Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
33 Capítulo 33 - Cerimônia Real
Notas iniciais
Capítulo 33 — Cerimônia Real
O gracioso corpo remexeu na cama e aconchegou-se mais contra o calor do corpo maior. A claridade que embrenhava pelas cortinas brancas da varanda fez suas pálpebras apertarem em busca de proteção. Ele moveu a cabeça deixando que os fios loiros escondessem seus olhos enquanto resmungava.
— Uhh... — Seu corpo implorou para que continuasse na cama, mas sua mente instalou acordada. As pálpebras moveram revelando as íris azuis celeste. Suas orelhas tremeram captando cada som do quarto, principalmente a pesada respiração de seu marido. Nanami se moveu em meio aos braços fortes de Kensuke e ficou de frente para ele. Com as pontas dos dedos, traçou as linhas fortes do belo rosto do marido e sorriu. Ele realmente amava seu grande lobo. Não resistindo, deu-lhe um selinho nos lábios de Kensuke, fazendo este resmungar em meio ao sono.
Já sentindo falta do calor do Alfa, Nanami se remexeu na cama e lentamente saiu dos braços fortes e levantou. Sua face estava amassada de sono, os cabelos desgrenhados e seu pijama rosa todo torto, mas ele realmente não ligava para isso... Tudo que podia sentir era felicidade por ter Kensuke sempre ao seu lado.
Travesso, ele seguiu na ponta dos pés para o banheiro. Ainda era cedo, mas era o grande dia... E ele queria ajudar seu precioso amigo Sayuri, afinal, era o dia que o ruivinho iria ser casar.
O castelo encontrava-se em plena euforia. Os serviçais agilizavam para deixar tudo pronto para o pôr do sol, onde ocorreria a cerimônia... Toda a Cidade de Masao queria estar presente na ocasião, então todos decoravam a Vila, faziam suas oferendas de felicidade aos noivos ou se arrumavam. Claro, ainda havia o boato de insatisfação pelo príncipe tão amado se casar com um lobo, mas tinha aqueles que viam como uma benção... Pois acabaria definitivamente com a guerra, e fora que Sayuri parecia feliz com isso, e todos queriam a sua felicidade. Dos três príncipes, certamente o pequeno era o mais amado.
Nanami entrou no grande e elegante banheiro. O mesmo caia dez casas da que cresceu, e mesmo ficando ali quase três dias, não acostumava. Parando com os devaneios ele seguiu em sentido a banheira, mesmo sentindo certo incômodo nas nádegas devido à noite quente com o marido, ele seguiu até ela e ligou a torneira deixando que a enchesse. Enquanto a banheira branca enchia, ele retirou o pijama rosa e o jogou no cesto para roupa suja.
O loirinho entrou e pegou a esponja branca e o sabonete líquido, e com cuidado, despejou boa quantidade na mesma, e então passou esfregar em cada pedacinho de seu corpo. Nanami não pode impedir a própria mente de recordar do próprio casamento — como estava com medo — e como tinha sido perfeito.
O loirinho fechou a torneira quando considerou que a banheira tinha enchido suficiente e então se concentrou na tarefa de ser lavar. Ele limpou todo corpo, deixando os cabelos para final... Os lavou com o shampoo que tinha ganhado de Kensuke e sabia que o lobo amava o cheiro.
Finalizando o banho, Nanami saiu com cuidado da banheira para não cair e foi até a toalha, tratando de enxugar bem seu corpo. Depois passar um creme hidratante de pêssego, por fim retornou ao quarto para se vestir. Ele tentou arduamente não fazer nenhum barulho, mesmo que fosse uma tarefa bem difícil para ele.
O pequeno gatinho sorriu feliz por conseguir a façanha de se arrumar e não acordar o marido. Ele apenas separou o sino e os sapatos na mão e então saiu cauteloso do quarto. Após fechar a porta atrás de si, ele colocou seu inseparável enfeite de casamento, a joia tão preciosa que Kensuke lhe dera, depois os tamancos de madeira e então saiu apressado para o quarto do amigo. Sem bater na porta, Nanami entrou e sorriu para o dorminhoco Sayuri.
