Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada

24 Capítulo 24 – Decisões importantes


Notas iniciais
Hannah: Olá lindos e lindas leitoras. Estou tão feliz, chegamos aos 500 comentários e 7 recomendações. Isso me deixa feliz, pois é o termômetro para vermos que a cada dia mais pessoas tem gostado da história. Agradeço de coração ao carinho e presença de todos. Espero que curtam o capítulo de hoje e não deixem de comentar. Bjs

Capítulo 24 – Decisões importantes

Yamato chegou à casa de Shou com uma carranca. Grande merda, ele havia falhado. Primeira vez em que ele havia realmente tido uma grande falha. Assim que chegou a vila ele já devia ter feito os planos para a execussão do príncipe Sayuri, ou ao menos tê-lo deixado inconciente em algum momento e o encaminhado de volta para o pálácio em Masao.

Apesar de que um lado seu estava pouco se importando com isso, ele havia conseguido algo muito mais interessante que não iria valer nem as moedas de ouro que ele iria receber pelo serviço. E outra, ele havia encontrado um lugar realmente diferente de Masao. Não que ele despresasse a cidade dos gatos... Na verdade lá ele era apenas um solitário com seu trabalho que não era nem um pouco digno de respeito... Mas desde que veio para Akai, o povo deste lugar o tratou com respeito... Até com carinho.

Shou... Aquele pequeno lobo era o que mais chamou sua atenção, tanto que o fez se distrair naquele lugar como para esquecer-se de seu trabalho.

Não era como se ele estivesse apaixonado, oras! Yamato não era um homem para o amor, mas ele podia desfrutar um pouco mais de viver naquele lugar e sob os cuidados do pequeno lobinho e seu filho.

— Olá! — Falou quando entrou no consultório de Shou. O mesmo deixou uma senhora ser escoltada por seu filho para fora da tenda e voltou sua atenção para Yamato. O mesmo se perguntou por que ele não sorria para si. As pessoas tinham que sorrir quando viam as outras, a não ser que as odiassem.

— Oi Yamato, já voltou? E conseguiram salvar Nanami? — Shou parecia realmente preocupado.

— Oh sim, os "sequestradores" eram o próprio irmão de Sayuri e seu general. Acabou que eu não precisei fazer nada. E eu imaginei que teria uma pequena luta para ajudar... Ai! — Resmungou quando Shou deu-lhe um tapa em seu braço.

— Graças a Kami-sama que não precisaram lutar! Isso poderia dar guerra! Não sabe como uma guerra entre lobos e gatos pode ser trágica. — Shou saiu nervoso em direção a sua pequena cozinha. Yamato o seguiu esfregando seu braço.

— Eu sei, eu sei... — Yamato revirou os olhos. — Eu lutei na guerra há dez anos, apesar de que nunca tive um motivo para ter participado.

Shou olhou por ele por alguns segundos até que suas bochechas ficaram vermelhas.

Yamato não desviou seu olhar em momento algum, ele era definitivamente mais alto que Shou, e também mais forte. Uma forte atração quase o fez dar um passo em sentido a ele. Shou estava ali tão perto, sua expressão tão adorável. Não tinha dúvida que ele realmente sentia algo por ele.

Isso deu lhe esperanças.

— Bem, eu farei algo para comermos, e mais tarde poderemos buscar Minky. — Shou falou um pouco mais tranquilo, já que ele parecia tenso a maior parte do tempo quando estava com Yamato, como se ele o perturbasse.

— Uh, juntos? — Yamato ergueu uma sobrancelha e Shou voltou a olhar para ele.

— Nã-Não, quero dizer... Eu farei algo para você comer apenas e mais tarde eu como algo... Enquanto a Minky, pode deixar que eu o buscarei mais tarde da escolinha. — Shou rapidamente revidou suas próprias palavras. Foi ai que Yamato percebeu.

Shou estava evitando a todas as custas estar perto dele. Agora o motivo disso ele não fazia ideia.

