Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
13 Capítulo 13 - Desentendimentos
Notas iniciais
Boa leitura!!
Capítulo 13 — Desentendimentos
— Aquele... Aquele lobo idiota! — Nanami grunhiu de raiva. Mesmo que estivesse ferido e magoado com as palavras de Kensuke, no fundinho estava orgulhoso de si, pois mesmo de modo desastroso conseguiu fazer a sopa. Apenas rezava que estivesse gostosa.
Ele cruzou os braços tentando se proteger do frio, mas arrependeu-se por causa das palmas das mãos que doeram. Ele sentiu que as lágrimas voltariam, mas forçou em conte-las.
Seguiu pelas ruas desertas do vilarejo. Quando finalmente chegou à pequena casa, suspirou aliviado. Aquele lobo era um dos poucos que tinha sido gentil consigo, e tinha fé que ele o ajudaria.
Não podendo usar as mãos feridas, ele usou o pé e bateu na porta feita de madeira. Gemeu de frio, enquanto olhava para os lados aguardando alguém atender. Não demorou em que a porta abrisse, mas ao invés da figura do curandeiro, quem surgiu fora seu filho Minky.
— Príncipe Nanami-chan! Que bom! Veio brincar comigo? Papa fala que é hora de dormir, mas está cedo. Brinca comigo? — O pequeno lobinho pediu dando pulinhos de felicidade.
— Oh... Mi-chan fofinho... — Nanami disse com um sorriso genuíno. A alegria do pequeno realmente ajudou esquecer a sua tristeza. — Mas... Preciso ver seu pai primeiro,é urgente!
Minky fez um beicinho com os lábios, mas ao ver a expressão cansada de Nanami... Preocupou-se. Ele gostava muito do gatinho, pois o mesmo tinha paciência de brincar consigo. — Está dodói? Entra! Ôh pai... O Príncipe bonito está aqui para vê-lo. — Gritou correndo para dentro de casa.
Nanami deu uma risadinha e entrou na casa. A mesma não era grande, mas era arrumada e confortável. Fechou a porta atrás de si e ficou olhando a decoração. Havia alguns desenhos pendurados na parede da sala, possivelmente feitos por Minky, assim como brinquedos.
Podia perceber a aura de amor e carinho que rodeava aquele local. Não sabia quem era a mãe do pequeno, mas sabia que Shou o amava e cuidava dele o suficiente por dois.
Não demorou muito para que um delicado lobo surgissem sendo puxado pelo filhote. Shou encontrava-se com um simples kimono de cor verde, tinha os cabelos soltos em descanso. Suas orelhas e rabos felpudos estavam à mostra, dizendo que estava à vontade na sua casa.
— Cadela Alfa! — Disse abismado. Ele realmente considerou que seu imaginativo filho tinha inventado. Ele inclinou a cabeça para o lado, mostrando submissão. Depois de Kensuke, Nanami era segunda figura mais importante na vila, depois vinha os betas e anciões.
— Oh, Shou... Desculpe incomodar a essa hora... — Disse Nanami envergonhado. — Não gosto desse termo... Parece que estão me xingando. — Nanami disse fazendo bico, o que fez Shou ter vontade de apertá-lo de tão fofo.
— Desculpa... Sei que soa estranho. Mas realmente e um título de honra! — Disse. — Mas o que deve a honra?! Não está tarde para sair sozinho? — Perguntou preocupado. — O Alfa sabe que veio?
— Ah! — Nanami olhou para os seus próprios pés. Não queria pensar em Kensuke. Estava muito triste com ele. Acabou negando com a cabeça.
Shou puxou o gatinho pelo braço e o fez sentar no tatame em frente à mesinha baixa. — Fiquei aqui, vou preparar um chá rapidinho. — Disse sumindo pela porta.
Minky sentou ao lado de Nanami e olhou curioso para ele. — O Alfa fez alguma coisa ruim contigo? — Perguntou em sua inocência.
Nanami riu da forma em que ele falou, mas não pode evitar que as lágrimas viessem. — Não... Quero dizer... Ele é... Acho que o chateei. Sempre faço as coisas erradas. — Disse fungando. Ele limpou os olhos com a barra do kimono, o que deixou suas mãos feridas expostas.