Correndo, e largando as sandálias no caminho, ele seguiu para futon e pulou nela com tudo, caindo sobre o ruivinho. — Acorda Say-chan! Acorda! — Nanami gritou
— Uhhh... Só mais cinco minutos papai... — Sayuri resmungou sem abrir os olhos.
— Não! Hora de acordar... Tomar um banho e café da manhã... Depois ser preparado. — Nanami disse animado. Ele queria fazer o que Chizuru fizera por ele, mesmo que na época não se davam bem... Ele queria ajudar Sayuri a fazer o ritual de preparação para o casamento.
— N-não... Ainda é noite... — Resmungou o dorminhoco.
— É seu dia... O grande dia que Sayuri casará... Acorde! — Nanami gritou tirando o cobertor de cima do amigo.
Como passe de mágica, os olhos de Sayuri se revelaram e ele se sentou na cama. Os cabelos desgrenhados e a face amassada. — Hoje é...
— Sim. — Nanami afirmou com um sorriso.
— Eu vou... — Sayuri repetiu encarando o amigo.
Nanami se jogou sobre ele, o abraçando forte. — Sim, Say-chan vai se casar com Ryo... Então, depois voltaremos para casa... Viveremos para sempre pertinhos e nunca mais esconderemos nossa amizade.
— Oh deus... Eu vou... Depois eu e Ryo... Ahhhhh... Não posso fazer isso. — Sayuri gritou e deitou puxando o cobertor sobre ele.
Nanami o descobriu de novo e deitou-se sobre o corpo do amigo deixando suas faces bem próximas. — Eu... Neh Sayuri... Pode fazer isso. É tão safadinho e vive dizendo que queria fazer comigo ou ver eu e Ken-chan... Por que agora com medo de fazer com seu futuro marido? — Nanami perguntou meigamente. Mesmo falando de coisas ‘maliciosas’ ele parecia ingênuo. — É um pouco incômodo no começo, mas é muito bom... Eu gosto fazer com Ken-chan...
Um sorriso surgiu na face de Sayuri e gentilmente acariciou a face do amigo. — Obrigado... Ainda bem que o tenho aqui... Aff... Vou tomar banho, então... Vai ter que ajudar a mim e Shu-chan a nos arrumar... — Sayuri falou. Ele roubou um selinho bem rápido de Nanami e então o empurrou gentilmente para o lado a fim se que pudesse se levantar do futon.
— Sayuri... — Nanami arranhou pelo que o príncipe fez, mas nesse momento, Sayuri já achava dentro do banheiro e rindo alegremente. O loirinho ficou deitado na cama e olhando para o teto. Ele ainda não podia acreditar que estava em Masao e era convidado de honra... Apesar de que, desejava retornar logo a Akai e encontrar com Myra e Yamato... Confrontá-los para descobrir se realmente eram seu pai e tio. Mal podia esperar para isso.
Aquele dia certamente ainda renderia muitas emoções e momentos.
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Chizuru seguia tranquilamente pela aldeia, mas mesmo que cumprimentasse os aldeões com um sorriso no rosto, o seu coração estava apertadinho. Ele sentia muita falta de Nanami e Sayuri, das travessuras que eles aprontavam. Realmente havia se acostumado com a presença deles.
Como já havia feito todos os seus afazeres do dia e Seiji se achava ocupado cuidando das coisas enquanto Kensuke estava fora, ele resolveu fazer uma visita a Shou... Assim, poderia dar uma olhada para ver como Myra estava – visto que Nanami o pediu para cuidar do desmemoriado – e igualmente poderia brincar um pouco com Minky.
Ele ergueu a mão e bateu na porta esperando por resposta, mas essa não veio. Preocupado, virou a maçaneta e viu que a porta se encontrava aberta. Ainda que encabulado por entrar na casa dos outro sem permissão, ele adentrou olhando cauteloso ao redor.
— Olá... Alguém em casa...? — Ele chamou seguindo pela sala. Ouviu o barulho vindo da cozinha, então resolveu seguir para a mesma. — Shou...? — Chamou pelo curandeiro, e deu um pulo para trás quando o som alto ecoou mediante a queda da panela ao chão.