Shou foi preparar os alimentos, mas soltou um grito quando Yamato agarrou-o por trás. Ele tentou revidar, mas a atração foi tão forte que ele não pode mais ser forte contra o outro.

— O que pensa que está fazendo? Me solte!

— Você está me evitando não é? Pode me dizer por que raios quer fugir de mim? — Yamato perguntou ao que o virou para encará-lo. Shou parecia tão perdido, como se não soubesse o que fazer. — Você sente não é? Essa atração... Não pode esconder por mais tempo Shou. — E dito isso, Yamato o puxou pela cintura e assaltou os lábios de Shou em um beijo ardente, cheio de seu desejo reprimido. Shou gemeu quando a língua dele tocou a sua.

— Pa-Pare! — Shou resmungou entre o beijo, seu corpo estava reagindo contra ele... Não podia lutar contra aquilo, parecia muito mais forte do que sua mente, posto que o seu corpo e seu coração quisesse Yamato. Mas ele não podia... Não novamente... — Me deixe... — Implorou enquanto sentia os lábios de Yamato descerem por sua mandíbula e pescoço.

Yamato alisou sua cintura e quadris e suas grandes mãos foram parar em seu traseiro arredondado. Shou soltou um gemido, há quanto tempo ele não se sentia ser tocado.

— Você me quer... Eu sei que quer... Olhe para isso! — O gato cinzento tocou a ereção de Shou sob suas vestes, o coração de Shou estava a mil contra seu peito.

— Uh... — Shou estava completamente perdido. Apesar de que as mãos daquele homem sobre ele estava maravilhoso, as lembranças que ele tanto lutava todos os dias para deixarem-no estavam de volta atormentando sua mente e coração. Seu peito doeu tão forte que ele não pode evitar um soluço. Imediamente Yamato parou o que fazia e olhou para Shou, vendo como lamentavel ele estava.

— Está... Chorando? — Os olhos de Yamato estavam enormes enquanto ele via Shou segurar firme em suas vestes e seus olhos inundados de lágrimas enquanto ele soluçava.

— Deixe-me... Eu não quero mais... Eu não posso... — Shou choramingou, e Yamato teve que suspirar, para então abraçá-lo forte em seu peito.

Que diabos era esse sentimento novo em seu peito? Um desejo de cuidar daquele pequeno lobo e protegê-lo de todo mal estava tão forte em seu coração. Ele queria envolver Shou em algodão e guardá-lo com todo o carinho. Yamato nunca tinha sido um gato carinhoso... Mas parece que ele estava descobrindo isso com Shou agora.

— Não chore bebê, vou cuidar de você. — Yamato declarou com a voz recheada de sentimentos, algo que ele mesmo estranhou. Ele sempre foi sozinho, aprendeu desde cedo a não depender de ninguém e não esperar preocupação ou carinho. Nunca demostrou amor ou zelo por ninguém, então ceder àquele sentimento sobre aquele lobinho, era algo totalmente novo.

Shou afastou um pouco, e com aspereza enxugou as próprias lágrimas enquanto fungava. — Eu... Estou bem! — A ponta de seu nariz e bochechas se encontravam vermelhas devido ao choro.

— Posso lhe perguntar algo? — Yamato indagou gentilmente, não queria assustar o outro.

Shou acenou com a cabeça. O curandeiro sentia-se envergonhado por ter chorado diante do outro. Por anos, guardou para si mesmo a sua dor e não permitiu que ninguém o visse chorar.

— É o pai de Minky? Foi ele quem lhe machucou tanto que negar-se a amar novamente? — Não queria magoar ou abrir feridas antigas, mas precisava saber. Em seu coração, mesmo sem saber da história, firmou que jamais permitiria que alguém ferisse Shou novamente. E se acaso o ex de Shou voltasse, o mataria sem piedade.

A dor brilhou nos olhos de Shou e seus finos braços abraçaram seu próprio corpo. Aquelas lembranças sempre o feriam. O fazia recordar da sua estupidez e ingenuidade. — Eu...

