Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
39 Capítulo 39 – Chegada a Vila Akai
Notas iniciais
Shou preparou um almoço simples, porém variado, e como sempre, saboroso. Ele estava se sentindo desconfortável com a presença de Myra. Ele era radiante e tão calmo, que Shou tentava entender a si mesmo porque não gostava do rapaz.
Ele sabia muita bem a resposta. Ele era um tremendo ciumento. Jurava que não queria ser assim, mas era como ele era.
Em tão pouco tempo, ele havia se apaixonado perdidamente pela pantera cinzenta. Yamato havia se tornado tão importante, somente não superava o seu amor por Minky. E ele não queria perder aquele que se tornou tão especial para si, que raptou seu coração e o fez flamejar de amor.
Há muito tempo ele não tinha se apaixonado, nem mesmo sentido atração por qualquer um em torno de si, mas Yamato foi um caso completamente diferente. Ele foi feito para ser dele, e Shou não iria permitir que ninguém lhe tirasse ele. Não permitiria perdê-lo!
Por causa de fatos miseráveis em seu passado, Shou ainda se sentia inseguro, mesmo com o passar dos anos. Ele destinou toda sua força e coração para cuidar de seu filho pequeno, que era todo o seu mundo.
— Onde está Minky? — Myra perguntou quando entrou na cozinha, olhando curiosamente ao redor. Ele parecia relaxado e a vontade em sua casa.
Shou não gostava disso.
— Foi à casa de Chizuru, ele estava um pouco solitário, então pediu por Minky para ajudá-lo com alguns preparativos. Hoje nosso Alfa volta à matilha. — Shou respondeu calmamente, colocando os últimos pratos sobre a pequena mesa e então retirando os hashis para comerem.
Myra fez um “oh” com a boca ao ouvi-lo, então se sentou à mesa para comer. Ele parecia brilhar e cheirou com devoção.
— Isso parece estar maravilhoso! — Ele exclamou olhando os pratos quentinhos, com um cheiro divino penetrando suas narinas sensíveis de gato. — Po-Posso comer?
— Claro… — Shou corou sutilmente, torcendo os lábios. — Não só pode, como deve comer adequadamente.
Myra sorriu brilhantemente para Shou, e agradecendo as divindades pelo alimento, ele passou a saciar sua fome de leão. O médico residente estava com olhos arregalados, em como Myra parecia faminto e brilhava de novo e de novo gemendo ao saborear o sabor maravilhoso.
Isso o deixou lisonjeado. Mas nem por isso Shou iria amá-lo. Não, não. Ele ainda era um ser perigoso e sem identificação que por ironia do destino estava sob seu teto, tentando conquistar seu futuro marido e seu filho adorável e inocente.
— Ei Shou… — Myra encolheu os ombros, ao ver a comida de seu prato faltar depois que ele tinha comido tudo. Ele foi para as panelas de barro e repetiu mais um prato. — Por que você me odeia?
Os olhos de Shou cresceram em enormes bolas de gude.
— O que você disse? — Ele precisava ter certeza se tinha ouvido bem.
— Uh… — Myra olhou para o seu prato, incapaz de olhar para o outro. — Perguntei, porque você me odeia?
Shou engoliu em seco. Claro que ele não esperava que Myra fosse direto e lhe perguntasse algo assim. Talvez ele não tenha sido muito bom em mascarar seus sentimentos.
— Desculpe te perguntar algo assim justo no nosso almoço… Mas você nunca parece feliz quando estou por perto. E quando estou longe… Você sempre sorri e parece satisfeito. Eu não entendo o que eu fiz… Eu só… Juro que não sou uma má pessoa.
Shou engoliu novamente, e deixou seus hashis de lado, certamente perdendo o apetite. Ele olhou duramente para Myra e seu coração latejando.
— Não é como se eu te odiasse. Mas para ser sincero, não gosto que esteja tão apegado ao Yamato. Você sabe muito bem que ele é o meu noivo. — Deixou escorrer. Myra até então teve seus olhos enormes.