— Porcaria. — O Curandeiro gritou.
— Eu... Não queria... — Chizuru disse sem jeito acenando para a sala. — desculpa entrar assim... É que chamei e ninguém respondeu...
O médico olhou para a porta e corou ao ver o príncipe Lobo, devido este o encontrar em estado irado. — Ah... Chizuru-sama... Eu peço desculpas... Ando meio distraído e não ouvi. Mas entre, o que lhe trás aqui?
O lobinho aproximou-se do médico e pegou a panela do chão o entregando de volta. — Eu vim ver como Myra está e brincar com Minky. — Disse com um leve sorriso, contudo este sumiu quando viu a dura expressão de Shou.
— Por que todos somente querem saber desse loiro aguado? — O Curandeiro falou com um grunhido.
— Como? — Chizuru sentiu-se desnorteado.
Percebendo o que disse, Shou corou e abaixou a face. — Desculpa... Eu... Ele está no quintal brincando com Minky. — Shou respondeu dando as costas para o príncipe e voltando a lavar as vasilhas.
— Tudo bem? Aconteceu algo? — Chizuru perguntou aproximando-se do amigo de seu irmão. Ele sabia como as coisas na vila muitas vezes eram difíceis para Shou, que mesmo que houvesse aqueles que gostavam muito dele, ainda tinha os que falavam mal. — Ele fez algo contra você?
Shou negou. — Não... É somente... Eu tenho medo de perder Yamato... Por que... Ele parece tão ligado a Myra. — Shou respondeu com a cabeça baixa. Ele segurava-se para não permitir que as lágrimas caíssem. — Sou apenas alguém inseguro e ciumento... Acho...
Chizuru abraçou o médico por trás e o confortou. — É infundado seu ciúmes... Todos percebem de longe que Yamato o ama e quer ficar contigo... Talvez ele seja gentil por que Myra parece um pouco com Nanami...
— Eu sei... — Shou murmurou sem quebrar o abraço do outro. — Não queria ser assim, mas não posso evitar... Sabe... — Ele deu uma fungada.
— Eu acho que devia falar com Yamato, fazê-lo saber de como se sente... Pode ajudar. — Chizuru disse. — Bem, é o que meu pai sempre falou... Que não podemos esperar que o outro adivinhe como nos sentimos.
Shou virou de frente para Chizuru e deu-lhe um toque no nariz dele com o dedo indicador. — Tem razão... Vou falar com Yamato quando ele retornar... Agora, por que não vai brincar com Mi-chan e Myra no quintal?
— Tem certeza? — Chizuru perguntou.
— Sim, agora vá. Vou terminar de lavar as vasilhas e vou levar um lanchinho para nós. Vá! — Disse dando-lhe um sorriso caloroso.
Chizuru acenou com a cabeça e saiu correndo para quintal, apenas rezava para que Shou ficasse bem, e claro, que os outros voltassem logo... A vila sem eles era tão chata.
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— Maldição! — Um grito ecoou pelo escritório e o ódio que aquele ser exalava parecia dominar todo o lugar. Ele jogou todos os objetos sobre a mesa no chão e chutou a mesinha que detinha um vaso belo, o fazendo cair. — Vou acabar com esses imbecis... Por acabar com os meus planos.
Hachiro colocou as duas mãos apoiadas sobre a mesa de madeira de cerejeira enquanto respirava profundamente. Todos os seus planos haviam sido frustrados. Naquele momento não podia fazer mais nada para impedir os casamentos dos príncipes, pois se fizesse, acabaria se revelando e certamente seu fim seria bem real.
Seus olhos estreitaram quando uma figura encapuzada surgiu em meio uma nevoa negra no canto do escritório.
— O que quer? Não venha me perturbar. — Disse em seu mal humor.
Mas seu ódio não afetou ao espectro negro, afinal, este se alimentava de ódio. — Tenho novas ordens do mestre! — Disse com sua voz profunda, como se fossem almas gritando de medo.
