Aisuru gokakkei

5 Estúpida Amiga


Notas iniciais
~Oiii :3 Tudo bom com vocês? Acho que você vão gostar desse capítulo! Pode ter ficado um pouco grandinho, mas espero que gostem. ^^

"Falsa"

Essa seria a palavra que eu usaria para defini-la. Muito tempo se passou desde o ocorrido e ela nunca mais falou comigo, nem para um mísero pedido de desculpas. Mas não, ela só continuava me ignorando.

...

Até agora.

~*~

Eu estava saindo da escola como normalmente faço, porém, alguém havia esbarrado em mim. ELA havia esbarrado em mim. E como um tolo... Eu a ajudei.

—Anna, você está bem? — Eu perguntei.

—Não, tudo bem! Eu não estava vendo por onde estava andando. — Ela disse e estendeu uma de suas mãos para que eu a ajudasse a levantar. Eu, agindo como um idiota, a ajudei.

—Vo-você deveria prestar a atenção por onde anda!- Eu disse visivelmente irritado e logo em seguida desviei o olhar. Decidi naquele exato momento que não suportaria ter que encará-la depois de tudo o que ela já me fez, simplesmente dei as costas e fui embora.

Ela me irrita e me deixa envergonhado de uma maneira que não posso explicar. Penso que deve ser por causa do incidente causado por ela.

~*~

Achei que depois disso ela poderia, provavelmente, ficar envergonhada de me encarar e depois disso nunca mais teríamos qualquer tipo de contato. Sinceramente, eu desejava que fosse isso, mas aí ela começou a me encarar durante as aulas e, digamos que isso foi BEM desconfortável. E agora... Neste exato momento... Ela está me espionando saindo do colégio. Como eu sei? Bem, ela não é nada discreta.

...

Argh! Por quanto tempo ela vai continuar assim?! Ela não está enganando ninguém! Não é possível que ela vai me seguir até em casa?! Garota estúpida! Garota estúpida! Eu paro de caminhar e sinto ela esbarrar atrás de mim.

—A-ah! O-oi Gabriel! T-tudo bom? Hehe... — Ela ri de forma sem-graça. Eu me viro para ela. Não aguento mais essa garota...

—Sério, o que você quer de mim?- Eu pergunto. — Você acha que eu não sei, mas eu sei! Não sou idiota a ponto de não perceber que há alguém, bem atrás de mim, o tempo todo, me vigiando! Faça um favor para mim, me deixa em paz! Poupe o que te resta de dignidade e PARE, DE, ME, ESPIONAR! — Assim que acabo de falar, me viro de costas e sigo novamente meu caminho para casa, dessa vez, sem ser observado.

...

Poucos dias se passaram, e ela havia parado com a espionagem. Eu... Eu não entendo... Consegui o que queria, mas por quê me sinto tão mal?

—Atenção alunos, trabalho em dupla valendo nota! — Anuncia o professor de redação. — Uma redação que conte um conto criado por vocês, uma estória fictícia.

Que ótimo... Sozinho de novo... Bem, não é como se fosse fazer diferença a presença de alguém comigo! E também não é como se eu ligasse de qualquer forma!

—Ei! Ei! Eu percebi que vocês precisam se entrosar mais. Vocês ficam somente com as mesmas pessoas quando poderiam estar aproveitando para conhecer mais seus outros colegas, por isso, eu escolherei as duplas.

Com o aviso do professor, a turma toda se entristece. Bom, pra mim tanto faz! Provavelmente irá cair com um colega meu na qual nem sabia da minha existência... O professor foi formando algumas duplas que logo começaram a trabalhar no texto, quando...

—Gabriel, você irá formar dupla com Anna. — Diz o professor.

Eh?

EHHH?!

—M-mas professor! Eu posso m-muito bem fazer sozinho o texto! Eu-

—Gabriel, eu realmente acho que você precisa se enturmar mais, por isso te coloquei com ela. Ela é bem sociável, então, pensei na possibilidade de vocês serem amigos.

—Mas-

—Não se preocupe professor! — Diz ela trazendo sua carteira e a posicionando ao lado da minha. — Tenho certeza de que nos daremos bem! — Ela sorri.

Que falsa! Admita logo que continua chateada!

—Bom! Bom! — O professor alegra-se e logo em seguida vai em direção a outros alunos que o chamaram. Ao sentar-se do meu lado, Anna se aproxima e fala:

—Sei que você não gosta de mim, mas não deixe isso interferir no nosso trabalho. — Ela disse seriamente e sem manter contato visual. Bem, isso me surpreendeu um pouco, mas não é como se eu me importasse de qualquer forma! -Mas então... — Ela volta ao seu estado normal. — Sobre o que faremos?

Hum... Vamos ver se ela ainda se lembra do que me fez...

—Que tal isso? Era uma vez, um menino solitário. Ele não era muito bom em se enturmar, por isso, não tinha sequer um único amigo. — Eu continuo a falar, vendo que ela não demonstrava ter entendido ainda. — Um dia, ele conheceu uma menina que aparentava ser muito... Simpática. — Novamente, nada. Eu continuo. — Os dois ficaram amigos, porém, um dia, ele resolveu passear e chamou sua amiga junto. Mas nos dia, sem mais nem menos, ela o apunhalou pelas costas! O traiu!- Dessa vez eu olho diretamente para ela. Nada...

