouco, Seiji foi até Maiko e socou-o na mandíbula, fazendo o mesmo cair para sua esquerda e sangue escorrer pelos lábios.
Kensuke olhou para Seiji e então para Maiko, e suspirou.
— Maiko, se realmente não tem nada a dizer… — O Alfa falou e esperou alguns segundos pensando que talvez Maiko fosse desistir de seu silêncio e dizer a ele. — Eu vou decretar a sua execução para a próxima semana. — Foi duro e objetivo, porém Maiko nem se moveu do chão frio e umido. Apenas permaneceu ali, aceitando sua pena de morte.
Kensuke e os outros saíram mantendo a sela trancada e sentindo o ar de alívio quando se colocaram para fora do calabouço.
Seiji deixou seu Alfa voltar nervoso e irritadiço para casa. Não podia querer aliviar o que Kensuke sentia. Embora ele não quisesse ter batido em Maiko, ele o fez, porque muito melhor um soco seu, do que um soco de morte do Alfa.
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Nanami estava muito concentrado ao cortar algumas batatas. Finalmente conseguindo fazer um bom trabalho na cozinha, desde que Chizuru havia se tornado mais doce e gentil com ele.
Era tão bom poder ver que no final das contas ele não era um inútil, mas precisava de mais paciência para aprender as coisas. Já que Nanami estava tendo um bom ensinamento agora, quando em sua infância foi péssimo.
Chizuru estava sendo bom pra ele o ensinando a cozinhar, ainda que pratos simples, mas que de acordo com o lobinho branco, pouco a pouco Nanami se tornaria um profissional.
Com fé nisso e muito esperançoso de que ele conseguiria, Nanami continuou a cortar as batatas em fatias arredondadas. Estava indo bem com uma faca afiada, porém menor e menos perigosa com cabo de borracha.
Enquanto aos estudos, isso era por conta de Sayuri, mas como o ruivinho estava fora nesses dias, Myra ou Misaki, estava lhe ensinando muitas coisas.
Nanami não sabia disso antes, por isso ficou muito surpreso quando seu pai progenitor — cujo mesmo não sabia quem ele próprio era — lhe ofereceu ensinar muitas coisas, como escrever e ler.
Mesmo que Misaki não soubesse quem ele era ou sobre seu passado, ele continuava muito inteligente e demonstrou a Nanami saber de um montão de coisas.
Isso era perfeito! Nanami sorriu para si próprio pensando que essa era mais uma desculpa para passar mais tempo com seu paizinho, ele iria ser também seu professor.
Já que voltar para a escola de Akai não era algo que Nanami pretendia, e bem… Kensuke não estaria muito de acordo também.
— Terminou com as batatas? Está muito lento Nana-chan. — Chizuru falou ao terminar de lavar as saladas. Ele ia tentar as famosas batatas fritas, um prato que ele tinha visto em um livro de culinária que Sayuri havia trago de Masao. Era algo como uma receita de alto nível, poucos os que sabiam esse segredo sobre fritar batatas.
— Desculpe Chizu-chan, estou me concentrando em cortá-las direitinho. — Nanami lambeu os lábios e terminou o ultimo corte.
— Você verá como Kensuke vai amar essa nova receita. Fiz outro dia em casa e papai ficou maravilhado. Eu também, nunca antes tinha comido algo tão delicioso. — Chizuru sorriu e chegou ao lado de Nanami dando-lhe um pequeno beijo em sua bochecha.
O gatinho corou sutilmente e soltou uma risadinha fofa. — Você parece tão feliz Chizu-chan! É o Seiji? — Perguntou com uma expressão sapeca. Chizuru fez um bico e voltou para o seu lado, sussurrando em seu ouvido.
— Terei outro encontro essa semana. Seiji sempre me leva em lugares lindos. — Além de saber cortejá-lo tão bem, beijar como um sonho e o encher de mimos.
— Isso é bom! Quero um encontro com Ken-chan também. — Nanami choramingou. Ele se assustou quando a porta da cozinha se abriu em um estrondo, e Kensuke entrou bufando a passos pesados e ignorou a dupla na cozinha, indo em sentido ao seu escritório.