— O que foi agora? Esse idiota não sabe fazer as coisas sozinhas para precisar de mim? Estou ocupado... — Mas Hachiro não terminou de falar, pois em um passo de mágica chocou-se contra a parede ao lado da janela e sua garganta sendo apertada por cinco dedos magros.
— Lembra-se qual seu lugar escória... Se não fosse pelo mestre estaria na sarjeta... Agora se recomponha e cumpra as ordens do mestre. — O ser maligno disse feroz.
Hachiro engoliu em seco e acenou com a cabeça, incapaz de dizer algo.
— As ordens são para sequestrar o Cadela Alfa.
— Como? Para que quer aquele filho de traidor? É um imundo... — Hachiro gritou, mas somente para ganhar um soco do estômago que o fez grunhir de dor. — Entendi...
— Ele é mais importante que todos... Entendeu? É para sequestrá-lo com vida e levá-lo até a ponte do jardim!
— Por que quer ele? — Hachiro perguntou sem entender.
— Não é da sua conta, apenas cumpra... O leve até lá... — O espectro ditou, e antes que Hachiro proferisse ou contestasse algo, ele desapareceu rodeado pela nevoa negra, assim como chegou.
Hachiro caiu sentado no chão e encostado na parede. Ele tossiu e massageou seu estômago dolorido. Ele tinha que livrar-se desse ‘mestre’... Pois ele atrapalhava atingir seus planos... Mesmo que soubesse o quanto era arriscado ser o ‘traidor’, visto que esse era poderoso. — Posso fazer os dois... Vou livrar-me dos dois príncipes inúteis e esse gato mundo. — Murmurou pensativo. Sua mente trabalhava para traçar um plano para matar Shuichi e Sayuri, e sequestrar Nanami.
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A cerimônia seria naquele pôr do sol, e logo mais a noite. A cidade inteira se encontrava presente no campo aberto atrás do palácio aonde as cerimônias seriam realizadas. Poderia parecer estranho para os lobos haveria um casamento duplo, porém para os gatos era bem normal que eles se juntassem antes do período de acasalamento e se casavam ao mesmo tempo, igualando as cerimônias que se tornavam em grandes festas.
E algo que havia em comum entre eles, era o fato de que gatos e lobos eram criaturas festeiras. Aonde houvesse música e comida, eles estavam felizes, e as festas normalmente duravam a noite toda.
— Céus, está muito nervoso Ryo, pare com isso! — Kensuke deu-lhe um tapa nas costas que foi quase como um soco. Ryo esfregou o local e se voltou para Kensuke.
— Eu ainda não posso crer que hoje é meu casamento. Mesmo tendo estudado todo aquele ritual... Oh Deus dos lobos, estou nervoso como o inferno.
Kensuke riu e envolveu um braço nos ombros de seu amigo.
— Não pense na cerimônia, pense no que vem depois dela... Com certeza vale por todo o nervosismo que está sentindo. — Comentou em um toque malicioso que fez Ryo rir.
— Você não teve tanta sorte em seu casamento Kensuke... — Olhou-o e Kensuke torceu a mandíbula fazendo uma careta.
— Meu casamento foi lindo, porém não foi especial nem para mim ou para Nanami. Mas foi graças aos Deuses que aprendemos a amar um ao outro, e somos felizes. Não me arrependo de nada... Nunca deixarei Nanami, é por ele que eu vivo.
Ual que declaração, até fez Ryo corar sutilmente. Ele queria falar assim de Sayuri um dia para seu amigo também.
— Enfim, boa sorte cara. Vai lá e tome o que é seu por direito e seja feliz. — Kensuke deu alguns tapinhas nas costas de Ryo, mais suavemente dessa vez e o deixou para se voltar ao Imperador que estava por perto. Os últimos preparativos já haviam sido feitos. Ryo foi para o grande altar e se manteve em pé com as mãos atrás das costas.
