Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
17 Capítulo 17 - Novo começo
Notas iniciais
Somos gratas pelos comentários... Todos eles tem nos feito muito feliz.
Agora, depois dessa lindo lemon... Acredito que merecermos recomendação? Neh... Não sejam más. kkk
Obrigada pelo carinho e por lerem.
Boa leitura
Capítulo 17 — Novo Começo
A Cidade de Masao se encontrava a todo vapor. O boato que o príncipe mais novo havia desaparecido tinha se espalhado como areia ao vento pela cidade, e a população se dividia entre os indignados, os tristes e os desesperados. A população cobrava do Imperador uma solução, queria que a todo custo trouxessem Sayuri de volta. Mesmo que Yunsuke fosse o herdeiro ao trono, era Sayuri que dava alma ao reino. Ele era amado por todos e seu sumiço apenas trouxe caos.
O Imperador estava desolado, ele havia ordenado que as frotas mais poderosas de samurais fossem a procura de seu filho e se isolou em seu escritório.
Com o rei longe de suas funções, fora o conselheiro Hachiro que ficou responsável em cuidar de tudo.
O velho se achava em seu escritório e ali segurando alguns papéis com pequeno sorriso nos lábios quando uma voz sombria ecoou.
— O quer velho?
O homem deu um pulo eriçando suas orelhas e o rabo de gato. Recompondo Hachiro se levantou e olhou ferozmente para o ser que se escondia nas sombras da sala. Hachiro andou saindo detrás da mesa, porem não se aproximou daquele ser que exalava uma aura negativa e perigosa.
— Demorou! — Disse irritado. — Eu tenho um trabalho importante para você! — Disse com sutil sorriso, e não era algo, mas apenas anunciava que mais algumas das suas maldades viriam.
— E o que seria? Acaso vai querer resgatar o principezinho desaparecido? Se não sabe ainda, não sou uma babá e sim um assassino. — O desconhecido disse entediado. Não era a primeira vez que Hachiro contratava os seus trabalhos, mas isso não o fazia gostar daquele gato velho.
Hachiro ajeitou a sua túnica de seda na cor púrpura e depois ajeitou os cabelos. Nem mesmo sua aparência impecável lhe dava uma beleza de verdade, tudo não passava de aparência. — Não quero quer o salve... Já temos praticamente todo o exercito atrás dele, e devo dizer bando de incompetentes... O que quero é simples.
— E o que seria? Acaso que mate o Imperador?
— Não! Por culpa do sumiço desse maldito principezinho, o casamento da minha neta com o príncipe herdeiro foi adiado... E isso não pode acontecer. — Disse irado. — O caso é, preciso enfraquecer o Imperador... Mas para isso, preciso tirar uma das coisas que ele mais ama. Encontre o príncipe Sayuri e o mate, mas... Traga o seu corpo sem alma... Somente assim o Imperador irá a loucura.
O ser escondido nas sobras deu um sorriso, mas não de felicidade ou maldade, era algo mais como irritado. Aquele velho gato sempre o irritava, mas pagava bem... E isso, não podia contestar.
— O preço será o dobro do normal... Afinal, terei a tarefa de localizar, matar e ainda trazer seu corpo. Em quem colocarei a culpa?
— Os Ôkami! Assim, a guerra iniciará. — Disse Hachiro. Ele foi até a sua mesa e abriu a gaveta. Retirou um pequeno saco e o jogou em direção ao misterioso assassino, o qual pegou com maestria. — Metade agora e o restante quando trouxer nosso amado príncipe morto... Tão maus os lobos que o mataram. O amado príncipe... — Disse interpretando tristeza, e certamente, uma falsa tristeza.
Assim que Hachiro virou sobre os pés para encarar o assassino, esse já havia ido. Ele suspirou. O assassino conhecido como Yamato era o melhor dos melhores, talvez por executar com precisão seus trabalhos, o que justificava cobrar tão caro, mas igualmente não permitia que ninguém visse sua face... Tornando tudo mais perigoso.
— Logo... O caos virá... A família real será extinta... E eu, erguerei novamente Masao... Como seu Rei. — Disse com sorriso vitorioso em seus lábios. As coisas tinham dado errado há anos atrás, mas agora, nada iria atrapalhá-lo.