— Nossa… O que foi isso? — Chizuru também estava de olhos arregalados.
— Ele parece tão… Bravo. — Nanami olhou com medo para o amigo. — Acha que eu deveria tentar falar com ele?
— Seria bom, mas… Talvez seja melhor que não. — Chizuru olhou nos olhos de Nanami, sentindo um carinho nunca antes sentido. Ele se perguntou como pôde não ter gostado de Nanami quando o mesmo veio para a vila. — Espere Kensuke esfriar a cabeça um pouco, se ele ficar sozinho, vai refletir mais rápido, até que possa te receber sem descontar em você.
— Ken-chan descontaria em mim? — Nanami perguntou abismado.
— Talvez… Todos fazem. Mas as vezes a gente nem percebe isso. — Respondeu gentilmente ao que acariciou o ombro de Nanami. — Agora melhor eu fritar logo essas batatas. Por que não prepara um banho para Kensuke? Isso deve ajudá-lo a melhorar seu humor. — Aconselhou.
Nanami brilhou com a ótima ideia de Chizuru. — Vou sim! Obrigado Chizu-chan!
E saindo pelo corredor e então subindo as escadas, Nanami pegou o flash de Seiji entrando no escritório de Kensuke. Sem dar muita atenção a isso, já que os sentinelas e os betas sempre entravam e saíam de casa frequentemente, ele foi em direção à seu quarto, a fim de preparar um banho quentinho e gostoso para Kensuke aliviar seu mau humor do trabalho, ele só não esperava ter sua atenção fisgada pelo que ouviu do escritório do Alfa.
— Prepare uma data certa na próxima semana para a execução de Maiko. — Kensuke deu sua ordem a Seiji que concordou.
Nanami ao ouvir aquilo, levou um grande susto, até mesmo pensou que fosse alguma brincadeira de mal gosto de Kensuke, portanto decidiu escutar da porta. Mas pelas palavras que Kensuke dizia ao seu beta e melhor amigo, ele estava sério sobre o assunto.
Desespero encheu o peito de Nanami. Ele não podia acreditar que Kensuke faria uma coisa dessas!
— A execução será em público, pois o crime que ele cometeu não é tolerado por mim, jamais perdoarei uma tentativa de ferir Nanami… — Kensuke falou altivo, e sua voz não permitia o contrário. — Dessa vez é diferente… Não é como se eu pudesse expulsá-lo da vila, Maiko merece o pior.
— Se ao menos ele contasse para nós a verdade… Se ao menos soubessemos quem está por trás disso. — Falou Seiji pensativo.
— Ele não dirá. Pelo jeito é um servo fiel de seja lá quem está tramando contra nós… Porém mesmo que eu possa, não irei submeter um Ninshin à tortura. Isso é abominante, mesmo que seja minha vontade. — Kensuke suspirou e sentou-se em sua cadeira visivelmente irritado.
Nanami se desencostou da porta, não querendo ouvir mais aquela conversa que feria seu coração.
Ele tinha ficado muito abalado em saber que Maiko tinha sido preso acusado ter sido aquele que tentou machucá-lo tantas vezes, e até envenenou Kensuke… Porém… Nanami não podia imaginar o pior, ele não podia desejar a morte dele.
Porque mesmo que Maiko tivesse feito tantas maldades… O seu coração ainda lhe dizia que ele era bom.
Nanami não podia acreditar que Maiko fosse ruim… Não quando o seu coração lhe dizia o contrário. Tinha algo por trás disso, mas ele não sabia por que Maiko não contou à Kensuke. Pelo que entendeu, Kensuke deve tê-lo interrogado, mas saiu sem respostas.
Tremendo e nervoso, Nanami correu para o quarto, mas suas lágrimas estavam prestes a cair, porém ele foi forte, ele tinha que arranjar uma solução para este problema tão grave.
Nanami não podia deixar Maiko morrer!
