Notas iniciais
Miky: Obrigada por acompanharem! Esperamos que gostem do capítulo :3 Mais um escrito com o maior carinho. Próximo fim de semana tem mais um!
Infelizmente tive uns probleminhas pessoais e acabou que não pude fazer o desenho que esperava postar hoje! Mas no próximo fim de semana eu farei! *--*
Até a próxima!

Capítulo 3 – Destino Selado


Os delicados dedos brincaram com a pequena flor. A levou ao seu nariz suspirando o perfume perfeito da Sakura e sorriu. Com a flor em uma das mãos e um pequeno pacote na outra, ele saiu correndo pelo pequeno caminho que faltava chegar a casa. Ele empurrou a porta de madeira e fechando atrás de si, deu um gritinho de alegria.



— Adivinhem o que papai conseguiu? Um pouco de leitinho para meus lindos bebês. — A doce voz gritou. Ele foi até a cozinha, pegou uma tigela e tratou de despejar o leite na mesma. Era pouco, mas seria suficiente para alimenta os seus gatinhos, ao menos até que Sayuri pudesse trazer mais comida. Seu amigo havia prometido que no dia seguinte levaria.



— Meow! Meow! — Os miados duplos fizeram presentes.



Nanami seguiu até a sua cama, colocou a tigela e voltou até a caixa de papelão e tomou os dois gatos. — Talvez não seja o leite de melhor qualidade, mas vai manter as suas barriguinhas cheias. Espero que gostem... Preciosa e Lobo. — Ele disse.



Lembrou-se das falas de seu amigo quando disse a ele os nomes dos gatos. Sayuri ficou em choque. Disse que era maluco em coloca o nome de seu animal de estimação de ‘Lobo’, justo dos grandes inimigos. Mas ele não tinha nada contra. Os Were Ôkami não era seus inimigos, e o nome era perfeito para seu gatinho macho.



Os gatinhos miaram felizes para ele, inclinaram sobre a tigela e passaram a degustar do leite. Feliz em alimentar os pequenos animais que rapidamente tomou amor por eles, Nanami levantou retornando a cozinha. Ele procurou algo para comer, e tudo que achou foi um pedaço de torta de queijo. Bem! Teria que ser o suficiente. Sorte que havia comido bastante dos doces que Sayuri havia levado, ao menos aquele dia não ficaria com fome.



Nanami tomou o pedaço de torno diretamente com a mão e sentou na cama ao lado dos branquinhos animais. Ele comeu bem lentamente para que durasse mais, porém nem mesmo a precariedade de alimento ou o local que vivia, fazia o seu sorriso sumir.



Entretido cuidando de seus gatinhos, que agora tornaram a sua família juntamente com Sayuri, Nanami não atentou para o que sucedia em volta de sua humilde casa. Somente quando batidas ecoaram na porta, que ele sobressaltou.



“Eu... Será que Sayuri já voltou? Mas ele não costuma bater!”, Nanami pensou. Ele deixou a última bocada de sua torta na cama o esperando e seguiu para a porta.



As batidas aumentaram: — Já vai! Oh povo desesperado. — Ele grunhiu. Odiava quando atrapalhavam os seus momentos de descanso. Ele atravessou os pequenos cômodos, que não eram muito grande mesmo, e desfez do trinco. Mal puxou a porta e essa foi empurrada com tudo, que pela força quebrou.



Nanami deu passos cambaleando para trás. Os seus olhos azuis arregalaram. — O que...? Seu sem educação. O que quer?



— Cala a boca e venha comigo. — O Guerreiro disse duramente. O mesmo trajava sua armadura de samurai, e a faixa vermelha indicava que era um capitão da guarda.



Os olhos de Nanami arregalaram. Ele recuou alguns passos. — Eu não fiz nada! Deixem-me em paz. — Sua mente avaliou rapidamente a sua rota de fuga. Era bem capaz de que algum vizinho o denunciou com mentiras ou finalmente o faria pagar pelos crimes de seu pai.



