Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada

45 Capítulo 45 - Aquilo que precisamos


Notas iniciais
Hannah Kisa. Olá pessoal! Praticamente duas semanas em nyah e estória... Muito ruim, mas entendemos os motivos e feliz que estamos de volta. Agradeço a todos tiveram paciência e pediram pela estória. Segue cap bem especial Boa leitura!!

O corpo delgado remexeu na cama e mudou de posição, deitando-se de lado. Lentamente, as pálpebras se abriram revelando as íris negras. Não demorou em que lampejo de dor brilhasse e seu coração apertasse.

Ele retirou os fios negros que caíam em sua face e fixou seu olhar em um ponto qualquer. Sinceramente, não sentia nenhuma vontade de sair da cama, mas não poderia viver o resto da vida ali.

Retirando o cobertor de cima de si, com custo sentou-se e espreguiçou. Por Eiji, ficaria na cama, mas não iria abusar mais da hospedagem de Shou ou fugir de sua conversa com o Alfa dos Lobos.

Fora estupidez simplesmente fugir e ir para matilha dos Lobos – não que fossem inimigos agora – contudo ainda deveria ter agido com mais cautela.

O ex-general se levantou da cama e tratou de arrumá-la, para depois seguir para o banheiro. Encontrou a casa mergulhada no silencio, deduzindo que todos dormiam. Eiji tomou um rápido banho, vestiu as roupas que Shou lhe emprestou e seguiu para a cozinha. Queria retribuir o cuidado que aquela família estava lhe dando.

Tentando ocupar sua mente que não fosse às imagens de sua ‘noite’ especial com Yoshi – e a última – Eiji pegou várias laranjas, as cortou pela metade e as espremeu de forma que fizessem um suco bem grosso e amarelo. Depois fez a massa das panquecas e as fritou com cuidado, as deixando bem douradinhas.

Satisfeito, cortou os mamões, morangos e pêssegos em cubos para a salada de fruta. Fez o café, colocou leite e o pão na mesa, junto com o suco, panquecas e a salada. Quando terminou de preparar a rica refeição, o pequeno Minky entrou dando pulinhos na cozinha.

— Pa-pai... — Ele parou a frase quando viu que não era seu pai Shou. — Tio Eiji? Saiu do quarto. Que legal! Vai brincar comigo hoje? — O pequenino pediu correndo até o ex-general e lhe dando um forte abraço na cintura.

Eiji sentiu seu coração apertar. A energia de Minky o lembrou de seu filho Roan... Quando pequeno era tão fofo, mas agora era um homem que logo iria se casar, e Eiji não estava lá para dar todo apoio. Tudo porque era um medroso.

Eiji mandou para longe a tristeza e sorriu docemente. — Eu vou adorar... O dia parece estar lindo! Mas agora... Vá escovar os dentes e lavar o rosto para tomar café.

— Sim! Não demoro... — Minky respondeu sorridente. Ele saiu correndo da cozinha em sentido ao banheiro.

Eiji não deixou o sorriso deixar sua face e voltou a trabalhar, colocando os copos, talheres e pratos na mesa. Quando terminou, a pequena família entrou no recinto. Minky segurava a mão de Yamato e dava pulinhos. — Eu disse... Tio Eiji fez café da manhã especial!

— Oh Eiji! Não precisava. Eis nosso convidado. — Shou disse preocupado.

Eiji negou com a cabeça. — Eu que fico envergonhado... Abusando de sua hospitalidade. E também, sempre trabalhei... Me sinto inútil não fazendo nada. — Eiji disse. — Vamos comer? Prometi a alguém que iria brincar com ele. — Falou. Poderia aparentar estar feliz por fora, mas por dentro estava desmoronando.

Yamato afastou a cadeira para seu ‘noivo’ se sentar e depois sentou-se com Minky em seu colo. — Sente-se Eiji! Precisa alimentar-se.

— Obrigado! — Eiji agradeceu. Ele esperou a família se servir, para depois pegar um pouco. Acabou optando pela salada de frutas, a qual comeu devagar. Não estava com muita fome. A verdade, que sentiu certo enjoo enquanto preparava o café da manhã, nada grande, mas que retirou seu apetite.

— Ah... Nanami me disse ontem que Sayu-chan chega hoje... Saudades dele! — Minky disse, e depois levou um pedaço de morango a boca.