Determinado em salvar Maiko, ele enxugou as lágrimas com certa grosseria e deixou o quarto. Desceu as escadas sem fazer barulho e seguiu para fora da casa, mas antes que alcançasse a porta principal, a voz de Chizuru o interrompeu.
— Nana-chan? Aonde vai?
Nanami suspirou fundo e virou sobre os pés encarando o cunhado. — Eu vou... Vou à casa de Shou rapidinho! Preciso falar com Yamato! — Nanami disse determinado.
Chizuru olhou sem entender. — Mas... O almoço está quase pronto... Não ia preparar o banho para Kensuke?
— Eu não demoro... E Ken pode aprontar seu próprio banho. Tchau. — Nanami acenou para o amigo e saiu apressadamente de casa antes que Chizuru fizesse mais questionamento.
Nanami seguiu apressado e determinado pelas ruas de Akai. A um tempinho vinha evitando essa conversa com seu tio, mas agora era o momento. Mesmo com pressa, ele cumprimentou alguns cidadãos que sorriram para ele.
Ao chegar à bela e pequena casa. A mesma tinha uma trepadeira no lado esquerdo que subia do chão até o telhado e pequenas flores que a adornava. As paredes haviam sido recém-pintadas de cor branca e as janelas e porta, de cor vermelha. Obra de Yamato. A pantera havia ajeitado toda a casa.
Mas não era momento para admirar. Nanami levantou a mão fechada e bateu na porta. Ele batia os pés contra o chão enquanto esperava ansioso. Não demorou em que a porta fossse aberta por Minky, que sorriu belamente ao ver Nanami.
— Nanami! Que bom que veio! Vamos brincar? — Disse o pequeno dando pulinhos.
Nanami sorriu e afagou os cabelos do filhote. — Mais tarde... Agora preciso falar com Yamato! É meio urgente.
Minky fez um carinha triste, mas virou para trás e gritou. — Papai Yaya... Nanami-chan que vê-lo. — O pequeno voltou para Nanami sorrindo. — Pai Shou está ajudando aquele gato que esteve da outra vez aqui quando vieram buscar Say-chan!
Nanami olhou confuso para o pequeno. Pelo visto Akai estava tornando porto seguro de quem resolvia fugir de Masao. — Qual gato?
— O bonito com espada... Era... Er-Ei...
— Eiji? O general Eiji está aqui? — Nanami perguntou confuso.
— Minky... Quem é? — A voz de Yamato veio de algum lugar dentro da casa.
— É Nanami, papai. — O pequeno gritou.
A porta foi aberta totalmente por Yamato. O ex-assassino de aluguel se encontrava vestido com uma calça de tecido leve e folgada, diferente de suas calças de couro, e usava uma bata branca. — Oh! Nanami! Entre. — Yamato puxou o filhote para perto de si e assim deu espaço para o sobrinho entrar.
Nanami entrou cautelosamente. Agora que estava ali, não sabia mais se fora uma boa ideia. — E... Eu posso falar contigo? Em particular. — Nanami acrescentou no final.
Yamato assentiu. — Mi-chan... Vá ver se papai Shou precisa de ajuda. — Indicou para o filho adotivo sair sutilmente. O pequeno acenou e saiu correndo. — Venha! — Yamato liderou o caminho. Eles atravessaram a pequena casa e saíram pela porta dos fundos, que ficava para um pequeno jardim na parte de trás da bela casa.
Nanami olhou encantado para as flores, mas logo forçou-se a ficar sério e comprometido com seu objetivo. Os dois seguiram até um banco de madeira e se sentaram lado-a-lado. — O que queria falar comigo?
Nanami ficou alguns segundo calado olhando ao redor. Mais calmo, ele sentia-se meio incerto. Porém forçou-se a criar coragem. — Er... Queria falar duas coisas... — Ele respirou fundo, se preparando. — A primeira... Quando iria me contar que somos parentes? Que é meu tio?
Os olhos de Yamato se arregalaram e olhou em total descrença para o pequeno loirinho. Contudo, logo a expressão séria voltou e Yamato suspirou. — Nao achei que descobriria tão rápido. Quando soube?