A expressão do Guerreiro ficou ainda mais dura. Ele deu passos ameaçadores em sentido ao jovem. — É melhor cooperar para o seu próprio bem!



— Por quê?



— Não precisa saber! — Ele disse sem paciência. Quando Nanami ia fugir novamente, o Samurai o agarrou pelo braço, e os dedos fortes apertaram-no deixando marcas na pele alva.



— Me larga seu brutamonte! — Nanami grunhiu. Ele moveu o braço livre e as pernas, chutando e socando o samurai, mesmo que a diferença de força era enorme e jamais teria chance contra ele. — Eu não fiz nada! Seu traste... Chupa cabra... Me solta! Socorro! — Ele gritou, mas no fundo sabia que ninguém iria vir ao seu auxílio.



— Fiquei quieto! Eu vou socá-lo se não parar. — O Capitão disse. Ele estava tendo dificuldade de conter o pequeno. Quando achou que havia conseguido, Nanami deixou que as suas orelhas, rabos e dentes surgissem, e sem piedade mordeu a mão do Samurai. — Seu pirralho maltrapilho. — O homem gritou, mas errou em soltar o pequeno.



Nanami aproveitou para se afastar do homem, e correu até a janela mais perto e pulou ela com habilidade. Sem olhar para onde seguia, ele colocou todas as suas forças nas pernas e correu. Entre pequenos tropeços e feridas, ele seguiu pelo bairro. Precisava fugir daquele homem.



Não demorou em descobrir que ele não tinha um, mas um pelotão de soldados atrás dele. Os mesmos seguiam de perto e gritavam para parar. Nanami não ousou olhar para trás.



— Saiam da frente! — Nanami gritou para um casal a sua frente. Acabou tentando desviar deles, e caiu no chão. Seus joelhos ralaram, tal como feriu as suas mãos. Ele ignorou a dor e levantou. Normalmente ele era um desastre sobre os pés, e correndo loucamente, não ajudava muito.



— Seu insolente, preste atenção. — O homem disse e deu um cascudo na cabeça de Nanami.



O pequeno fez uma careta. Ele ia brigar com o homem, mas lembrou que tinha problemas maiores, e então olhou para trás não vendo os samurais, vendo uma brecha para colocar distância, ele moveu.



— Vai se ferrar! — Ele gritou com o casal, e antes de receber qualquer resposta, ele saiu correndo. Mal deu dois passos e ele se viu cercado por samurais e espadas apontadas para si.



— Chega de brincadeira! Ou coopera ou irá ir fatiado! — O que aparentava se o líder gritou. Ele aproximou-se de Nanami, e antes que desse a chance do gatinho fugir ou dizer algo, ele bateu com o suporte da espada em sua cabeça.



— Seu... — Nanami murmurou, mas de repente tudo em sua volta tornou-se uma nevoa e a escuridão o abraçou. Ele queria lutar, mostrar que não era fraco e não se renderia a ninguém, porem ele tinha o seu limite, e não era forte devida alimentação precária que sempre tinha.



O pequeno corpo começou a cair, e antes que alcançasse o chão, ele foi pego pelo Capitão da guarda. O corpo foi pego seu cuidado e jogado nos ombros fortes.



— Vamos! O conselheiro está esperando! — O duro homem ordenou. As pessoas ao redor acompanharam a cena sem entender, mas ninguém iria contra os Guerreiros do Imperador, ainda mais para ajudar o filho do ‘grande’ traidor.



–oo0oo-



Um cheiro estranho atacou suas narinas e o forçou a espirrar. Nanami abriu suas pálpebras com dificuldade, já que o topo de sua cabeça latejava pela dor. Procurou se lembrar do que tinha acontecido, e quando fatos vieram a sua mente, ele voltou a si rapidamente e assustado.



Um velho homem estava sobre ele com um sorriso maligno e de puro escárnio. O gatinho tentou se mover para longe dele, entretanto ele mais parecia uma lagarta rastejando, sendo que seus braços e pernas estavam amarrados por fios de cobre, o que não era nada confortável. E naquele chão duro e frio, estava lhe dando calafrios.



