Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada

28 Capítulo 28 – Pequenos cuidados


Notas iniciais
Hannah: Olá lindos leitores. Fiquei tão feliz com o número de comentários no capítulo anterior. E ri das ameaças. kkkk Gomen neh, somos pouquinhos más... Espero que curtam esse capítulo e igualmente comentem.

Capítulo 28 – Pequenos cuidados

A dor assolava seu corpo de tal forma que não podia mais gemer ou gritar por misericórdia. Sua mente queria abandoná-lo, mas algo dentro de si dizia que se fizesse, estaria em um perigo maior.

Quando a próxima chicotada veio juntamente com uma mão asquerosa e nojenta, o terror maior passou por seu corpo... Não de apanhar, mas sim de ser tocado intimamente por aqueles bandidos. Com medo avassalador, Nanami fechou os olhos e imaginou-se na forma de gato – como Kensuke havia lhe ensinado. Levou alguns segundos, mas logo o gatinho pequeno e branco tomou o lugar do loirinho.

— Maldito! Volte à forma humana! — O líder grunhiu dando uma chicoteada ao chão. Logo agora que ele iria possuir aquele menino, esse tomava a forma humana... Isso apenas aumentou sua raiva.

— Pensei que tomaria a forma da besta! — Um dos gêmeos disse. Sim, todos os bandidos se encontravam na tenda assistindo a cena, e realmente, todos pareciam excitados com ela.

Nanami não podia mover um músculo, apenas ficou deitado na forma de gatinho rezando para que alguém viesse salvá-lo ou a morte o abraçasse. Apesar de que pensar em morrer, fez seu coração doer, pois nunca mais veria Ken-chan... E queria fazer as pazes com ele antes.

— Maldito... — O líder gritou. Ele chutou o pequeno gatinho, o jogando longe. — Baleia, vá pegar o frasco de erva de gato. Isso o fará voltar a forma humana! — Ordenou furioso.

Nanami deixou sua mente o levar cada vez mais para longe, até que tudo que ouviu ao fundo fora um grito... E depois tudo se tornou escuridão.

— O que foi isso? — Um dos gêmeos ditou olhando para fora da tenda. Não se enganara, esse fora o grito do bandido gordinho.

— Esse idiota dever ter tropeçado nos próprios pés. Estou cercado de incompetentes. — Disse irado. O líder estava uma fera, afinal, justo quando prendia saborear o sabor do jovem loiro, esse mudara para forma humana. Mas tudo bem, o castigaria quando acordasse e então teria sua farta refeição. Podia sentir o sabor daquele doce buraquinho... Que devia ser bem apertado.

Antes que qualquer um deles se movesse, algo foi jogado para dentro da tenda, e expressões de horror tomaram suas faces, quando viram a cabeça do bandido gordinho... Sem o corpo... E os olhos arregalados de terror.

— O que? Que merda é essa?! — O líder gritou.

Os bandidos sacaram suas espadas e se colocaram em posição de combate. Eles podiam ser humanos, mas sabiam ser perigosos e ágeis, porém nada disso os preparou para o que surgiu diante deles.

Com passos preguiçosos e predatórios, o felino negro acizentado e grande surgiu pela porta da tenda. Suas poderosas patas tocavam o chão como se o acariciasse e seus olhos treinados captavam cada movimento das presas diante de si. Em seu corpo e movimento havia raiva e uma fúria desmedida.

O animal olhou ao redor do local, e quando seus olhos âmbar pousaram sobre o pequeno embrulho branco no canto da tenda, encolhido e manchado de vermelho, a fúria dentro dele somente cresceu.

O grunhido animalesco ecoou e com movimento rápido e preciso, o Were Pantera saltou no ar... O primeiro que capturou, foi o gêmeo mais velho. O mesmo ainda tentou defender-se contra o monstro negro... Sua espada cortou o ar, mas nem de perto tocou no animal perigoso.

Sem piedade, Yamato, cravou sua boca cheia de dentes afiados no pescoço do bandido. Seu peso o forçou a cair no chão... As suas garras cortou a pele e carne do peitoral, braços e pernas... No que a forma de sua mordida, quebrou o pescoço do homem.