— Eu preguntei primeiro. — Nanami resmungou fazendo bico. — Acaso não gosta de ser meu tio? Sou detestável como família? É isso?
Yamato ficou surpreso e negou com a cabeça bruscamente. — Não! Nunca disse isso! Eu fiquei feliz ao saber que sou seu tio... Eu realmente gosto de ti, Nanami...
— Quando soube? — Nanami perguntou incerto.
— Eu sofri um pequeno acidente na guerra de 12 anos atrás... E perdi minha memória... Até algumas semanas atrás, não sme lembrava de nada... Mas foi quando o salvei de seu último sequestro... — Yamato segurou as palavras puxando o ar para seus pulmões. — Quando perdeu aquele colar que tanto amava... Que minhas memorias retornaram... Mas ainda precisava confirmar as coisas antes.
— Uhh!... Eu descobri quando fui a Masao! Fui ver a casa que cresci e achei umas fotos que minha avó tinha guardado... E tinha sua foto também... E de meus pais. — Nanami contou cautelosamente, mas manteve seus olhos fixados nas flores.
— Então sabe que...
— Sim! Myra ou Misaki... É meu papai... Por isso o fiz mudar para minha casa... O quero perto de mim. — Nanami falou. Seu coração pulou de alegria ao recordar-se de seu pai. — E... Em Masao eu fui salvo por meu pai Naoki...
Yamato sorriu. — Ele finalmente voltou! Na festa de boas-vindas encontrei-me com ele. Estava bem perto de Akai e falando com Misaki! No final, meu irmão sempre protegeu você... E a Misaki também.
— Sim! Meus pais se sacrificaram para me proteger... Ainda não sei do que... — Nanami fez um bico, duvidoso, porém logo sorriu para seu tio.
— Então... Eu queria falar... Mas não sabia como te abordar da melhor maneira. E você está tão feliz com Kensuke... Temi estragar tudo. — Yamato se explicou. Ele olhou para o céu, comtemplando as nuvens brancas e fofinhas. — Devo deduzir que o Alfa já sabe?
Nanami concordou com a cabeça. — Então... Eu preciso de um favor muito importante como meu tio... Como uma desculpa por ter não ter me dito antes... Deve me ajudar. Por favor... — Nanami sabia que era como uma chantagem, mas duvidava que de outra forma alguém o ajudaria.
Yamato arqueou uma das sobrancelhas. — E o que seria?
— Hoje à noite me ajude a ir até o calabouço para falar com Maiko! — Nanami pediu firme encarando seu tio.
— Não! De jeito nenhum! Esse idiota tentou feri-lo várias vezes e quase o matou. Não chegará perto dele. — Yamato ditou firme.
Nanami se levantou do banco indignado e bateu os pés firmes no chão. — Não venha com isso! Vai me ajudar e ponto final. E ai de você se falar algo para Kensuke. Me deve isso. Por favor!
— Nanami! — Yamato grunhiu o nome do sobrinho e levantou-se.
— Não entende! Meu coração diz que Maiko-chan não é mal... Eu sei que ele fez essas maldades... Mas alguém o obrigou. E ele não está falando por algum motivo... — Insistiu.
— E acha o que? Que o fará falar? Nanami!
— Sim! Eu vou... E você vai me ajudar ou... Ou... Conto para Kensuke que veio a Akai para matar Sayuri! — Nanami disse firme.
Os olhos de Yamato se arregalaram. Ele sabia que isso era verdade. Tinha vindo a Vila de Akai com a ordem do ex-conselheiro para matar o príncipe Sayuri, mas acabou salvando Minky e apaixonando-se por Shou. Sua vida mudou completamente por ter aceitado essa missão.
— Como...?
