Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
36 Capítulo 36 – Rumo da vida
Notas iniciais
— O que é isso que está me dizendo Eiji? — Yoshikazu estava perplexo, alisando a sua barba bem feita por todo o queixo. — Isso é uma acusação muito séria.
— Eu sinto muito senhor, mas acredito que seja mesmo a verdade. — Eiji impôs sua opinião além daquilo que lhe foi relatado. O assunto se tratava da prisão do conselheiro Hachiro, que comandou tropas à parte para um ataque contra o Alfa dos lobos e seu companheiro. — Mas somente temos como provar isso quando o Alfa dos lobos acordar e concordar com o que Nanami-sama falou.
Yoshikazu parecia nervoso e apreensivo. Ele estava quase como no dia em que foi anunciada guerra entre as duas civilizações, os Lobos e os Gatos.
Mas não haveria razão alguma para o Alfa dos lobos querer acusar alguém de seu reino sem que fosse realmente um caso grave. O Alfa veio somente com alguns guardas, confiando plenamente em Sayuri e na justiça de Masao que os manteriam protegidos. Ele não iria anunciar guerra de uma hora para outra, não quando haviam acabado de anunciar mais um tratado de paz que eliminava qualquer rixa entre as duas raças.
— Deixe-me saber quando o Alfa Kensuke acordar. Enquanto isso, mantenha Hachiro em cárcere até que uma decisão seja tomada.
Yoshikazu não estava acreditando. Ele passou a mão em seu rosto frustradamente, ele ponderava sobre o fato de Hachiro ser um traidor.
Chega de traição… Ele não poderia aguentar mais isso. Como poderia ele viver sem confiança? Yoshikazu de repente não sentia mais aquela segurança que ele construiu em si próprio depois que seu melhor amigo o enganou há dez anos.
Uma mão quente segurou em seu ombro e ele sabia exatamente que era de Eiji. Sua mão tocou sobre a dele, apreciando o contato daquele que agora era o seu melhor amigo, seu confidente e também seu único amor. Embora Eiji não soubesse, eles eram muito próximos. Yoshikazu não iria ameaçar essa amizade, ele via amor e carinho no olhar de seu general por ele, porém sabia que esse amor era mais um agradecimento por tê-lo acolhido em seus piores momentos. Eiji também foi um homem traído, por seus próprios pais que o fizeram escolher um rumo diferente do que ele gostaria.
— Não se preocupe, eu estou aqui por você. — Eiji falou com sua voz suave. Ele era um homem forte, e sabia levantar muito bem sua voz em comando, mas quando podia ser ele mesmo, sua voz era suave e tranquila.
— Obrigado, eu aprecio muito sua companhia Eiji. Você sabe que é a pessoa que mais confio em minha vida. — Yoshikazu falou com um olhar doce, porém ele mascarou em seguida.
Eiji percebeu que estava muito perto, engoliu em seco e se afastou. — Desculpe por tocá-lo senhor.
O Imperador queria se bater por fazer o homem querer se afastar. O toque dele era quente e acolhedor.
— Não se preocupe, eu disse que aprecio sua companhia. O seu toque também.
Eiji apenas sorriu sincero e assentiu. O coração de Yoshikazu não poderia aguentar mais tempo, ele teria que mudar os seus planos muito em breve, antes que explodisse.
–oo0oo-
Depois que Kensuke foi envenenado pela flecha, fora levado até seus aposentos no palácio real. Como esperado de uma situação como aquela, Nanami estava entrando em desespero porque Kensuke não acordava, mesmo com todo o movimento depois da briga.
— Doutor… Como ele esta? — Nanami perguntou entre os dentes, seu corpo rígido enquanto orava mentalmente para não ser nada grave com seu amante.
— Está nervoso Nanami-sama… — Amano falou com Nanami de uma forma mais tranquila, visto que o gatinho branco não era nem um pouco intimidador, o contrário, ele parecia o tipo de pessoa que nunca poderia se defeder, somente ser protegido. — O Alfa Kensuke está ótimo, não há com que se preocupar.
— Mas ele não acorda!
— Isso é normal… Seu corpo sofreu uma reação nervosa após ser ferido e infectado com o veneno, porém não era letal e inclusive não está presente mais no sangue dele. Kensuke dorme por estar realmente cansado, em pouco tempo ele irá acordar. — Amano respondeu gentil e afagou uma das orelhas de Nanami, sorrindo para depois deixar o quarto.