— Não precisa ficar com medo gatinho, venha aqui. — Ele puxou Nanami por seus tornozelos presos e o trouxe para mais perto. Neste movimento, Nanami teve suas pernas descobertas do kimono simples que usava. Ele pode notar como o velho estava com um olhar de cobiça para suas pernas.



— Velho sem vergonha! Me deixe ir agora! Solte-me! — Nanami se enfureceu. Jamais que ele deixaria alguém tocá-lo sem o seu consentimento. Ele não tinha interesse por essas coisas mesmo, só que muito menos queria ser violentado e estuprado!



— Eu acho que você deveria pensar melhor gatinho... — Ele riu, enquanto se levantou, então puxando Nanami por seus cabelos loiros. O menor gritou com o puxão, sentindo o ponto que já latejava para sangrar agora. — Não se preocupe, ninguém aqui seria idiota o bastante para tentar violentá-lo, sendo que sua virgindade é preciosa para nós...



Nanami não compreendeu. Mas ele se sacudiu, tentando a todo custo se safar das mãos do homem.



— O que diabos você quer? Eu não tenho nada a ver com ninguém, então me solte!



— Tudo bem, eu solto! — Ele simplesmente jogou Nanami em um canto, o fazendo cair brutalmente no piso frio. — Mas antes de você desejar qualquer coisa, eu vou contar porque te trouxe aqui. — Ele ajoelhou-se e tocou um pequeno sino de seu bolso. Naquele mesmo momento, dois garotos muito bonitos e com aparências afeminadas, entraram pela porta de correr com uma bandeja com chá e outro com aperitivos.



Hachiro, que era o conselheiro do Imperador, e aquele que estava mantendo Nanami sobre cativeiro, alimentou-se devagar e olhando para ele com uma expressão que Nanami conhecia muito bem. O ódio que os cidadãos de Masao carregavam por ele.



Apesar de Nanami saber que ele não tinha culpa nenhuma sobre nada, além de que tinha certeza de que seus pais não eram exatamente o que todos costumavam falar sobre eles, ainda sim sentiu a dor de receber esse olhar.



Hachiro terminou e fez um sinal com as mãos para os dois kagemas saírem. Quando se viu sozinho com Nanami, voltou a falar.



— Você pode não se lembrar de mim, mas sou uma autoridade muito importante da cidade onde nasceu. Eu me chamo Hachiro e trabalho diretamente para o Imperador. — Nanami não acreditava que o Imperador seria tão maligno a ponto de mandar este homem sequestrá-lo. — A pedido do Alfa dos Lobos do clã Tokugawa, devíamos entregar nosso jovem mestre Sayuri-sama para se casar com o líder deles. — Passou a fumar um charuto. Nanami tossiu quando inalou o cheiro forte da fumaça por todo o cômodo fechado.



Que história era essa de que Sayuri tinha que se casar? Droga, Nanami nunca pensou que esse dia chegaria tão cedo, mas eles tinham passado a pouco para a idade adulta, apesar de Sayuri ser um ano mais velho.



— Mas não faríamos a loucura de ter nosso belo príncipe se acasalando a um Lobo, justo o nosso maior inimigo. Apesar de termos tido uma trégua por um bom tempo, este seria um tratado de paz definitivo para estarmos enfim livres e viver sem medo que os Lobos nos ataquem a qualquer momento.



— Um tratado de paz é perfeito! — Nanami amava a ideia, mas não a forma como este tratado de paz definitivo deveria ser feito. — Mas não Sayuri! Não podem mandá-lo a se acasalar com um lobo, isso é inadmissível! — Nanami quis chorar por suas mãos e pés amarrados. Ele queria sair dali e correr para salvar seu melhor amigo. Este era como uma família para si, o único que se importava com ele.



— É ai que você entra! Não entendeu ainda porque está aqui? Você está aqui por Sayuri. Você está cobrindo-o e será aquele que irá se casar com o Alfa dos Lobos.



Nanami teve olhos arregalados depois de ouvir aquilo, não acreditando nas palavras do homem.