— Como sabia? — Na verdade ele não sabia, mas para sua surpresa o que desconfiou em alguma vez realmente era verdade. — Desconfiava, mas agora tenho certeza. Agora vai me ajudar e ponto final. O espero às 11hs da noite na praça. Não atrase. — Nanami disse firme. Ele não esperou pela resposta de Yamato, simplesmente virou sobre os pés e saiu do jardim em sentido a casa. Ele ia mostrar a todos que conhecia melhor o coração das pessoas do que muitos, e que Maiko era apenas uma vítima.
Nanami suavizou a expressão ao entrar de volta na casa e seguiu para o pequeno consultório médico de Shou. Ele bateu na porta chamando a atenção das pessoas dentro do recinto. Minky sorriu para ele e Shou o olhou apreensivo.
— Nanami-sama! — O médico o cumprimentou gentilmente.
— Como ele está? — O gatinho perguntou entrando no consultório. Ele analisou o general Eiji deitado na cama. Este parecia dormir profundamente. Tinha alguns ferimentos nas pernas e braços, possivelmente veio na forma animal de Masao para Akai, e machucou-se no caminho.
— Um pouco fraco, mas ficará bem! — Shou disse sorrindo.
Ele se levantou da posição agachada perto do futon.
— Que bom! Quando ele acordar peça para me avisar... Preciso conversar com ele. — Pediu de forma suave. Ele acenou um adeus para Shou e Minky e saiu de casa. Shou ficou olhando para onde o gatinho estava antes. Ainda era pequeno, mas era possível perceber as mudanças em Nanami. O pequeno estava mais confiante e determinado.
Nanami retornou o caminho de volta para casa, mas ao invés de ir partilhar a refeição com seu marido ou cunhado, seguiu para o quarto. Ele sabia que se encontrasse com seu marido, este perceberia que havia chorado e perguntaria o que tinha acontecido. Nanami simplesmente não podia mentir para Kensuke. O melhor era evitá-lo.
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— Segure firme! — Roan orientou um soldado com sua katana.
Ele andou pelo dojo com as mãos nas costas e os olhos de águia analisando cada samurai e orientando-os para aprimorarem seus erros. Agora que estava ocupando a posição de se pai, ainda que temporariamente, ele ficara responsável pelo treino do exército. Aos poucos descobriu que seu pai tinha muita coisa a fazer, e se perguntava como ele dava conta de tudo.
Roan suspirou triste ao lembrar de seu pai. Não sabia exatamente o que aconteceu, mas segundo Yunsuke, o imperador e seu general sempre se amaram, e por anos se negaram a isso. No período de cio, os dois acabaram consumando esse amor e seu pai fugiu no dia seguinte. Roan apenas rezava para que o imperador encontrasse seu pai o quanto antes. Eiji merecia ser feliz... E pelo visto, o imperador amava muito seu pai ao ponto que renunciou a coroa. Não completamente, mas ainda sim o fez.
— Muito bem... O treino terminou. Amanhã estejam aqui bem cedo. — Roan se despediu.
Todos fizeram a devida reverência e deixaram o dojo. Roan ficou organizando algumas coisas, e então fechou a porta do dojo atrás de si. Um sorriso tomou sua face quando deparou-se com seu ‘namorado’ perto da varanda. Roan desceu o pequeno lance de escadas e aproximou-se do médico. — Amano... Que supressa boa.
— Oi... — O curandeiro corou lindamente. Eu vim checar o príncipe Shuichi... E aproveitei para vir vê-lo. Espero não estar trapalhado. — Disse todo encabulado. Os dois tinham começado a namorar há dois meses e a cada dia pareciam mais e mais apaixonados.
— Não! O treino terminou. — Roan respondeu. — Er... Quer ir tomar um soverte comigo? Podemos conversar com mais calma e depois o acompanharei até sua casa.
— Sim! Eu adoraria. — Amano concordou com um belo sorriso.
Roan tomou a maleta do namorado e os dois seguiram para fora do castelo. Na rua, Roan tomou a pequena mão de Amano na sua e seguiram de mãos dadas pela rua. — Como foi o treino?
— Cansativo! Não sei como meu pai conseguia dar conta de tudo. — Roan falou. Lembrar-se de seu pai doía o coração.