Nanami sugou o ar e inspirou devagar, fazendo o possível para seu desespero esvair e então o alívio se fez presente.
— Ken-chan… — Ele se inclinou e deitou a cabeça sobre o peito de Kensuke que repousava sobre o grande futon de casal. — Não sei o que seria de mim se te perdesse… Acho que eu morreria.
Nanami então refletiu sobre como sua vida havia mudado nos últimos meses. Ele tinha saido de um sofrimento que parecia que nunca teria fim, para então imaginar que seria o seu fim, porém foi o seu começo e sua maior felicidade.
Ter Kensuke com ele não se comparava a nenhuma outra coisa, Kensuke era o seu mundo, era quem mexia com seu coração de tal forma que o fazia querer sempre mais. Seu toque, sua forma carinhosa de falar com ele, até mesmo às vezes em que discutiam, nada poderia ser perdido, tudo eram lembranças preciosas para Nanami e sempre seriam.
Com um suspiro pesado, Nanami deixou com que a transformação ocorresse. Ele não entendia essa súbita vontade de se transformar que ele estava tendo ultimamente, mas nenhuma das vezes ele negou ao seu animal sair para brincar.
A pequena bola de pelos brancos pulou sobre o corpo forte e adormecido de Kensuke e arranhou suas patas contra o lobo na forma humana. Kensuke ofegou e seu nariz se moveu enquanto ele cheirava o aroma felino sobre ele. Imediatamente abriu os olhos e encarou o focinho de Nanami contra o seu nariz.
— Oh pequeno… Você está bem? — Kensuke se sentou e soltou um pequeno resmungo com a dor em seu ombro. Porém não era nada que fosse insuportável. Nanami miou feliz, seus olhos azuis brilhando para Kensuke.
Kensuke tomou isso como um ‘Ok, estou bem’. Ele tomou o gatinho em suas mãos e trouxe o rostinho dele contra o seu próprio, depositando pequenos beijinhos sobre seu focinho e orelhas.
Amano entrou no quarto e corou lindamente suas bochechas ao ver a cena.
— Oh, desculpe atrapalhar… — Estava envergonhado. — Como está se sentindo Alfa? Precisa de alguma coisa?
Kensuke olhou para Amano e levou Nanami para seu colo, fazendo um carinho em sua barriguinha. O alto ronronar era incrivelmente fofo e ecoava pelo quarto.
— Estou bem, obrigado. O que me diz desse carinha aqui? — Apontou para o branco gatinho.
— Ele não sofreu um arranhão sequer. — Amano sorriu, confortável de saber que o Alfa dos lobos poderia ser tão gentil com seu companheiro a ponto de fazê-lo ronronar alto como Nanami fazia. Ele se despediu e saiu do quarto.
Segundos depois que Amano deixou o quarto, Nanami brilhou e voltou a sua forma meia lua, nu sobre o colo de Kensuke.
— Ken-chan! — Ele ficou alvoroçado e arrepiado, beijando todo o rosto de Kensuke e suas orelhas de lobo. — Se sente bem? Dói o seu ombro?
— Dói um pouco apenas, bebê. — Ele respondeu com um sorriso carinhoso. — Mas me sinto muito bem graças a ter você aqui comigo.
Nanami se derreteu soltando uma risadinha de contentamento. — Eu nunca iria deixá-lo, ainda mais em um momento como esse. Não saí daqui para nada.
— Isso é bom, saber que meu gatinho se preocupa tanto comigo. — Kensuke abraçou Nanami e deitou sua cabeça no ombro dele, aproveitando de sua companhia e seu corpo quente. — Que bom que está bem pequeno… Nunca senti tanto medo… Quando fui atingido e meu corpo não se movia… Pensei que eles fossem atacar você.
— Mas Ken-chan! Você não sabe o que aconteceu! — Nanami praticamente gritou na orelha dele.
Kensuke se afastou massageando a mesma. — E o que aconteceu? — Ergueu uma sobrancelha, curioso.
— A-Apareceu… Ele apareceu… — Nanami olhou para suas mãos, lembrando o que o feiticeiro lhe disse, que pediu segredo. Porém ele tinha que contar a Kensuke, o mesmo merecia saber. — Ele me pediu segredo, mas eu preciso te contar Ken-chan.
O Alfa olhou bem nos olhos do mais novo, encarando-o. Ele achou que Nanami estava tão lindo quanto costumava ser. Mas curiosidade o encheu pelo que o menor estava escondendo.