— Vo-Você... Não pode estar falando sério? Eu? — Por que ele deveria fazer este papel? Ah sim, porque ele era o filho maldito do grande traidor, então era seu tratado se sacrificar pelo seu povo. Foda-se que ele queria isso! Mas... Por Sayuri...



— Sim, exatamente. Você está tomando o lugar de Sayuri e salvando nossa cidade. O Imperador ficará muito agradecido de fizer tudo conforme nossos planos. O Alfa da Matilha dos Lobos do clã Tokugawa estará te esperando à meia-noite no ponto de encontro que combinamos. — Hachiro jogou seu charuto no chão perto de Nanami e pisou e esmagou para que apagasse.



Nanami parecia um saco de batatas chutado. Hachiro riu em como ele poderia parecer cruel às vezes. — Não há objeção! Se não quiser fazer isto por sua cidade ou por seu Imperador, faça por seu querido amiguinho Sayuri. Eu te garanto que se for um bom menino com o Alfa e garantir que tudo ocorra bem em seu casamento, o Imperador nunca irá saber que Sayuri teve um relacionamento com você.



Nanami congelou. Eles sempre foram muito cuidadosos para que ninguém os descobrisse, então como ele sabia? Ele havia seguido Sayuri?



— Você não pode dizer a ele! Não pode estragar a vida de Sayuri! — Nanami tinha muito medo do que poderia acontecer com ele. Talvez o Imperador o prendesse em casa para sempre, ou lhe espancasse por ter tido amizade com um traidor. Era como se o príncipe estivesse traindo seu próprio reino, o que poderia o levar a uma punição muito severa.



Nanami não queria nada disso. Ele amava tanto seu melhor amigo que faria qualquer coisa para vê-lo bem e feliz, mesmo que isso fosse sacrificar sua própria felicidade.



Quem diria... Nanami pensando em algo assim. Ele não tinha esperanças, não tinha algo que pudesse se chamar de vida. Ele era somente uma pedra no caminho dos cidadãos de Masao. O que diabos ele ainda fazia lá?



Talvez esperando seu pai voltar para cuidar dele.



Lágrimas vieram aos seus olhos quando se lembrou da foto de seus pais. Queria tanto poder voltar para buscá-la, mas tinha certeza de que isso não seria mais possível. Ao menos ele ainda tinha o conforto de ter seu colar de quartzo azul.



Hachiro riu e assentiu. — Exatamente. Nada vai acontecer a Sayuri-san se você se entregar no lugar dele. Eu te garanto isso. — Foi até a porta e chamou aqueles mesmos kagemas que lhe serviram antes. — Eles irão te arrumar agora para ser apresentado ao Alfa. Desejo-lhe boa sorte, vai precisar. — E deu seu adeus, desaparecendo além da porta.



Nanami estava muito assustado, mas ele não tinha escolha a não ser acatar o que foi lhe imposto. Agora ele não tinha escapatória... Mas talvez... Apenas talvez ele pudesse encontrar a felicidade em um lugar desconhecido. Já que lá ninguém o iria conhecer como “O filho maldito do traidor” e sim como apenas o Nanami.



Oh não, era uma enrascada. Um gatinho em meio a um mar de lobos era morte na certa.



–oo0oo-



— Ei, ei! Aonde vai? — A voz imponente de Yunsuke fez presente. O mesmo trajava um kimono de seda preto, mas por baixo outro de algodão branco bordado com fios de ouro.



— Está bonito! Vai a algum baile? — Sayuri perguntou com um sorriso e o olhar mais inocente possível que poderia colocar aquele momento.



Yunsuke apertou a mandíbula. Ele conhecia aquela tática do irmão caçula, de desviar o assunto, mas sempre caia a ela. Como resistir a um príncipe tão adorável? Sayuri tinha seus dons e sabia os usar muito bem.



— Não dessa vez Say-chan, aonde vai? Sabe que está escurecendo e papai não gosta que saia a noite, e ainda por cima, sozinho! — O príncipe herdeiro disse firme.