— Suas mãozinhas estão machucadas! Papa o gatinho está machucado! — Minky gritou pelo pai.
Shou veio correndo. Ele olhou abismado para as mãos de Nanami, mas o pequeno as escondeu atrás das costas. — Quem o feriu? — Perguntou com raiva. Sua vontade era de esganar quem feriu uma alma tão pura como era Nanami.
— N-Ninguém... É que... Meu amigo Sayuri foi salvo neh... Você o conhece. Então Ryo pediu para eu fazer uma sopa... Mas não sei fazer bem... Tentei fazer como Chizuru ensinou... Mas... Acabei me cortando... — Nanami disse envergonhado e em lágrimas. Seu nariz e bochechas estavam corados e fungava muito. — Eu me esqueci das batatas e estavam queimando... Então fui retirar do fogo. E queimei as mãos... Dói muito...
Shou compadeceu dele. O pequeno parecia tão culpado e perdido. Como se tivesse cometido um crime grande.
— Eu sei, sou desastrado... E não faço nada certo... Mas consegui fazer a sopa... Espero esteja boa. Mas então não podia ficar lá. Ken-chan ia brigar comigo de novo. — Falou.
— Por que ele iria brigar? — Shou não entendeu. Parecia que Kensuke não cuidava bem de seu esposo.
Nanami abaixou a face, deixando que os fios loiros escondessem seus olhos e face. — Ele não gostou quando pedi ajuda para fazer a sopa. Disse que eu devia saber! Acho que ele me odeia. — Murmurou. Não sabia por que, mas pensar que Kensuke o odiava, fazia seu coração sangrar.
— Filho, pegue a caixinha do papai! — Shou pediu ao filho. Esse saiu correndo para obedecer.
Shou andou até Nanami e se sentou ao seu lado. Com cuidado tomou suas mãos e olhou os estragos. Não era grave, estava mais velho e alguns cortes iriam curar sem cicatriz. Achou estranho pelo fato que Weres curavam rápido, e aquele tipo de ferimento já devia estar curado, mas Nanami era realmente um mistério.
— Não é culpa sua! Kensuke tem grande responsabilidade, e para isso, muitas vezes tem que ser áspero e duro... Mas igualmente, tem que apreender que contigo tem de ser mais doce e gentil. — Shou disse amável. — Sei que saberá conquistá-lo. No que precisar, pode contar comigo.
— É difícil... Ontem começamos a nos dar bem... Achei que iria nos tornar amigos. — Nanami disse em sua inocência. — Ele fez um jantar gostoso e até fez aquilo com a boca... Mas...
— Com a boca? — Shou perguntou sem entender.
Minky entrou na sala com a caixa e a entregou a seu pai. Shou agradeceu com um beijo no topo de sua cabeça e a abriu retirando alguns vidros, panos e objetos, começando a cuidar das mãos de Nanami.
— Sim! Ele encostou a dele na minha! Be-Bei... — Disse sentindo-se um tolo. — É isso que casados fazem?
Shou arregalou os olhos. Ele não acreditou que alguém poderia se tão inocente dessa força. A ponto de não saber ao menos o que significava um beijo.
— Sim! É uma das coisas que casados fazem. Se chama beijo... E pode beijar somente a seu marido. — Shou disse.
— Oh... Quando morávamos em Masao... Sayuri me beijou... Mas foi de encostar somente... O de Ken-chan foi diferente. — Nanami disse. Toda vez que se referia ao grande lobo, sentia seu coração aquecer.
— Prontinho! — Shou disse. Ele havia aplicado uma pomada e enrolou em um banda branca. — Amanhã estará boazinha!
— Obrigado! — Nanami agradeceu com um sorriso.
— Vou trazer o chá e enquanto isso brinque com Minky, vai animá-lo. — Shou disse. Ele recolheu o material de enfermagem e seguiu de volta para a cozinha.
Minky ajoelhou ao lado do gatinho loiro e deu um beijo em sua bochecha. — Não fique triste! Nana-chan é muito lindo para ficar triste. O Alfa vai apanhar se o magoar novamente. — Minky disse como se fosse um grande guerreiro fazendo Nanami rir.
— Oh... Meu lindinho... — Nanami disse apertando o pequeno em um abraço apertado. Os dois realmente brincaram animadamente até que Shou voltou com o chá quentinho e bolinhos de feijão doce.