— Meu pai Naoki… Ele apareceu pra mim… E nos salvou. — Nanami tinha um sorriso, que Kensuke não pode duvidar do que ele estava dizendo. Aquele brilho em seu olhar sincero era toda a prova de que realmente tinha acontecido.
— Ele nos salvou? Como?
— E-Eu não sei… Ele é um bruxo e uma pantera … Às vezes nem posso crer que eu o vi… E ele falou comigo, pediu que eu não contasse a ninguém que o vi. — E lá estava as lágrimas de Nanami borbulhando e escorrendo por sua face delicada. — Eu o vi Kensuke… Eu o vi…
O lobo sorriu emocionado ao ver Nanami em toda aquela felicidade que brotava em ondas para fora de seu corpo e o atingia. Ele chorava de alegria, e isso era a coisa mais linda e emocionante que Kensuke já presenciou.
Ele abraçou seu gatinho e o aninhou em seu ombro bom, adorando a sensação de tê-lo em seus braços. Ele nunca se cansaria de Nanami.
–oo0oo-
O cheiro estava maravilhoso e quando Chizuru provou, ele mesmo aprovou o que fez. Esperava que Seiji gostasse do que preparou para o almoço.
Terminando de montar a caixinha com o almoço a embalou em lenço azul. Chizuru colocou em sua bolsa e depois a garrafa de vidro com o suco de laranja que ele também havia feito. Seiji tinha um gosto para cítricos.
— Já vai querido? — O Ancião Chao perguntou quando passou a se servir com os alimentos postos a mesa.
— Sim papai. Seiji combinou de almoçarmos juntos, então eu estou levando tudo aqui. — Ele apontou para sua bolsa pendurava em seu ombro.
— Boa sorte! E juízo. — Seu pai falou com um toque de humor. Chizuru sorriu e beijou o rosto de seu pai, antes de sair saltitante pela porta dos fundos.
Seiji tinha estado tão ocupado desde que Kensuke foi para sua viagem, que nem mesmo teve muito tempo para Chizuru. Embora ele entendesse a situação, o pequeno lobo branco sentia falta do lobo negro maior. Saudades de ficar juntinhos e de namorar.
Seu desejo para o casamento era grande, porém ele teria que se conter, porque ainda que quisesse tinha um medo muito grande do que viria depois. Afinal ele era um jovem puro, como deveria ser pelos costumes dos lobos, mas às vezes tinha medo de que não pudesse resistir ao seu noivo. Apenas confiava que Seiji fosse manter sua promessa e também não avançar quando tivesse oportunidade.
— Olá Chizu-chan! — Seiji sorriu amplamente quando viu Chizuru. O coração do lobo menor se encheu de ansiedade, batendo forte no peito.
— Oi, com fome? — Chizuru ergueu a bolsa e Seiji farejou de onde estava logo atrás de alguns arbustos. Ele estava verificando os arredores e seus colegas sentinelas.
— Morrendo. O cheiro está maravilhoso… Carne ao molho e linguiças.
— O seu preferido. — Chizuru sorriu tímido e viu Seiji se aproximar todo orgulhoso. Ele parecia ter estado muito mais ansioso do que ele para esse pequeno encontro no almoço. — Teve notícias do meu irmão? — Chizuru perguntou enquanto eles caminhavam até chegar a um ponto perto do campo — agora verdinho, já que a neve estava derretendo — para ter seu pequinique.
— Sim, recebi uma carta de Masao anunciando que eles voltariam amanhã.
— Nossa! É sério?! — Chizuru ficou empolgado de saber que além de seu irmão, viria também seus amigos de volta para Akai. — Isso é ótimo!
— Sim, o casamento foi um sucesso e nenhuma má notícia até onde sei. — Seiji levou um tapa nas mãos quando tentou violar a bolsa de Chizuru.
— Calma! — Chizuru estendeu a toalha e colocou os objetos sobre ele, como o vasilhame com a comida quentinha, a salada e o suco que ele preparou, junto com copos e hashis.
Os dois passaram a comer em silêncio, apenas aproveitando o sabor sublime dos alimentos, até que Seiji resolveu quebrar.
— Eu conversei com o seu pai... O ancião...
— Sim!? — Chizuru perguntou com interesse nos olhos.
Seiji coçou a nuca sem jeito. — Bem... Agora que as coisas estão oficialmente mais calmas... E até Ryo e Sayuri-sama casaram... — Seiji grunhiu. Ele sentia-se tolo por ficar envergonhado. — O fato é... Em pedir a ele para marcamos oficialmente a data do nosso casamento. O mesmo considerou em bom tom, marcamos para daqui um mês, pois o Alfa teria voltado e teremos tempo de organizar tudo. Bem... O que me diz?