Suas roupas estavam impecáveis para quem iria se casar, era basicamente um kimono azul marinho de somente três camadas que descia até os tornozelos, dos quais seus pés de meia estavam calçados com sandálias de madeira de saltos pequenos. Seu obi era dourado, dando um contraste exuberante com as roupas, sem dizer que combinava muito bem com seus cabelos loiros, que mesmo depois de penteados mil vezes ainda estavam espetados. E por último e não menos importante, ele usava um colar com dentes de gatos e lobos intercalados com pedras preciosas, para simbolizar que ele estava de acordo plenamente com a junção das duas raças.
Um som suave de flauta deu início ao ritual, um jovem estava tocando muito próximo ao altar. Ryo se colocou ainda mais nervoso, porém tentou seu melhor para manter a calma. Seria vergonhoso se ele demonstrasse como estava tremendo. Não queria que ninguém visse, ele tentou vestir seu rosto com uma séria expressão.
Kensuke foi para o seu lado, assim como os conselheiros do Imperador e o mesmo com sua presença mais importante. Estavam lá em seguida, Nanami e o general Eiji.
Ryo olhou em volta, lembrando-se que seria um casamento duplo. Menos mal, os olhos não estariam somente para ele, mas para Yunsuke e Shuichi também. Ainda pensava em como o relacionamento deles era possível, mas como sempre lhe diziam, o coração não escolhia quem amar, ele simplesmente fazia e te levava a uma enrascada. Embora ele não dissesse que sua relação com Sayuri fosse uma enrascada, ele estava mais do que feliz que estava indo se casar com o ruivinho. Mas ele sempre pensou em uma cerimônia simples como as que faziam em Akai, nunca imaginou que estaria rodeado pela cidade inteira de "gatos". Pessoas que ele nem conhecia. Sorte que ele não estava sozinho, mas sentiu uma falta tremenda de Seiji, ele era seu amigo inseparável.
— Ahh... Me atrasei? — Yunsuke apareceu de repente, ofegante e tentando recuperar a calma. Ele parecia pior do que Ryo, seus olhos esbugalhados diziam isso. Porém logo ele sorriu e vestiu uma aparência corajosa, como o herdeiro daquele povo deveria ter.
— Quase... — Ryo sorriu e continuou a olhar em um ponto qualquer no campo.
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Sayuri terminou de vestir suas sandálias de salto. Ele havia feito isso tantas vezes em sua vida — usar salto — porém, ele estava morrendo de medo de tropeçar. Nervoso como ele estava, não estava pior do que Shuichi que tremia consideravelmente perto dele. Podia sentir o nervosismo dele em ondas para fora de seu corpo.
— Shu-chan... Tem que se acalmar, vai fazer mal ao bebê. — Sayuri orientou-o, porém Shuichi olhou-o com suas sobrancelhas franzidas.
— Acha que é fácil? Você também está tremendo horrores, posso sentir daqui. — Shuichi o repreendeu, porém logo se arrependeu. — Desculpe, tenho estado tão estranho ultimamente.
— É por causa do bebê. — — Sayuri deu uma risadinha fofa, sentindo-se sortudo por logo ser tio. Mas ele queria ver seu sobrinho quando nascesse, teria que dar um jeito de viajar de Akai para cá antes que acontecesse.
— Yunsuke me disse que estou muito bipolar. É estranho para mim que sempre fui calmo... — Ele sorriu, porém até mesmo seus dentes tremeram. — Já está na hora de irmos, vem Say-chan. — Estendeu a mão para seu irmão menor.
Sayuri a tomou e caminhou com ele pelo caminho indicado pelos empregados que estavam encarregados por eles naquele dia.
Como ritual da família real, os dois príncipes ninshins haviam ficado na pousada, logo atrás de algumas árvores e situada próximo ao palácio. Era um local isolado, onde havia um pequeno templo em que eram feitas orações para prosperidade para aqueles com sangue real.
Chegando próximo ao campo, Sayuri e Shuichi avistaram a imensidão do local destinado à cerimônia. Haviam tantas pessoas sentadas sobre almofadas, eles se perguntavam se haviam tudo isso mesmo em sua cidade. Pareciam milhares.
