Akai

12 Capítulo 11: Lágrimas de sangue


Notas iniciais
- É.... ah esse título ficou muito ruim uahuahauhauha!!!
- Desculpas pela demora ~

Qual o significado do mundo sem você?

Qual o significado de amigo sem você?

Qual o significado de ser Mihael Keehl sem você?

Qual...?

Light fora o primeiro a sair do transe e correr para o aparelho tentando descobrir o que de fato acontecera, rapidamente fez backup das imagens de momentos antes e passou os 40 segundos em câmera lenta. Realmente fora uma explosão, mas Mello não ficaria para ter essa confirmação, nem veria os olhos de desespero de L.

O mais rápido que sua moto permitia, literalmente tirou seus pés do chão para alcançar o local onde estivera observando aquele tempo todo, assim que pode ver a abertura por onde usaram para chegar da outra vez á pequena casa de madeira, desceu do veículo e correu.

Correu como se sua vida dependesse daquelas passadas apressadas.

A casinha já não mais existia, tudo era destruição e madeira jogada por todos os lugares. Suas mãos suavam frio para a cena á sua frente, o coração... não existia mais um coração.

- Matt... _chamou fraco.

Seus olhos não chegaram a formar lágrimas, nem mesmo se rendeu a fraqueza de suas pernas. O loiro alcançou o capacete jogado na grama anteriormente e deu as costas para os escombros, trincou os dentes ao sacar a arma que tinha ajeitado no cós da calça.

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- Light, mandei Watari quebrar o protocolo de segurança e ir averiguar o local.

- Não iremos até lá?... _perguntou um pouco zonzo com o choque.

- Não, B. possivelmente não deixou pistas.

- ...o garoto está morto?

O moreno fechou o notebook e escorregou para o sofá, saindo de sua posição convencional e sentando ao lado de Light como o mesmo.

- Eu não sei, meu querido... eu não sei.

- L! Precisamos ir até lá, pode haver alguma razão para isso _insistiu, já pegando as chaves de seu carro e alguma blusa para o marido que se encontrava apenas de camiseta naquele dia frio.

- Confio nos meus escudeiros, nosso problema agora é ter voltado ao zero.

E com um incrível desanimo, saltou do móvel seguindo para a porta de entrada. Seus olhos tinham uma profunda expressão de tédio, as olheiras pareciam ter dobrado o tamanho de repente e sua coluna, encurvado mais alguns milímetros.

- Mantenha o apartamento, mas saia por algumas horas... Mello voltará.

Bateu a porta de madeira sem se importar com regras de etiqueta e desceu as escadas escuras do prédio.

O clima da cidade estava como sempre, céu fechado e neblina cobrindo parte dos prédios mais altos, ninguém sorria, ninguém ousava dar bom dia a quem passasse. A pressa era a única companhia dos habitantes, até mesmo para quem dormia nas ruas, pressa para morrer, pressa para mais um dia passar, pressa para ganhar alguma esmola. L caminhou para longe da multidão, indo em direção ao parque mais próximo – que se encontrava relativamente vazio – assim teria a liberdade de agir se precisasse.

Encostou á grade branca do enorme portão de entrada e esperou.

Esperando pela morte, esperando por conforto, esperando para encontrar... B?

Seus pensamentos foram interrompidos por um problema bem mais real, um problema frustrado e sem medo de perder o mundo para se vingar.

- Você chegou bem rápido, Mello _disse ao longo de 20 minutos para o homem que chegava pelo lado esquerdo do moreno.

- Diga sua última palavra _ajeitou a semi automática em sua mão, os ombros porém, permaneciam caídos demonstrando tristeza.

- Watari está revistando o local, teremos a certeza dos fatos em pouco tempo.

- ...palavras erradas, sensei¹.

O loiro levantou o braço na altura de seu peito, o dedo no gatilho não hesitou, não tremeu, nem ao menos se deu o trabalho de ouvir todos seus sentimentos.

O ódio era de longe o maior e o mais satisfatório deles.

A cena seguinte não foi algo de muito espetacular, o moreno já esperava pela reação exagerada do ex-aluno, então não sofreu se quer um arranhão. Os agentes estavam á disposição, e assim que Mello pensou em atirar, já estava sendo capturado.

O detetive poderia tê-lo parado ainda no local da explosão, mas ficou curioso para saber se ele teria coragem atirar realmente. Além de ter a certeza que Mello é de fato um alguém cabeça quente e que não mede as consequências, ainda caiu-lhe a ficha que B. não viria procurá-lo tão cedo. A ida ao parque poderia de certa forma atrair o irmão.

- Sinto muito por isso, Mihael _o moreno algemou os pulsos finos do homem _sinto muito.

Com certo pesar mirou os olhos azuis, agora apagados e sem vida, a pergunta seguinte morreu em sua garganta, ordenou com um aceno de cabeça para que o levassem ao apartamento e se retirou.

