Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada

15 Capítulo 15 – Perigos na Tempestade


Notas iniciais
Hannah Kisa: Lindos leitores... Finalmente um capítulo para fazê-los perdoa Kensuke... E as autoras crueis. kkkkk Espero que tenham curtido o capítulo e não esqueçam de comentar... e ser acharem que as lindas escritoras merecem, indiquem. kkk. Bjs a todos

Capítulo 15 – Perigos na Tempestade

Um rugido lhe assustou quando estava longe o suficiente de sua vila e quase nos limites de seu território. A tempestade estava cada vez mais forte e violenta, o vento chicoteando seus cabelos e sua cauda. Ainda sim, Kensuke deu tudo de si para que pudesse farejar.

O cheiro de Nanami estava fraco, pouco, mas era algo. Ele estava por aqui. O rugido animalesco e estrondoso voltou a ocorrer, o coração de Kensuke pesava. Ele sentiu o perigo, sentiu que algo provavelmente não estava bem.

Nanami... Murmurou o nome de seu esposo em pensamento. Em sua mente veio à imagem de Nanami, o lindo e fofo gatinho de orelhas, cauda branca e cabelos loiros. Nanami era belo e doce, alguém para inspirar proteção e amor, porém Kensuke errou nesse ponto, tudo que fez foi exigir do esposo além do que ele poderia dar ao invés de simplesmente tentá-lo conhecer melhor antes e criar um vínculo forte. Se já tivesse se acasalado com ele, poderia senti-lo mesmo a longa distância ou falar pelo vinculo mental... Bem, sinceramente não sabia se isso funcionaria por eles serem de raças diferentes, mas ainda havia a possibilidade.

Normalmente tomaria a forma de lobo, seria mais rápido nela, mas como levava uma bolsa com: cobertor, medicamentos e água para o caso de encontrar Nanami e ele precisar, não poderia tomar a forma animal... Contudo, a sua meia-forma ainda ajudaria.

Kensuke fechou os olhos. Ele deixou que a natureza ao redor falasse consigo... Concentrou em cada pequeno som ou cheiro... Isso levou alguns segundos. Quando finalmente captou o perfume de Nanami – ainda que fraco – seus pés moveram e em velocidade descomunal começou a correr.

Ele desviava das árvores, troncos caídos e pedras... Pulando contra as pedras ou galhos grossos das árvores, ou até mesmo pegando impulso no tronco das velhas árvores, ele seguiu o seu caminho. Precisava se rápido, pois em sua alma sentia que Nanami precisava de si.

-oo0oo-

Nanami seguiu pelas árvores ignorando a dor de seu corpo. Não podia mais correr como antes, os seus pés estavam feridos devido à falta de proteção, o seu corpo gelado devido o frio e seu o cansaço acumulava em si.

Ele seguiu lentamente sem se importar por onde seguia, apenas desejava que a sua morte chegasse logo, assim toda a dor findaria.

Os braços rodearam o seu próprio corpo, em busca de calor que não poderia encontrar naquele lugar. Sem perceber uma das mãos seguiu até o seu pescoço e tomou entre os dedos o pingente em forma de coração. Aquela pedra quartzo azul... Que representava os seus pais. Era tudo o que tinha deles. E ao tocá-la, sentia-os bem pertinho de si.

— Papais... Queria me juntar a vocês... — Murmurou fraco. De repente a dor sumiu e tudo em sua volta girou. Incapaz de prosseguir, o seu corpo falho, e as suas pernas finalmente se dobraram. Nanami caiu de joelhos contra a neve branca. Ainda segurando o pingente ele inclinou a cabeça para trás e os seus olhos azuis encararam o céu.

Era noite, mas a lua não podia se vista, ela estava escondida pelas densas nuvens... Os flocos gelados e brancos caiam do céu cobrindo cada parte do local, e cada um que tocava a pálida pele do gatinho, derretia.

Nanami deixou a outra mão cair inerte ao lado de seu corpo ao que lentamente foi caindo, até que se achava deitado de costas contra o colchão de neve. Ele ficou paralisado olhando para a neve que caia...

— É lindo... — Disse com a voz rouca. Sua garganta doía, possivelmente por causa do frio. Sua cauda passou a mover-se na neve lentamente, formando um desenho desconexo ao que suas orelhas felpudas encolheram de frio.