O sol já havia começado a se pôr no horizonte por trás das montanhas de neve vistas ao longe. A paisagem trouxe coragem para o peito de ambos, e embora o nervosismo ainda estivesse presente, eles trocaram olhares e sorrisos. Era um dia especial, um momento único, e era dever deles aproveitar cada pedacinho dele.
Sayuri vestia um belo kimono vermelho, que era a cor da bandeira da realeza, suas camadas internas intercalaram em vermelho claro e branco. Havia uma porção de desenhos de pássaros e plantas em tinta branca, e renda pelas mangas. O mais difícil de suas vestes era a longa calda que arrastava ao chão, que até então fora segurada por uma das empregadas. Seus cabelos estavam decorados com contas e flores silvestres.
Já Shuichi encontrava-se impecável igualmente, vestindo um kimono vermelho, muito bonito de uma tonalidade mais clara que a de Sayuri, duas camadas internas de cor brancas, e mangas com rendas exageradas. Ele nunca havia se vestido tão belamente, o que fez os olhos de todos se arregalarem. Normalmente Shuichi se vestia como samurai, pois ele havia sido espadachim até antes do "acidente".
Seu ventre estava inchado, já aparentando uma gravidez, e por isso seu obi havia sido amarrado folgado para não causar desconforto ao bebê. Shuichi sentiu-se muito bem, agora sendo visto como um verdadeiro Ninshin. Se antes ele se envergonhava desse fato, hoje ele se orgulhava porque estava indo se casar com aquele que mais amava. O que parecia impossível, enfim estava se tornando realidade.
Shuichi e Sayuri deram as mãos, sem ninguém que pudessem levá-los ao altar, mas sim indo ambos por sua própria vontade para se entregarem à seus futuros maridos.
Sayuri torceu uma sobrancelha com a carranca de Ryo, ele parecia que queria comer gatinhos no jantar. Mas assim que viu Sayuri se aproximar do altar, um grande sorriso tomou seus lábios, além de seus olhos claros brilharem em alegria. O coração de Sayuri falhou uma batida com a expressão de Ryo. Ele não era muito de sorrir, mas a felicidade sincera que ele demonstrou ali reforçou o fato de que o homem o amava.
E ele o amava igualmente.
Shuichi sentia seu coração a mil em seu peito, com medo de que de repente ele parasse e então ele caísse mortinho no tapete vermelho. Porém quando viu Yunsuke ali, sua aparência e expressão relevando coragem e força, fez Yunsuke mais corajoso. Porém nem mesmo seu irmão gêmeo ameaçador pode esconder o rubor em suas bochechas quando Shuichi chegou perto.
Já no altar, Ryo tomou as mãos de Sayuri nas suas e o guiou para as almofadas aonde se ajoelharam obedientes. Yunsuke e Shuichi fizeram o mesmo, embora estivessem loucamente em um desejo de se beijarem como se a vida fosse acabar.
O sacerdote do reino, um homem com idade avançada, relevando seus longos cabelos brancos e barba que ia além de seu peito, ainda usando uma bengala, se colocou próximo aos noivos. Ele vestia uma túnica especial para um momento como aquele.
— Anuncio em honra e grande alegria, que dou início à cerimônia em que irá unir estes dois casais de nossa realeza. — Começou o sacerdote falando com uma voz tão potente que todos de início duvidavam que ele tivesse.
— Nosso amado príncipe terceiro nos trazendo a honra de se casar com um bravo guerreiro de nossa tribo vizinha, um lobo, um casamento do qual é como uma aliança de paz, assim como a que tivemos com o Alfa dos Lobos e um dos membros de nossa espécie.
Kensuke acenou e Nanami se embrulhou ao lado dele, encabulado quando todos olharam para ele com curiosidade, nem todos sabiam da história do sumiço de Nanami, não havia sido revelada, além dos boatos que já tinham se espalhado desde que ele saiu.
— Também temos a honra de casar o príncipe herdeiro e seu gêmeo, como uma forma de manter o sangue puro da realeza dos gatos, além de que em breve teremos nossa cerimônia de troca, aonde o Imperador irá fornecer seu posto ao seu filho herdeiro, o que faz desse casamento o mais importante dos últimos dez ou quinze anos.