— Maldito! — O gêmeo mais novo gritou quando viu seu irmão ser morto sem piedade e rapidamente. Ele sem medir o perigo, jogou-se contra o feroz animal. Ele conseguiu acertar um golpe contra Yamato, mas nada que passasse de um arranhão.

A Pantera largou sua primeira presa, afinal estava morto, e então seguiu para o gêmeo mais novo. Como um gato grande, brincou um pouco com sua presa, fingindo desviar dos golpes e deliciando com desespero deste... Mas quando se cansou, ele atracou o mesmo e cortou do pescoço à barriga com bandido... Ele viu o sangue jorrar assim como as entranhas do mesmo... O segundo gêmeo caiu em um baque no chão, sendo apenas um corpo sem vida.

Eliminado os três capangas, a Pantera Negra virou-se para o líder, que era o único sobrevivente. Esse tinha o terror brilhando em seus olhos. Dava para perceber claramente que suas mãos tremiam, e as pernas vacilavam.

— Fiquei longe... Ou eu vou... — ele gritou desconcertado. Temendo por sua vida, ele procurou um meio de se safar... E quando viu o pequeno gatinho, uma ideia estalou em sua mente. Ele se moveu para agarrar Nanami, porém Yamato não ia permitir isso. Ele pulou sobre o líder... E rasgou suas costas, mas sem matá-lo.

— Por favor... Tenha piedade... — Ele disse. Deitado de bruços no chão, ele arrastou as mãos no chão, tentando sair de baixo do pesado animal, algo totalmente em vão... — Eu não fiz por mal... Ele me pagou bem para isso...

A pantera inclinou a cabeça. Não demorou em que o som de ossos estalando ecoasse na local, e logo o animal deu lugar ao belo homem. Agora na forma humana e inteiramente nu... Yamato fez uma chave de braço no pescoço do líder e disse bem rente a sua orelha. — Quem? Diga-me quem lhe pagou para sequestrá-lo que terei piedade de ti...

— Uh... Foi... O Lobo... Ele era... Mas tinha um jeito estranho... Não parecia... Era alto e corpo bem robusto... E me pagou bem... Mas queria apenas que sequestrasse o gato loiro e levasse para ele. — Disse em agonia.

— Nome! Eu quero um nome. — Yamato gritou.

— Eu não sei... Não me disse... Apenas falou que seu chefe queria o menino... Por causa da besta... É tudo que sei... — Gritou.

— Inútil! — Yamato falou, mas não esperou pela resposta do bandido, ele segurou a cabeça e em um único movimento quebrou seu pescoço. Ele jogou o corpo imundo no chão e se levantou. Com passos cautelosos, aproximou-se do gatinho... Agachou no chão e com imenso cuidado tomou o gato branco com as mãos. Ele era tão pequeno que cabia perfeitamente na palma de suas mãos.

Foi quando um cheiro chegou as suas narinas que seus olhos arregalaram. Ele conhecia aquele perfume... Há muito tempo que não o sentia ou lembrava-se dele, mas agora parecia tão nítido.

Yamato levou Nanami na forma de gato bem perto de seu nariz e exalou o perfume... Como um filme, memorias saltearam sua mente e seus olhos lacrimejaram. Dor e saudade brilharam em sua alma...

— Você é... — Murmurou incerto. Aquelas memorias sempre estiveram lá, mas de alguma forma parecia ter sido bloqueadas em sua mente. — O que... Filho do meu... Ir-mão... Naoki...

— Nanami! — Um grito feroz cortou a linha de seu raciocinio. Reconhecendo o dono da voz, ele levantou com Nanami em seus braços e saiu da tenda.

Seus olhos pousaram sobre os três lobos, em especial no que levava Minky ao lombo. Ele suspirou. Podia ver o medo nos olhos do filhote, e isso partiu seu coração... Mas de alguma forma ver Minky tão adorável o fez lembrar justamente do gatinho em seus braços quando era filhote... Não podia acreditar que se esqueceu de totalmente de seu sobrinho. Era seu dever cuidar dele quando seus pais sumiram, mas de alguma forma tais lembranças se apagaram por muito tempo da mente de Yamato, como magia... E ele começava a considerar que seu irmão tinha alguma coisa haver com isso.