— Uh… E-Eu sei disso, mas… Somos somente bons amigos, desde que ele tem me tratado bem, eu acho. — Ele parecia desconcertado, quase que tentando encontrar alguma forma de se redimir e não parecer ruim na história de Shou.
— Somente tente entender o meu lado. Você é bonito, não tem filhos e é jovem, pode arranjar o homem que desejar. Mas eu sou comum e ainda tenho uma criança. Não sou puro, e um simples curandeiro. Tenho sorte de que Yamato escolheu a mim, por isso não vou perdê-lo para ninguém! — Shou disse convicto. Franzindo suas sobrancelhas em frustração, mas na verdade ele estava praticamente soltando um desabafo para um suposto “inimigo”.
Myra olhou-o por segundos incontados, deixando-o até um pouco envergonhado depois do que disse, porém só não esperava vê-lo sorrindo em seguida e o mesmo agarrar uma de suas mãos nas suas.
— Você não é um simples curandeiro… Você é o melhor que já vi. Me ajudou quando estava fraco e ruim… Me fez ficar melhor e ainda me deixou viver em sua casa por alguns dias. — Myra olhou-o convicto, não deixando Shou lhe responder de maneira alguma. — E você não é comum, sempre te admirei Shou, enquanto sou apenas um estranho para mim mesmo, você é lindo, tem um filho que se parece muito contigo, e ninguém que possa amá-lo mais do que Yamato faz. — E ele ainda completou. — Não sei como pode ainda se sentir inseguro, quando se tem tanta coisa maravilhosa. Não devia sentir ciúmes de alguém que está somente vivendo da pena que os outros sentem. Sabe… Isso machuca, mas não tenho solução. — E lágrimas se formaram em seus olhos, porém ele engoliu o choro para não se fazer de criança.
Shou se sentiu abobado. Ele realmente poderia ser admirado por quem ele esteve tão enciumado? Myra era uma graça, porém ele tinha razão quanto aos outros sentirem pena dele.
Em nenhum momento pensou sobre isso, em como podia estar sendo difícil para o neko. Somente pensou em seu ciúme, em agarrar o que fosse dele para não dividir com ninguém. Embora fosse egoísta, ele realmente pensou dessa forma.
Talvez Myra não fosse tão ruim.
Ele rapidamente se arrependeu de uma hora ter tido raiva dele, sendo que agora o mesmo estava engolindo as lágrimas para tentar demonstrar-se forte para ele.
— E-Eu vou… Vou ao banheiro. — Myra levantou-se e saiu da cozinha, encontrando seu caminho até o banheiro.
Shou ainda ficou lá com seu prato inacabado, pensando sobre o que ouviu e sobre o que fazer para ajudá-lo.
Pela primeira vez ele pensou em deixar de lado seus ciúmes e se prontificar em ajudar a deficiência do estranho em sua casa. Myra devia estar sendo muito forte, visto que ele tinha toda uma vida que ele não lembrava de nem mesmo um segundo dela.
Algumas horas se passaram. Shou havia lavado toda a louça e até as panelas do almoço, deixando sua cozinha impecável.
Ele tinha um compromisso logo mais de ir ajudar Chizuru com os preparativos, assim como seu pequeno Minky. Mas preocupação lhe corroeu percebendo que Myra não tinha voltado do banheiro desde aquele momento depois da discussão.
Talvez ele esteja chorando… Decepcionado que eu tenha pensado tão baixo sobre ele… Foi o que Shou imaginou. Ele se preocupava, realmente, e se sentiu culpado.
— Myra? Você está ai? —Shou deu algumas batidinhas na porta do banheiro, percebendo a mesma destrancada. Abrindo, estava vazio, e ele se preocupou ainda mais se Myra não tentou fugir, sentindo-se um estorvo para ele.
— Myra! — Shou gritou pelo corredor pequeno e entrou no quarto que tinha oferecido ao seu hospede. Ele olhou ao redor, vendo a cama desarrumada, e então o rapaz encolhido a um canto do quarto. Ele parecia trêmulo e suado. — My-Myra? O que está havendo? Está se sentindo doente? — Perguntou com voz carregada em preocupação, se aproximando, ao que ajoelhou em frente ao outro.