Sayuri olhou para o chão envergonhado e chutou uma pedrinha. — Por que ninguém confia em mim? Papai não me ama? Ele quer me ver entediado e trancando dentro de casa? — Sayuri começou a fungar e esfrega os seus olhos com a barra do kimono.



Yunsuke deixou a expressão de espanto e medo apossar de si. Ele sabia que seu pai ficaria uma fera se descobrisse que alguém fez seu precioso príncipe chorar... Mas igualmente Yunsuke se odiaria por ser o culpado.



— Não... Pare Sayuri... Não chore! Olhe, me desculpa! Não quis ser grosseiro. E claro que te amo irmãozinho, todos o amam muito. — Yunsuke disse. Ele aproximou-se do irmão e o puxou para perto de si. Os braços fortes rodearam o corpo frágil de Sayuri e tentou consolá-lo.



— Você não vai contar para o papai? — Sayuri perguntou ainda fungando.



— Não! Eu juro! — Yunsuke disse ainda assustado.



— E não vai me impedir de sair ou contar para alguém? — Sayuri indagou. Ele sabia que estava abusando da sorte, mas sentia que precisava ir ver seu amigo, algo estava errado.



Yunsuke tinha noção que seu adorável irmão estava o manipulado, mas como resistir? Ele respirou fundo. — Tudo bem! Pode sair! Não falarei para ninguém apenas se me promete que voltará logo e será cuidadoso. — Disse firme. Não haveria mal em seu irmão sair. A cidade era pacífica e tinha muros altos e soldados fortes para proteger.



Sayuri levantou o braço e mostrou a palma da mão. — Eu juro! Serei um bom menino. Agora me deixe ir. Boa festa. — Ele ficou na ponta dos pés e deu um beijo no rosto de seu irmão antes de sair correndo. Precisava chegar logo para ir ver o seu amigo.



Ao invés de seguir por seu caminho ‘secreto’, Sayuri seguiu pelo principal e passou pelo portão, ciente que seu irmão cobriria a sua fuga. Sem ligar para o que o povo de Masao acharia, ele correu o mais rápido que pode e que as sandálias de madeira permitiam.



Quando ele finalmente alcançou a vila mais humilde da cidade de Masao, mas precisamente chegou a frente da residência de Nanami, seu coração apertou em um choro contido. A porta estava quebrada e a luz do lampião apagada. Com medo, Sayuri seguiu para dentro e ao olhar cautelosamente pelo local, não encontrou seu amado amigo em lugar algum. Todos os itens simples de Nanami estavam ali, mas não havia sinal do gatinho loiro.



— Nanami? Nana-chan!? — O príncipe procurou em todos os cômodos da casa gritando por seu amigo. Sabia que Nanami deveria ter voltado do trabalho algumas horas. Segundo o mesmo não teria entregas para a tarde. — Cadê você? Não tem graça. — Disse com o coração comprimido. Queria acreditar que fosse apenas uma brincadeira de mau gosto.



— Meow! Meow! — O miado fino fez presente, e ele guiou Sayuri a cama.



— Olá pequeninos! — Disse sorrindo para os dois gatinhos. O príncipe sentou na cama ajeitando o seu kimono e depois pegou os dois gatinhos os colocando em seu colo. Acariciou a pelugem branca sentindo a maciez. — Sabem onde mamãe foi? Deixe-me ver... Preciosa... — Apontou para a fêmea. — E Lobo! — Apontou para o gatinho macho. — Só Nanami para coloca nomes assim nos seus animais de estimação. Lobo! Esse garoto. — Sayuri apertou os gatinhos contra seu peito, e os mesmos miaram diante do sufoco. — Onde você está Nana-chan! — Ele disse querendo chorar.



Sayuri olhou pela janela vendo que faltava anda alguns minutos antes do pôr do sol, e por isso resolveu esperar mais alguns minutos. Quem saber Nanami tinha conseguido um trabalho de última hora e saiu. Isso! Logo ele estaria de volta. Tinha que voltar!