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— Oh! Ficou sabendo? Esta bem? — Roan perguntou aparecendo de supetão em frente ao segundo príncipe.
Shuichi se assustou, porém recuperou-se rapidamente. Ele desviou a face encarando o jardim central do dojo. Ultimamente ele andava distraído e buscava sempre manter-se longe de todos. — E... Todos já sabem. Sayuri sumiu. Não sabemos se fugiu ou foi raptado. E até agora ninguém achou pista alguma. Devia saber melhor que ninguém, afinal seu pai é o general e responsável pelas buscas. — Disse ríspido.
— Oxe! Essa doeu... O que deu em você? Esta mais azedo do que nunca. — Disse Roan. Ele conhecia Shuichi muito bem, afinal eram amigos desde crianças, praticamente cresceram juntos.
Shuichi suspirou. — Desculpa... É que... Sayuri sumiu tem uma semana e não encontramos nenhum sinal dele... Engraçado que foi logo após... — Shuichi parou o que falava. — Eu preciso ir... Nós falamos depois. — Dito isso, ele saiu correndo pelos corredores do dojo em sentido ao castelo. Ele precisava tirar uma dúvida. No caminho esbarrou em algumas pessoas e pediu desculpas apressadamente. Sua respiração ficou ofegante e seu coração batia desesperado. Sem pedir licença ou bater na porta, abriu entrando com tudo. — Yunsuke... — Gritou pelo irmão mais velho.
Todos os presentes pararam o que faziam a fim de encarar o segundo príncipe neko. Era uma reunião simples, alguns escrivães, conselheiros e nobres, nada demais, apenas todos tinham uma audiência com príncipe herdeiro. O Imperador algum tempo achou ideal começa a dar funções governamentais ao filho herdeiro a fim de que já apreendesse seu futuro trabalho... E era isso que Yunsuke fazia.
O príncipe gêmeo mais velho olhou duramente ao irmão, mas não disse nada. Ele levantou ajeitando o seu kimono azul escuro e virou para os presentes. — Eu...
— Não demoro. Vamos tomar uma pausa para esticar as pernas. — Disse. Todos curvaram em reverência enquanto o príncipe saia. Yunsuke fechou a porta atrás de si, ele segurou o braço do irmão com força e o puxou pelo corredor.
— Me solte Yunsuke. Esta me machucando... Me solte! — Shuichi gritou puxando o braço com tudo e tropeçou para trás, mas antes que caísse foi segurado pela cintura pelo irmão. As suas faces se encontraram, as respirações se misturaram e as suas bocas ficaram secas ansiando pelo beijo negado. — Seu idiota... O que estar fazendo? — Shuichi gritou. Ele empurrou o irmão pelo peito e se afastou encostando-se à parede. Virou a face contrária tentando esconder o seu rubor.
— Oras... O que quer Shuichi? Primeiro deixa bem claro que nunca mais quer me ver, me ignora e agora simplesmente invadi uma reunião importante. Não tenho tempo para suas criancices. — Yunsuke disse amargamente.
Shuichi estreitou os olhos e pisou duro. — Não sou criança. E mais... Foi você que invadiu meu quarto bêbedo, abusou de mim e depois não se lembrava de nada. — Disse com a voz alterada, mas ao deparar com olhar intenso do irmão, corou e virou a face. — O fato é... Importante. É sobre Sayuri.
— O que tem ele? Encontraram alguma pista? — Yunsuke perguntou aflito.
— Não! E que me lembrei de algo. Recorda quando ele veio nos procurar? Dizendo que seu amigo havia sumido... E procuramos... Mas ele não desistiu mesmo quando dissermos que os samurais não haviam prendido ele? — Disse.
— Sim, o que tem?
— E se Sayuri foi atrás de seu amigo? Digo... Se seu amigo foi embora da cidade. Afinal, ele não era bem-vindo, mas Sayuri descobriu e resolveu ir atrás dele? — Indagou. — Pois... Ele parecia bem ligado a esse amigo.
Yunsuke ficou olhando pensativo por um tempinho para o irmão, como se juntasse as peças em sua mente. Suspirando, finalmente disse: — É uma boa teoria... Sayuri é teimoso e se realmente achasse que o amigo fugiu ou foi levado, iria atrás. Não conte a ninguém sobre isso. Eu falarei pessoalmente com o general... Mas acho que por enquanto, ninguém mais deve saber, nem mesmo papai.