Ele aproximou-se do Lobo Negro, e esperou que esse mudasse para forma humana. Com cuidado, entregou Nanami para as fortes e grandes mãos de Kensuke, que tinha uma expressão dura. E então, seguiu para Ryo e tomou Minky nos braços.

— E os bandidos? — Seiji perguntou olhando ao redor e sentido com facilidade o cheiro de sangue.

— Mortos! — Yamato disse sem muita emoção. — Vamos para casa Mi-chan, Shou deve estar preocupado.

— Seiji! Ryo! Vasculhem o local e vejam se descobrem algo... Depois eliminem os corpos. — Kensuke ordenou, e sem esperar por respostas, ele girou sobre os pés e seguiu para longe dali. Ele queria chegar a casa o mais rápido possível e cuidar de seu esposo.

Seu coração se achava em pedaços enquanto olhava para Nanami... Ele estava tão ferido... E dava para ver que mesmo inconsciente, tremia de dor. O ergueu para perto de seus lábios e beijou a pequena cabecinha. — Shii! Tudo bem meu amor... Está seguro agora.

A raiva ainda grunhia dentro de Kensuke. Ele queria estraçalhar aqueles criminosos que ousaram machucar seu gatinho com as próprias mãos, mas parecia que Yamato tinha feito isso em seu lugar.

A volta para casa fora feita em silêncio e o mais rápido que pode. Ao chegar à Vila, percebeu que a notícia tinha se espalhado e todos detinham um ar de preocupação. Não dando espaço para indagação, Kensuke seguiu para casa e pediu a Yamato para solicitar que Shou fosse imediatamente.

Ao entrar em casa, deparou-se com Chizuru e Sayuri... Os dois pareciam angustiados e estavam de mãos dadas como se apoiassem um ao outro. — Nana-chan... — Sayuri murmurou.

— Ele ficará bem! Preparem um banho quente e comida para ele. — Kensuke ordenou. Sabia que os dois queriam ajudar, e a melhor forma era ocupá-los.

— Sim! — Disseram juntos e correram para fazer o que fora solicitado.

Kensuke subiu o lance de escadas para o quarto deles, e com cuidado colocou o gatinho na cama. Com cautela, acariciou o pelo branco manchado de sangue. Sabia que na forma de gato, Nanami curaria mais rápido, mas não negava que queria tocar sua pele.

— Eu juro... Nunca mais vai ser machucar. — Disse. Ele não pode mais segurar as lágrimas, o grande e forte Alfa chorou como uma criança, soluçando, e somente quando sentiu o cheiro de Shou, ele secou suas lágrimas.

— Com licença. — Shou disse se anunciando. Sem falar mais nada, seguiu até a cama onde Nanami estava, e solicitou que Kensuke o fizesse voltar à forma humana. Sim, mesmo que o loirinho se achasse inconsciente, a voz do Alfa poderia fazê-lo mudar.

Kensuke não moveu um músculo ou disse nada, apenas manteve os seus olhos fixos em Nanami. Shou respirou fundo e não atrapalhou a concentração do amigo... Ele apenas aproximou-se do leito e agachou ao lado de Nanami.

Os olhos dos dois mantiveram nos graves ferimentos do menor. A pele pálida estava cheia de hematomas e feridas. Shou limpou as feridas do rosto, reparou como o olho esquerdo se achava bem inchado e roxo. Ele tomou o devido cuidado e passou uma pomada que ajudaria a cicatrizar mais rápido. Terminando a parte frontal, pediu a Kensuke para virá-lo, e ambos seguraram as respirações quando viram o estrago nas costas dele.

Shou passou a trabalhar o mais rápido que podia, limpando, desinfetando e fazendo os curativos. Ele reparou na grande tatuagem de tigre nas costas de Nanami, mas não disse nada.

Ao terminar, suspirou. — Ele levará um tempinho para ser curar... Por sorte, ter mudado para forma Were, ajudou os danos internos a ser curarem. Ele precisa de repouso e ser bem alimentado. Qualquer coisa me chame. — Shou falou se levantando, ainda sem receber nenhuma resposta do alfa, ele deixou o quarto.

