Aka wa ai no irodesu.
2 Yukata extremamente colorida e exagerada.
Notas iniciais
Três anos se passaram depois daquele desastre no reino de Heian. Eu completarei dezoito anos em breve, e todos estão com uma expectativa boa para o novo rei de Yamatai.
Algumas coisas mudaram quando minha mãe morreu. Meu pai ficara mais rigoroso, e não tinha mais aquele brilho nos olhos. Agora eles pareciam vazios e sem vida. Ela estava bem doente quando eu havia completado quatorze anos, eu não era tão próximo da minha mãe, pois passava mais tempo com meu pai ou com o Hiromi, mas ela era minha mãe, e isso me deixou bem deprimido.
Ainda deixa, se eu pensar muito no assunto. Uma nova rainha fora escolhida, os preparativos estavam prontos para o casamento que aconteceria no dia do meu aniversário, a mais nova rainha havia adorado aquilo, sorridente, balançou os fios negros e mostrou seu melhor sorriso quando meu pai comentara em relação a isso, dizendo:
— Sugoi! Podemos comemorar o nosso casamento e o aniversário do pequeno Akki! — O brilho jovial que aquela mulher emanava me deixava enjoado. Eu nunca gostara dela, a achava muito forçada e sem graça, ela também era cheia de caprichos e chatices. Eu não a suportava. Mas quando eu falei com meu pai...
— Filho, seu pai está ocupado agora. Preciso mandar uma mensagem aos outros reis em relação ao que vamos fazer a Heian. Irei contatar também reinos de fora, que são fortes e tem bons exércitos, eles poderão nos ajudar a retomar o reino e colocar a Aiko de volta na coroa. O problema será que ela precisará se casar com um príncipe.. — Me irritei ao ouvir aquilo por quê, primeiro, sei que o reino de Heian estava destroçado e tudo mais, mas ele estava ignorando a minha crítica sobre a noiva idiota dele. E segundo, a Aiko não se casaria com ninguém. Ela não precisa disso. Pode governar sozinha. E eu não aceitaria uma coisa dessas.. Por quê estou pensando nisso?
Enquanto caminhava até meus aposentos, avistei a futura rainha numa yukata extremamente colorida e exagerada, e ao seu lado vinha a Aiko com uma yukata
vermelha simples e com alguns enfeites no cabelo rosa que crescera bastante.
— A-Aiko! — Tentei chamar ao passar perto das duas que conversavam baixo sobre alguma coisa, a futura rainha ria baixinho e Aiko permanecia com sua expressão vazia e distante. Ao me ver a rainha alargou o sorriso e me abraçou, claro que eu me afastei rapidamente e fiz uma careta, o que fez um sorrisinho torto surgir nos lábios da Aiko.
— Amanhã é seu aniversário, não é, Akki? — Alerta de brilho jovial emanando. E me irritando.
— É Akihito. E sim, é sim. Mas aposto que você só lembra por quê seu casamento é na mesma data. E Aiko, não me ouviu te chamar?
Ela assentiu, mas permaneceu calada.
— Ah, isso é besteira sua! E a Aiko-chan é minha dama de companhia agora. Ela só fala com quem eu autorizar. Pedi isso ao seu pai e ele concedeu. Disse que Aiko está velha demais pra continuar andando atrás de você. — Ela sorriu, e eu consegui sentir malícia naquele sorriso.
A Aiko assentiu de novo. Provavelmente estava lá quanto isso foi proferido. Quanta idiotice.
— Então a autorize a falar comigo! Ela é minha melhor amiga.
— Iie, iie, mocinho. Ela agora é a minha melhor amiga. Agora tenho que ir, preciso cuidar dos preparativos do meu casamento. Ah, e do seu aniversário. — Ela falou, com um pouco de desprezo na última frase. Eu estava me irritando cada vez mais com aquela mulher idiota. — Denka. — Se curvou para mim e Aiko a imitou, e saiu sorridente em disparada aos servos que organizariam tudo para ela.
— O que foi aquilo? — Perguntou Hiromi, dando um pulo e aparecendo do nada ao meu lado, andando comigo até meu quarto.
— Não sei como meu pai aguenta ela. — Resmunguei.
— Não aguenta. Ele tem estado muito ocupado fazendo contato com os outros reinos de fora. Para aquele assunto de Heian. Nem teve tendo de ajudar com os preparativos do casamento, mas a rainha se ofecereu para organizar tudo, o que deixou o rei mais aliviado.
— Ela não é rainha ainda.
— Gomenasai. Etto.. Treino mais tarde? Tenho uma coisa nova pra te ensinar com a katana, você vai gostar. Precisa treinar um pouco para esquecer disso. Apareço aqui mais tarde?
Eu sorri. Hiromi havia se tornado meu amigo enquanto a Aiko estava mais distante de mim, mesmo convivendo no mesmo palácio.
— Apareça e vamos treinar. Eu vou acabar com você.
— Hahah, veremos. Denka. — E assim ele se curvou e saltou da varanda, andando tranquilamente na grama logo abaixo.
Falar com o Hiromi realmente me deixava um pouco mais animado. Ele era mais meu amigo do que guarda costas. Vai entender.
Pela tarde ele estava do lado de fora, encostado no apoio da varanda, me esperando. Saí e andei calmamente ao lado dele enquanto ele me contava em como o reino Kamikaze tinha lindas mulheres e quantas já o cobiçaram e etc. Falara até coisas indecentes que me fez rir, mas prefiro não citar elas aqui.
O treino foi pesado. Ele me ensinou a desarmar meu oponente, roubar a sua katana e usar ambas katanas contra ele. Manejar duas katanas ao mesmo tempo foi um desafio para mim, mas acabei pegando o jeito.
Passei a noite inquieto. Não conseguia parar de pensar naquele maldito casamento do dia seguinte. Eu ainda não confiava naquela mulher que meu pai dizia amar tanto.
Não conseguindo dormir, me levantei, calcei as sandálias de madeira e saí do quarto. O frio da noite me atingiu em cheio, me fazendo estremecer. Ao olhar ao redor notei a Aiko encostada em uma das sakuras, sentada na grama. Parecia cansada, e estava cochilando. Depois de descer algumas escadas e andar um pouco, me encontrei de frente a ela.
Os fios rebeldes caiam por seu rosto e ela respirava tranquilamente. Estava com uma yukata azul, da cor do céu, a mesma que a animara quando o grande desastre aconteceu em seu reino. Suspirei e me ajoelhei em sua frente. Tirei os fios do seu rosto, colocando-os atrás de sua orelha, fazendo-os ficarem quietos ali.
A observei por uns instantes e lembrei de quando eramos mais novos e brincávamos naquelas sakuras. Algeres, sem preocupações, felizes.
— Sinto sua falta. — Sussurrei para mim mesmo, não queria que ela ouvisse aquilo, me levantei e virei para caminhar quando a voz suave da Aiko cortou o silêncio.
— Ouji-sama!
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