Shuichi corou diante do elogio. — Ok! Não falarei.
— Fica lindo corado. — Yunsuke disse.
Shuichi fechou a expressão e afastou-se. — Ainda não o perdoei. Roubou minha virgindade. Idiota! — Gritou com o irmão. Ele deu as costas para Yunsuke e ser afastou rapidamente. Por Sayuri procurou o outro, mas agora, colocaria distância novamente entre eles... Para sua própria segurança. Seu coração ainda se achava ferido, mas seu corpo ansiava pelo toque do outro... Isso literalmente era perigoso para si.
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Um calor gostoso envolveu todo o seu corpo, o fazendo sentir-se pela primeira vez em sua vida seguro. Não queria sair daquele calor ou segurança, mas aos poucos seus sentidos foram despertos e as pálpebras se moveram. Tão logo as belas joias azuis ficaram à mostra, o foco tornou-se claro, e ele pode reparar onde encontrava-se. A claridade que penetrava pelas frestas da rocha permitiu visualizar as paredes rochosas, o pequeno lago cristalino e a pelagem negra enrolada em volta de si.
Com receio e muito curioso, moveu o braço e levou a palma da mão até o manto noturno. Os dedos sutilmente alisaram o pelo e pode sentir o quanto era macio e gostoso de tocar.
A bola de pelo encontrava bem pertinho de si e era ela quem o mantinha quente. Nanami não resistiu, abraçou com os dois braços o ‘travesseiro negro’ somente para descobrir que ele respirava e seu coração batia. Assustado, moveu para se afastar, mas a voz conhecida o acalmou.
— Nanami? Tudo bem!? — Ele reconheceria aquela voz onde quer que fosse. Era Kensuke... O seu marido...
— Ken-chan? É você? — Perguntou incerto.
O lobo grande moveu de forma que estava parcialmente sobre o corpo do loirinho e suas faces se encontraram. Ainda que na forma animal, Kensuke poderia falar, mas não no mover da boca, mas na mente de Nanami. Todo Alfa tinha esse poder, de falar com sua matilha via pensamento ou com quem quisesse.
— Sim, sou eu! Acaso não se lembra de mim quando veio a primeira vez?
— Ah sim, eu viajei em suas costas... Mas era tão assustador aquela vez... Agora... É quentinho. — Nanami disse corando. Ele maravilhou-se com os olhos âmbar e a imponência do Lobo. — É lindo...
— Não mais que você, meu gatinho lindo. Dormiu bem? — Perguntou gentil. Era estranho ver o perigoso lobo tão amável.
Nanami corou diante do carinho do lobo. Ele realmente não estava acostumado a ser tratado tão bem... Tirando sua falecida avó e Sayuri, não tiveram na sua vida pessoas muitos gentis.
— E-Eu estou bem... Dormi que nem pedra. Ken-chan é bem quentinho. — Disse todo corado e fofinho. Ele moveu afastando-se do marido e se sentando. Não pode esconder a careta de dor diante do ato. Mesmo sendo um Were, seu corpo parecia curar mais lentamente que dos outros, e ainda podia sentir o resultado por se acasalar com seu marido.
— Tudo bem? Machucou-se? — Kensuke perguntou agora em alta voz, já que em um piscar de olhos tomou a forma humana.
— Eh? — Nanami olhou sem entender, mas quando um clarão de compreensão veio, ele corou e engatinhou afastando-se do marido. — Eu... Er... Não... Quero dizer... Eu estou bem Kensuke. Eu juro! — Disse movendo a cabeça em afirmação.
Kensuke suspirou. Sabia que levaria um tempo para fazer o gatinho confiar plenamente em si, mas havia dando o primeiro passo. — Ok! A tempestade passou, temos que aproveitar para retornar. Consegue andar?
— Eu acho... Que sim! Mas... — Nanami disse virando a face para o lado.