Somente então, ao ver os olhos nublados que olharam para ele, as bochechas altamente coradas e os lábios vermelhos, em que Myra teve o prazer de lambê-los, Shou percebeu algo que ele realmente não queria ter percebido.
Deus dos lobos! O que maldições estou fazendo aqui? Ele pensou como se fosse a ser crucificado por estar próximo a um gato que havia acabado de entrar em seu período fértil ou cio por assim dizer.
O cheiro de Myra era irresistível, incomparável e qualquer um poderia ficar inebriado se estivesse por perto, e quem sabe o pior poderia acontecer ao pobre Ninshin.
Shou respirou fundo, ao simples toque que ofereceu aos ombros do menor, ele se assustou ao ouvi-lo gemer. Ele mesmo já havia passado diversas vezes por esse período, porém sempre se medicava com um remédio que ele mesmo havia criado para sua matilha. Os lobos tinham um terrível cio, e esse medicamento era de muita ajuda, porém, será que funcionava para os gatos também?
— Venha, melhor mantê-lo na cama. Neste chão frio, pode pescar um resfriado. — Shou falou gentilmente, ao que ajudou Myra a se por de pé, vendo-o tremer e claro, assustou com a protuberância logo abaixo. — Uh… Temos que fazer algo… Por um alívio, não?
— Ajude-me Shou… Estou tão quente… — Myra choramingou, ao que se aproximou de Shou e abraçou-o sem pudor algum, esfregando todo o seu corpo nele como um gato manhoso e sem vergonha. Shou arrepiou-se inteiro e soltou um gemido de protesto.
— Uuuh, calma ai gatinho… Vou levá-lo até a cama. — E assim o fez. Porém Myra não queria soltá-lo do abraço, praticamente transando em sua coxa. — Fique ai!! — Ele gritou, tentando a cada grama de seu ser, não cair pelo cheiro irresistível e tentador. — Meu Deus! Você é impossível! — E Shou somente empurrou-o nada gentil, fazendo Myra cair sentado sobre a cama.
— Uh… Ajude-me Shou… — Ele engatinhou de volta, tentando agarrar novamente o curandeiro. Porém o maior, sendo um pouco mais esperto, correu longe do quarto, trancando a porta atrás dele.
Precisava urgente de encontrar uma forma de ajudar Myra! Mas não sabia se o remédio para lobos iria funcionar em um gato. Porém não custava tentar.
Ele ouviu o intenso gemido ouvindo da porta, percebendo que Myra tinha encontrado uma primeira libertação sozinho. Pobre gatinho, precisava de alivio, e tinha que ser rápido, antes que ele enlouquecesse e tentasse sair pela janela. O primeiro lobo varão que o avistasse, iria comê-lo vivo sem arrependimentos.
Shou estremeceu no pensamento.
Ele correu até seu consultório abrindo todas as gavetas de seu armário, vasculhando as caixas e então os pertences no seu quarto, até que encontrou o saquinho já conhecido por ele.
— Isso sim… Custa nada tentar. — E foi como ele fez, levando alguns compridos que ele julgou suficiente para ajudar sem prejudicá-lo.
Shou fez o sacrifício de se aproximar de Myra, já no quarto, colocando um lenço sobre o nariz para evitar seu grande faro. Myra tomou o medicamento, ofegante e se contorcendo. E Shou ficou apenas ali, assistindo o remédio fazer seu efeito no tempo determinado.
Myra tinha estado tão cansado pelos sintomas que acabou por adormecer. E Shou gentilmente o cobriu com um cobertor, acariciando uma medeixa.
— Como será que você era antes de perder a memória? — Shou pensou nas inúmeras possibilidades de nome, de vida, imaginou até mesmo fatos engraçados. — Você se parasse tanto a Nanami… Quem sabe é seu parente. Nanami é muito especial e iria adorar ter você como um irmão ou primo.
Shou divagou quanto Myra dormia.
Logo mais ele ouviu seu filhote lhe chamar da sala de estar, e ele correu para fora e para Minky, tomando-o alto em um abraço de urso.