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Quando acordou já era manhã. A luz do sol adentrava a janela e iluminava o grande quarto. Yunsuke sentiu-se estranhamente quente e cômodo na cama. Dificilmente era assim, às vezes ele acordava com um parceiro ou dois, mas dessa vez a sensação era agradável, e o cheiro maravilhoso que penetrou as narinas o fez suspirar emocionado.
— Oh meu Deus! — Yunsuke tomou noção da realidade, sentando-se rapidamente na cama, respirando ruidosamente quando tentava não acreditar na verdade, no que tinha acontecido afinal.
Olhando de canto, ele finalmente viu o corpo de seu irmão dormindo bem ao lado dele, muito próximo e relaxado. Yunsuke não quis acreditar, ele não podia acreditar no que diabos tinha acontecido.
Bem, ele pensou que tinha acontecido, visto que não se lembrava de bulhufas da noite passada, ou apenas de parte dos momentos em que festejava sua derrota para o suposto casamento que logo ele teria.
Shuichi estava nu. Yunsuke estava nu. Isso só podia significar uma coisa, ele tinha feito aquilo que mais se conteve por tantos anos. Ele tinha que ter se embebedado. Maldito álcool!
Esfregando as têmporas, ele resmungou para si próprio e se xingou por tudo o que houve e que ele não se lembrava. Nem uma pequena lembrança!
— Droga, droga, droga! Eu me odeio!
— Uh... — Shuichi estava acordando, ele esfregou seus olhos lentamente e bocejou, sorrindo em seguida. — Yunsuke?
Yunsuke engoliu em seco, seus olhos enormes como bolas de golfe. — Bo-bom dia, Shu-chan... — Sua voz saiu mais arranhada do que esperava. Ele limpou a garganta e enterrou o rosto em suas mãos. "Mas que diabos eu fiz!"
— Yunsuke, o que foi? — Shuichi ainda parecia nublado pelo sono. Ele esfregou seus olhos mais uma vez e sentou-se na cama, se despreguiçando. — Você está bem?
— Shu-chan... O que aconteceu? Por que... Por que eu estou aqui na sua cama? — Yunsuke perguntou, sentindo seu controle ir longe, ele olhou para Shuichi, percebendo que o confundiu.
— Como assim? Você que veio e... E nós... Bem, nós fizemos. — Shuichi corou as bochechas e virou o rosto. Yunsuke ferveu, como isso aconteceu? Que merda ele tinha feito. Seus olhos arderam, assim como seu peito doeu profundamente na consciência de que tinha retirado a virgindade de seu irmão tão amado, e sem nem mesmo se lembrar, quando estava bêbado.
— E porque você deixou? Que diabos há na sua cabeça? — Yunsuke bracejou acenando ao redor.
Shuichi se virou para ele, sua expressão de completa discórdia.
— Foi você que veio até mim! Sabe que é mais forte quando quer ser e me tomou a força! Eu não tive escolha...
— Como não teve escolha? Isso não podia ter acontecido! Foi um erro completo, eu estava bêbado, não me lembro de nem um segundo dessa noite! — Yunsuke agarrou os ombros de seu irmão, discutindo com ele o suposto erro. — Isso é inaceitável! Você era virgem. Imagine se meu pai descobrir isso! Como você poderá se casar agora?
As lágrimas brotaram dos olhos de Shuichi. O seu coração magoado estava falando mais alto. Ele se debateu para ter as mãos de Yunsuke longe de si, e enxugou seus olhos. Agora olhando o com ódio completo.
— Você, seu imundo... Dorme com todos que se dispõem a ficar com você por um pouco de diversão... E você vem se preocupar se eu não vou me casar?! Eu não estou nem um pouco me lixando para isso... — Shuichi fungou, ele nunca ferveu tanto como agora. — Você vai se casar... Não quis aceitar isso, então veio até mim e me diz tanta coisa... Agora me diz que não se lembra? Que não pode aceitar isso? Como pode fazer algo tão cruel? Dar-me esperança em uma noite e então simplesmente destruir tudo isso agora?
Yunsuke estava começando a se arrepender do que disse. Seu coração doeu como uma flecha sendo cravada a cada lágrima que ele via escorrer pelo rosto bonito de seu irmão mais novo.