A mão de Kensuke ergueu e com cuidado e carinho, acariciou o rosto ferido. — Me perdoa... Por ter gritado contigo... E não ter cuidado de você direito... Mas será diferente agora, eu prometo.

— Irmão... Com licença... — Chizuru entrou. O espanto cobriu sua face quando viu o quanto o cunhado estava ferido, mas logo se tornou sério. — Shou falou que não era bom dar um banho completo agora, por causa das ataduras, então vou limpá-lo com um pano úmido.

— Não... Eu faço. — Kensuke disse. Ele pegou a bacia com água morna e a toalhinha de seu irmão. Depois que este saiu, ele tomou a tarefa de limpar com cuidado Nanami e vestir um pijama quentinho e suave, para não desagradar às feridas. Terminando, ele cobriu Nanami com o cobertor fofinho e fechou as cortinas do quarto.

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Sayuri limpou grosseiramente as lágrimas que embaçavam sua visão e continuou a mexer a sopa dentro da panela. Ele tinha depositado todo seu amor para preparar aquele alimento, afinal, era para seu amado Nanami. Ele ainda não podia acreditar no que havia acontecido com Nanami... Sentia-se tão culpado. Se não tivesse brincado com o gatinho naquele momento, Kensuke não teria visto e eles não teriam brigado, muito menos seu amigo teria ido para a floresta e sido sequestrado. Era tudo sua culpa.

Ele fungou novamente.

— Sayuri!? — A voz de Ryo chamou por ele, e isso contribuiu para que as lágrimas viessem com mais força. Ele deixou de lado a sopa e correu para o seu amado, afundando o rosto em seu peitoral. — O que foi docinho?

— Ryo-chan... É culpa minha... Nana-chan... Ele... — Choramingou em agonia.

A expressão de Ryo tornou-se penalizada. Ele envolveu o ruivinho em seus braços e tocou gentilmente em seus cabelos. — Shii! Não é sua culpa... E sim daqueles malditos bandidos. Não chore! Nanami ficara triste se vê-lo assim.

— Mas... O Alfa vai me odiar e me expulsar... E se Nanami não quiser mais me ver? — Ele fungou e olhou para o amado através da visão embaçada.

— Isso não irá acontecer! Fique calmo! — Ryo falou limpando as lágrimas de Sayuri gentilmente, e depois inclinou para depositar um beijo em seus lábios. — Agora respire fundo e termine a sopa para Nanami-sama! Tudo ficara bem.

— S-sim! — Disse ainda inseguro, mas fez conforme Ryo disse. Tinha de confiar em seu amado e sua amizade com Nanami. Ele ficaria bem. Cuidaria bem dele, e não deixaria nenhum mal lhe acontecer.

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— Eu não posso mais esperar... É tão cruel, bebê. — Shuichi em seus devaneios, disse ao seu bebê, ainda nem formado em seu ventre. Ele estava mais inchado, e demonstrava que era uma gravidez, porém ainda faltava tempo até que nascesse.

Como se esperasse uma resposta, ele olhava direto para seu abdômen. Um bico se formou em seus lábios, ele estava tremendamente entediado. Havia um conjunto de revistas todas espalhadas pelo chão. O jornal era muito chato e ele não quis ler notícias sobre sua cidade, nem mesmo desenhar ele quis mais, ou tentar montar algumas bijouterias. O que ele queria mesmo eram notícias de seu amado.

Yunsuke estava tão longe e Shuichi o queria desesperadamente. Tudo dentro dele ansiasa por seu amor, até mesmo seu filho já sentia falta, e ninguém melhor do que Shuichi para saber disso.

— Estou sentindo saudades em dobro... Isso é cruel... — Reclamou para os ares. Ele ainda continuava naquela cama. Desde o acidente, ele foi proibido de fazer qualquer esforço ou mesmo caminhar sem o auxílio de alguém.

Claro que Shuichi não iria ir contra as ordens do doutor Amano. Afinal ele se sentia bem dolorido, ainda estava a tomar alguns remedios naturais para dor, já que tinha certos momentos que suas costas se tornavam insuportáveis.

Mas ele estava malditamente entediado. Somente poderia ter uma melhora em seu humor se caso Yunsuke estivesse aqui... Mas, ele não estava. Estava tão longe.