Perdido em seus pensamentos, em sua miserável vida, ele não atentou ao perigo que o rondava. O som de galhos quebrando se fez presente, mas isso parecia distante demais para Nanami.

Os olhos vermelhos e cruéis caíram sobre o gatinho deitado sobre o manto branco. A boca enorme abriu salivando pela fome... E no processo revelou os seus dentes afiados. O hálito de morte cortou o ar seguindo de um rugido de alegria.

Nanami moveu a cabeça em sentido ao barulho, mas não expressou nenhuma emoção quando viu aquele imenso monstro... Se poderia descrevê-lo dessa forma. Recordava-se bem das lendas contadas por sua falecida avó, aquele era um Wendigo. Ela contou sobre eles... Wendigos eram criaturas místicas, eram personificações da gula e ganância. Mas as pessoas podem se tornar um também... Ao cometer canibalismo...

Nanami sempre gostou das histórias que sua avó contava... Dono de uma imaginação fértil, ele criava cenários, lutas, amores e dramas em sua mente... Porém ver tal monstro na realidade diante de si era para ser assustador... Era, pois naquele momento Nanami não sentia mais nada.

Ele não se moveu, ou expressou medo ou dor... Apenas ficou ali, esperando por sua morte, pelo balsamo da sua dor e solidão...

Ele reparou no Wendigo. Simplesmente a coisa mais horrível que já havia visto. Seu corpo era enorme, maior do que tudo o que já havia posto seus olhos sobre. Era um animal, podia dizer, afinal não havia qualquer vestígio de traços humanos naquilo.

Havia pelos sobre toda a sua pele, concentrando-se mais sobre sua cabeça pequena em relação ao seu corpo. Olhos finos e vermelhos repletos de maldade, de escuridão. A boca cheia de dentes afiados e amarelados.

A pele – se é que aquela crosta poderia ser chamada disso – quase não aguentava os músculos. E, no topo da cabeça, chifres pontiagudos completavam a aparência monstruosa do Wendigo.

O ser de pura maldade seguiu com seus passos largos, marcando a neve, aproximando-se de seu banquete.

— Você vai me comer? — Nanami perguntou ainda encarando o hediondo monstro. — Tenho que lhe dizer... Sempre falaram que eu sou amaldiçoado... Assim, posso não ter um gosto muito bom...

O Wendigo soltou um rugido feroz... Como se de alguma forma respondesse ao Were Neko. Ele colocou-se entre os pés e mãos no chão, como animal de quatro patas... Seguiu andando até que cobriu o corpo de Nanami, pairando sobre ele.

Nanami encarou o monstro... Sentiu aquele hábito de morte contra seu rosto, e ainda assim ficou imóvel. — Eu... Apenas queria... Eu realmente desejei ser feliz... Pensei que seria com Ken-chan... — Disse em pequena voz. Ele fechou lentamente os seus olhos, e esperou pela morte...

Mas essa nunca veio.

Um uivo de Lobo cortou a noite e no segundo seguinte um vulto negro pulou sobre o Wendigo, o jogando longe do gatinho, e com habilidade caiu sobre as quatros patas a frente de Nanami, como um escudo.

O lobo era maior que um animal comum... Devia possuir ao menos duas vezes a altura de um lobo normal. Os seus pelos eram negros como a mais densa noite e os seus olhos âmbar, como o ouro mais puro.

Ele moveu a cabeça a fim de analisar o loirinho que ainda achava deitado no chão. Ele rosnou ao ver os ferimentos, kimono rasgado e como a respiração de Nanami achava fraca, anunciando que mais um pouco naquele frio a sua vida ficaria por um fio.

O Lobo Negro voltou as rosnar, para então ditar: — Levante!

Nanami arregalou os olhos. Aquela voz, mesmo estando agora grossa e animalesca, ainda era conhecida por si. Ela pertencia ao seu marido. — Ken-Kensuke? — Murmurou em baixa voz. — O que faz...

— Será punido por me desobedecer... Deixei claro que não devia vir para a floresta. — Kensuke disse. Mas logo sua atenção retornou a besta fera. Aquele seria um oponente difícil de lidar. Um Wendigo não temia a nada, e não pararia. Aquele monstro sentiu o cheio do sangue de Nanami e lutaria até o fim para tê-lo. Kensuke até entendia, estando em sua forma animal, podia sentir mais profundamente a doçura do sangue de Nanami, e seu lado animal igualmente desejava, mas a diferença era que seu lobo ainda o reconhecia como seu marido, e deseja protegê-lo.