— Se não quiser... — Yamato disse. Mesmo curioso, não forçaria o lindo lobinho a lembrar. Poderia investigar depois.

Shou negou com a cabeça. — Não! Eu falo... Não é história bonita ou grande... É mais estúpida. — Coçou seus olhos, espantando as lágrimas. — Eu... Naquela época era muito ingênuo... Diria idiota. Sonhava em encontrar um grande amor e criar uma linda família... Mas achava que todos eram bons. — Shou disse. Havia amargura em sua voz. Somente não voltaria no tempo, pois isso impediria de ter seu filho, a única coisa boa em sua vida. — Eu... Tinha 15 anos... E era apaixonado por Akira desde criança... Fazia de tudo para chamar atenção dele... Mas não funcionou... Até que com quinze anos, criei coragem e me declarei... Tal minha surpresa quando ele retribuiu. Tudo parecia tão mágico e perfeito... — As lágrimas ameaçaram transbordar novamente em seus olhos.

— Shii! Tudo bem lobinho. Se for doloroso, não precisa falar. — Yamato disse. Ele pegou a mão de Shou e o puxou. Sentou na cadeira da mesa da cozinha e puxou o menor para se sentar em seu colo. Em todo o momento fazia carinho em suas mãos, costas e rosto.

— Eu preciso... — Disse tomando fôlego. — Tudo parecia tão perfeito. Akira veio falar com meus pais, pediu permissão para me cortejar... Sempre trazia flores e docinhos... Conversamos por horas... E ele parecia render toda atenção para mim... — Shou parecia lembrar perfeitamente de tudo em sua mente, como se fosse ontem. — Então... Após alguns meses de namoro... Ele veio com a história de prova de amor... Kami-sama... Isso é tão estúpido... Eu deveria ter percebido. Eu tinha!

Como se prever-se o que viria na história, Yamato grunhiu. Naquele momento queria achar aquele tal de ‘Akira’ e esfolá-lo vivo.

— Ele... Akira... Disse que se o amasse deveria dar uma prova... Que então ele se casaria comigo, mas que precisava comprovar se realmente o amava e era puro. Eu tão cego... Idiota! Idiota! — Shou disse com olhos fechados e batendo com os punhos fechados na cabeça.

Yamato segurou seus finos pulsos e depois aconchegou o rosto delicado com a grande mão. — Você deu a ele a prova? — Indagou já sabendo a resposta. Shou acenou com a cabeça. A vergonha cobria sua face. — E depois?

— Eu achei que seria mágico e perfeito... Mas tudo que senti foi dor e asco... Akira pensou somente em seu próprio prazer... Eu era apenas um corpo a sua disposição, e quando terminou... Simplesmente se levantou e saiu. — Murmurou não contendo mais as lágrimas. Fazia tanto tempo que não falava aquilo. Na verdade, nunca contou detalhadamente assim para ninguém, nem seus pais ou melhores amigos. Shou não compreendia por que se abrira daquela forma com aquele gato.

— Ele o deixou?

Shou abaixou o olhar. — Ele... No dia seguinte... Fui o procurar para irmos falar com meus pais e marcarmos a data de casamento... Mas... Ele estava paquerando com outro lobo e agiu como se não me conhecesse... Então, quando abordei em outro momento... Disse que não... Que jamais se casaria com um vagabundo que deitava com qualquer um. Que não era virgem e sim, vigarista... e ruim de cama. — Shou disse. A vergonha, dor e raiva acumularam todos dentro dele.

Yamato grunhiu de raiva. Ele fechou os olhos para acalmar e não assustar o pequeno lobo. — Esse maldito! Como ele pode ter feito isso!

Shou suspirou. — Quando... Kensuke, Ryo e Seiji souberam... Eles... Praticamente espancaram Akira e Ken-sama o expulsou da Vila. Deixou bem claro que se ele voltasse aqui, seria morto.