— Shu-chan? — O Imperador deu alguns toques à porta. Shuichi imaginou que ele estava sozinho na sala de estar se não estava chamando-o formalmente. — Estou atrapalhando?

— Claro que não papai, pode entrar. — Shuichi respondeu ao que se envergonhou pela bagunça de revistas que estava no chão. O fato era de que ele não podia se levar e organizar tudo ele mesmo. Fazia algumas horas desde que alguém veio ao quarto por ele.

— Está tudo bem querido? — Yoshikazu, ele mesmo, recolheu a bagunça espalhada pelo chão e colocou sobre uma comoda. — Desculpe não poder vê-lo mais cedo... Mas Hachiro me trouxe alguns problemas do povoado do Sul, por isso estávamos em reunião.

— Eu entendi... Não tem problema... É só que, não tenho como não me sentir solitário. Mas também não quero abusar do tempo de ninguém para me fazer companhia o dia todo. — Shuichi foi sincero, seu olhar estava triste e perdido. Seu pai se sentou à beira da cama e tomou as mãos dele nas suas.

— Eu sinto muito que se sinta assim... Mas não se preocupe que logo seu irmão voltará. — Apesar de que Yoshikazu estava querendo ter mais tempo para passar com Shuichi, ser um pai mais presente, ainda mais na gravidez do filho.

— Você tem notícias dele?! — Shuichi quase pulou, ele apertou fortemente as mãos do pai, animado.

— Sim, um pombo correio trouxe-me isto. — Ele mostrou uma carta dobrada, e entregou-a a Shuichi que olhou para ela como um tesouro. — Provavelmente ele voltará na próxima semana. Então seja forte e espere até lá. — O Imperador falou gentil.

Shuichi lhe deu um amplo sorriso e colocou a carta de lado para ler depois que seu pai o deixasse sozinho.

— O que foi? — O jovem príncipe notou como seu pai estava olhando direto em seus olhos, ele parecia estar verificando algo... Ou melhor, tentando encontrar as palavras para dizer algo que o atormentava.

— Sabe filho... Estava tentando imaginar como pode a relação de vocês... Dar certo.

Shuichi ficou surpreso por um momento, mas então seus olhos brilharam.

— Você está se preocupando comigo...

— Mas é claro! Eu... Nunca vi um relacionamento entre pessoas de mesmo sangue, ainda mais irmãos, e gêmeos ainda por cima. — Desabafou.

— Mas eu o amo papai... Sempre tive um sentimento especial por ele, que ia além de meu amor de irmão. — Shuichi falou do fundo de seu coração, e até pequenas goticulas de lágrimas se formaram nos cantos de seus olhos. — Antes eu não podia ser feliz por completo... Pois pensava que nunca poderia tê-lo. Mas o destino brincou conosco, e realizou meu sonho.

Pensando que seu pai ficaria surpreso em ouvi-lo, foi simplesmente o contrário. Ele estava sorrindo para ele, como se já soubesse que diria aquilo.

— Eu sabia que você diria isso... Bem, eu tenho que ir resolver alguns assuntos, mas prometo vir aqui para jantarmos juntos. — Yoshikazu se levantou pronto para ir.

— Jura? Você nunca fez isso antes pai! — Shuichi estava surpreso.

— Eu sei... Nunca fui tão presente... Mas acho que estou aprendendo. Quero ser um pai melhor para meus filhos... Eu te amo querido. — Ele beijou suavemente a testa de Shuichi antes de se dirigir à porta, mas antes se virou para dizer uma última coisa. — Ficará surpreso com o que há na carta. — Ele riu e se foi, cerrando a porta.

O jovem príncipe estava tocado com as palavras de seu pai. Yoshikazu sempre teve um bom coração, mas depois da Grande Guerra, ele era um homem mais reservado e quieto. Não que ele tenha se tornado ruim, nunca foi... Mas também nunca foi tão presente.

Feliz e curioso, Shuichi desdobrou a carta e passou a ler o conteúdo com olhos brilhantes.

Querido Shu-chan,

Estou a sentir saudades ainda neste exato momento em que lê... Estou na Vila de Akai, e me surpreendi com o que há neste lugar. Pensei que fosse como dizem, que lobos eram seres ruins e maldosos. Porém, me enganei completamente, eles não são nada além de gentis e bondosos. Cuidaram de mim e de General Eiji como se fossem entes queridos.