— Eu... Mas... Ken-chan não me quer... Então, devo morrer... — Nanami disse, ao que as lágrimas brotaram de seus olhos, correndo o caminho por sua face e morrendo em seus lábios.

— Falaremos disso depois! — Kensuke disse feroz. Sua atenção retornou ao Wendigo, o momento certo, pois a besta avançou sobre si.

O Alfa partiu para cima da fera, mas antes que essa a atacasse de frente, ela esquivou o corpo para o lado. Quando avançou novamente sobre a besta, mas em contra partida sendo ferido pelas garras compridas.

O Negro animal foi jogado com força batendo contra uma árvore e caindo no chão. Ele choramingou pela dor... Possivelmente ossos foram quebrados no processo.

— N-não... Ken-chan... — Nanami gritou em desespero. Ele usou toda sua força e sentou-se olhando angustiado para seu marido. Com dor em seu coração com a possibilidade de Kensuke ser morto, ele conseguiu levantar, mas ao dar dois passos em sentido ao lobo, parou por causa do rugido do Wendigo.

O monstro olhava com gula para o loirinho, a fome brilhava em seus olhos vermelhos.

— Fiquei longe dele... — Nanami ditou. Sem nenhuma arma ou força para lutar, ele ergueu os punhos fechados como um guerreiro... Poderia morrer no processo, mas não pretendia deixar o Wendigo ferir seu Kensuke novamente.

A fera avançou para cima de Nanami, mas esse se manteve firme em sua posição... Contudo, antes que os dentes afiados fossem cravados em sua pálida carne, o enorme lobo chocou-se contra o Wendigo. O que se via diante, era duas feras brigando com violência e sagacidade, cada uma com seu ideal.

Nanami levou à mão a altura do coração. O frio ou seus ferimentos não importavam mais, nem a sua vontade de desaparecer, tudo que pedia em seu íntimo era que Kensuke ficasse bem.

Os olhos azuis acompanharam cada minuto daquela batalha, algo que parecia totalmente irreal perante os seus olhos.

Desejou quer tivesse forças ou soubesse lutar para ajudar ao Alfa, ao seu marido. Realmente gostava do som dessa palavra.

“Você quer lutar, filhote?”

Uma voz desconhecida ditou em sua mente, o fazendo arregalar os olhos. Nanami olhou ao redor, mas não encontrou ninguém além dos três.

— Quem é? — Perguntou em pensamento.

“Me chame pelo nome que o ajudarei...”, Novamente aquela voz desconhecida. Contudo, antes que Nanami pudesse indagar novamente quem era aquele ser... Ou se perguntar se era sua imaginação... Um rugido cortou o ar.

O Wendigo soltou seu último grito, e dessa vez de dor e agonia... A besta fera de cheiro horrível e aparência grotesca tombou no chão sem vida. O seu sangue negro manchou a neve clara, e seus olhos vermelhos achavam-se abertos e sem brilho.

Nanami deu um passo, contudo parou ao ver um movimento. Temeu que o monstro levantasse, mas para seu alívio, era o Lobo Negro que levantou. Ainda que mancando, Kensuke seguiu para perto do loirinho, ignorando os próprios ferimentos... Símbolos de sua luta e vitória.

Nanami ajoelhou contra a neve e manteve-se imóvel quando o Lobo levou o focinho úmido e gelado a curva de seu pescoço. Ele desejou chorar de alegria ao saber que Kensuke se encontrava bem. Os braços finos moveram e rodearam o pescoço do Lobo, seu rosto esfregou contra os pelos negros, os descobrindo macios.

— Que bom... Você está bem! — Nanami murmurou.

— Seu idiota... — Kensuke grunhiu. Em passo de magico os pelos sumiram dando lugar a uma pele macia que cobria toda a extensão de músculos. O Alfa encontrava inteiramente nu, visto que as suas roupas se perderam quando se transformou, mas o seu calor de lobo não o permitiu sentir frio. Ele puxou o gatinho para os seus braços, o rodeando com cuidado. — Eu... Temi tanto... Que o perdesse para sempre. Poderia ter morrido... Gatinho bobo... — Kensuke ditou.

— Mas eu sou um estorvo para Ken-chan... Devia morrer... Sumir... — Nanami murmurou, mas incapaz de se afastar do calor do marido.