— Ele está bem Roan... O Imperador vai encontrá-lo. — Amano falou. Somente pelo olhar sabia que Roan estava muito preocupado com seu pai.
— Eu espero! Mas e Shu-chan? Como ele está? Logo dará a luz, neh. — Roan resolveu mudar de assunto. Falar de seu pai era doloroso agora.
Amano não insistiu no assunto do futuro sogro. — Ele está bem... Os pés um pouco inchados e se sentindo desconfortável, mas isso é normal... Acredito que o maior problema é seu humor... Está estressado de ficar em repouso e isso é preocupante com a pressão. Acredito que em poucos dias... No máximo dez dias, o herdeiro irá nascer.
— Será uma grande festa. Todos estão ansiosos para o nascimento do pequeno. — Roan disse. Os dois se aproximaram no comércio principal de Masao, justamente a soverteria local.
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Sayuri sentiu seu coração apertar diante do grande bico nos lábios de seu irmão Shuichi, além do olhar triste. Claro que desejava ficar até o nascimento de seu primeiro sobrinho, mas Ryo tinha obrigações em Akai, e Sayuri estava morrendo de saudades de Nanami.
— Shu-chan... Não fique assim. Prometo que voltaremos em breve. Quando meu sobrinho nascer, mande mensagem que iremos visitar. — Sayuri disse abraçando o irmão de forma que não machucasse sua barriga avantajada.
— Mas são somente mais alguns dias... Poderiam esperar. — Falou amuado.
Após a visita do médico, os quatro foram para a entrada de Masao, onde Yunsuke e Shuichi se despediram de Sayuri e Ryo. O casal tinha que retornar a Akai, pois como beta, Ryo havia ficado muito tempo afastado de suas funções.
— Não dá... Sinto muito. — Sayuri falou com os olhos úmidos.
Shuichi afastou do irmão e cruzou os braços, como criança birrenta. Yunsuke o abraçou por trás e beijou o topo da cabeça. — Shuichi... Não faça isso amor. Sabe que Sayuri e Ryo precisam voltar, eles já ficaram tempo demais aqui, e eles prometeram que voltariam o quanto antes.
— Eu realmente lamento... Mas estão acontecendo algumas coisas em Akai que requer minha presença. — Ryo se explicou. Ele imaginava o quanto era difícil para Sayuri se afastar de sua família.
— Eu vou voltar. Prometo! E quando papai e Eiji retornarem, me avisem também, por favor. — Disse Sayuri. Ele beijou a bochecha de Yunsuke e depois a Shuichi.
— Volte mesmo... Já estou com saudades. — Shuichi falou deixando a birra de lado e abraçou o irmão menor.
— Sim, iremos. Obrigado por tudo... E cuidem de meu sobrinho. — Sayuri beijou a barriga avantajada de seu irmão, e então acenou em despedida. Ele e Ryo voltariam em uma carruagem com guardas gatos. Yunsuke jamais deixaria seu irmão fazer aquela viagem desprotegido.
Ryo ajudou o amado a surbir na carruagem e depois entrou para sentar-se ao seu lado. Então acariciou os fios ruivos. — Não fique triste meu ruivinho... logo os verá de novo!
— Eu sei... Mas não deixa de ser triste a despedida. Realmente... Quero voltar. Sinto falta de Akai... Tenho nossa nova casa para arrumar... E estou morrendo de saudades de meu lindo Nanami! Até de Chizu-chan. — Sayuri disse fungando.
— Sim! Aposto que todos estão com muitas saudade suas. — Ryo disse gentil. Ele inclinou e colheu a boca rosada de Sayuri com a sua, em um beijo lento e sensual.
— Uhh! Vamos brincar na viagem? — Sayuri perguntou sapeca.
— Meu ruivinho tarado. — Ryo murmurou malicioso, e puxou Sayuri para seu colo. Sim, iria aproveitar ao máximo daquela viagem. Na verdade, mal podia esperar para estreiar cada canto da nova casa deles. Do lar que construiriam suas vidas.
Continua...
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