As bochechas de Chizuru coraram fortes e seu coração bateu com força. Esse era seu maior sonho, ou melhor, seus dois maiores sonhos... Casar-se e com Seiji. Sem poder se conter, ele largou o lanche e pulou sobre o beta o jogando de costas no chão. — Sim! Sim!
— Ou... Vejo que ficou feliz! — Seiji disse abraçando o corpo pequeno com carinho, claro que sua ereção não pode deixar de reagir ao ter Chizuru sobre si e ainda o perfume dele maravilhoso, que dava uma enorme vontade devorá-lo.
Quando se deu conta ao estado que estava, Chizuru saiu rapidamente de cima do outro e colocou-se sentado sobre as pernas e olhando para suas mãos depositadas em seu colo. — Desculpa... Me excedi... Mas realmente estou feliz! — O sorriso brotou seus lábios.
Seiji aproximou-se e tocou com carinho os fios negros de Chizuru. — Igualmente, mal posso esperar em tê-lo como meu esposo! Sonho com isso todos os dias!
Chizuru corou novamente e acenou com a cabeça. — Er... Vamos terminar de comer? — Disse indicando para as comidas descansando a toalha xadrez.
— Sim! Vamos. Está delicioso o que fez, cozinhar muito bem. — Seiji elogiou. Claro, mesmo que o pequeno não pudesse cozinhar nada, ainda o queria como seu esposo... Pois o amava muito.
Chizuru acenou agradecido e pegou outro pãozinho coberto de açúcar.
–oo0oo-
Quando os primeiros raios solares penetraram pela grande janela do quarto, um pequeno corpo remexeu e suas mãos esfregaram os olhos. Ele gemeu quando seu corpo latejou de dor, mas não pode impedir o sorriso surgir em sua face, pois ela o lembrou do que tinha acontecido... Que estava oficialmente casado com quem tanto amava.
As pálpebras se moveram revelando as íris verdes. Os cabelos ruivos se achavam espalhados sobre os lençóis brancos como um manto de sangue, e a pele pálida e os traços delicados faziam daquele were neko um dos mais belos.
Sayuri virou a cabeça lentamente e quando se deparou com o rosto adormecido de seu marido, ele sorriu largamente e levou às mãos a boca para evitar gritar e acordar Ryo. Ele se sentou com cuidado, devido à dor em sua bunda, e então acariciou os fios claros do Lobo. Seu marido. Literalmente, Sayuri estava indo amar essa frase. Era sua preferida.
Ele então fechou os olhos e esticou os braços para cima, fazendo todo o seu corpo estalar, mas quando moveu-se para sair da cama e ir atrás de um banho quente, seu corpo foi agarrado por fortes braços e logo se viu prensado na cama com um corpo maior sobre si.
— Ei, não pode...
— Bom dia meu lindo... Fugindo de mim? — Ryo perguntou com um sorriso sedutor. Sua grande mão acariciou o rosto de Sayuri, traçando cada detalhe do mesmo, como se desejasse decorar permanente em sua mente.
— Ryo-chan... Me assustou. Estava apenas indo tomar um banho... Não queria acordá-lo... Estava tão lindo dormindo! — Sayuri falou com sorriso tímido.
Ryo aproximou a boca da orelha de Sayuri e disse com a voz rouca. — Jamais afaste-se de mim... Quero acordar todos os dias contigo ao meu lado. — No final das suas palavras mordiscou a orelha de pelúcia, fazendo o gatinho se arrepiar.
— Seu bobo. — Sayuri gritou e então abraçou o marido. — Não posso acreditar... Estamos casados... Casados... — O ruivo gritou feliz.
— Shii, vai acordar a todos... — Ryo disse.
— Como se eu me importasse... Que escutem... — Sayuri disse sapeca. — Neh, vamos tomar nosso primeiro banho de casados agora? Eu vou lavar suas costas e você lavará as minhas depois... Então vou passar um xampu bem cheiroso em seus cabelos e ficarão super macios e não serei capaz de deixar minhas mãos longe dele.
Ryo deu um radiante sorriso. — Adoro quando você está empolgado... Fica ainda mais lindo! Sim, vamos ao nosso primeiro e luxuoso banho. — Ryo falou feroz. Ele levantou e tomou Sayuri em seus braços, fazendo o pequeno rir.