A expressão de Eiji tornou-se séria. Obviamente, se Sayuri o visse ali, arrumaria um jeito de contar ao pai dele. O Imperador. O que deu na cabeça dele em ir para Akai? Achando que poderia fugir de sua vergonha e medo? Do seu amor por Yoshikazu?

— Que bom! — Eiji sorriu. — Eu vou... Arrumar-me para irmos brincar... No jardim. — Ele falou pausadamente e levantando-se da mesa. Sem esperar pela reação dos demais, saiu da cozinha e seguiu para o quarto de hóspedes, fechando a porta atrás de si e encostando-se à ela. Eiji levou a mão à sua barriga e segurou um lamento. Sentia-se tão perdido... Não sabia o que fazer.

Ele puxou o ar para seus pulmões com força, e quando soltou, as lágrimas traçaram caminho de seus olhos por seu rosto até morrer sob o queixo. Eiji foi escorregando pela madeira da porta até sentar-se no chão com os joelhos flexionados.

Não era um Ninshin inexperiente. Ele fora casado, tivera um filho e passara por muitas experiências. Sabia muito bem os sintomas de tudo que sentia. Alteração de humor, o sono, os enjoos e náuseas... Já podia sentir a pequena vida dentro de si.

Como alguém de sua idade simplesmente acabava grávido? Depois de anos sozinho... Sem manter relações... Mantendo-se seguro na época do cio... Por um pequeno deslize, acaba grávido do imperador que jurou defendê-lo?

Uma coisa era certa... Se desejava manter longe de Yoshikazu, não poderia ficar em Akai. Teria que ir embora. Mas doía afastar-se de todos que conhecia... Já bastava estar longe de seu filho e Yoshi.

Eiji cruzou os braços sobre os joelhos e abaixou a cabeça apoiada nos braços. Chorando baixinho, sendo tomado pela incerteza e medo. Queria Yoshi... Os seus braços ao seu redor... O fazendo se sentir seguro. Mas ele não estava ali, e certamente não pensava mais nele.

–oo0oo-

Um estridente choro ecoava pelo quarto, demonstrando que mesmo sendo tão pequenino... Tinha fortes pulmões. O filhote gatinho ainda estava se acostumando com os horários... Então, trocava a noite pelo dia... E como não sabia falar suas necessidades, aprendeu que chorar, fazia ser atendido.

Shuichi resmungou e colocou o travesseiro na cama. Ele amava seu filho e se doaria ao máximo por ele, mas realmente, precisava de um momento de sono. Seu pequeno Yuuri, tinha dois dias de vida... E detinha seus dois papais enrolados em seus pequenos dedinhos.

Shuichi não teve um final de gravidez fácil e muito menos o parto, então, ainda não tivera tempo de recuperar-se.

O pequenino continuou a chorar, clamando pela atenção de seu pai. O príncipe Shuichi respirou fundo e empurrou as cobertas.

Levantou-se com dificuldade da cama e seguiu pelo quarto. Havia decidido permitir que Yuuri dormisse com o berço no quarto deles, pois era mais hábil cuidar dele. Ao menos enquanto era tão pequeno.

Shuichi ajeitou o seu kimono de algodão branco e beirou o berço. Estendeu a mão acariciando a face deu pequeno filhote, o que garantiu que Yuuri cessasse o choro e olhasse com os olhos grandes e úmidos ao seu pai.

— Olá meu príncipe... Por que o choro? Hein... — Shuichi disse com a voz mansa e carregada de amor. Inclinou-se para frente e tomou seu filho nos braços, retornando com cuidado para a cama. — Precisa deixar papai dormir um pouco...

Shuichi subiu na cama, acomodando-se sentado e encostado a um monte de travesseiros. Ainda estava se familiarizando em pegar ou cuidar das necessidades de um filhote, mas aos poucos pegaria o jeito.

O príncipe avaliou se Yuuri estava com a fralda suja. Garantindo que não, levou o dedo a boca do pequeno. Yuuri sugou com força, porém ao ver que não saía o quente leite, choramingou.

Shuichi sorriu pela fome de seu filho, que o fez lembrar de Yunsuke. Yu-chan sempre fora comelão desde criança. O papai de primeira viagem, ajeitou Yuuri para o segurar somente com um braço, e afastou o tecido do kimono. Ainda desajeitado, Shuichi levou a boca rosada de Yuuri ao seu mamilo inchado – encaixando-o.