— Oi bebê, me chamou?
— Sim papi! Ken-sama e Nana-chan voltaram! Yama-chan também! — Minky falou orgulhosamente, seus olhinhos brilhando principalmente quando ele citou Yamato.
— É sério? Mas já? — Shou nem mesmo pode mascarar a felicidade que atravessou seu rosto, principalmente quando a porta da sala se abriu e por ela, Yamato entrou sorridente, carregando um buquê de flores enorme e pelo faro de Shou, eram flores silvestres das redondezas.
— Y-Yama… — Shou brilhou estrelinhas quando Yamato colocou as flores sobre o pequeno sofá, e abraçou a ele e Minky juntos, como uma família.
Seu coração se encheu de amor e uma alegria tremenda. Sua família era tão perfeita, tão maravilhosa, não queria perdê-la.
— Senti tanta saudade dos dois... Meus lindos amores. — Yamato disse com um imenso sorriso. — Espero que tenham se comportado em minha ausência. — A pantera disse brincalhão.
— Sim, papai... Minky foi um menino obediente e tomou conta de papi e Myra. — Minky disse com um largo sorriso.
Yamato se afastou dos dois. — Isso é bom, por isso é merecedor disso. — Yamato retirou de seu alforge uma linda caixa e entregou ao pequeno gatinho, que abriu rapidamente e seus olhos brilharam ao deparar-se com os bombons de vários formatos, cores e recheios. — Não coma tudo de vez!
— Sim, é somente para depois do jantar. — Shou advertiu. Ele sentiu o coração repleto de alegria, ao ver a felicidade no rostinho de seu filho, a forma tão carinhosa que Yamato o tratava.
— Sim! Vou guardar em meu quarto e depois da janta nós todos podemos comer. — Minky falou alegre e correu para o seu quarto.
Yamato ficou olhando até o filhote sumir da vista deles e então se sentou no sofá e puxou Shou para sentar em seu colo. Sua mão segurou a fina cintura e a outra acariciou a face terna. — Cada vez mais lindo, e meu. Ah para você. — Puxou o buquê e entregou nas mãos de Shou.
O médico levou as flores até sua face e inspirou o perfume natural delas. — Eu nunca ganhei flores antes... Bem, tirando as de Minky... Vive pegando e me dando. São lindas, obrigado. — Shou disse corado.
— Você merece isso e muito mais. São simples... Mas isso é o mais apto a você. — Ele tomou uma caixa aveludada de dentro da bolsa e abriu diante dos olhos de Shou. Havia comprado os bombons e o conteúdo da caixinha em Masao.
Os olhos de Shou se arregalaram e seu coração falhou algumas batidas. Não pode impedir que as lágrimas viessem aos seus olhos. Não queria sentir-se bobo ou meloso, mas realmente Yamato o pegou de surpresa. — Isso é...
— Sei que os Lobos não costumam trocar alianças ou dar anéis de noivado... Mas em minha família sempre foi uma tradição! Não lhe dei antes porque tive que voltar ao meu velho apartamento em Masao e pegar... Foi algo que meu irmão me deu, disse que era para eu dar ao meu grande amor... Que iria proteger e mantê-lo sempre perto de mim. — Yamato falou emocionado. Quando adolescente seu irmão Naoki tinha dado a ele.
— Oh Yaya... É lindão... E perfeito... Eu... — Shou não sabia ao certo o que falar.
— Oficialmente aceita se casar comigo? — Yamato perguntou. Claro, havia pedido alguns meses atrás, mas queria afirmar segundo a tradição familiar.
— Sim! Sim... — Shou gritou e jogou os braços ao redor do pescoço de Yamato, e logo encheu a face do moreno de beijinhos. — Aqui... Coloque no meu dedo.
Yamato pegou o solitário anel forjado em ouro branco e que adornava com uma pedra ametista... E delicadamente colocou no dedo anelar da mão direita de Shou. — Daqui a duas semanas o colocarei na mão esquerda!
— Duas semanas? — Shou perguntou olhando encantado para o anel em seu dedo.