Ele não entendeu ao certo o que Shuichi estava querendo lhe dizer. Dar esperança? O que havia lhe dito? Será que ele havia se confessado para ele enquanto estava bêbado? E porque Shuichi estava tão magoado com algo como isto?
Yunsuke começou a chegar a algum pequeno fragmento de conclusão, quase compreendendo, seu coração estava lhe dizendo algo, mas ele estava tentando decifrar o que era.
— Vá embora... — Shuichi gritou. — Eu te quero longe de mim! Agora vá!
— Nã-Não pode falar assim comigo... — Yunsuke tentou revidar. — Nós precisamos conversar!
— Eu não tenho nada para conversar com você! Nunca mais quero olhar para você de novo. Te odeio!
Foi o fim para Yunsuke, sua paciência foi água abaixo. Triste e revoltado, ele tomou um lençol e cobriu-se, sem se importar de sair e fechar a porta em um estrondo. Correndo para seu quarto.
Shuichi pensava que seria assim? Pois bem, ele não se importava. Que ele ficasse em seu mundinho chato, Yunsuke estava se encaminhando para se tornar o rei e não precisava dele.
Ao menos agora ele pensava isso.
Shuichi, ainda em seu quarto, desabou a chorar. A dor da mágoa foi pior do que ele podia suportar. Ele nunca pensou que um dia choraria tanto, pior do que uma dama apaixonada e abandonada. Ele se perguntou se um dia poderia voltar a ser quem ele costumava ser, depois de tudo o que houve.
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Como já era rotina, Chizuru acordou quando os primeiros raios solares surgiram no horizonte. Ele era o primeiro a levantar, com uma ótima disposição para suas tarefas. Afinal, para o pequeno lobo, cada dia era especial, ainda mais agora que ele estava treinando arduamente para se tornar um bom esposo, quando fosse se casar.
Chizuru ainda não tinha sido prometido a ninguém, o que era raro para príncipes, nobres das principais famílias. Ele se perguntou diversas vezes porque o seu pai não o fez um acordo com alguma família, ou porque não encontrou algum nobre para se casar com ele.
Em sua tribo, apenas algumas famílias eram superiores. Não que ele esperava alguém de um nível mais alto, mas ele imaginava que seu pai fosse querer algo assim. Era normal para ele que era um príncipe.
Jogando seus pensamentos de lado, Chizuru encheu a banheira e retirou seu roupão de seda, ficando nu para um banho. Ele detinha um corpo bonito, natural para um lobo Ninshin, que poderia gerar filhotes. Ele era mais delicado que os outros lobos, cintura fina, mamilos rosados, coxas roliças, e sua pele, era incrivelmente branca.
Chizuru gostava muito de seu cabelo, já que seu irmão vivia lhe dizendo que ficava uma gracinha. Chizuru sempre corava com o pensamento, seu irmão era carinhoso com ele quando estavam sozinhos, ele era muito bom, mas estava com pena dele por que ele tinha que aguentar o gatinho estúpido que veio só para atrapalhar suas vidas.
Mesmo que Chizuru nunca gostou de Maiko, antigo amante de Kensuke, ainda sim queria que seu irmão se casasse com um lindo lobo, talvez Shou, e tinha outros muito bonitos também e mais maduros, do que aquela criança que era Nanami.
Com um biquinho nos lábios, Chizuru se banhou rapidamente na banheira de água quente, depois se enxugando e vestindo um kimono de algodão quente. Ele organizou seu quarto e então correu para a cozinha, preparando um café da manhã, para seu querido pai quando ele acordasse.
Chizuru fez uma salada de frutas variadas, recolheu os pães que o padeiro lhe trazia todos os dias e preparou o recheio de cereja que seu pai tanto gostava. Tinha leite, suco, e... Bem, Chizuru precisava das flores para enfeitar a mesa.
Quando se moveu para sair até o jardim que mantinha isolado da neve e coberto, se deparou com Seiji na varanda.
Seiji estava com as bochechas vermelhas e olhando-o impressionado. Chizuru odiava como ele se sentia tão vulnerável e nervoso quando o forte guerreiro aparecia para ele.