Yuuri tentou receoso, contudo ao confirmar que ali tinha seu amado alimento, passou a mamar com gula. Sua mãozinha pequena apoiou-se no leito de Shuichi, enquanto sugava o leite morninho.

— Não tem como negar que é filho de Yunsuke. — Shuichi disse encantado. Ajeitou-se contra o monte de travesseiros e fechou os olhos. Seus braços seguravam seu filho com cuidado, enquanto o pequenino se esbaldava no alimento branco.

Shuichi fechou os olhos por um segundo, e quando voltou abri-los, estava assustado. Mesmo que rápido, ele chegou a cochilar e isso lhe deu medo. Pois temia que seu Yuuri engasgasse com o leite. Tinha de ser um pai mais cuidadoso.

Olhou para o filho que agora mamava mais tranqüilamente. — Você é tão lindo e fofo... Queria que o seu avô e titio estivessem aqui para conhecê-lo.

— Em breve, docinho.

Uma voz veio da porta do quarto e ganhou atenção de Shuichi. Ele ergueu a face e encarou seu marido. — Yun-chan... Demorou...

— Desculpe, amor... Sei que devia estar mais presente e ajudá-lo mais... Contudo, tem tantas coisas para resolver. Não sabia que papai tinha que cuidar de tudo sozinho. — Yunsuke disse com o semblante cansado. Ele adentrou o quarto e se sentou na beirada da cama.

— Uhh! Mal... — Shuichi fez beicinho.

Yunsuke riu e inclinou-se para frente roubando um cálido beijo dos lábios desejosos. — Vou ser mais presente... — Falou gentilmente. Ele encarou o filho que largou o mamilo para encarar seu pai progenitor. — Ei, bebê... Que tal nos dois irmos para farra enquanto papai Shu descansa? Eh. — Falou como se o filho entendesse. Com cuidado, o tomou dos braços de Shuichi, levantou da cama e ajeitou Yuuri em pé contra seu corpo, de forma que pudesse arrotar. — Por que não dorme um pouco Shu-chan? Eu cuido de Yuuri!

— Por favor... Sinto-me um pai cruel... Mas realmente preciso dormir.

— Sim! Eu entendo... Já estou entrevistando babás... Sei que precisamos de ajuda com ele. — Yunsuke falou.

Shuichi deitou na cama e ajeitou o kimono – não passando despercebido o olhar malicioso de Yunsuke para seu mamilo rosado e inchado. Ele fechou o kimono. — Sinto-me culpado... Quero cuidar dele cem por cento... Mas preciso dormir...

— Faremos funcionar. Agora descanse... — Yunsuke admirou o esposo pela última vez – O vendo se render à terra dos sonhos. – antes de deixar o quarto com Yuuri nos braços.

As coisas não eram fáceis para os papais de primeira viagem, mas certamente o amor e compreensão de ambos, fariam funcionar. Já era uma família linda e feliz.

–oo0oo-

O pequeno gatinho branco espreguiçou as patas e deixou as pálpebras abrirem para revelar os belos olhos azuis. Ele virou a cabeça e encarou a janela, admirando o céu azulzinho e as nuvens fofas.

Sua atenção retornou a cama, e esfregou o nariz rosado no cobertor, afundando-se no perfume único de seu marido. Nanami sentiu a falta do calor e a presença de Kensuke – mas sabia que o lobo sempre tinha compromissos.

O gatinho colocou-se de pé nas quatro patas e seguiu em sentido ao banheiro. Por sorte, a porta do banheiro estava entreaberta, o que permitiu que entrasse. Somente quando chegou perto do box, Nanami transformou-se para a forma humana.

A pele leitosa se estendia pelo corpo delgado, porém com curvas certas. Depois de sua mudança para a Vila Akai, Nanami tinha ganhado um pouco de peso e sua beleza somente aumentou.

Nanami coçou a cabeça e então se levantou. Ele ligou a chuveiro e tratou de tomar um banho bem gostoso e quentinho. Aquele dia, seu amigo – melhor amigo – Sayuri estaria de volta, e por isso estava bem ansioso.