— Sim! Sayuri e Ryo ficarão mais uma semana em Masao, então assim que voltarem, organizaremos nosso casamento. — Yamato falou com orgulho. — E... Terei dois parentes meus importantes no casamento!
— Sua família? — Shou perguntou sem entender. Yamato nunca falou antes de sua família.
— Sim! — Yamato respondeu. — Eu não falei antes porque não lembrava... Algo com um bloqueio em minha mente... Mas quando Myra apareceu, e depois do último sequestro de Nanami... Parece que minhas lembranças principais voltaram claramente. — Falou sério, e Shou ainda não entendeu bem. — Parece estranho, mas a verdade é que meu irmão é Naoki... O esposo de Misaki... E ambos são os pais de Nanami!
Shou arregalou mais ainda os olhos. — Que dizer que... Voce é tio de Nanami?
— Sim, e quando nos casarmos, voce será também... E Minky e Nanami serão primos. Legal, neh! — Yamato falou como uma grande novidade.
Shou não podia acreditar como o mundo parecia pequeno agora. Quem diria que todos estariam interligados. — Isso é um assunto sério... Mas o que Myra tem a ver com sua memória? — Esta parte não havia entendido nada.
— É que... Myra... Na verdade é Misaki... O pai progenitor de Nanami! — Yamato contou em um tom de voz que somente os dois poderiam ouvir. Sabia que tinha de conversar com o Alfa e contar toda a verdade, mas queria fazer isso com calma.
— Oh... — A boca de Shou abriu em descrença.
— Apenas não conte a ninguém ainda... Tenho que falar para Kensuke, e depois contar para Nanami! Myra ou Misaki não se lembra de nada realmente, e foi por isso que não contei nada ainda. — Yamato explicou.
— É verdade... Tem que ser dito com calma para não causar confusão. Obrigado por confiar em mim. — Shou disse com um pequeno sorriso. Ele abraçou Yamato de novo. Estava tão feliz que mal cabia dentro de si de tanta alegria.
–oo0oo-
Nanami tinha os olhos grandes em pires e um brilho especial. Até poucos meses atrás, ele era o gatinho rejeitado e odiado por muitos, mas agora era querido e bem aceito praticamente por todos da Vila dos Lobos. Claro, havia alguns que ainda olhavam torto ou com inveja, mas esses simplesmente ignorava.
Após algumas semanas em Masao, era tão bom finalmente voltar a matilha dos lobos, era ali que se sentia em casa. Como seu lar. Ele sorriu para as crianças que correram até ele e rodeou-o em um abraço em grupo. Nanami beijou a face de todos e prometeu brincar mais tarde com elas.
Quando se afastou dos pequenos, foi surpreendido por um forte abraço. Quando o susto passou, olhou para quem o atacou, e sorriu ao ver que era seu cunhado. Chizuru. Ele retribuiu ao amigo e cunhado. Como tudo poderia ter mudado dessa forma, quem diria que o menino que o desprezou tanto no começo, agora era um amigo tão querido.
— Senti tanta saudade! — Nanami disse emocionado, dando beijos na bochecha de Chizuru. — Trouxemos presentes para você, há, e para Shou! Seiji! o Ancião! Minky e Myra... — Nanami disse o ultimo nome com certa emoção. Myra ou Misaki, era seu pai.
— Oh, não precisava... Ah, todos ficarão muito felizes. Cadê Sayuri e Ryo? — Chizuru perguntou procurando pelo ruivinho e o outro beta. Uma multidão estava em volta para recebê-los. Seu pai falava com Seiji, Kensuke com alguns aldeões e Yamato parecia ter ido ver Shou e Minky.
— Ah, ele teve que ficar mais alguns dias em Masao! Seu irmão Shuichi está grávido e debilitado, então queria ficar mais um tempinho com sua família e mostrar aonde nasceu e cresceu para Ryo! Mas daqui uma semana voltará. — Nanami falou afirmando com a cabeça.
Chizuru moveu a cabeça em concordância. Entendia, mas ficou triste sem ver o ruivinho, estava com saudades dele. Mas, igualmente entendia. — Bem, espero que retorne logo. Vamos para sua casa. Eu arrumei tudinho com ajuda de Minky... E preparei um lanche especial. Mais tarde haverá comemoração na vila, mas agora precisam descansar.