— Nunca mais diga isso! — Kensuke disse. Ele puxou a face do loirinho embalando com suas mãos grandes. Ele traçou cada detalhe de Nanami, reparando como ele era tão belo. — Es o meu esposo, até que a morte nos separe... E não deixarei que nem ela possa nos separar... Ignore as coisas que eu falei quando estive com raiva... Eu sinto muito.

— Ken-chan... — Nanami disse tocando a face do moreno. Ele não estava entendendo nada, mas nunca compreendia as coisas como o outro mesmo disse, então resolveu deixar como estava.

O vento soprou mais forte, fazendo Nanami se encolher de frio. Kensuke suspirou. A tempestade aumentava, e com ela, jamais poderia retornar para casa. Decidido, ele levantou com Nanami em seus braços – como uma donzela a ser desposada – e seguiu em sentido onde deixou sua bolsa, após recolhê-la, seguiu farejando o ar em buscar de abrigo para eles.

Kensuke andou por um longo pedaço até encontrar uma pequena caverna próxima a uma cachoeira congelada. Ele sabia onde estava, e tinha ideia do quão longe era da aldeia, quase fora dos limites de seu território.

Estava tarde da noite e possivelmente eles iriam congelar naquela tempestade de neve se não se abrigassem. Somente no dia seguinte que poderiam voltar para casa, onde o tempo estaria melhor e os perigos amenizados. Nada garantia que monstros como aquele pudessem aparecer novamente e tentar comê-los.

Fazia tempo que Kensuke não sentia tamanha emoção como ele sentiu hoje, mas nada foi tão gratificante como ter o seu gatinho de volta. Ele sabia de seus sentimentos no mais profundo, mesmo que estivesse difícil admitir a si próprio o que era.

Esperava ser correspondido, ele se casou com Nanami, deveria honrar este casamento que era sagrado... Então seu dever era mantê-lo, seu matrimônio em ordem e harmonia.

Nanami se acalmou em seu colo, ele não fez nenhum gesto para se mexer, e só então percebendo isso, Kensuke começou a ficar preocupado. Talvez ele estivesse congelando.

— Nanami? — O chamou suavemente. — Você está bem?

Nanami ergueu a cabeça e olhou para ele. Seus olhos nublados com lágrimas, e uma expressão que Kensuke não soube entender o que era.

— Hum. — Ele assentiu. O lobo aproximou seu rosto do dele e cheirou seus cabelos. O doce aroma, que mesmo no inverno gelado, era maravilhoso e o conquistava. — O seu abraço é bom... É quentinho. Eu gosto. — Ele falou em um fio de voz, como se estivesse para chorar de novo.

Kensuke o segurou melhor contra o peito, seu próprio rosto queimando com as doces palavras do gatinho, e então entrou na caverna.

Depois que Kensuke colocou o menor ao chão, ele correu para criar uma pequena fogueira com os gravetos que ali estavam, só então sentou se ao lado dele, seguros que não morreriam de frio. Trazendo sua mochila em seus braços e começando a retirar coisas de dentro dela. Ele entregou uma garrafa com água a Nanami, mas este não veio a beber, somente encarando o chão.

Kensuke suspirou, mas não de raiva, e sim sentindo-se mal por ele mesmo. Então ele tomou a garrafa de água e ergueu o rostinho de Nanami para olhar em seus olhos.

— Tem que beber ao menos um pouco! Sei que está frio, mas andou muito e seu corpo pode desidratar. Vamos, cuidarei de você. — Dito isto, Nanami assentiu e aceitou os cuidados do mais velho. Kensuke, pouco a pouco foi oferecendo goles de água entregando a garrafa na pequena boca do menor. Nanami tomou com gosto e sentiu-se um bebê da forma como Kensuke lhe tirava a sede.

Logo mais, Kensuke deu uma boa examinada nos pés de Nanami, identificando as feridas que este causou, correndo como um louco desde sua vila até aqui.

— Dói muito? — Kensuke indagou olhando diretamente para os olhos azuis celestes de Nanami, que lhe observavam com um brilho especial, que estava lhe custando muito identificar. Ele pensou se Nanami realmente gostava dele.

O pequeno somente assentiu, mordendo o lábio inferior. Kensuke por sua vez, retirou da bolsa seu material de primeiros socorros que ele separou para uma situação assim. Foi como se ele soubesse que precisaria usar, visto que Nanami sempre se machucava quando inventava de fugir.