Após garantir que seus fios dourados estivessem limpinhos e cheirosos, e seu corpo bem refrescado, ele desligou o chuveiro e foi se secar. Penteou os cabelos ajeitando as mexas rosas para ficarem em destaque. Analisou seus cabelos. Eles tinham crescido uns dez centimentros e agora batiam um pouquinho abaixo do ombro. Mas ficou em dúvida se o deixaria crescer ou não. Perguntaria depois o que Kensuke achava.

Apressando-se, Nanami terminou com o perfume e a pentear os cabelos, e retornou ao quarto para escolher um kimono bem bonito. Normalmente optaria por um rosa, mas naquele dia escolheu o kimono inferior branco e o superior vermelho sangue. Vestiu-se e ajeitou da forma que Chizuru havia ensinado. Depois vestiu as meias brancas que iam até meio das coxas e por fim, seu chinelo de madeira. Satisfeito, Nanami correu para fora do quarto.

Quando chegou no fim da escada e ouviu a voz alegre de seu amigo, um sorriso radiou a face de Nanami e ele saiu correndo em sentido a cozinha. Ao entrar, deu um gritinho de alegria. Seus olhos se encheram de lágrimas de pura emoção ao ver seu precioso Sayuri. — Say-chan!!!

Sayuri e os demais ergueram suas faces e encararam Nanami. Era um momento realmente mágico. Sayuri se levantou da cadeira com tudo a fazendo cair no chão e correu em sentido Nanami. Sem reservas, envolveu o loirinho em seus braços.

— Nana-chan... Meu lindo gatinho... Que saudade... — Sayuri gritou com seu jeitinho exagerado e apertou bastante Nanami em seus braços. Contudo, Nanami não ficou para trás e retribuiu.

Os dois ficaram dando pulinhos abraçados e bem emocionados. Somente separaram-se quando ouviram rosnados ciumentos de Kensuke e Ryo, o que serviu apenas para todos rirem.

— Quando chegou? Por que não me acordou Ken-chan! — Nanami fez um bico. Sentia-se culpado. Queria estar acordado para ter recebido o amigo.

— Você foi dormir tarde e parecia bem cansado, achei melhor o deixar dormir um pouco mais... E eles chegaram tem poucos minutos. — Kensuke defendeu.

— Neh Nana! Está mais lindo do que antes. Vontade de comê-lo. — Sayuri falou malicioso.

— Eh, somente eu posso comer Nanami! — Kensuke rosnou possessivo. Ele levantou e agarrou Nanami, retirando dos braços do ruivinho. Voltou a se sentar na cadeira – mas agora com Nanami em seu colo.

— Uhh! Kensuke mal. — Sayuri disse, contudo de bom grado foi para os braços abertos de Ryo.

Todos riram. A verdade era que todos – até Kensuke – sentiam falta das loucuras de Sayuri. Ele sabia animar as coisas. Não demorou e todos entreterem em conversas animadas. Com Ryo e Sayuri contando como fora os dias que passaram em Masao... E claro, os demais contaram sobre Akai. Os sete... Seiji, Chizuru, Ryo, Sayuri, Kensuke, Nanami e Misaki realmente se divertiram naquele café da manhã.

–oo0oo-

Alguns dias se passaram. Houve uma pequena comemoração pela volta de Ryo e Sayuri, porém mesmo assim, Nanami não tinha estado com um humor melhor.

Claro que ter Sayuri por perto era maravilhoso, seu melhor amigo sempre lhe rancava risos e lhe transmitia alegria, contudo lá no fundo, Nanami ainda estava sombrio e triste.

Como ele poderia se sentir melhor sabendo que Maiko estava para morrer dali poucos dias?

Nanami tinha tentado argumentar com Kensuke à respeito do que Maiko lhe contou, porém Kensuke parecia irredutível neste assunto, não o deixava nem começar a dizer. Só de ouvir a palavra Maiko, Kensuke saía de perto.

Precisava encontrar uma forma de falar com Kensuke, se explicar para ele de modo que o ouvisse, que o levasse a sério.

Mesmo com os ensinamentos que estava recebendo e sua experiência de vida, Nanami se sentia visto como uma criança. Kensuke não o estava ajudando a ser melhor se nem ao menos podia lhe dar a palavra.