O clima não era nem de perto amistoso entre os amigos, isso se ainda podiam se tratar dessa forma; Mello se encontrava algemado, largado no sofá maior da pequena sala de estar, Light e L sentados no chão, um ao lado do outro á espera de Watari, e apostos para qualquer emergência, dois dos seguranças do moreno que ajudaram na captura do loiro.

A postura corporal e os olhos de cada um diziam como era passar por aquela situação: Light se sentia um tanto deslocado, Matt, B e Mello não eram prioridades em sua vida, para ele nada disso importava á não ser o sorriso tímido e singelo de L, de sua vida pacata e sua família que o esperavam ansiosos no Japão. Ficar sendo apenas um acessório era um sentimento horrível, agora mais ainda onde os outros dois homens á sua volta se enfrentavam silenciosamente; talvez pudesse tomar alguma atitude e acalmá-los, mas só de pensar no trabalho que teria para dialogar com o Keehl, sua cabeça latejava e então o desanimo tirava toda a sua força de vontade – abraçar o marido e confortá-lo era deveras mais simples e, sendo sincero, esse era seu papel.

L por sua vez mantinha a postura baixa e desconsolada, perder B de vista mais uma vez, mais uma! E ainda tinha o remorso por talvez ter deixado seu ex-aluno morrer levando junto seu orgulho como o melhor detetive do mundo, e Mello? Como encarar aquele par de safiras? Se bem que o outro se encontrava tão perdido, que o brilho das joias raras já tinham se apagado faz tempo – nem ao menos se levantou depois que os seguranças o atiraram no sofá. Ser consolado por Light era o único indício que ainda estava vivo e numa realidade, mesmo que cruel, vivida por todos.

Minha face está coberta com sangue

Não existe nada fora a dor

Passando o mais perto do prazer

Não posso dizer para onde estou indo

Estou correndo, todo confuso

A própria morte está vindo...

O loiro abriu os olhos lentamente, a descarga de adrenalina e o esforço físico exagerado fizeram com que seu corpo entrasse em colapso e acabou apagando. Se moveu minimamente para o lado e só então sentiu o metal gelado encostar na altura de sua barriga – estava algemado. Procurou L e Light com os olhos, o casal porém estava de costas para si, ignorou sua revolta por estar preso e voltou á fechar os olhos.

Então eu vejo você parado ai

Não posso fazer nada além de correr

Seguindo você em minha alucinação

Cuidado! Estou insano

Você não pode acabar com a minha tristeza

O último sonho fatal está começando a fluir

Queria á todo custo levantar e sair em busca daquele que tirou seu bem tão precioso, se livrar daquelas roupas rasgadas, dos sapatos sujos, correr como um vingador sem coração atrás de sua presa – queria trazer Matt mesmo que estivesse no inferno, onde provavelmente era o lugar de ambos. O primeiro passo era matar Jôjo² e recrutar alguns delinquentes, só para ter seu ódio apoiado com mais força, depois de uma viajem perigosa chegaria ao ápice de sua vingança fazendo Beyond pagar por tudo, por cada surra, por cada beijo forçado... só então, quando finalmente fosse tirar sua própria vida com a mesma arma que matara seu ódio, iria até as profundezas encontrar seu coração.

Era um plano perfeito, digno de um filme, sim! L poderia contar sua história ao mundo, contar o quão Matt é importante para si.

Vou cortar minha face coberta de sangue azul

Me dê um pouco mais de dor

Me dê as convulsões da morte

Dance para a triste tragédia como um fantasma

Na forma desperta do cenário

Dance para os tristes-não-esquecidos como um fantasma

Numa forma obscura reencarnada

Sua mente, da mesma forma que dava á sua vida um sentido, também o forçava á calar-se. Seu corpo pesado o impedia de levantar e correr através da porta de madeira, ele queria, mas não queria ao mesmo tempo, afinal... se afundar em dor e remorso era muito mais confortante.

Mihael Keehl se tornou um homem caído.

- Matt... você deve estar tão decepcionado agora... _murmurou para ninguém, seus lábios rachados quase não se moviam _confuso por eu não ter ido te salvar a tempo, talvez até com ódio, talvez...

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Watari dava uma prévia da investigação para L e Light, nada de extraordinário em seu relatório o que não era nenhuma surpresa para o detetive mais velho. B não mudara seu jeito de agir, sempre sem pistas, mas o fato era que o corpo de Matt não fora encontrado – talvez, com 10% de chances, a vítima não tinha sido abatida. O que seria um problema ao moreno de olhos escarlates, manter Matt vivo significava sua sentença de morte.

Insanos, era complicado confirmar alguma hipótese quando se tratavam de psicopatas.

- Sugiro que o senhor volte ao Japão... _o velho suspirou ao ver seu filho cabisbaixo _e quanto á ele? _se virou para Mello, ainda deitado de costas para todos no sofá.

- Vamos levá-lo, Light, nossos pertences meu querido e Mello, se quiser suas coisas, arrume você mesmo.

O loiro não deixaria ser levado no colo para o carro, mas tão pouco recolheu suas coisas, só se levantou quando todas as malas já estavam no carro e o ultimo segurança com a chave girando entre os dedos.