Como se ouvisse o irmão, Kensuke despediu-se das pessoas que falava e aproximou-se do esposo e irmão. — Vamos!
— Mas... Prometi brincar com as crinças! — Nanami resmungou com um bico.
— Mais tarde... Lembre-se de sua situação. Temos de pedir a Shou um remédio ou não poderá curtir a festa de boas-vindas. — Kensuke disse com um pequeno sorriso malicioso, o qual fez Nanami corar.
— Que situação? — Chizuru perguntou curioso, mas foram interrompidos pela aproximação de Seiji, e esse abraçou o noivo por detrás.
— Nada que alguém puro como ti precisa saber. — Falou. Ele ainda se envergonhava em olhar para seu alfa e cadela alfa, pois se lembrava do fogo desses dois durante a viagem. — Vamos!?
Chizuru olhou sem entender nada e Nanami corou. Eles chamaram o Ancião, e se despediram do povo, prometendo dar mais atenção na festa, enquanto seguiram para casa a fim de descansar.
–oo0oo-
O cheiro podre e de umidade perambulavam naquele calabouço, dando ao local escuro maior mediocridade e boas-vindas aos prisioneiros, em especial um deles. Em uma das selas mais bem protegidas e com porta grossa e feita de aço, se encontrava o mais asqueroso.
As roupas outrora impecáveis se achavam sujas e rasgadas, mas o que era mais forte que o cheiro horrível ou a sujeira, era o ódio que borbulhava dentro daquele were Neko. Ele não tinha se dado por vencido, planejava de todas as formas sua fuga, e de preferência sua vingança... Pois a terá...
Hachiro ainda não podia acreditar que seu plano perfeito tinha dado errado, tudo por causa daquele maldito gato branco. Sabia que aquela criança ainda causaria problemas, por isso se arrependia de não tê-la matado anos atrás quando tentou prender Naoki enquanto esse fugiu deixando o filho com a sogra. Na época, o imperador interveio pela criança – filho de seu ex-amigo – e agora a mesma era a desgraça de Hachiro.
Na verdade, queria ter matado os príncipes, mas aquela bruxa interferiu dizendo que precisava pegar o menino... Que ele ainda era útil. Ainda não via onde isso era possível. Era apenas uma criança inútil... Mero tratado de paz...
O velho gato tentou mover-se, mas as correntes nos pés e a coleira no pescoço impediram. Após acordar, havia sido interrogado três vezes. Uma pelo imperador, depois pelo general e por último pelo capitão da prisão de Masao, mas em nenhuma delas Hachiro disso algo. Sabia que seu escritório, quarto e casa estavam sendo investigados, e certamente achariam provas de vários crimes seus como: roubo dos impostos, ordem de mandar matar o príncipe Shuichi, prática de magia negra e entre outros, mas jamais afirmaria ter feito algum deles. Não! Logo aquela bruxa viria salvá-lo. Ficaria um tempo fora de Masao, mas ainda voltaria e tomaria o que devia ser seu. A coroa do Império dos gatos.
— Ei, idiota da porta... Abra isso! Tire-me daqui agora ou quando eu sair será o primeiro que matarei. — Hachiro gritou para o guarda, mas esse em momento dispôs em respondê-lo. O velho grunhiu de raiva e voltou a se sentar no chão.
Hachiro amaldiçoou até a decima geração da família real, e continuaria se de repente a temperatura de sua sela não caísse e uma nevoa negra começasse a se apossar do lugar.
Hachiro se levantou, mas não foi capaz de ir muito longe do local, devido as correntes que o segurava e impedia tomar forma animal para fugir. — Guarda! Ou... Guarda... — Gritou pelos seguranças da prisão, morrendo de medo.
— Não adianta gritar... Ninguém o ouvirá ou virá salvá-lo. — A voz ecoou pelo local, mas o dono dela não parecia estar em um lugar aparente.
— Quem é? Apareça medroso! — Hachiro gritou, tentando inutilmente amedrontar o seu algoz.