Nanami poderia nunca ter se metido nos problemas da matilha, mas ele considerava Maiko, ele achava que esta era uma lei estúpida, que não poderiam tirar sua vida sem que ele fosse realmente culpado. Isso era injusto!

Nanami resmungou pela centésima vez e Kensuke perdeu a paciência, bufando.

— Nanami… Mas que diabos você tem? — Perguntou indignado. Nanami poderia ser um amor e todo fofinho, mas certas vezes, como esta, em que Kensuke estava muito ocupado com seus assuntos, o gatinho vinha para seu escritório somente para emburrar.

— Uuh… — Nanami olhou para ele com um tremendo bicão. — Você não me escuta Kensuke, seu mau! — E virou o rosto.

Kensuke o olhou em completa indignação.

— Como assim não te escuto? Se por acaso for aquele assunto de novo, pode esquecer que não há nada que eu possa fazer. — Kensuke se levantou, organizando seus papéis e os jogando dentro da gaveta.

— Claro que há! Você é o Alfa, você pode mudar qualquer coisa na matilha! Pode cancelar isso! — Nanami estava com suas mãos em punhos e enfrentou Kensuke, que somente pode bater em sua testa.

— Você não entende Nana… Isso não é possível. O que Maiko cometeu contra você foi totalmente imperdoável. — Kensuke explicou terminando de jogar suas coisas na gaveta. — Todos querem a cabeça de Maiko, pois se alguém tenta algo imperdoável à cadela Alfa, é o mesmo que tentar contra toda à vila. Todos querem o seu bem, então todos querem a cabeça de Maiko.

A boca de Nanami abriu em descrença. Não imaginava que a situação fosse pior. Então todos queriam matar Maiko, não era somente Kensuke.

— Mas Ken-chan… Você tem que me ouvir. Maiko falou comigo, ele me disse toda a verdade.

Kensuke se encaminhou para a porta muito incomodado com o assunto. Ele queria esquecer, mas Nanami constantemente estava o lembrando de que ele estava para matar uma pessoa. O quão ruim se sentia? Já não estava saboreando tão bom como a vingança que ele tanto desejava.

— Chama de verdade? Será que ele não mentiu esperando que você fosse acreditar de primeira e vir até mim para me convencer? — Kensuke se virou para o menor.

Dessa vez foi a gota d’água para Nanami. Ele apertou os punhos e franziu o cenho, sua raiva brotou até lágrimas em seus olhos.

— O que pensa que eu sou? Um idiota que não sabe das coisas?! — Nanami gritou contra Kensuke, consequentemente deixando os olhos de Kensuke arregalados. — Eu vivi uma vida pior do que a sua, passei por todas as coisas horríveis, e ainda pensa que eu não sei de nada?

Kensuke não sabia como responder a isso. —Bem, eu… Não quis dizer isso, Nanami.

Mas Nanami continuou alterado. — Se você matá-lo, eu nunca mais vou querer falar com você! Idiota assassino! — Gritou com sua voz fina mais estridente que o normal, pela mistura de raiva e o choro. Nanami saiu correndo, batendo a porta atrás dele.

Kensuke ficou paralisado, com os olhos arregalados e queixo caído. Era a primeira vez que ele via Nanami agir dessa forma. Mas ele realmente se sentiu culpado pelo que disse.

Talvez ele devesse mesmo dar mais atenção a Nanami, depositar mais confiança no seu gatinho.

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Correndo pelos corredores, até que parou no alto da escada, Nanami fungou esfregando as lágrimas em seus olhos.

Doía não ser considerado como eles. Nanami sabia que somente tinha treze anos, mas ainda sim, ele não era um bobo. Talvez só um pouco, já que muita coisa ele ainda não sabia… E era ingênuo também, ele admitia. Mas quando a questão era seu coração, Nanami nunca duvidaria.

Seu coração nunca mentiu. Ou seria isso um dom? Porque Nanami tinha pressentimentos um pouco raros, mas que eram completamente verdadeiros.

— Hei Nana-chan… — Sayuri apareceu todo alegre no fim da escada, vestido com um avental rosa, porém seu semblante caiu quando percebeu o rostinho de Nanami vermelho de tanto chorar. — Santo gatinho! Você está chorando!

— Uhh… Sayuri-chan… — Nanami choramingou. Ele abriu os braços esperando por Sayuri, e seu amigo subiu as escadas velozmente até o abraçar bem apertado.