Yamato sentiu respeito por Kensuke e agradecimento. Queria poder ter conhecido Shou naquela época, o protegido e feito àquele canalha pagar pela dor que causou. Era grato ao Alfa e Betas por terem feito.

— São bons amigos!

— Sim! Eles ficaram ao meu lado quando todos viraram as costas, até mesmo meus pais... Cuidaram de mim e... Me apoiaram. Quando descobri que estava grávido... Meu mundo desabou mais ainda e entrei em depressão... Não queria o filho e quase o abortei... Mas a medida que ele crescia dentro de mim... Fui me apaixonando. — Shou disse com um brilho nos olhos que denunciava todo o seu amor por Minky. — Mesmo que tenha sofrido... E me sintia só... Eu não volto atrás em tudo, porque Minky é a luz da minha vida. Apenas... Queria que ele tivesse seus dois pais... Sei que em parte é menosprezado por alguns por causa disso...

— Mesmo que alguns idiotas são assim, da para ver nos olhinhos dele o quanto é feliz... É uma criança especial, como você... — Yamato ditou. Ele enxugou todas as lágrimas de Shou e apertou ao redor de seus braços. — Eu... Quero proteger voces dois... Ser... O pai que tanto deseja dar a ele... Me dê a chance disso?! — Yamato pediu. Ele mesmo desacreditava no que saia de sua boca, mas era mais forte que ele, saia do fundo de seu coração que por anos fora duro e frio.

Os olhos de Shou se arregalaram e seu coração parou por um segundo. Quando as palavras de Yamato pareceram entrar em sua mente, sua expressão suavizou. — Não preciso de pena... Estou bem! Obrigado por sua consideração, mas tudo bem... — Porém não pode continuar a falar, pois Yamato colocou o dedo indicador sobre seus lábios perfeitos e o calou.

— Não faço isso por pena! Jamais! Precisa saber uma coisa sobre mim... Não sou alguém capaz de sentir pena ou compaixão... Confesso que meu pedido é egoísta... Es um homem forte, corajoso e bondoso... Sinto inveja de ti... É mais que isso... Sinto-me honrado em conhecê-lo. Tens uma força que nunca tive... — Yamato disse suavemente e de coração. — Eu vejo você e Minky... E vejo a família que sempre quis... Que me foi negado e que tive medo de ter... Quero os dois na minha vida... Quero que sejam meus.

Shou sentiu cada palavra tocar fundo em sua alma. Há tanto tempo queria ouví-las... Que alguém o visse mais além, mas cansou de esperar e deixou o desejo morrer... Deixou-se à seca.

— Eu... Minky sempre virá antes na minha vida... Amo meu filho acima de tudo e jamais aceitarei que alguém o maltrate. — Disse Shou.

Yamato acariciou sua face, deslizando pela testa, nariz, bochecha e lábios perfeitos. — Eu já amo aquele filhote... Ele é vida... É alegria...

— Eu... — Shou gaguejou perdido.

— Bastar dizer sim ou não... Sem desculpas ou justificativa... Aceitarei e respeitarei sua decisão. — Yamato disse.

Shou suspirou profundamente. O medo duelou dentro dele, medo de errar. Por anos conheceu Akira... Achou que sabia tudo sobre ele, e ainda assim, o feriu e o traiu. Agora, não sabia nada de Yamato... Contudo sentia-se tão seguro ao lado dele. Parecia tão certo. — Tudo bem! Podemos tentar... Mas se...

— Eu sei, se lhe magoar terei Alfa, betas e o esposo do alfa para lidar. — Yamato disse com um sorriso. Realmente estava feliz. Ele apertou Shou em meio aos seus braços. Não sabia ao certo o que fazia. Quer dizer... Devia estar ali para matar o príncipe e ir embora... Mas o curso da situação mudou completamente... Estava praticamente pedindo um Were Lobo em casamento e estava feliz.