Uma risada ecoou. — Jura? Eu que sou o medroso? E você criatura baixa que se satisfaz fazendo a desgraçada à vida dos outros ou os usando como ferramentas para sua ambição!
Hachiro olhou ao redor, mas antes que pudesse se mover, o feiticeiro apareceu justo a sua frente e o forçou a dar passos para trás, até que se viu pressionado contra a parede de pedra. — Vo-você... — Hachiro gaguejou ao reconhecer aquele homem.
O homem era de aparência jovem e elegante. Ele trajava uma calça preta de couro e uma blusa preta estilo vitoriana, e sobre todo o jogo de capa preta que ia até suas botas negras. Seus cabelos eram castanhos claros, os olhos azuis profundos e sua a pele sutilmente bronzeada. Uma cauda marrom que balançava no ar e sobre o topo de sua cabeça orelhas felpudas de mesma cor.
— Com medo conselheiro?
— O que faz aqui? Guardas! Tem um criminoso aqui! — Hachiro gritou desesperado.
Naoki inclinou para frente com um sorriso amedrontador. O feiticeiro entrara li com tanta facilidade. Afinal, sua magia era muito poderosa, e ele aperfeiçoou-a ao longo dos anos.
— Eles não ouviram... Ninguém virá lhe salvar. Não de mim! — Naoki disse. Não foi fácil esperar anos para que aquele momento chegasse. Onde faria aquele desgraçado pagar por tudo. Não havia feito há anos porque colocaria sua família em perigo, e primeiro precisava descobrir realmente quem estava por trás de tudo.
— O que quer? Eu acabarei contigo quando sair daqui! — Hachiro gritou, mas a verdade era que estava morrendo de medo.
— É um velho imbecil... Mas me será util agora. — Naoki falou friamente. Ele ergueu uma das mãos – protegida por luvas pretas – e a levou ao topo da cabeça de Hachiro. O ex-conselheiro gritou, quando Naoki citou uma palavra estranha, então uma luz tomou ao redor de sua mão. Hachiro gritou, o que levou alguns segundos, e quando Naoki afastou a mão, o conselheiro caiu sentado no chão ofegante.
— O que fez? — Ele indagou ainda em meio a dor, porque o que quer Naoki tinha feito, doera muito.
— Apenas precisava de todas as informações que tem! E posso dizer foi bem útil. — Naoki disse. Ele usara a magia para roubar todas as memorias, lembranças e pensamentos de Hachiro, tudo que ajudara a chegar perto de quem estava por trás de tudo. — Agora vamos começar sua punição! Sim, porque não basta ter armado para mim anos atrás... Ainda ousou maltratar e colocar meu filho em perigo.
— Não... Não foi minha culpa... Apenas segui ordems. — Hachiro disse visivelmente com medo. — Me solte... Me leve contigo e o ajudarei a encontrá-la...
— Não preciso de sua ajuda para isso... Já contribuiu em muito. — Naoki falou. Sua voz era fria e cruel. A raiva por tudo que passou, de como foi privado de ficar com seu amado Misaki e seu adorável filho Nanami, de tudo que seu filho sofreu em todos aqueles anos.
Naoki ergueu as duas mãos em frente ao próprio corpo, com as palmas das mãos viradas para cima e ditou em idioma desconhecido: — Kuolema imeä sielusi...
Uma luz tomou suas mãos e então ele as direcionou para Hachiro, fazendo-as entrar no corpo do mesmo pela boca, nariz e ouvido. Hachiro gritou descomunalmente e animalesco, tentando lutar por sua vida enquanto ela era esvaída. Pareceu durar horas a tortura, mas foi apenas poucos minutos, mas Naoki garantiu que o maldito sofresse bastante em sua morte.
Quando a luz se extinguiu, o corpo apenas de pele e osso de Hachiro caiu de qualquer jeito no chão. Os olhos sem brilho arregalados, e a boca aberta em um grito de socorro que jamais fora ouvido.