Nanami afundou seu rosto no ombro de Sayuri, choramingando como um bebê.

— O que aconteceu Nana-chan? Kensuke foi um chato com você? Quer que eu o espanque? Eu não posso garantir que ele saia muito ferido, mas ao menos posso lhe dar uns bons pantapés. — Sayuri se afastou apenas um pouco para enxergar o rosto de Nanami choroso, até mesmo seu nariz escorria.

Retirou de seu bolso um lencinho que costumava levar para todos os lugares com ele. Enxugou as lágrimas de Nanami suavemente e até o fez assoar seu nariz.

— Ugh. — Não tinha como ter nojo de Nanami, nem quando seu nariz escorria. — Você é fofo até chorando.

Nanami deu-lhe um tapa em seu ombro. — Não diga isso. Chorar é ruim, não quando não é algo bom que aconteceu.

— Eu sei… Eu sei… — Sayuri beijou-o bem levemente em sua bochecha. — Vai ou não vai me contar o que aquele gigante lobo te fez dessa vez?

Nanami olhou nos olhos de Sayuri se lembrando de que tinha muito mais para contar a ele, como sobre o fato de ter conversado com Yamato e eles terem ido ver Maiko. Ou sobre o fato de que Maiko estava prestes a ser morto por Kensuke.

Olhou para todos os lados, com a certeza de que ninguém os ouvia, e ele fez o que planejava, contou tudo à seu melhor amigo. Desde ter descoberto sobre seus pais, como ter contado a Yamato sobre seu parentesco, então a condenação de Maiko, depois de ele ser denunciado por Isamu, e ainda mais o que Maiko lhe contou.

Nanami insistiu a Sayuri que ele estava falando a verdade, que Maiko tinha contado a história verdadeira, por assim pensando que Sayuri fosse duvidar dele como Kensuke fez.

Contudo Sayuri, apenas o manteve pertinho em um abraço quente, e beijou seu rosto a cada oportunidade.

— Eu nunca duvidaria de você, bebê. Ken-chan é um besta… Você sabe que sempre acreditei em você. — Sayuri sussurrou gentil, e Nanami se aninhou contra ele.

— Você é mesmo o melhor amigo do mundo todo, Sayuri-chan.

Kensuke que estava muito intrometido, se escondendo há poucos metros, sentia sua mandíbula ceder de tão forte que cerrava os dentes. Ciúme o corroía por ver Nanami tão apegado a Sayuri, sejam amigos ou não, Nanami não tinha que ficar abraçando outro que não fosse ele.

Embora tivesse deixado Nanami tão triste.

Kensuke não sabia o que fazer, ele tinha muita mágoa ao lembrar dos atentados de Maiko contra Nanami, da vez quando foi envenenado, sendo que era para ter sido Nanami, que provavelmente não sobreviveria.

Kensuke se sentia um lixo, ele não era um homem de guardar rancor, mas talvez ele realmente devesse dar atenção ao que Nanami queria lhe contar de Maiko. Ele poderia estar certo.

O Alfa saiu das sombras, de volta para seu escritório, completamente derrotado.


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Yamato estava passando na feira de todas as sextas-feiras, em que o povo lobo se preparava para um fim de semana. Pensando em agradar Shou – ele prentedia cozinhar um jantar especial esta noite – coisa que nunca havia feito antes, se atentou quando percebia como os aldeãos lobos estavam alvoroçados.

— Desculpe, o senhor poderia me dizer o que está acontecendo? — Yamato perguntou a um vendedor ninshin de maçãs em sua barraquinha.

— O senhor não sabe? — O queixo dele caiu como se fosse impossível não saber. — Em menos de uma semana será a lua cheia mais esperada do ano. — Ele sorriu gentilmente embalando algumas maçãs que Yamato apontou.

— E o que tem essa lua cheia? Vocês virarão lobisomens ou algo assim? — Yamato zombou, mas foi a expressão do ninshim que realmente disse que era verdade. O vendedor corou as bochechas e passou a embalar as maçãs rapidamente em uma sacola.

— É o p-período de cio dos lobos, senhor. — Ele explicou um pouco rápido demais, entregando a sacola para yamato e gritando por mais clientes.