Que se dane, sou dono de meu destino! Ele pensou, espantando os pensamentos negativos. O gato inclinou-se para frente e delicadamente colheu os lábios do curandeiro entre os seus. Foi um beijo lento e gentil, mas carregado de promessas e esperança. Os dois perderam-se no ósculo... Deixando que a energia mágica que fluía entre eles o levassem onde que quer fosse.

Quando finalmente quebraram, suas testas se encontraram... Apoiadas juntas e pequenos sorrisos em seus lábios. — Tenho que... Terminar o jantar... E depois...

— Eu vou buscar Minky... Enquanto faz o jantar. Acredito que o Alfa o chamará depois para ver o esposo e amigo... Mas nada grave. Estão realmente bem. — Yamato disse, mas nenhum deles se moveram.

— Eh... — Shou disse corando.

— Eu vou! — Yamato falou. Ele ajudou o menor a se levantar e então ergueu sobre ele. Tomou seus lábios novamente, antes de virar e sair a fim de buscar seu ‘filho’... Pois para ele... Minky era seu filho agora.

Shou ficou um tempinho parado olhando para o tempo. Ainda não podia acreditar no que aconteceu e que acabara de aceitar ser cortejado por um gato. Raça inimiga. Mas não podia negar que Yamato mexia de forma profunda. Era como o ancião ditou, precisava dar uma chance para amor novamente.

–oo0oo-

Sayuri olhava para a porta da casa com o olhar vago. Ele moveu um passo pensando em sair e ir atrás de seu irmão e o general, mas recuou. O Alfa dos lobos permitiu que eles ficassem na Vila, até resolverem as coisas, mas ficariam em uma tenda reservada e vigiada, pois a segurança de seu povo vinha em primeiro lugar.

Sayuri queria falar com seu irmão, explicar as coisas e fazê-lo entender que não poderia ir embora, mas tinha suas dúvidas que deixariam vê-lo agora. De alguma forma Sayuri sentia-se culpado... Não de ter vindo atrás de Nanami, agora sabia que o amigo estava bem e era feliz, mas por seu pai e irmãos que deixou para trás, preocupados com ele.

— Say-chan, tudo bem? — A voz de Nanami chegou em seus ouvidos e deu a tranquilidade que faltava naquele momento.

O príncipe girou o corpo e sorriu ao encarar o amigo. — Pensei que tivesse ido tomar banho!

— Eh... Ken-chan disse para tomar banho... Mas... Ele está demorando. — Nanami disse terminando de descer as escadas. Ele ainda se encontrava com o mesmo kimono, um pouco sujo de terra e grama, os cabelos bagunçados, porém sem os tamancos e meias nos pés. — Sabe onde Chizu-chan foi? Não o achei!

— Ah, Ryo disse que ele tinha ido passear mais cedo com Seiji! Devem voltar mais a tardezinha... Ou não. — Sayuri disse mordendo os lábios em um sorriso.

Nanami percorreu o caminho que afastava do amigo e tomou suas duas mãos nas suas. — Neh, Say-chan, você vai embora? Digo... Para Vila dos gatos?

— Eu... Não quero deixá-lo ou... Mas sinto saudades de meu pai e irmãos... Não sei o que fazer! — Disse incerto. Contudo, antes que continuasse a conversar, a porta da casa foi aberta dando espaço para o Alfa e Beta.

Kensuke olhou para o esposo e reparou que não havia tomado banho ainda ou trocado de roupa pelo menos como instruiu. Os olhos de Nanami se arregalaram e ele desviou para o chão. Seu pequeno pé deslizou pelo piso. — Neh... Estava solitário lá em cima... — Disse com um bico.

Kensuke suspirou. Ele andou até o gatinho loiro e sem dificuldades, tomou Nanami em seus braços. — Venha! Ajudarei a tomar banho... Temos de examinar e garantir que não esteja machucado em nenhum lugar. — O lobo negro proferiu e sem se importar em despedir dos outros, ele seguiu apressadamente em sentido ao quarto deles.

Sayuri olhou rindo pelo caminho que o casal seguiu, mas quando se virou para encarar o beta, corou fortemente. — Eu... Obr-obrigado por...