E assim continuou o falatório do sacerdote, todo o seu assunto sobre honra, a aliança e promessa que os livrariam da guerra e o futuro posto que Yunsuke tomaria por conta de seu casamento com Shuichi.
Fora belíssima suas palavras, porém os noivos mesmo se esforçando para prestar a devida atenção, já não conseguiram mais quando o tédio se fez presente e Shuichi quase caiu dormindo, se não fosse pelos cutucões de Yunsuke.
Como parte do ritual, os dois casais trocaram alianças e jóias, além de que Yunsuke, assim como Ryo, tiveram que entregar o maior bouquet de flores que foram colhidas pelos próprios e preparadas com o maior carinho por eles. Claro que havia uma certa quantidade de erva de gato que era como uma droga para os gatos, o fez imediatamente seus agora "esposos" se acalmarem assim que inalaram o doce aroma das flores misturadas com o cheiro das ervas.
E como também fazia parte daquele ritual, o esposo tinha que entregar um presente útil para seu marido que ele mesmo havia feito, como para provar suas habilidades e que era digno de cuidar de uma família.
Shuichi entregou uma pequena caixa a Yunsuke, que sorriu para ele, e então abriu com seus olhos brilhando. Era um lenço maravilhosamente trabalhado com bordados de borboletas e flores silvestres.
— Eu não sabia que podia fazer bordado, Shu-chan... — Yunsuke sussurrou, tremendamente agradecido pelo presente, que mesmo simples — e trabalhoso — era algo que Yunsuke sempre levaria com ele. Até mesmo cheirava a Shuichi.
— Aprendi enquanto estava fora viajando. — Shuichi respondeu em um sussurro, sorrindo. Isso explicava a grande quantidade de revistas de tricô e bordado que estavam debaixo de sua cama. Enquanto ele estava acalmado, nada melhor do que aprender algo novo para passar o tempo.
Sayuri, todo envergonhado, entregou um pequeno saquinho colorido. — Uh... Eu não sou muito bom em fazer coisas manuais... Mas isso é especial.
Ryo pegou o embrulho, que mesmo muito pequeno para o um presente, representou o mundo de alegria para ele. Deuses, ele não estava acostumado a sentir toda essa felicidade em grandes lotes dentro dele, porém era tão bom como o céu.
Ryo abriu com cuidado para não rasgar, e seus olhos se arregalaram com o que Sayuri havia feito para ele. De repente sua garganta ardeu com uma necessidade de lágrimas, porém ele não chorou, mas manteve-se emocionado.
— Você... Você fez para mim este omamori? — Ninguém em sua vida havia feito algo com tão grande representação como aquele menor dos presentes. Sayuri assentiu envergonhado, mas com um sorriso.
Um omamori era um pequeno amuleto com ideogramas que indicavam felicidade, segurança e prosperidade. E apesar de ser menor do que a palma da mão, havia um significado tremendo, e ele imaginou quantas orações Sayuri havia feito para encher seu omamori para dar-lhe a devida segurança e sorte.
— Eu o fiz enquanto ainda estava em Akai, vai lhe proteger aonde quer que vá, e poderá se lembrar de mim quando eu não estiver por perto. — Sayuri sussurrou e recebeu um sorriso divino de Ryo.
— Obrigado, vou guardá-lo comigo. — E como fim do ritual, mas o mais importante que todos esperavam, Ryo se aproximou de Sayuri e tomou seu rosto em suas mãos, beijando-lhe delicadamente para encerrar aquela cerimônia e receber as bençãos sagradas através daquele ato romântico e cheio de significado.
Yunsuke se aproximou para beijar Shuichi, porém o gêmeo menor agarrou seu pescoço e o puxou para o um beijo de tirar o folego. Yunsuke quase se afogou e tão quente como ele ficou, ninguém mais poderia ficar. Ele estava pegando fogo por Shuichi.
O casamento havia terminado, e todos estavam emocionados com a cerimônia de ambos os casais. Aquele era um novo começo para Masao, assim como teria grande importância para Akai. Logo mais viria a grande festa, aquela noite prometia muito.
Continua...

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