De olhos arregalados e queixo caído, a pantera caminhou calmamente por toda a feira, ouvindo por todos os lados os ninshins alvoroçados. Pareciam muito mais elétricos que o normal. Talvez estivessem se preparando? De repente Yamato ficou muito curioso.

Chegando em casa abarrotado de sacolas, Shou olhou para ele surpreso, e então sorriu, correndo para socorrê-lo. Depois de deixar toda a mercadoria sobre a mesa, Yamato ficou ponderando sobre o que tinha ouvido na feira, olhando para Shou que retirava os alimentos das sacolas, parecendo de muito bom humor.

— Hei Shou. — Ele chamou.

— Hum? — Shou olhou para ele e começou a descascar uma mexerica.

— Ouvi falar que em breve os lobos entrarão no cio. — Yamato riu quando Shou cuspiu o primeiro gomo da fruta. Em seguida corando sete tons de vermelho em suas bochechas e nariz.

— O-Onde ouviu isso?! — Ele passou a ficar completamente elétrico, deixando sua fruta de lado e guardando todos os alimentos que Yamato havia trago. — B-Bem, é verdade.

— Hum, bom saber. Quero dizer... Como é... Esse cio dos lobos? É diferente do cio dos gatos? — Yamato se sentou em uma cadeira e se inclinou em uma mão, assistindo divertido as reações de seu curandeiro. — Eu sei que sou uma pantera, mas não faço a menor de ideia de como é minha raça nesse período, comigo nunca aconteceu nada e eu sempre convivi com gatos.

Shou olhou para ele, todo o tempo corando, e então desviou o olhar.

— Uh bem... Acontece que o cio dos lobos ninshins acontece sempre no mesmo período de lua de sangue. Onde a lua cheia fica vermelha, e os que não são ninshins se transformam em suas meias formas, ou a pior delas.

— Ainda tem uma forma pior? — Ficou surpreso.

— S-Sim. — Yamato respirou e então se sentou ao lado de Yamato. — Eles se transformam em lobos maiores do que costumam ser e... E bem... — Shou não sabia como contar isso.

— E...? — Yamato incentivou muito curioso.

— Eles costumam acasalar com seus companheiros dessa forma mesmo ou somente em meia forma. Eles não têm muito controle, mas depois dessa fase sempre há uma porção de ninshins que ficam grávidos.

— Oh! — Yamato realmente achou interessante, seus olhos estavam brilhantes e ele olhou malicioso para Shou. — E o que acontece com aqueles que não tem companheiros?

— Uh, foi por isso mesmo que criei um remédio que usamos para um alívio. Porém costumamos ficar presos em nossos quartos durantes as noites. Somente acontece à noite. Por uns três dias mais ou menos. — Shou resgatou sua mexerica e levou um gomo até a boca, porém antes de mordê-lo, Yamato chegou e o tomou de sua mão com a boca. O queixo de Shou caiu.

— Hum, isso está doce. — Sorriu. — E o que vai ser de nós?

Shou olhou-o curioso, então franziu a testa. — Não pode acontecer nada entre nós. Ainda não estamos casados.

— Então vamos nos casar! — Yamato de repente falou. Shou arregalou os olhos e então sorriu timido.

— Não acha que está muito cedo?

— Cedo? Claro que não! — Gesticulou dramaticamente. — Não vou deixar esta linda fase só para o ano que vem, estou louco para ver como você fica nesse período. — E bem, Shou se tornou um tomate de tão vermelho. Resmungando, ele correu para fora da cozinha. Yamato bem que ia o seguir, porém ele teve que rir. Que lindo era seu Shou, todas as suas reações, seu modo de ser, as vezes tranquilo pela sua vocação, as vezes muito exigente por ser quem ele era, um pai que até algum tempo atrás cuidava de Minky sozinho, mas agora Yamato estava lá, e não pretendia sair jamais.

Isso que era uma baita decisão. Enquanto até dias atrás ele ainda ponderava sobre sua vida, agora tinha mais certeza do que nunca, de que era aqui que ele queria estar.

Continua...

Notas finais
Miky-san: Olá queridos! *--* Obrigada por lerem Akai! Ficamos duas semanas ou mais sem o Nyah, o que nos ajudou um pouco... Mas realmente, nosso tempo é curto, porém fazemos nosso máximo para sempre postar certinho. Até o próximo domingo, Beijinhoos