–oo0oo-



Os olhos azuis mantinham-se fixos no grande espelho diante de si. O seu frágil corpo achava imóvel enquanto os dois kagemas trabalhavam em arrumá-lo. Se Nanami não soubesse que era ele, jamais acreditaria que fosse. Parecia uma pessoal totalmente diferente. Era... Belo.



O seu pequeno corpo havia sido escondido por tantas camadas de roupas. Mas precisamente um kimono de renda, dois de algodão branco e por cima um de seda. O mesmo era rosa claro e era estampado com delicados desenhos de flores bordados em fios de prata e ouro. Era tão delicado e lindo que ele temia movimentar e estragá-lo.



Tanto pano escondia as marcas em sua pele alva. Feridas causadas por ser desajeitado, pelo trabalho, pelos soldados e agora pelos kagemas. Tais belos homens que eram habilidosos nas artes e sedução. Eles não fizeram somente a tarefa de arrumá-lo, mas fizeram questão de machucá-lo fisicamente.



O kagema rodeou em seu corpo e depois os dois trabalhavam para amarrar a faixa de cor azul firmemente a fim de impedir de cair.



Nanami moveu os braços para cima e reparou que as mangas eram longas e chegavam esconder os suas mãos e dedos. Ele olhou novamente para o espelho. Seus cabelos haviam sido escovados com cuidado e achavam brilhando e impecavelmente arrumados. Havia dois enfeites dos lados que seguravam algumas mechas, justamente as rosas com alguns loiros. Meias longas escondiam seus pés, panturrilhas e coxas.



— Não sei andar nisso! — Disse para um dos kagemas quando ele trouxe um par de tamancos de madeira.



— Apreenda! — Ele disse ríspido.



— Não é tão fácil assim! — Nanami disse fazendo bico.



— Tem sorte de ser bonito, assim o lobo cairá nas suas graças e nem irá reparar que não tem nada de realeza. — O kagema disse com desdém.



— Mas do que adianta um rosto lindo Kumiko, se o lobo vai fatiá-lo. Imagina? Casar-se com um lobo? Ele vai estuprá-lo, rasgá-lo ao meio, e depois comê-lo vivo...



— Ouvir dizer que eles compartilham os seus esposos... Deve passar na mão de todos os Lobos. — O outro disse escandalizado. Os dois conversavam como se Nanami não estivesse ali.



Nanami mordeu os lábios e segurou o choro. Não queria ouvir ele. Não era real. A sua vida toda sofreu desprezo e maus-tratos dos seus iguais, e pensar que iria para uma vila de estranhos, inimigos e que poderia ser ainda mais machucado, partia a sua alma em pedaços. Estava tão cansado de sofrer. Por que ninguém o amava? Não, ele tinha um... Seu precioso Sayuri! Tinha que lembrar que era por ele que aceitou tal destino.



Ele fechou os olhos fortemente e engoliu o choro que ameaçava cair. Eles poderiam ferir o seu corpo com os chicotes ou a sua mente com duras palavras, mas sua alma não iriam tocar. Ele manteria a esperança, pois do contrário seria como morrer.



Depois que todo o seu traje estava pronto, que não havia mais detalhes para preparar, Nanami foi guiado para o terraço daquela casa, mais propriamente a porta dos fundos, em que o conselheiro esperava por ele com um grande sorriso.



— Como eu imaginava, ficou um príncipe perfeito. Será impossível que os lobos duvidem de seu "sangue real"... — Dizia enquanto se encaminhava para a carruagem, escoltando Nanami para dentro e sentando-se a sua frente. — Ah, só por um detalhe é claro, você não tem modos ou disciplina como nosso pequeno príncipe tem, e muito menos elegância. Mas não me importo com isto, e acredito que muito menos os lobos se importem, eles são uns fedelhos nojentos, somente uma gentalha que deve ser mantida muito longe de nós. Deveria haver um jeito de dizimá-los, mas por enquanto nosso reino não se preocupa com isto. Agora com o seu casamento, nos preocupamos muito menos.