Se coração doeu quando ele viu as mãos pequenas enfaixadas. A faixa inclusive estava suja, provavelmente pelas quedas que o menor teve. Ele ponderou sobre o fato de Nanami ter cozinhado sozinho no dia anterior.

— Você me odeia... Então porque está... Cuidando de mim? — Nanami fungou. Os seus olhos novamente se encheram de lágrimas.

Tal pergunta cortou o coração de Kensuke. Ele não sabia que Nanami pensava que poderia odiá-lo, o Alfa poderia ser ranzinza e grosseiro, ele tinha que aguentar tanta coisa, mas jamais poderia odiar uma criatura tão doce como Nanami era.

— Eu não te odeio... Jamais te odiaria. — Engoliu em seco, pois as palavras tinham que sair. Dessa vez ele precisava demonstrar seus sentimentos. — Sinto tanto por ter te tratado daquela forma, te machuquei tanto bebê.

Kensuke não era acostumado nem mesmo a apelidos carinhosos, mas Nanami era uma exceção, ele era praticamente a coisa mais linda em que seus olhos já pousaram.

— Mas eu pensei... Que me odiava por não fazer nada certo. Por ser um inútil... — Nanami se encolheu, lágrimas borbulhando sobre seus olhos e então deslizando por seu rosto.

Kensuke não resistiu, então ele puxou o pequeno para seus braços e o apertou em seu peito, querendo levar toda a mágoa e tristeza do menor para longe.

Doía saber que ele era o autor de tal maldade... Ele não era um lobo ruim, jamais preferiu ser, mas Kensuke todavia sentia-se tão confuso, desde que o gatinho chegou ao vilarejo.

— Me perdoe Nanami, nunca quis te fazer chorar, nem machucar seu coração. Você pode não querer me perdoar, então eu vou entender. Mas preciso esclarecer algumas coisas a você...

Nanami se afastou minimamente, mas ele não quis ir mais longe. Seus olhos fitaram Kensuke, mas incrivelmente não havia ódio ou mágoa agora, Nanami somente o observava, curioso para o que tinha que dizer.

— Antes que viesse para nosso vilarejo, eu amava alguém. — E isso já não doía mais. — Mas surgiu a proposta que deveria ficar com você. Ao contrário do que muitos pensam, não foi uma obrigação que meu pai constatou, eu decidi que faria, decidi que faria este laço de paz entre os gatos e lobos. Você pode não entender, mas este foi um grande benefício para nós e para seu povo... Antes não tínhamos paz, pensando que a qualquer momento poderia haver uma Grande Guerra e levar muitos de nós. Sabe que já somos uma população pequena, não é?

Nanami assentiu, suas lágrimas cessando, Kensuke colocou um cobertor feito de pele de animal ao redor do corpo pequeno e parte do seu, visto que Kensuke estava se cobrindo somente com uma tanga para esconder suas partes íntimas. Isso explicava o fato do rosto de Nanami estar tão vermelho.

— M-Mas eu... — Nanami foi para lhe contar algo, mas selou seus lábios firmemente para não dizê-lo.

Sendo assim, Kensuke continuou.

— Passei por uma confusão dentro de mim, Nanami, pode não compreender isso, mas para mim foi difícil, mesmo que eu tivesse aceitado me casar com o príncipe de Masao, ainda me doía estar com alguém que eu não conhecia.

Nanami olhou para baixo, tristeza em sua face. Kensuke ergueu o pequeno rosto para olhá-lo.

— Mas fiquei ainda mais confuso, porque quando o vi, te achei a coisa mais bela do mundo inteiro. O meu coração batia forte e eu praticamente esquecia-me de tudo ao meu redor. — Kensuke estava olhando-o seriamente enquanto dizia a Nanami. — Eu nunca tinha sentido algo tão forte por alguém antes... Talvez eu tenha te evitado um pouco por conta disso, me perdoe... Eu tinha que fazer o meu trabalho, mas mal podia me concentrar pelo tanto que pensava em você.

— Você... Pensava em mim, Ken-chan? — Um brilho se ascendeu nos olhos de Nanami, e ele sorriu, por pior que a situação poderia estar, ele sorriu para Kensuke.

— Sim, pensei em você o tempo inteiro desde que te conheci. Nunca consegui te tirar da minha cabeça, pequeno. — O lobo retribuiu o sorriso, seu coração falhando uma batida.