Mas mesmo que esteja feliz neste lugar, meu coração se sente vazio por não estar com você. Te quero muito... E todas as noites mal posso dormir, por tanto pensar em ti... Meu peito dói, meu coração anseia por ti, Shuichi. Espero que esteja bem, embora não tenha recebido notícias suas, estou a torcer que esta carta chegue até você.

Tenho grandes notícias! Encontrei Sayuri, está são e salvo. No entanto, necessito conversar com você e papai quando voltar, pois a história é longa... Mas creio que ficarão alegres, assim como estou. Os lobos acolheram Sayuri e seu amigo muito bem, e eles estão felizes.

Por conta de alguns contra tempos, estarei voltando na próxima semana.

Ansioso para vê-lo novamente meu amor... Cuide bem do nosso filho.

Um beijo,

Yunsuke

Shuichi terminou de ler a carta com lágrimas escorrendo por seu rosto. Saber que Yunsuke estava bem, mesmo junto aos lobos... Era um verdadeiro alívio. Ainda mais saber que seu irmãozinho estava bem. Shuichi fungou e soluçou, ele queria vê-los logo... Mal podia esperar!

–oo0oo-

— Vocês ficaram sabendo sobre o doutorzinho? — Um dos aldeões falou, formando uma roda de Ninshins. — Agora se engraçou com aquela pantera cinzenta, vocês sabiam? Eu ouvi que eles irão se casar!

Yamato estava no beco aonde colocava os sacos de lixo na lixeira. Ele tinha aproveitado que Shou tinha saído para as compras, para dar um trato na casa. Aos poucos ele pretendia reformá-la, afinal seus planos agora era se mudar e tornar deste lugar, o seu lar.

Mas ouvir esse falatório desnecessário estava fritando seus nervos.

Ele assistiu mais um pouco as pessoas falando sobre Shou como se ele fosse uma espécie de criminoso. Yamato lamentou quando viu que Shou estava passando por ali no mesmo momento e parou em uma banca próxima, escolhendo algumas verduras. As pessoas que zombavam dele, nem mesmo perceberam que ele estava perto.

— Você acha que ele vai durar com aquele gato? — Um dos Ninshins caiu na risada. — Eu aposto que ele será expulso de sua própria casa quando a pantera se aproveitar dele e enjoar. Afinal quem vai querer um "usado" como ele? Tem até um filho! Nenhum homem quer se casar com alguém que já tenha filhos.

De onde estava, Yamato arregalou os olhos, vendo como a face de Shou tornou-se sombria. O que o deu a entender que ele estava ouvindo o falatório.

— Shou é uma vergonha para nós... Ele tem sorte apenas por ter amizade com o Alfa, caso contrário já estaria muito longe desta vila. — Um dos Ninshins comentou em uma careta. Ele teve seus olhos enormes, surpreso quando viu que Shou estava ali. O mesmo encarou-o, até que o grupo se desfez, resmungando.

Shou ficou com os ombros caídos visivelmente triste. Será que ele tinha que aguentar essa zombaria todos os dias?

Yamato odiou isso... Mas ele colocaria um fim nestes boatos... Ele nunca deixaria o lobinho e seu filho, que ele os amava, e eles se tornariam sua mais preciosa família.

Yamato entrou em casa, e viu Shou tirar os sapatos na porta e se aprofundar na pequena casa, carregando um conjunto de sacolas. O felino rapidamente ajudou o lobo com as sacolas, às colocando sobre a mesa. Ele notou que seu amante estava meio calado, evitando-o um pouco além do comum.

Shou costumava ser tímido, mas Yamato sabia que ele não estava bem, ele podia sentir a aura negativa, e isso o fez deduzir que Shou estava com medo... Mil pensamentos deviam estar assolando sua mente naquele momento e ele devia estar temendo que seu passado voltasse a se repetir.

Mas isso não iria acontecer, Yamato podia ter sido um assassino e tudo mais... Porém ele aprendeu a ser bom depois que conheceu Shou e Minky. Ele sorriu para si próprio, imaginando quando é que ele iria pensar em uma mudança do tipo... E de repente, aqui estava ele, todo bonzinho e gentil.