Certamente, seria um banho ‘bem’ demorado.
–oo0oo-
Os passos do Alfa eram confiantes e imponentes, nem parecia que havia sido envenenado e até algumas horas atrás não poderia até mesmo se sentar... Mas certamente estar com seu pequeno gatinho o revigorou. Kensuke ainda não sabia como, mas achava que Nanami tinha dentro de si uma forma mágica... E foi graças a ele que tinha se recuperado de forma espantosa.
Após ter feito amor com seu Nanami na alvorada, Kensuke o deixou dormindo quando foi tomar um banho e agora seguia para resolver algumas coisas antes de finalmente voltar para sua vila. Estava feliz que a negociação de paz com Masao tinha sido um sucesso, pelo casamento de seu beta e melhor amigo, mas agora queria voltar para o seu lar.
Ele ignorou os olhares curiosos dos empregados e seguiu até o escritório do imperador. Quando chegou, não precisou bater, pois os guardas a abriram para ele anunciando que o Imperador o esperava.
Kensuke entrou em sua magnitude e não piscou ou estremeceu diante do governante dos gatos, porém igualmente não havia rancor ou egoísmo em suas ações, apenas firmeza de um líder para outro.
— Alfa Kensuke, estou feliz em saber da sua recuperação, sente-se, por favor. — O imperador pediu indicando uma poltrona em frente a sua mesa.
— Obrigado! Vou ser direto, estou aqui para requerir meu direito de matar o filho da puta. — Kensuke disse firme.
O imperador Yoshikazu remexeu em sua cadeira. — Não tiro esse direito, mas lhe peço compreensão. Não estou justificando o que aconteceu ou negando a palavra de seu esposo, mas entenda que preciso investigar antes de qualquer decisão. Hachiro foi o conselheiro por anos, vem do reinado de meu pai e preciso agir conforme as leis.
— Eu entendo sua precaução, mas o que me garante que ele não ficará livre e tentará mais uma vez contra meu esposo? Meu povo? — Kensuke exigiu.
— Eu dou a minha honra! Acredito, estou mais decepcionado e irritado com isso tudo. Ele era um homem que estava constantemente na minha casa, perto de meus filhos... E descobrir que ele era um traidor desgraçado. Alguns dias, e o que peço, para que o General Eiji termine com as investigações... Preciso descobrir no que mais ele estava envolvido, se tem aliados e quem são para garantir que nada pior venha sobre os nossos povos. Aquela cobra velha não agiria sozinho.
Kensuke analisou por alguns segundos e depois acenou. — Eu concordo... Existe mais coisas por trás disso tudo, apenas não demore... Quero saber dos resultados em poucos dias.
— Assim será! — Yoshikazu ditou.
— Estou comunicando que estarei partido hoje para meu povo. Ryo me pediu para ficar mais alguns dias, pois acha que Sayuri-sama deve aproveitar um pouco mais com a família antes de partir, ainda mais que seu sobrinho nascerá em breve. — Kensuke falou se levantando. — Mas não posso mais tardar meu retorno... Minha matilha precisa de mim!
Yoshikazu igualmente levantou. — Claro, compreendo perfeitamente. Ordenarei que preparem tudo para sua partida... A fim que seja confortável!
— Agradeço! Devo retorno ao meu companheiro, o deixei dormindo e se acordar sem mim, certamente surtará. — Kensuke estendeu a mão para o Imperador. — Conto com sua sinceramente e honestidade!
— As têm! E por favor, cuide bem de meu filho, ele é precioso demais para mim. — Disse Yoshikazu firme.
— Assim será! Venha nos visitar quando tiver oportunidade, certamente Sayuri ficará feliz em mostrar sua casa para seu pai!
— Agradeço! — Respondeu o líder dos gatos.
Os dois fizeram suas despedidas, e então Kensuke saiu do escritório. Ele iria passar na cozinhar para conseguir um belo café da manhã para ele e seu esposo, claro, normalmente um empregado faria isso, mas depois de ser envenenado queria garantir pessoalmente.
–oo0oo-
Shuichi rezou para que ele durasse o resto da gravidez antes de perder a sanidade. Seu casamento tinha sido perfeito, a lua de mel maravilhosa... Mas certamente acordar no dia seguinte passando mal não era como planejou.
Após estresse hormonal e quase matado Yunsuke quando esse tentou ser gentil com ele, Shuichi conseguiu se acalmar um pouco, mas ainda estava enjoado e com certa dor em sua barriga.