De repente o olhar de Nanami se apagou de novo e ele evitou olhar para Kensuke. O mesmo estranhou o ato, mas de alguma forma ele sabia pelo que era.

— Eu... Me perdoe Ken-chan, eu sou um mentiroso. — Novamente ele se esforçou para não chorar. — Eu menti para você sobre ser um príncipe... Mas por favor não machuque Sayuri, ele merece ser feliz...

Kensuke suspirou, seu coração pesando. — Sayuri me contou que você não é um príncipe, que nunca foi da realeza e que nem mesmo viveu como um cidadão de Masao.

Nanami olhou para ele assustado, então o empurrou e se arrastou para mais longe.

— E-Ele te contou? Então... Vai se separar de mim? — Nanami falou muito rapidamente, suas pequenas mãos cavando em seus cabelos e os repuxando. — Por favor, não faça nada a Sayuri... Eu fui o culpado, não ele! Sayuri não sabia que eu vim em seu lugar... Agora que ele está aqui, você pode se casar com ele!

Kensuke bufou, realmente com raiva agora. — Venha aqui Nanami! — Ele puxou o menor pelo braço e abraçou novamente, mesmo que Nanami estivesse lutando para ficar longe. — Eu não vou me separar de você! Entenda, eu não quero isso!

Só então, Nanami parou de se debater e olhou para o mais velho, mas não totalmente rendido.

— Não vai me deixar? Mas... Sayuri está aqui... Eu fui mal, fui um gatinho mal, menti. — Ele parecia terrivelmente ofendido consigo mesmo.

Kensuke não pensou mais, ele ergueu o rostinho e tomou os lábios suaves como pelúcia, lambendo-os e então os selando nos seus. Um beijo tão doce e suave que Nanami perdera todas as suas forças, ficando completamente vulnerável.

"Tão adorável... Nada é tão adorável como Nanami..." Kensuke pensou inebriado pelo beijo simples e singelo, mas doce como a fruta mais deliciosa.

— Eu não vou deixá-lo. Me casei contigo e honrarei nosso laço. Es especial para mim Nanami, perdoa-me por não demonstrar isso antes, mas te peço por favor que me dê outra chance, que me deixe fazê-lo meu e acasalar comigo. — Kensuke se afastou e então ajoelhou-se perante Nanami, curvando-se totalmente até que seus cabelos tocaram o chão.

Nanami ficou tocado. O seu coração pulsou tão forte em seu peito que ele pensou que teria um ataque ou que desmaiaria. Kensuke estava se humilhando para ele, praticamente implorando por uma chance? Com Nanami? Mas porque ele faria isso, porque ele se importaria com um indigente como ele era?

— Por quê? Eu sou apenas um... Eu não sou nada, Ken-chan. Sabe que em Masao todos me odiavam e me desprezavam... Imagine como será se continuar comigo, terá má reputação ao meu lado. — Nanami enxugou seus olhos, ele estava cansado de chorar, mas tão emocionado que não podia parar.

— Não me importo mais com minha reputação. Eu quase o perdi por causa do meu orgulho, por pensar tanto nos outros ou em mim mesmo, do que na pessoa que deveria ser a mais importante em minha vida. — Kensuke levou sua mão em concha para tocar o rosto do pequeno, deslizando suavemente a palma da mão sobre a pele suave como seda, a mais macia em que ele já tocou.

Nanami não se cuidava, mas tudo nele era tão natural. Se ele se cuidasse como os Ninshins de sua tribo faziam, Kensuke não podia imaginar como ele ficaria, mas ele faria todo o possível para que Nanami tivesse o melhor tratamento e que sempre pudesse sorrir.

— Quase o perdi... Não quero que isso volte acontecer nunca mais. Me prometa que nunca irá sair do meu lado, te quero comigo Nanami.

O gatinho sorriu entre lágrimas, ele pulou sobre Kensuke abraçando-o fortemente, esquecendo que ele era o temido Alfa lobo. Tal ato fez Kensuke cair para trás sobre o cobertor que ficou estendido.

Nanami ousou mais e selou seus lábios sobre o dele, descarregando toda a sua alegria naquele pequeno beijo. Kensuke nunca o viu tão feliz.

— Jura que tudo é verdade? Me quer mesmo? Não quer que eu vá embora?

O lobo riu e o abraçou mais apertado, acariciando as orelhinhas de neko de Nanami.