Kensuke olhou para onde o esposo olhava e viu o seu kimono rosa todo rasgado. Ele esticou e tomou o seu Obi. Para alguém pequeno e magro como o loirinho serviria. — Aqui vista. — Disse. Com movimentos suaves, ele ajudou Nanami se vestir. Claro, usou a fita do kimono rosa para amarrar o Obi, e finalizando, viu que o mesmo ia até os joelhos e mais parecia um vestido. — Lá fora esta frio! — Disse pegando o casaco de pele que usaram como cama quando se acasalaram. Assim que garantiu que o loirinho se achasse quentinho e protegido do frio, o Alfa recolheu todas as coisas deles colocando na bolsa de couro e ajeitou a alça ao redor do corpo gracioso do gatinho.
— Ken-chan, e você? Não sentirá frio? — Perguntou reparando que o moreno ainda estava nu. Não deixou de corar e admirar o porte atlético e másculo do grande lobo.
— Estarei na forma de lobo. Iremos mais rápido assim, irei carregá-lo. Vamos? — Disse ajudando Nanami a levantar. — Quero que segure firme em mim e qualquer coisa me avise, sim?
Nanami afirmou que compreendeu com a cabeça.
Assim que saíram da caverna, Nanami deparou-se com a imensidão branca. A tempestade de neve havia passado, mas deixou seus resíduos por toda floresta. — Aqui é sempre inverno?
— Sim! Desde criança nunca me lembro de ter visto outra estação... É sempre frio. — Kensuke disse. Ele puxou Nanami em seus braços e inclinou a fim de roubar-lhe um beijo. Fora mais um roçar suave, mas carregado de desejo, contudo, teria que esperar até chegar a casa. — Vamos para nossa casa! — Disse afastando de um atordoado Nanami e rapidamente transformou-se, deixando de lado as duas pernas e braços e tomando quatro patas, pelos negros e as presas. Sua altura ia um pouco acima da cintura de Nanami.
— E... Não me deixe cair! — Nanami disse fazendo um bico. Sem jeito ele subiu no lombo do grande lobo, ajeitando as pernas e as mãos pequenas seguraram os grossos pelos negros. Assim Kensuke o levou de volta pela floresta até seu amado vilarejo.
A viagem de retorno foi longa e cansativa. Eles gastaram cerca de três horas para retornarem, isso considerando que Kensuke se achava na forma de lobo e levava Nanami nas costas.
Em determinados pontos o lobo negro correu e em outros andou devagar. Nos momentos lentos o gatinho aproveitava para conversar. Kensuke descobriu muitas coisas sobre Nanami somente naquela viagem... Tal como Nanami amava conversar e ele divagando era a coisinha mais adorável. Além do fato que seu esposo nunca pode frequentar escolas... E acabou que não sabia ler, escrever e alguns detalhes importantes da história e geografia. Na verdade, ele percebeu que Nanami cresceu privado de várias coisas, mas pretendia mudar isso. Queria dar a Nanami tudo que foi negado em toda sua vida.
Quando o Vilarejo dos Ôkami apontou no horizonte, Nanami suspirou aliviado. Sabia que mesmo o Alfa sendo forte, deveria ser cansativo ficar levando-o nas costas. Queria preparar um banho para seu marido e comida... Mas como não sabia cozinhar bem, pediria ajuda a Sayuri.
Levou mais um par de minutos para que eles entrassem no vilarejo. Na metade do trecho, o loirinho saiu das costas do Alfa e ajeitou as roupas. Ele baixou a cabeça envergonhado dos habitantes de Akai. Imaginou que todos estavam com raiva dele por fugir e colocar o Alfa em perigo.
Ele esperou quietinho por Kensuke retornar a forma humana, mas foi então que se deu conta que Kensuke estava nu. Agitado, Nanami colocou-se na frente do marido e olhou para as pessoas que os cercavam.
— Não... Não podem olhá-lo. Ken-chan é somente de Nanami. — Disse movendo as mãos. As pessoas arregalaram os olhos e por incrível, viraram de costas para não ver o Alfa nu.
Kensuke deixou a risada encher o ar e tocou no ombro do gatinho loiro. — Nanami, tudo bem! Lobos não ser envergonham com nudez... Sempre nos transformamos... É algo comum. — Disse.
Nanami virou para Kensuke olhando duro. — Nada de comum! Aposto que não gostará de Nanami nu na frente deles. — Disse apontando as pessoas ao redor.
Kensuke rosnou enciumado. — Não! Meu!