— Foi pouco em visto do que mereceu! — Naoki grunhiu. Ele havia conjurado um feitiço para que o imperador e general descobrissem todos os podres de Hachiro, encontrando arquivos em seu escritório, quarto e casa, assim, inocentaria muitos que o velho conselheiro usou e acusou para chegar a seu poder.
Ele ficou olhando aquele ‘verme’ por um tempinho, até que fez a nevoa sumir e segundos depois, ele igualmente desapareceu, não deixando nenhum vestígio que um dia esteve ali. Deixando para trás o corpo sem vida de Hachiro, aquele fez tanto mal a sua família.
–oo0oo-
Ryo jogou a cabeça para trás e fechou os olhos. Deixou que a corrente de água que caía do chuveiro lavasse seus cabelos e percorresse seu corpo. Estava realmente cansado. Não que estivesse reclamando, afinal, teve momentos bem quentes com seu companheiro.
Um dia antes ficou sabendo através de Sayuri sobre o período do cio dos gatos. Era similar aos dos lobos ninshins, apenas em tempo diferente, pois dos lobos era influenciado pela lua.
Mesmo sabendo como seria, realmente foi pego de surpresa e poderia se dizer que aproveitou bem aquele Sayuri carente e sexy. Claro, teve uma grande canseira... E teve momentos que quase fugiu do pequeno que pretendia matá-lo de sexo.
Somente quando o sol raiou no horizonte que Sayuri quietou e dormiu profundamente. O Lobo deixou o seu gatinho dormindo profundamente na cama e optou por tomar um banho.
O estomago de Ryo grunhiu de fome, e isso o despertou de seu devaneio e o fez apressar o banho. Ele terminou de retirar a espuma do corpo e desligou o chuveiro. Tratou de enxugar o corpo e vestiu uma calça de tecido leve e folgada, e então deixou o banheiro.
Olhou para a grande cama, mas especificamente seu lindo esposo que se achava deitado de bruços e tinha as feições suaves. Ryo aproximou-se da cama e inclinou-se para frente, estalando um beijo no topo da cabeça de Sayuri.
— Huh... Ryo... — Sayuri murmurou ainda com os olhos fechados.
— Continue dormindo, ruivinho... Vou apenas providenciar algo para comemos mais tarde. Me espere aqui! — Ryo disse suavemente. Voltou colocar outro beijo na cabeleira ruiva, admirou Sayuri que voltou dormir profundamente, e somente depois de alguns minutos que se moveu para fora do quarto.
Ele fechou a porta atrás de si e seguiu pelo corredor. Obviamente, Ryo desejava retornar logo para sua vila, mas por Sayuri optara em ficar mais uma semana em Masao.
Ryo parou de se mover quando viu a porta do quarto do imperador abrir, mas ao invés de seu sogro, quem saiu fora o general. Inclinou a cabeça de lado e achou aquilo estranho. Claro, poderia ser normal se não fosse pelo horário e pelo fato do general estar com as roupas amassadas. O lobo escondeu-se para que o general não o visse, e quando este sumiu de seu campo de visão voltou a seguir pelo corredor em sentido a cozinha.
Demorou um pouco em achá-la, mas quando fez, sorriu para os empregados que pareciam abismados em vê-lo ali. — Er... Bom dia! Pensei em pegar uma bandeja de vários alimentos para Sayuri! Tudo que ele gosta. — Disse sem jeito. Não sabia como os empregados gatos lidariam com ele ali. Possivelmente não gostaria de receber ordens dele, mas antes que falasse algo, eles começaram a se moverem e preparar alimentos que o ‘príncipe’ iria gostar. — Obrigado!
Ryo esperou eles terminarem, e no final, deparou-se com uma bandeja de prata grande e com vários alimentos – desde – sucos, geleias, pãozinhos, torradas, tortas e entre outros. Certamente faria Sayuri feliz.
Agradeceu-os pela ajuda e voltou para o quarto com o a bandeja que cheirava delicioso. Queria ficar pertinho de Sayuri e cuidar bem dele, seu lindo esposo merecia isso e muito mais. Ryo não podia conter o sorriso... Feliz ao pensar que Sayuri era todo seu.
Continua...
Fale com o autor