— Você está bem? — Ryo indagou. Ele aproximou-se do ruivinho e tocou gentilmente sua face. — Eu tenho algo importante que preciso falar com você.

Sayuri acenou com a cabeça. Ele temia o que Ryo fosse falar consigo. E se o mandasse embora? E se falasse que não gostava dele? Tais medos passaram por sua mente. — Eh... Vamos para a... Sala... — Sayuri gaguejou.

Ryo tomou a mão do gato e o puxou em sentido a sala, ao chegar à mesma, sentou-se na frente um do outro nas almofadas fofinhas em um canto. Ambos estavam sem jeito para falar.

— Tem algo que eu preciso conversar com você, Sayuri-san. — Ryo falou sério, voltando a olhar para Sayuri, mesmo que se sentindo envergonhado.

Sayuri voltou sua atenção para ele também, estranhando a sua seriedade. Será mesmo que seria expulso da vila? Afinal ele estava causando problemas ao Alfa. Mas Sayuri não queria ir, ele não podia fazer isso.

— Eu, o Alfa, assim como os conselheiros da tribo e o Ancião, tivemos uma reunião, antes de você aparecer mais cedo desesperado por Nanami. — Ryo falou ao que pegou as mãos de Sayuri nas suas. Ele notou que o gatinho ruivo estava nervoso e sua pele estava ficando gelada. — E entramos em um acordo que só pode ser mantido caso você queira. — Ele poderia simplesmente pedí-lo em casamento, mas não, precisava deixar todos os fatos bem descritos para Sayuri, para no futuro não haver nenhum problema entre eles por desentendimentos.

— Um acordo? — Sayuri repetiu duvidoso.

— Sim, um acordo para que você possa permanecer em nossa vila. Mas isso vai depender se você vai querer.

Sayuri sorriu. Então eles realmente queriam que ele ficasse, se haviam até criado um acordo para que ele continuasse em Akai.

— E que tipo de acordo seria? — Perguntou com cuidado. Ryo engoliu em seco e olhou em seus olhos.

— Se há uma forma de que possa continuar em nossa vila, terá que se casar com um dos nossos, ou seja, com um lobo, e criar uma família. Se não, não há motivos de que continue em Akai e o povo não irá considerar sua estadia aqui por mais tempo.

Sayuri estava com olhos enormes para Ryo. Ele disse "casar"?

— E eu não quero que você vá... Sei que é egoista de minha parte querer que fique por mim, mas Sayuri... Eu não sei como foi sua vida em Masao, não sei quase nada sobre você a não ser o que conheci aqui na Vila. E eu me apaixonei mesmo assim...

Sayuri olhou para ele com olhos ainda maiores. Ele estava se confessando... Confessando seus sentimentos para Sayuri. E o coração dele estava batendo tão forte em seu peito como se fosse explodir.

— Vo-Você... Gosta tanto assim de mim, Ryo? — Perguntou na inocência, suas bochechas esquentando com o rubor.

— Sim, sou apaixonado por você desde a primeira vez em que te vi. Não em canso de pensar em você... Você se tornou tão importante quanto a mim mesmo. — Ryo sorriu timidamente e olhou para as pequenas mãos de Sayuri nas suas. Havia uma grande diferença de tamanho entre eles. — Quer se casar comigo? Digo, não somente para te manter na vila, mas porque eu o amo... Case-se comigo. — Ryo estragou tudo, não era assim que ele planejou pedir, queria ter feito de forma mais romantica, e não na sala de estar da casa de Kensuke.

Sayuri olhou para ele com seu coração tão cheio que chegava a doer, e ele teve que sorrir. Realmente amava Ryo e esse jeito dele também. — Não acha que está um pouco cedo? — Soltou uma risadinha.

— Oh sim, claro... Mas não quero que vá embora! — Ryo falou suplicando, acariciando as mãos pequenas de Sayuri nas suas. O mesmo sorriu e se inclinou para frente com seus olhos fitando os dele.