— Eu juro por tudo o que é mais sagrado. — Foi então que Kensuke lhe fez uma promessa em silêncio, para ele mesmo. Que cuidaria de Nanami sobre todas as coisas e tal qualo trataria como ele merecia. Era alguém tão doce, só merecia o melhor.

Nanami se deu ao carinho, mas endureceu completamente quando se deu conta da posição em que se encontrava. Ele estava praticamente deitado sobre o corpo de Kensuke, eeste estava quase nu.

— Hei... Lembra que sou teu marido, então não tem que temer. Nunca te faria mal, somente serei gentil. — O Alfa o envolveu em seus braços fortes, esquentando Nanami em sua pele, Nanami ainda se encontrava com suas roupas. — Acho que terei que te examinar por completo, para ver se você se machucou em outro lugar. — Falou com um sorriso, trocando a posição, para Nanami deitado e ele o cobrindo com seu grande corpo.

— Ken-chan... — Nanami detinha as bochechas vermelhas como morango, profunda incerteza em seu rosto dizia a Kensuke que ele estava muito nervoso e com medo. — E-Eu... O que vai fazer?

Kensuke engoliu em seco no momento em que se lembrou das coisas. Nanami não sabia o que era acasalar. Isso explicava o que Ryo lhe contou uma vez, de que o menor acreditava de que bebês vinham de um Conselho das Cegonhas. De início Kensuke não acreditou, mas agora fazia sentido.

— Não sabe mesmo? Nada sobre acasalamento? — Precisava tirar essa dúvida.

— Hum. — Nanami negou. — Desculpe Ken-chan... Ninguém nunca me contou. Minha avó me contou somente histórias, e eu acreditava, mas... Estou começando a duvidar.

— Uau... Normalmente os pais nos contam quando entramos na adolescência. Eu não vou julgá-lo, pois você é novinho ainda, tem muito a aprender e eu farei o meu máximo para ensiná-lo.

— Mesmo? Sério mesmo? — Nanami brilhou novamente.

— Mesmo. — Kensuke abaixou-se na altura do ouvido de Nanami e sussurrou em seu ouvido.

Nanami sentiu um arrepio gostoso espalhar por todo o seu corpo, algo que nunca experimentara antes. Sabia que era ingênuo e bobo, contudo sentia-se tão seguro nos braços daquele lobo, como se sua felicidade pela primeira vez em sua vida fosse palpável... E queria abraça-la com toda sua força.

— Ken-chan... — Chamou o marido timidamente. Munindo-se de coragem encarou o moreno, se vendo naqueles íris âmbar.

— Sim, gatinho?

— Eu... Eu... Não sei muita coisa... Na verdade nada. — Suas bochechas esquentaram e seu coração bateu com tanta força que julgou que explodiria. — Nunca tive alguém para me instruir ou fui à escola... Mi-minha avó... Dizia que não tinha idade... E ela morreu quando eu tinha 10 anos... Então... Eu... — Falar parecia tão difícil.

Kensuke deixou um pequeno sorriso apossar de seus lábios. Uma de suas mãos grandes tomou a bochecha direita do loirinho em cocha e cariciou gentilmente. — Tudo bem... — Sussurrou baixo e rouco. — Apenas confie em mim... Cuidarei de ti... — Foi aproximando as duas faces. — Se torne meu Nanami...

— Hu... Hunn... — Nanami murmurou. Foi incapaz de proferir palavras, pois julgou que sua voz falharia. Ele fechou os olhos e respirou fundo.

Esperou por seu marido. Tremeu quando sentiu as respirações se chocarem e então veio... Os mornos lábios do alfa tocaram os seus, inicialmente apenas um roçar, mas aos poucos aprofundou... A ousada língua lambeu a costura da boca pequena, e não demorou pedir passagem para um beijo lento e ainda sonoro.

Nanami abriu os olhos somente para ser perder no intenso olhar de Kensuke...

Continua...

Notas finais
Miky-san: Espero que tenham gostado do capítulo *---* huhuhu já imaginam o que vem a seguir no próximo capítulo, estou certa? Pois bem, sóoo no próximo domingo! Desejam-me sorte, essa semana vou operar D: mas será por uma boa causa *u*
Obrigada por ler ♥ agradeço também aos comentários! Sempre nos deixa muito animadas!
Até a próxima, beijinhoos