— Muito bem, agora se vista! — Disse mandão.
Kensuke riu. Como poderia uma coisinha tão frágil ser mandão? Descobrir as facetas de Nanami realmente poderiam ser divertidas.
Alguém estendeu uma yutaka preta para o alfa, e esse agradecido, prontamente se vestiu. — Melhor?
— Sim! — Nanami afirmou com um sorriso nos lábios. Ele aproximou-se de Kensuke abraçando o braço esquerdo dele. Acanhou novamente quando os Lobos voltaram olhar para eles, mas se surpreendeu por ver nos olhos de muitos a preocupação e alegria.
— E... Seja bem-vindo de volta Principe-sama... — Uma criança disse entendendo o que parecia ser uma flor valente. Eram raras, pois pouquíssimas podiam florescer no eterno inverno da região.
— Eu... Obrigado! — Nanami tomou a flor e bagunçou o cabelo da criança. — De-desculpa ter fugido. Devo ter causado problema a todos. — Falou envergonhado.
— O importante que esta bem, e pelo que vejo, enfim acasalados. — A voz do ancião e pai de Kensuke se fez presente. Ele se aproximou sendo seguido pelos dois betas, um envergonhado Chizuru e alguns guerreiros.
Nanami corou fortemente e olhou para o marido. — Co-como?
— Eles podem cheirar em seu perfume, é diferente agora que temos nossas almas ligadas. — Kensuke explicou com extrema paciência.
Nanami formou um 'O' com a boca, e não pode impedir das bochechas esquentarem em vergonha. Antes que qualquer outra pessoa pudesse falar algo, alguém cortou a multidão gritando.
— Nanami... Meu Nana-chan! — Sayuri gritou empurrando quem estivesse em sua frente e por fim puxou o loirinho para seus braços. Ele apertou Nanami fortemente em seus braços e ignorou o rosnado de Kensuke e Ryo. — Neh... Fiquei com tanto medo e preocupado. Gatinho mal... não devia fazer isso.
Nanami corou e retribuiu o abraço do amigo. — Neh, neh... Me perdoa Say-chan! Não queria preocupar ninguém. Apenas achei que não era... necessário... E você faria... — Ele calou antes que falasse demais. O fato de Kensuke saber da verdade queria dizer que os demais precisavam saber.
Sayuri formou um bico nos lábios. — Vou perdoa somente se me contar como foi. Quero saber de tudinho... — Disse sapeca. — Meu Nanami não é mais virgem... Ohhh! Lobo mal o comeu. — Disse olhando para Kensuke e depois um confuso Nanami.
— Comeu? Como assim? — Nanami perguntou em sua ingenuidade.
Sayuri abriu a boca para responder, mas ela foi tapada pela mão de Ryo. — Chega Sayuri! Nanami e Kensuke devem estar cansados... Eles precisam de um banho quente e comida gostosa. Que tal você e Chizuru prepararem algo? — Sugeriu.
— Eu não... — Chizuru iria contestar, mas o duro olhar de seu pai o fez inclinar a cabeça em concordância.
— Resolvido! Agora todos voltem ao seus afazeres. Agradeço a preocupação com meu esposo, mas agora preciso cuidar dele. Seiji, pode ir chamar Shou e pedir para ir a minha casa? — Kensuke pediu ao amigo e beta.
— Claro! Farei imediatamente. — Disse Seiji, antes de se afastar e dar uma piscadela para Chizuru, que corou, e por fim seguiu para ir a casa do curandeiro.
Os demais seguiram para cumprir as suas obrigações e as crianças brincarem. Ryo para dar as ordens aos guerreiros, ao que o ancião foi para sua casa. Sayuri puxou Nanami a frente e Kensuke seguiu ao lado de seu irmão para sua casa.
— Me perdoe. — Chizuru pediu em pequena voz ao irmão sem nunca encará-lo.
— Não é mim que tem que se desculpar, mas a ele... Eu entendo você... Tem sido difícil para mim aceitar, mas ele é inocente nisso tudo... Um sacrifício para os gatos. Cuide bem dele para mim. — Kensuke disse docemente ao irmão. Era consciente o quanto seu irmão poderia ser protetor e difícil de lidar, mas Chizuru tinha um bom coração.
— Vou me esforçar! — Chizuru murmurou.