- Temos que ir Sr... _disse receoso á pessoa que julgou não passar de um menino mal educado, mas bem perigoso.

Mello não se deu o trabalho de nem ao menos resmungar de volta, levantou e caminhou até o corredor com a sensação semelhante de estar usando algum entorpecente; seus pés pareciam pisar em macias nuvens, o corpo todo estava leve e difícil de controlar, assim como a visão que lhe fazia turva. Parou no topo da escadaria e desceu os degraus pulando-os de dois em dois, o tilintar dar algemas traziam á si nostalgia de seus tempos de delinquente, antes mesmo de Kira aparecer; vadiava horas a fio ao lado de Matt roubando pequenas quantidades de dinheiro, doces e o que mais fosse do seu interesse, eram apenas crianças afinal.

Desde que fora preso por L, os minutos passavam vagos e sem sentido, não sabia o que era certo e errado á se fazer naquele momento; procurar Matt, matar L, matar B, destruir o mundo, morrer?

Assim que alcançou a recepção do sobrado velho e imundo, se deparou com o hall vazio a não ser por uma menina ao lado da porta de entrada. Era o loiro mais falso que já vira na vida nos cabelos longos e presos de qualquer jeito no topo da cabeça, estava vestida de forma peculiar, com um curtíssimo vestido preto de renda e botas de cano longo cheias de penduricalhos e em seu rosto pálido, maquiagem berrante e escura, com vermelho e violeta. Para o seu azar, a menina olhou para ele algumas vezes e pisou em seguida como se visse encontrasse o que estava procurando.

- Aah Sr! _o chamou com a voz esganiçada.

— ...não posso falar com você agora _respondeu seco balançando o metal em seus pulsos.

- Só entenda que a pessoa que me pediu esse favor, está acima de qualquer um de vocês.

E com isso estendeu um pequeno buque de camélias vermelhas, agrupadas de qualquer forma e amarradas ao meio por um elástico. O loiro olhou com desprezo ás flores sem entender o que aquilo significava, ao longo de alguns segundos sua cabeça então latejou forte.

Camélias vermelhas...

...

- Veja Mels! São flores para dar um ar mais elegante para nosso apartamento.

- Que merda é essa Matt?! Plante algo útil.

- Não seja tão ranzinza _o ruivo ria enquanto fazia pequenos buracos com os dedos na terra fofa da jardineira.

- E que tipo é isso ai? _olhou de esgueira para o pacotinho jogado em cima da pia.

- Camélias vermelhas.

- ...nunca ouvi falar, que seja.

...

- Onde ele esta?! _fez a primeira pergunta que lhe veio á cabeça, tentando de alguma forma agarrar o braço da menina _quem mandou entregar essas flores?

- Calma ai amigo das sombras, quem pediu para entregar isso foi o próprio Deus do submundo! Ele tinha olhos vermelhos como sangue e a pele branca como a neve, era tão perfeito... _seus lábios desenharam um sorriso sonhador _pediu para que entregasse isso ao homem de cabelos loiros que desceria em breve pelas escadas. Com certeza ele é o Senhor do outro mundo, para saber de tudo isso, para ter aquele olhar e aquela aparência! Subiu não faz muito tempo acompanhado de seu servo _apontou para o mesmo lugar de onde Mello viera.

E deixando a estranha criatura para trás, Mello voltou ás escadas de emergência e subiu o mais rápido que pode, não ia chamar por L, não tinha tempo para isso. Se fosse B. e se ele realmente tivesse entrado no prédio, teria topado com o casal de detetives mais cedo e por que não, tê-los matado? Os seguranças também não vieram atrás do loiro, talvez outro duplo assassinato. Mas a informação que ele estaria acompanhado...

A porta do apartamento estava entreaberta, com um chute misturado á um empurrão, o loiro entrava por ela sem nenhum cuidado e assim que olhou para a pequena sala de estar, os viu.

Matt e Beyond sentados lado a lado no sofá, como uma pintura.

- Matt...? MATT!

O chamou receoso, sem conseguir se aproximar do mais novo, seus pés não se moviam um só milímetro apesar de sua mente gritar pelo contato físico. O ruivo mantinha seu olhar parado em Mello e passavam uma sensação ruim ao outro, sua postura era totalmente peculiar; talvez estivesse sob o efeito de alguma droga.

- Fale comigo, Matt!! _estendeu os braços na direção oposta, mas recebeu um sorriso sínico de B. e isso fora a gota d’água para seu sangue ferver.

Mesmo com as algemas, tentou golpear o moreno se inclinando para frente e dando um largo passo em direção ao sofá, mas para sua surpresa o ruivo pulou em sua frente segurando seu corpo.

Mail Jeevas defendeu Beyond do ataque de Mello.

- ...M... _sua voz embolou na garganta e as lágrimas vieram sem aviso.

- Não quero que toque no B, por favor... Mel.

Notas finais
1: sensei = professor.
2: Jôjo = alguém ainda se lembra do chefe da máfia? Chefe também do Mello.
Música: blue blood (X-Japan).

- Obrigada ;**~ sdds de vcs cara uu'