A carruagem começou a trepidar com as pedras no caminho. Inclusive ela passou em meio à cidade. Nanami ficou olhando por um cantinho da janela. A vontade de chorar era tão grande, mas ele segurou. Não derramaria uma lágrima sequer na frente daquele monstro que se encontrava naquela cabine.



Por um momento ele pensou ter visto Sayuri caminhando. Olhou mais uma vez e mais curioso, então teve certeza de que era o seu melhor amigo caminhando para perto de uma das tendas do centro da cidade. Será que ele havia ido até sua casa? Procurado por si? Será que ele havia visto seus gatinhos?



Nanami só pode ter feito uma coisa, ele se encolheu em seu banco e suspirou triste por seu destino de merda. Ele já não tinha uma das melhores vidas — visto que era odiado por toda a população, tinha má fama, além de que era um desastre em tudo o que fazia — e agora estava sendo obrigado a se casar com o Alfa dos Lobos, os piores inimigos dos Gatos.



Não tinha sorte mesmo, pavor, horror, preocupação e fadiga eram apenas alguns dos sentimentos mais horríveis que estava dentro dele naquele momento.



Mas algo era muito mais forte para consigo, ele não deixaria seu melhor amigo Sayuri cair nas garras daquele monstro ou quem quer que ele fosse. Sayuri foi o único que cuidou de si, que lhe deu de comer e o ajudou quando estava precisando. Sayuri foi quem estava com ele nos momentos mais tristes, quando esteve doente por seu corpo frágil, que sempre o aconselhou e lhe deu forças para continuar com sua vida medíocre, que um dia seus sonhos iriam se realizar.



“Desculpe-me, Sayuri-chan...”, Esperava que seu amigo realizasse seus maiores sonhos, porque os seus já estavam guardados bem fundo em seu coração. Talvez ele nunca tivesse a chance de realizá-los.



Foi uma viagem longa, talvez a mais longa da vida de Nanami, também a mais chata, foram horas sem descanso, até eles chegarem ao ponto mais escuro da floresta que dividia os dois reinos.



— Esse é o ponto, pare ai! — Hachiro deu uma batida forte na porta enquanto gritava para os guardas que comandavam a carruagem. — Nós chegamos gatinho branco. — Hachiro fez questão de tocar os cabelos de Nanami com delicadeza, ao que contrário disso, seus olhos mostravam sentimentos tão malignos que Nanami estava tremendo inteirinho.



— Ma-Mas aqui... Ainda é floresta... — O menor não estava compreendendo o fato de eles terem chegado, quando na verdade ainda estavam em meio a floresta. Deveria ser muito tarde da noite por causa da escuridão. Apenas a lua era o que iluminava o local, e agora as luzes provenientes da carruagem também.



Hachiro desceu da cabine e puxou Nanami pelo braço, quase o provocando um desequilíbrio. — Tome cuidado, não queira sujar seu kimono, ele custou uma fortuna para o nosso Imperador. Eu vou te dizer uma coisa antes de qualquer outra, lembre-se que seu dever é se passar por Sayuri, porque se fizer errado, tanto Sayuri e todo o povo de Masao estará correndo perigo de uma nova guerra. Você nunca foi nada para nós, mas considere-se importante neste momento, afinal, está nos salvando de perder nosso precioso pequeno príncipe. — Ele sorriu com escárnio.



Nanami teve que concordar, ao menos um propósito sim? Ele sempre foi um inútil, na verdade talvez não fosse tão ruim estar fazendo aquele papel. Mas ele tinha tanto medo. Ouvia tantas lendas e histórias de como os lobos eram grandes e malvados. Desde sempre gatos eram pequenos e frágeis, suas garras não mais eram do que pequenos arranhões que incomodavam.



Masao às vezes contava com seus irmãos vizinhos mais próximos, como o Clã dos Tigre e Onças, além de algumas aldeias mistas de animais de médio porte.