— O que tem entre você e Seiji? — Kensuke indagou vendo o seu irmão corar fortemente em seguida.
Chizuru tropeçou, mas ajeitou-se em um ultimo instante. — Ele... E... Pediu ao pai minha mão em casamento. Estamos noivos. Tudo bem?
Kensuke rosnou um pouco, mas depois suspirou. — Até que enfim o idiota tomou iniciativa. Por mim tudo bem, desde que ele ande na linha... E não deixe que ele o desvirtue antes do casamento. — Disse feroz. Assim como Chizuru poderia ser protetor, Kensuke poderia ser muito mais.
— Sim, pode deixar. Obrigado irmão. — Respondeu.
— Andem logo! — Nanami gritou da varanda da casa acenando para eles. Kensuke sorriu de volta. Seu pequeno gatinho realmente tinha muita energia... E ele sabia muito bem como gastaria ela.
Os dois apressaram os passos em sentido a casa. Perdido em tudo não se atentaram ao par de olhos que acompanhava tudo a distancia. Uma carranca de raiva e ódio formou. — Maldito... Esse gato...
— E agora? Pelo visto se acasalaram... — Outra voz disse.
— Isso não quer dizer nada! Esse maldito gato se arrependerá de ter pegado o que é meu. Kensuke é meu. Eu devo ser o Cadela Alfa. — Maiko falou virando sobre os pés e encarando Isamu. — Venha, preciso desestressar.
Algumas horas mais tarde
Um gato de pelagem preta escalou uma árvore com uma habilidade tão incrível que poderiam aplaudi-lo, mas não havia ninguém lá para assistir. Diferente dos outros gatos domésticos de Masao, ele era um gato selvagem, mas precisamente uma pantera.
Ele pulou de um galho para outro paralelo e foi saltando de árvore em árvore pela floresta. Ele não era um gato comum, mas treze vezes maior do que os gatos da cidade de Masao.
Yamato não era um dos melhores guerreiros, ele nem mesmo fazia parte do exército, ou convivia em meio as cidadãos. Ele era um assassino de aluguel, vivia com seus trabalhos, que muitas vezes envolviam crimes por baixo dos panos, sangue e tragédias.
Não que ele fosse a favor de mortes, normalmente ele preferia matar apenas os que já eram conhecidos por seus crimes, ou contratado para fazer algum tipo de justiça para aqueles que não estavam satisfeitos.
Apesar de estar cansado, ele foi muito bem pago para o serviço que estava indo executar. Trazer o príncipe de volta para o reino, de preferência morto, com uma morte planejada por ele para que todos acreditassem que fossem os Were Lobos. Tal trabalho custou ao Conselheiro Hachiro um terço de todos os impostos arrecadados em um uno inteiro do povo de Masao.
Yamato riu de como Hachiro poderia ser tão corrupto. Mas quem era ele para questionar isso? Um assassino que ainda não havia pedido perdão pelos seus pecados ao Templo do deus dos gatos. Ele era um fora da lei, um completo sangue sujo, e depois de tudo o que tivera que passar em sua humilde vida, nunca mais ele iria sofrer nas mãos de ninguém.
Ele desceu de uma das árvores próxima ao Vilarejo dos Ôkamis. Durou-lhe apenas algumas horas até que atravessasse a floresta até a montanha ao norte. Ele teve que seguir o cheiro e rastro que possíveis eram ser de Sayuri, e como esperado, ele sabia que Sayuri provavelmente estava no Vilarejo dos lobos.
Talvez ele nem mesmo iria precisar sujar suas mãos matando o príncipe, os lobos já haviam feito tal atrocidade. Ele só queria ver. Precisava levar o corpo de volta para Hachiro, e o velho saberia o que fazer com ele.
Yamato escondeu-se atrás de uma árvore, mordeu sua bolsa das costas e a jogou pelo chão, para então transformar-se em sua forma humana. Rapidamente ele retirou da bolsa suas roupas de couro e algodão e vestiu-se com elas. Calçando botas e sua capa negra com capuz sobre a cabeça. Escondeu sua bolsa, e ignorando sua sede, ele foi caminhando pela floresta calmamente, mas com total cuidado. Usando o máximo de seus ouvidos para captar cada som, seus sentidos em alta para não ser pego desprevenido.