— Oh... Se-Seiji-kun. — Até mesmo sua voz saiu trêmula. Provavelmente ele estava corando, já que sentia suas bochechas quentes.
— Olá, Chizu-chan. Trouxe flores... Er... Seu pai adora colocá-las de enfeite sobre a mesa. — Seiji falou sem jeito, sorrindo como um bobo.
Chizuru tomou as flores silvestres e as colocou em uma jarra com água, enfeitando a mesa.
— Obrigado pelas flores, meu pai as adora. O faz lembrar de meu pai progenitor. — Chizuru engoliu em seco, ele mal entendeu como poderia se sentir dessa forma, sempre na presença do lobo mais velho. Ele sabia que seu coração estava caindo por ele, mas ele não podia permitir isso. Tinha medo de cair de amor e então, depois ser magoado e machucado.
Seus amigos sempre lhe falaram sobre isso, e Seiji não tinha uma boa reputação. Pelo que ouviu dele, ele era bem paquerador. Então Chizuru pensou que alguém como ele nunca o amaria somente, talvez apenas estivesse brincando consigo.
— Na verdade, eu vim aqui esperando que pudesse vir a um passeio comigo. O que acha? — Seiji pediu polidamente e com um brilho de esperanças.
Apesar de que Chizuru se sentiu loucamente atraído pelo convite, ele negou com a cabeça e olhou para seus pés.
— De-Desculpe Seiji-kun... Er, eu prometi para meu irmão que iria à casa dele essa manhã. É isso, bye bye! — Chizuru voou dali, desaparecendo da vista de Seiji.
Mesmo que ele tivesse recebido uma resposta negativa, Seiji sorriu para si mesmo. Ele sabia que Chizuru sentia algo por ele, podia cheirar a excitação do menor quando ele se aproximava, o nervosismo e a aquela atração tremenda entre eles. Ainda conseguiria uma chance, esperava que sim.
Enquanto estava ali parado, na porta da cozinha, o ancião chegou com um humor tranquilo. Acenou levemente para Seiji, sentou-se e elogiou as belas flores silvestres.
— Bom dia meu jovem, que bom vê-lo por aqui esta manhã. Mas acredito que Chizuru tenha saído para a aldeia. — O Ancião Chao falou com um sorriso sincero.
Seiji ficou comportado e um pouco nervoso. Ele era o beta e conhecia o ancião desde que ele era o Alfa da matilha, mas mesmo assim, ainda se sentia intimidado por ele.
— Bom dia senhor. Eu vi o príncipe Chizuru antes que saísse. So-somente queria cumprimentá-lo. — Seiji falou ainda parado na porta.
— O que faz ai? Venha sentar-se comigo e compartilhar de um café da manhã que meu filho preparou. Está maravilhoso. — O Ancião falou, experimentando um gole do café. Preparado naturalmente e muito saboroso.
Seiji tomou um choque pelo convite, mas ele fez. Na verdade, gostaria de conversar com o ancião sobre um assunto delicado, mas detinha um medo muito grande, e os riscos de que ele fosse expulso, ou quem sabe maltratado depois dessa, eram grandes. Mas ele esperava que o ancião compreendesse.
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Algo quente tocou em sua face, ainda que sutilmente, e isso foi como despertador para que o forçasse a sair de seu sonho gostoso. Lentamente ele espreguiçou os seus braços, esticando todo o seu corpo, e por fim deixando que as pálpebras se abrissem.
Os olhos azuis brilhantes piscaram buscando foco. Quando o cenário em volta tornou-se coerente, ele estranhou. Não parecia com sua humilde casa ou o belo quarto na casa do lobo. — Kensuke! — Nanami gritou.
Ele olhou ao redor e inicialmente não reconheceu onde estava, até que pequenas mãos tocaram seus cabelos loiros platinados. Nanami encarou o pequenino que sorriu para ele docemente.
— Bom Dia Nana-chan!
— Mi-chan? Onde... — Indagou ainda confuso. Até que as lembranças do dia anterior vieram à sua mente. A briga com seu marido, seu esforço em fazer a sopa, ainda foi ver Shou... Os cuidados... E que ficou brincando com Minky até tarde. — Eu dormi aqui?