Ele era imensamente grato que o período de gestação dos gatos era de apenas 5 meses. Havia se passado 2 meses e meio, então teria que aguentar apenas mais um pouco e teria seu filho em seus braços.
Dissolvido em seus próprios pensamentos, Shuichi não percebeu que Yunsuke voltou para quarto e logo atrás dele vinha o médico que acompanhava sua gravidez, se não enganava, ele era o namorado de seu melhor amigo. Roan havia confessado que iria perdir a mão de Amano em casamento naquela semana.
― Como você está se sentindo? ― A voz de Yunsuke era suave e macia, e Shuichi não queria nada mais do que se enrolar em volta dele e apenas respirar ele enquanto ele dormia.
Shuichi encolheu os ombros, realmente não sabendo como responder. Ele realmente odiava dizer ao seu marido que tinha estragado a lua de mel deles e sentia-se um lixo completo, e mesmo que ele estivesse, ele não estava se sentindo tão ruim quanto ele tinha anteriormente.
― Ok! O Dr. Amano está aqui para verificá-lo, tudo bem?
Shuichi assentiu com a cabeça, em seguida, percebeu o seu erro quando uma onda de náusea bateu duro. Ele virou-se e estendeu a mão para o balde que estava no chão apenas para o lado de onde a sua cabeça descansava. Shuichi levantou e vomitou, mas nada apareceu. Isso não o surpreendeu já que ele não tinha sido capaz de manter nada no estômago, nem mesmo água.
Yunsuke o ajudou a limpar a boca e a deitar novamente. O médico aproximou-se da cama e colocou a maleta na cama antes de se sentar ao lado de Shuichi.
― Olá de novo, Príncipe Shuichi.
― Hey Doc. ― Shuichi sussurrou.
― Vamos examiná-lo. ― Disse Amano gentilmente.
Amano começou o seu exame. Sua temperatura foi tomada e a sua pressão arterial, os níveis de ferro e de açúcar no sangue foram todos verificados. Shuichi estava ligado a um IV e foi espetado por uma agulha pela primeira vez na sua vida, para que pudessem obter algum líquido para ele, pois ele estava muito desidratado.
Amano estava sendo cuidadoso e minucioso, queria garantir que tudo fosse checado, a fim de garantir que o príncipe e o futuro herdeiro estivessem bem.
― Não é nada grave, apenas enjoos e sua pressão baixou, mas recomendo repouso. Não querendo ser indelicado, mas acredito que as atividades de ontem tenham sido demais e possa ter machucado as costas. Recomendo repousou total e nada de sexo!
― Como nada de sexo? Acabei de me casar! ― Shuichi falou um pouco mais alto que normal.
― Shu-chan! ― Yunsuke deu um aviso.
As bochechas de Shuichi coraram e ele encolheu os ombros. ― Desculpa! Obrigado por vim me ver.
― É bem-vindo! Imagino que não seja uma proibição agradável, mas precisa ser cuidadoso. Em dois dias voltarei para vê-lo, e dependo do seu estado, posso ou não liberar. ― O médico corou as bochechas, claro, mesmo sendo um doutor ainda era um gato virgem e não poderia deixar de ficar envergonhado ao falar de sexo.
Shuichi respirou fundo antes de expirar em voz alta e, em seguida, repetir. Quando Shuichi parecia ter se acalmado. Mais algumas semanas e eles teriam seu lindo filhote em seus braços, porém desde já era muito amado e cuidado.
― Obrigado pela ajuda! ― Yunsuke agradeceu ao médico.
― É meu trabalho e prazer. Espero que fique bem e novamente felicitações pelo casamento, foi lindo! ― Disse levantando.
― Foi neh... ― Shuichi falou um pouco mais calmo.
― Agora descanse e quando seu estômago estiver melhor, coma algo leve. ― Orientou.
Yunsuke acompanhou o médico até a porta e depois voltou ao quarto para deitar-se ao lado do esposo e fazer gentis carinhos na barriga redonda.
― Desculpa... Acho que estou muito sensível! ― Shuichi sussurrou.
― Tudo bem, é normal... Por que não tiramos uma soneca juntos e depois trarei algo gostoso para nós comermos? ― Yunsuke sugeriu.
― Sim! Eu te amo! ― Shuichi declarou suavemente.
Yunsuke inclinou sobre ele e deu um leve beijo em seus lábios. ― Eu também te amo!
Continua...
Fale com o autor