Uma hora depois e o clima foi ficando frio, mesmo que estivesse amanhecendo, ele encontrou-se com a neve. Por sorte suas roupas estavam lhe protegendo o suficiente que duraria o tempo de seu plano, ele esperava.
Muito próximo ao Vilarejo, ele ouviu risos infantis, o que levou-o a esconder-se novamente. Espiando, havia um garoto e alguns meninos brincando entre si. Estúpidas crianças... Ele rosnou interiormente. Elas não eram de nada e muito menos importantes. Ele as ignorou e continuou a caminhar, até que um grunhido veio entre os arbustos.
Pelo seu farejar, Yamato descobriu que era provável ser um Lince. Ele tinha que ignorar, não queria ver o animal devorar as crianças, somente veio até aqui para fazer seu trabalho e isso não incluía salvar um bando de pirralhos.
Ele deu uma última olhada para a turminha que brincava, reconhecendo as orelhas de gatos em um deles. Um gato? Aquele deveria ser o príncipe. Ele detinha uma foto em seu bolso... Mas onde? Ele procurou e não encontrou. Merda... Mas ele lembrava do gato ser ruivo e não loiro.
Mas seria uma ajuda perfeita encontrando alguém de seu tipo. Ele teria que se infiltrar na Aldeia, não tinha jeito.
Uma das crianças – a menor — correu para dentro da floresta quando sua bola quicou em meio às arvores e arbustos. Yamato teve seus olhos enormes quando escutou o rosnado ensurdecedor do Lince. Ele não pensou duas vezes em correr para onde a criança havia ido. Um grito infantil cortou toda a floresta. Os pássaros voaram para longe assustados.
Yamato se jogou sobre a criatura antes que a mesma pulasse sobre o pequeno garotinho. Seu corpo colidiu com o pesado animal, o mesmo caindo sem jeito debaixo de Yamato.
— Fuja! Corra! — Ele gritou para a criança, mas a mesma estava tão assustada que estava completamente paralisada. Yamato foi tomado de surpresa com o tempo em que gritou para a criança, o lince mordendo-lhe o ombro e arrancando sangue dele.
Os olhos de Yamado reviraram e suas íris inverteram. Suas presas desceram e ele rosnou como o felino que era, dizendo em sua língua animal para o lince fugir antes que ele o matasse e mais uma centena de lobos.
O animal, mesmo selvagem, tomou a recado e decidiu se afastar, visto que havia se ferido em sua queda brusca. Yamato o viu mancar o caminho para longe. Ele não devia tê-lo deixado viver... Foi um erro, mas ele havia feito.
Levantou-se, mesmo ferido e sangrando. Ele foi tomado com a necessidade de levar aquele filhote para um local seguro. Ele precisava de proteção, ser cuidado e precisava de seus pais.
Não como ele, que foi um filhote abandonado, apenas assistindo a revolta e a dor as pessoas ao redor dele. Essa criança não era como ele, ele era inocente, merecia o amor e carinho de seus pais.
Yamato agachou-se a frente do menino. O mesmo com os olhos mergulhados em lágrimas.
— Você está bem agora, pequeno. O lince está bem longe... Eu te asseguro. — Ele foi gentil pela primeira vez em muito tempo. Talvez fosse a ferida, deveria estar alterando seu cérebro.
O garotinho chorou no alto de seus pulmões e abraçou-o com ferida e tudo. Mesmo com todo o sangue que manchava-lhe suas vestes e cabelos.
O grupo de crianças que ali estavam depois de ver a cena gritaram desesperadas. O neko, seu parente de espécie estava tentando acalmar-lhes e gritava por ajuda.
Yamato tomou o menino em seu colo e levantou-se, caminhando para dentro do vilarejo. Talvez esta fosse uma boa oportunidade de saber sobre o príncipe, talvez ele não estivesse morto ainda.
Continua...
Notas finais
Finalmente estou de volta, me sinto bem melhor depois de mais de uma semana de recuperação, agora finalmente posso voltar a todo vapor! o/
Espero que tenham gostado do capítulo, e do novo personagem *--* Ele será muito importante!
Obrigada por ler, espero ansiosa por seu comentário ou recomendação *o*
Até a próxima! Beijinhoos
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