— Tudo bem então... Mas quero que vamos devagar... Você sabe, eu... Nunca... — Sayuri abaixou a cabeça, olhando para suas mãos.

— Claro! — Ryo se animou. Ele mal acreditava, Sayuri havia aceitado seu pedido de casamento! Seu impulso foi tão forte para abraçá-lo que ele não resistiu e o fez, tendo Sayuri fundo em seus braços e aconchegando o seu pequeno corpo contra o seu. — Oh céus, como posso ser tão feliz!

— Será depois do casamento, não é? — O gatinho riu e retribuiu o abraço passando seus braços em torno de Ryo. Ele era tão másculo, grande e forte. Seu cheiro estava invadindo o profundo de suas narinas e o fez aquecer por dentro. Sayuri estava sentindo algo estranho, mas preferiu ignorar a sensação.

Ryo o afastou minimamente e seus lábios se encontraram com os dele em uma leve carícia. Sayuri se deixou levar pelo beijo que ganhou forma e teve ele suspirando pelo simples prazer de ter Ryo contra ele.

Felicidade borbulhava dentro de Sayuri tão forte como para ameaçar seu coração de uma explosão. Ele quebrou o beijo, pois seu rosto estava queimando em puro vermelho. Ele finalmente havia se dado conta do que acabara de acontecer.

Um fato histórico, afinal ele tinha acabado de aceitar o pedido de Ryo em casamento. Ryo realmente estava sério com ele, ele o amava, e isso foi tanto para ele que Sayuri começou a chorar.

— E-Ei Sayuri... Está chorando? Por que? Te fiz algo que não gostou? — Ryo perguntou preocupado, se inclinando sobre ele e tocando seus ombros. Era comico o seu olhar de medo por ter errado com Sayuri.

— Não, seu bobo... — Sayuri esfregou seus olhos, onde mais lágrimas surgiam e não paravam de escorrer por sua face. — Somente estou feliz... Vamos nos casar... Eu sempre sonhei com este dia.

Ryo soltou um suspiro de alívio tão alto, e deu seu maior sorriso, onde seu rosto monótono se transformou completamente. Ele estava tão alegre que pudesse sair cantando sobre seu casamento para todos ouvirem.

— Prometo que não irá se arrepender, meu ruivinho. — Ryo falou ao que tomou Sayuri novamente para um abraço. O mesmo se derreteu no carinho, tanto nas palavras como na carícia aos seus cabelos longos. Ryo poderia ser forte, grande e parecer demasiadamente sério, mas ele era um poço de carinho, do qual Sayuri se aproveitava e amava.

— Eu quero ser o melhor para você, Ryo... — Sayuri se aconchegou. Eles ficaram um tempo daquela forma, somente no abraço, vez ou outra se beijavam, e as horas foram passando. Não se ouvia a voz de ninguém, Kensuke e Nanami sumiram, provavelmente se amando no quarto deles. Foi então que veio a pergunta.

— Sabe Sayuri... — Ryo começou, quando as lembranças daquele dia, das reuniões e das falas de Kensuke lhe vieram à mente. — Eu tenho uma dúvida e acho que pode me responder.

— O que seria? — Sayuri olhou de baixo para ele, com um sorriso.

— Se aquele seu irmão é o herdeiro do trono em Masao, e ele não é irmão de Nanami... Não seria você o príncipe? — Ryo notou exatamente quando os olhos de Sayuri se arregalaram como se fossem saltar e seu queixo caiu.

Oh céus, Sayuri havia esquecido se de contar sobre ele para Ryo, a pessoa mais importante para ele.

Continua!

Notas finais
Miky-san: Espero que tenham gostado do capítulo *--* Próximo capítulo tem muito mais, então não percam no próximo domingo! Hannah-chan tem respondido comentários também através de minha conta! :3 Obrigada por lerem :3 Desejo a todos desde já, um Feliz Natal! Até a próxima