— Este foi o local combinado, o ponto de encontro. Você vai esperar aqui quietinho até que os lobos cheguem e venham lhe averiguar. Não faça nenhum movimento brusco quando os vierem. Não sabemos que primeira reação eles podem ter. Seria um prejuízo se o rasgassem no meio pensando que eis uma ameaça ou algo assim. — E disse mais quando entrou de volta para a carruagem. — Não se preocupe com seu nome, os lobos não fazem ideia de como se chama nosso príncipe caçula. — Ele riu maligno e então a carruagem foi muito rápida em sair dali, todos rindo alto pelo que tinham acabado de fazer.



Nanami olhou para o chão com o sentimento ruim de que eles riam dele como uma presa para um cão comê-lo a qualquer instante. Talvez uma isca para um peixe, estava mais para tubarão.



Nanami sentiu seu corpo tremer levemente pela brisa fria. Seu kimono tinha várias camadas, mas ainda sim não pareceu ser suficiente naquele local gélido e escuro.



Nanami não fazia ideia de que horas eram, mas sabia estava muito tarde. Ouvia o soar dos galhos pela brisa noturna, além de sons estranhos como o piar de uma coruja. Nanami se auto-abraçou com medo. Ele sempre odiou o escuro, apesar de muitos Gatos amarem sair à noite e muitas vezes dormir de dia, Nanami era o contrário, ele amava luz e amava o sol, gostava da chuva também, pois era uma benção divina, mas a noite de trevas, o escuro era um de seus piores medos.



Não se tocou de quanto tempo esperou, afinal eram tantos pensamentos em sua mente, além do medo que o assombrava que não se contentou com o par de olhos brilhantes que o verificava detrás de um arbusto.



Quando um barulho avisou a Nanami que eles chegaram, ele se virou e começou a bater os dentes em tamanha tremedeira. Ele precisava ser forte, não poderia demonstrar medo!



A luz da lua se fez presente mais forte naquela clareira, iluminando com seu reflexo, um pequeno riacho ali perto. Assim Nanami pode ver claramente o conjunto de lobos negros saindo de meio ao matagal. O que vinha a frente e mais perto de si. Este era o Alfa? Ele era enorme! Completamente incomum ao que Nanami conhecia ou já tinha visto em desenhos e imagens.



Ele era quatro vezes o tamanho de um lobo comum, seus olhos brilhavam em um tom dourado no escuro, seu pelo tinha um brilho incrível.



De alguma forma ele parecia diferente. Não estava rosnando para ele e muito menos lhe pareceu uma ameaça naquele momento. O lobo grande, além de seus amigos que estavam ao redor, pareciam curiosos e cheiravam o ar.



Nanami tremeu instintivamente quando ele chegou muito perto, além de outros dois grandes Lobos que suspeitou que fossem os betas da matilha. Havia mais um conjunto deles atrás, como para garantir a segurança de seu mestre.



O lobo cheirou suas mãos e então rosnou, o que assustou Nanami e o fez tropeçar para trás e cair de bunda no chão. Ele rosnou mais alto e então se abaixou, como se pedisse para Nanami montar nele.



— Vai ficar parado ai ou vai conosco? — Sua voz de trovão se fez presente, Nanami teve um susto.



— Vo-Você fala... Pensei que não falasse em sua forma animal...



— Falo e faço mais do que pode imaginar em minha forma de lobo. Agora suba antes que eu desista de tudo.



Só então Nanami percebeu que ele não parecia muito feliz com sua presença. Enfim, subiu temeroso em suas costas, tentando ajeitar o seu kimono bagunçado por sua queda desengonçada. O lobo alavancou e Nanami quase caiu de volta ao chão.



Não fazia ideia de por onde estavam passando, mas nada mais foi pronunciado até o final da viagem para o clã.



Tinha tanto medo, esperava que não fosse tão pior como os kagemas tinham lhe dito. Nanami tinha que fazer o possível para se proteger também.



Continua


Notas finais
Hannah
Estamos muitos contentes com os comentários recebidos... Sinal, que nosso esforço e trabalho tem sido recolhecido.
Nanami realmente é algo fofo e comestivel, mas estamos sendo muito crueis com ele. ohohoh... Mas prometemos que ele ainda terá momentos felizes. Afinal, ele merece.
Obrigada por tudo e até o próximo capítulo!
Bjs