— Sim! Papa falou que era tarde demais para ir embora sozinho, então dormiu aqui. Podemos brincar agora? — Minky perguntou. O pequeno mostrava desde já bastante apegado a Nanami. — Papai disse que tinha esperar você acordar!
— Minky! — Shou advertiu o filho entrando na sala. — Bom dia Nanami! Dormiu bem? Desculpa o desconforto. Minha casa é pequena e tem apenas um quarto. — Disse meio sem jeito.
Nanami negou com a cabeça. — Tudo bem! Eu que devia pedir desculpas. Causei incomodo. — Ele se levantou e tratou de dobrar os cobertores e a cama em que dormiu. — Eu tenho que ir, Ken-chan deve estar uma fera... Não avisei que iria sair...
— Se quiser, vou contigo. Ele entenderá! — Shou disse preocupado. Ele sentiu-se estúpido, por que insistiu em Nanami dormir ali e nem avisou ao Alfa.
Nanami negou veemente. — Não precisa! Não causarei problemas a Shou-chan que é sempre gentil. Eu vou indo! Quero ver se Say-chan está bem. — Disse, ele virou-se para Minky que parecia preste a chorar. Inclinando-se para frente e apoiando as mãos no joelho, colocou seu rosto na altura do pequeno. — Eu não poderei brincar agora, mas de tarde virei com Sayuri, e nos três iremos brincar muito. Combinado? — Disse estendendo a mão e indicando o dedo mindinho.
— E vai trazer os gatinhos? Papa falou que tem dois gatinhos! — Falou em sua inocência infantil.
Nanami deu um belo sorriso: — Sim! Trarei Preciosa e Lobo! Vamos nos divertir muito!
— Vou esperar! Obrigado Nanami-sama! — O pequeno lobinho jogou-se nos braços de Nanami, o que contribuiu para que os dois caíssem ao chão. Entre gargalhadas. Eles se levantaram. Após se despedir de todos, Nanami seguiu pelo vilarejo dos Ôkami em sentido a casa do Alfa.
Sua mente trabalhava para formalizar como falaria com Kensuke. Sabia que o lobo ainda estava com raiva de si, então, não queria piorar as coisas. No fundo, não considerava que Kensuke ligaria pelo fato que dormiu fora de casa, mas ainda assim, não queria mais problemas. No fundo de seu coração, queria que ele se importasse.
Tão distraído em sua mente, Nanami não reparou que alguém seguia a sua frente, e foi incapaz de impedir o choque. Os dois delicados corpos se chocaram, e ambos caíram no chão de bunda.
— Ittai... — Nanami grunhiu. Sua bumbum doeu. Ele fechou os olhos com força e respirou para esquecer a dor, mas antes que pudesse abrir os olhos ou levantar, a voz conhecida veio e igualmente irritada.
— Seu idiota, não saber olhar por onde andar? Tinha que ser o desastrado do Nanami! Como meu irmão pode estar casado com alguém como você?
Nanami abriu os olhos e olhou ferido para Chizuru. Ele viu a fúria nos olhos de seu cunhado e isso o fez encolher os ombros. Em toda sua vida, Nanami era acostumado com as pessoas desferindo palavras de rancor e ódio para si. Sempre tentou não se importar, contudo, realmente estava cansado disso. Queria viver em paz... Ser feliz.
Enfurecido pelas duras palavras do moreno, Nanami levantou e bateu o pé no chão. Ele ergueu a mão e apontou para Chizuru. — Estupido é você. Foi um acidente e se tenho culpa, você também que não desviou.
Mas tal atitude de Nanami não foi bem vista pelo moreno. Com mais raiva, Chizuru se levantou. — Olha aqui seu gato imbecil... Aqui você é um intruso... E deve se colocar em seu lugar. Não ache que é realmente esposo de meu irmão... É apenas um acordo de paz.
— Mentira! Eu casei com Kensuke pelas leis dos Lobos... Moramos na mesma casa e ele ainda me beijou. — Nanami gritou. Poderia não entender muito bem as coisas, mas não deixaria que Chizuru menosprezasse seu ‘casamento’... Sempre sonhou em ter uma família, e com Kensuke, teria uma chance. Ninguém iria diminuir isso.
Não demorou em que curiosos surgissem, e uma roda formasse ao redor dos dois jovens. Gato e Lobo. Que discutiam avidamente.
