Ajuda-me a Viver
6 O Estranho Intrometido
Notas iniciais
Os dias foram passando e eu não estava aguentando mais ficar no hospital. A única coisa que fazia as horas passarem mais depressa era a presença de Alice. Ela vinha, trazia novas roupas, comida — apesar de receber advertências da enfermeira —, flores e outras coisas que saiam de sua cabeça maluca.
Se não fosse por Alice, não sei o que seria de mim nessa fase que estou atravessando. Eu já tive muitos amigos por ser super popular, sempre era convidada para várias festas, mas chegou um momento em que a dança se tornou minha prioridade e tudo com relação a minha vida social foi deixada de lado. Minhas amigas me chamavam para sair e eu dizia que não podia, que tinha ensaio logo cedo na manhã seguinte e inventava várias outras desculpas. Chegou o dia em que os convites se foram e juntos com ele todos os meu amigos. Só ficou a Alice.
Sempre digo que Alice é praticamente minha mãe, apesar dela só ser alguns meses mais velha do que eu. Ela sempre foi a que cuidou de mim e me deu conselhos quando precisei. Ao contrário da minha verdadeira mãe. Por falar em Renée, desde daquele dia que ela veio aqui e me falou aquelas barbaridades nunca mais apareceu. Acho até bom, assim me poupa aborrecimentos.
A cada dia que passa me sinto melhor fisicamente, minha cabeça não dói mais e quase não sentia mais minhas costelas quebradas. O único problema que persistia era a minha perna. Apesar dos pontos já terem caído, ainda sentia dificuldade para andar. O Dr. Carlisle falou que a fisioterapia começava hoje e que em breve minha perna estaria boa para andar.
Embora todas essas coisas boas estivessem acontecendo, eu ainda não tinha aceitado inteiramente a ideia da morte de Mike. Às vezes tinha a boba esperança de que tudo isso não passou de um pesadelo, que quando eu menos esperasse ia estar dançando novamente com o meu noivo na plateia. Como dizem, a esperança é a última que morre.
Fui puxada para a realidade quando ouvi alguém bater na porta.
— Entra — falei e tentei dar uma arrumada no cabelo, já que a minha personal stylist Alice não apareceu hoje.
— Bom dia senhorita Swan, sou o Dr. Cullen.
Não podia imaginar o que o Dr. Carlisle queria de novo e o por quê de ele se apresentar ao entrar. Quando virei para olhar em sua direção, não era o Dr. Carlisle que estava ali e sim outro médico que parecia bem mais simpático.
— Sou o seu fisioterapeuta.
— Como assim meu fisioterapeuta? Você nem cara de médico tem. — O homem não estava usando jaleco, como podia ser médico, ainda mais o meu médico?
— Ah, desculpe. — Ele falou dando um sorrisinho torto — É que eu já terminei o meu plantão e tirei o jaleco, mas lembrei que tinha que ver a minha mais nova paciente.
— Mas por que você disse Dr. Cullen ? — perguntei. Aquele homem estava me deixando confusa e me fazendo agir igual a uma verdadeira idiota.
— Esse é o meu sobrenome. Sou filho do Dr. Carlisle, meu nome é Edward Cullen — Edward disse tirando uma caneta do bolso e segurando uma prancheta.
— Ah. — Acho que nesse momento minha boca fez um grande ''O''.
Depois de alguns minutos lendo a prancheta, Edward levantou os olhos, de um tom incrível de verde, para me olhar e depois sorriu.
— Bom, Isabella... Posso te chamar de Bella?
— Não, não pode. — O nome Bella era apenas para os íntimos.
— Então, tudo bem Isabella. Como está a sua perna?
— O médico aqui é você, por isso me diga como acha que está a perna de uma paciente que teve uma fratura exposta? — A pergunta soou mal—humorada até para mim, mas não me importava parecer chata para o Dr. Cullen. O sorriso torto que não saia de seus lábios dele estava me irritando profundamente.
— Já esperava essa resposta vindo de você, afinal você é a famosa Isabella Swan.
— O senhor não me conhece, então como ousa falar assim comigo? Você só sabe o meu nome, não a minha história*. Não sabe o que eu passei, não sabe o que eu estou sentindo. — falei indignada.
— Em primeiro lugar, eu sei o que você está passando. Em segundo ,não sei porque tratar as pessoas assim, com tanto desprezo. Você está viva, não está? Então... — Interrompi a lição de moral de moral que Edward estava começando a tentar me dar.
— Com toda a certeza você não sabe pelo o que estou passando e não preciso de mais uma palestra de "Como aproveitar minha nova chance". — Falei.
— Me desculpa, mas eu sei o que você deve estar sentindo. É culpa, não é? Medo de...
— Dá para parar com isso? Já disse que você não sabe o que eu estou sentindo. Faça o seu trabalho e saia daqui. — Gritei.
— Me desculpa, vou fazer o meu trabalho.
Edward começou a fazer alguns exercícios na minha perna e ficamos em um silêncio profundo. Sabia que não devia ter sido tão grossa com ele, afinal Edward é a pessoa que, supostamente, vai me fazer voltar a dançar. Mas não conseguia aceitar que ele se intrometesse dessa maneira na minha vida.
Ele estava terminando de alongar a minha perna quando vi alguém entrando no quarto.
— Belinha meu amor, você não sabe o que eu comprei. Aquela bolsa que você está... — Alice parou de falar quando percebeu que eu não estava sozinha.
A cena de Alice parada no meio do quarto, cheia de sacolas e usando aquela roupa estava comica. Eu só não ousei rir para não dar mais motivos para o Dr. Cullen se intrometer na minha vida.
— Epa, desculpa. Atrapalhei? Já estou saindo — Ela falou envergonhada.
— Não precisa, eu já terminei. — Edward falou com a voz aveludada. — Isabella, nós vamos ficar fazendo os exercícios aqui no hospital até você ter alta. Depois você vai ter que ir a um centro de fisioterapia.
— Está bem. — Falei seca.
— Então terminei. Até breve. — Ele saiu dando aquele sorrizinho torto.
— Meu Deus. Quem é ele? — Alice falou assim que Edward saiu, largando as sacolas no chão e sentando na minha cama.
— Diz ele que é o meu fisioterapeuta.
— Com um fisioterapeuta desse até eu queria, isso se já não tivesse o meu psicológo. — Ela falou rindo.
— Alice, você veio aqui me ver ou falar desse doutor? — Falei contendo a raiva.
— Está bem Belinha. Foi o doutor que te deixou estressada dessa maneira?
Apenas assenti. Não queria continuar com essa conversa e por isso tratei de mudar de assunto.
— O que têm nas sacolas? — perguntei, sabendo que isso seria o suficiente para manter Alice longe do assunto Edward Cullen.
— Você não sabe o que eu comprei. — Alice falou totalmente distráida indo pegar as sacolas do chão — Essa blusinha estava em liquidação, esse short também... E esse sutiã com renda. A bolsa daChannel não é linda Belinha?
E Alice continuou falando, falando e me mostrando as comprinhas ''básicas'' que fez. E eu só fingia que ouvia, perdida em pensamentos...
*Não me julgue, você só sabe o meu nome, não a minha história — Demi Lovato
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