O amor realmente era uma coisa... Ele estava se tornando uma pessoa completamente diferente do que ele era. Talvez ele se tornasse um banana.

— Só para você saber... Eu senti sua falta. — Yamato veio por trás de Shou e o agarrou por trás em sua cintura. Ele estava determinado a fazê-lo pensar diferente do que essas pessoas lhe faziam acreditar.

— Mas só fiquei apenas algumas horas fora... Não foi tempo o suficiente para fazê-lo sentir saudades. — Shou parecia surpreso.

— Nada disso... Se eu ficar uns míseros minutos longe de você, já sinto meu peito doer... — Yamato embrenhou seu rosto nos cabelos sedosos de Shou, que naquele momento estavam soltos. Não havia cheiro mais doce e perfeito quanto o cheiro de seu amado... Era tão fresco, tão delicioso que o fez tornar-se duro no mesmo momento. Shou percebeu isto, sendo que ficou tenso naquele instante.

Ele se virou no abraço, apenas um pouco para ver o rosto de Yamato. E este deu-lhe um sorriso tentador, vendo como seu lobinho corou e desviou o olhar.

— Não se preocupe... Não tentarei nada até nos casarmos. — Yamato chegou a esta conclusão. Era uma regra que ele mesmo impôs.

— Ma-Mas eu não sou... — Ele não era virgem.

— Eu sei muito bem disso... — Minky era a prova disso, o menino era exatamente a cara de Shou. — Mas já fazem tantos anos... Você me disse que não teve nenhum amante nesse tempo... Então considere que esteja virgem de novo.

Shou virou nos braços de Yamato, se afastando um pouco, seu rosto estava vermelho, mas ele estava com olhos curiosos.

— Como assim?

Yamato teve que rir, o curandeiro poderia parecer todo sério e maduro, mas era ingênuo e fofo. Ele amava isso nele.

Agarrando a cintura de Shou, Yamato o trouxe rente a seu corpo, sentindo-o responder ao seu toque. Seus lábios foram diretamente à orelha peluda de Shou.

— Lá... Como você não usou por tantos anos... Voltou a estar tão apertado como se nunca tivesse feito. — Yamato sussurrou, ele sentiu Shou se arrepiar. — Mas eu o tomarei e farei sentir como no céu... Porém somente depois do nosso casamento, que não irá demorar em acontecer. Quero o quanto antes ser o seu marido... Você é meu maior sonho, Shou. — Yamato tomou o rosto de um Shou perdido em suas mãos, e olhou diretamente em seus olhos brilhantes de lágrimas. — Eu não posso mais imaginar minha vida sem você... O que eu sinto se torna mais forte a cada momento que estou com você... E quando estou longe, parece que morrerei sufocado... É triste e solitário. Tornou-se o meu mundo, Shou.

E quando ele terminou sua confissão, Shou estava se derramando em lágrimas. Seu lobinho não respondeu, somente segurou em suas vestes e o abraçou, deixando-se chorar.

— Você viu, não foi? Você estava lá quando aquelas pessoas estavam falando sobre mim... — Yamato ficou surpreso, apesar de que ele sabia que Shou tinha um olfato incrível como o dele, claro que ele o cheirou. — Uma delas, era meu pai... Doeu-me ouvir dizer aquelas coisas... Mas não é a primeira vez.

Yamato ficou em silêncio. Ele pensou que eram somente aldeões invejosos... Mas a situação era pior do que ele imaginava. Ter seus próprios pais o esnobando desse jeito, ainda mais em público, era muito mais difícil.

A pantera optou por somente segurar Shou em seus braços de forma que pudesse aliviar ao menos um pouco da dor de seu lobo. O mesmo afundou seu rosto choroso em seu peito, mas Yamato não se importou... Ele somente queria que Shou soubesse que ele estava lá sempre que precisava dele. Que Yamato sempre iria apoiá-lo.

Continua...

Notas finais
Miky-san: Olá queridos *--* Espero que tenham gostado do capítulo! Já estamos preparando o próximo com muito carinho! Obrigada por ler! Beijinhos e até o próximo domingo o/