— Ahah... Mas é um arrogante mesmo. Casamento é mais que um beijo. Você não sabe cuidar da casa! E muito menos de Kensuke... E aposto que meu irmão nem se interessou em acasalar com você. — Chizuru disse superior.
Nanami ficou com mais raiva ainda. — Mentiroso! Eu tenho cuidado sim... Da casa e de Ken-chan... E... Nós... — Ele ficou confuso. — O que é acasalar? — Perguntou inocente, o que fez os lobos em voltaram caíram na gargalhada. Nanami se sentiu estúpido. Odiava quando as pessoas riam dele. Ele corou fortemente, e fechou as mãos em punho, tentando impedir o choro.
— Não disse! Um príncipe gato burro. O que foi? Os gatos não ensinaram nada? Acasalar é quando um casal faz amor... Onde seus corpos se unem. Nem isso sabe! — Chizuru disse, e logo seus olhos se arregalaram. — Kensuke realmente não acasalou contigo? Não consumaram a união?
As pessoas ao redor ficaram surpresas, e logo começaram a cochichar.
Nanami ouviu os cochichos. Ele olhou ao redor e viu as pessoas o olhar com reprovação, nojo e até pena – esse último era poucos. Sabia que devia estar acostumado, mas isso sempre machucava. Ele encolheu os ombros e abaixou a cabeça. Sua farta franja tratou de esconder os seus belos olhos e esses ficaram úmidos pelo choro que ameaçava sair.
Chizuru estufou o peito mostrando-se superior e abriu a boca pronto para falar algo mais, contudo foi impedido pela voz de seu irmão e Alfa.
— Já chega! Todos voltem para suas obrigações. Não quero nenhum lobo preguiçoso em minha Matilha. — A voz firme de Kensuke não deixou espaço para ser contestado.
Todos os curiosos trataram de fugir rapidamente, nenhum deles era estúpido o suficiente para desobedecer ao Alfa. Chizuru virou para seu irmão, pronto para justificar, mas o duro olhar que recebeu de Kensuke, o fez abaixar a cabeça em sinal de submissão.
— Chizuru, volte para casa e não saia de lá até que ordene. Irei sentenciar em breve o seu castigo!
— Por quê? Eu não fiz nada... Foi esse gato idiota... — Ele começou a protestar.
— Esse gato ao qual se refere é meu esposo e a segunda pessoa mais importante na Matilha, deve a ele respeito. — Kensuke disse com a voz grossa. Seu olhar era duro e frio que poderia matar apenas com ele. — Você desrespeitou o meu acasalamento e pagará por tal erro!
Chizuru acenou. Ele conhecia o seu irmão o suficiente para saber o quanto ele estava furioso e magoado. Seria loucura contrariá-lo agora. Sem dizer mais nada, ele seguiu em passos contados pelo caminho de voltar a sua casa, no caso, onde morava com seu pai. Esperaria pelo castigo que seu Alfa aplicaria. Sabia que Kensuke poderia muito bem expulsá-lo ou matá-lo pelo o que fez.
Kensuke olhou para o loirinho. Seu coração apertou e a carranca assumiu o seu rosto, deixando um olhar triste e cansado. Não era assim que imaginou que seria quando casasse. Ele e Nanami não tinham nada em comum. E mesmo que tivesse repreendido seu irmão por tudo que disse, uma coisa ele sabia que Chizuru estava certo, Nanami não era a pessoa ideal para ser a Cadela Alfa. Não era quem Kensuke precisava ao seu lado.
— Vamos para casa! — Ordenou. Sem esperar para ver se o gatinho o seguia, Kensuke virou-se sobre os pés e seguiu em sentido a sua casa. Ele estava estressado e cansado. Mesmo que não admitisse, passou a noite remoendo pela forma que tratou seu esposo na noite anterior e por ele dormir fora de casa.
Continua...
Notas finais
Agradeço aos comentários que tem nos deixado muito animadas e com disposição para mais e mais de Akai, estamos trabalhando com nosso máximo nessa fic
Hoje infelizmente não pude fazer desenho, foi a vez de uma fic minha (Colorful), mas semana que vem provavelmente teremos ilustração de algum personagem!
Beijinhos, e até a próxima!
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