—Hum... Boa história a sua! Vamos tirar uma nota excelente se continuar assim! — Ela diz sorridente.

—Você é mesmo idiota ou o quê? — Eu pergunto e ela me olha com uma expressão de surpresa e de susto.

—C-como assim? — Ela pergunta confusa.

—Alunos! Dispensados por hoje! — Diz o professor e todos se levantam, indo embora.

Eu pego minha mochila mas, ao sair pela porta da sala, sinto alguém me puxar.

—O que foi aquilo?! — Anna pergunta surpresa.

—Não te interessa. Apenas esqueça. — Digo e continuo a andar, mas ela fica de frente para mim.

—Como posso esquecer assim tão facilmente?!

—Eu já disse... Esqueça! — Eu falei já começando a ficar irritado. Desvio dela e continuo meu caminho, mas ela novamente fica de frente para mim.

—Me fala, por quê você me odeia?! — Ela pergunta também ficando irritada.

—Eu não te odeio, agora sai da minha frente. — Eu tento passar mas ela continua me impedindo de passar.

—Ah, odeia sim! — Ela fala. É, odeio mesmo. — Me fala quando foi que eu te fiz alguma coisa?!

Eu suspiro, tentando manter o resto de paciência que me resta, e falo:

—Esse é meu último aviso... Sai. Da minha. Frente. — Eu digo e tento novamente passar, mas sou novamente impedido.

Já chega, agora minha paciência esgotou...

Eu a empurro contra a parede, extremamente irritado.

—CHEGA DE FINGIMENTO! — Eu digo com raiva. — Aquela estória não te lembrou nada? Hum? Quem sabe talvez você tenha achado familiar pois foi EXATAMENTE O QUE VOCÊ FEZ!

—EU FIZ?! — Ela questiona surpresa. — Quando foi que eu te fiz isso?! Eu nem te conheço direito!

—Não me conhece?! — Agora EU é que estou surpreso. — Não se lembra do garoto que você conheceu na 2ª série? O garoto que, de acordo com você, não era nem seu colega, muito menos seu amigo! — Assim que eu falei ela me olhou confusa, mas depois ficou extremamente surpresa.

—V-você é...

—Dãã! Achava que fosse quem? Realmente não me reconheceu? — Eu pergunto e ela nega.

—Você tinha sumido da escola por um tempo, eu pensei que você tivesse saído do colégio e que depois havia entrado alguém parecido com você.

—Correção, alguém idêntico a mim? Sério, essa é a maior bobagem que eu já ouvi! — Eu digo com raiva. — E-e você! Para de me encarar assim!

—E-eu realmente pensei que você tivesse saído do colégio. Me desculpa... — Ela diz triste.

—Ah, vamos... Não vai chorar, né? — Eu pergunto sem-graça.

—Não! Óbvio que não! — Ela responde irritada. — Me desculpe... Mas, ei, eu ainda quero saber o que aconteceu antes?

—Como assim? — Eu pergunto. — Não é óbvio que qualquer um ficaria chateado depois do que você fez?!

—Mas que diabos foi que eu fiz?!

—Você me abandonou!

E o silêncio prevaleceu no local. Nós estávamos no corredor ainda e não havia mais ninguém lá e, provavelmente, nem no colégio. Ela me encarava, possivelmente esperando que eu dê mais detalhes.

—Eu era seu amigo, ou pelo menos pensava que era...

—Do que você tá falando? Você ERA meu amigo sim e-

—PARA! Para de ficar mentindo!

—Não estou mentindo! Nós éramos amigos! Bem, pelo menos do meu ponto de vista. — Ela diz. — De onde você tirou que nós não éramos amigos?

—Ué, você própria que falou! — Eu respondo com raiva. Não acredito que vou ter que falar sobre isso logo com ELA.

Eu suspiro, vendo que ela parecia realmente não se lembrar, e logo, volto a falar.

—Tá legal, você venceu. Eu te contarei...

~*~

Estávamos no 3° ano. Já estava ficando tarde naquele dia e nossos pais ainda não haviam ido nos buscar. Você me disse que era para eu te esperar na frente da escola, me disse que voltaria rápido e que havia somente esquecido algo. Só que, graças a minha curiosidade, eu resolvi te seguir. Só que, assim que você entrou na sala de aula, você começou a conversar com alguém. Eu não consegui ver quem era, mas dava pra perceber pela voz que era um garoto.

—Para colegas vocês estão bem próximos, ein?

—Nós não somos colegas!

E foi aí que eu percebi que estava sendo feito de besta. Estava sendo enganado o tempo todo. Assim que ouvi aquilo, voltei imediatamente para o portão da escola, e, assim que meus pais chegaram, eu fui para casa.

~*~

—E foi isso que aconteceu... — Eu digo terminando de contar.

—E, se me permite perguntar, por quê você ficou chateado o suficiente pra faltar quase um mês de aula? — Ela perguntou.

—Você ouviu o que eu disse por acaso?! Você disse que eu não era seu colega! Ou seja... Eu pensava que nós éramos amigos, mas nem colegas nós éramos!

—Ata. — Ela falou me encarando como se não acreditasse que realmente fiquei chateado com isso. — Mas você já pensou em ouvir o MEU lado da história?

—E por quê eu iria querer te ouvir?! Você só vai inventar uma desculpa esfarrapada e-

—CALA A BOCA E ME ESCUTA! — Ela disse extremamente irritada. — Você nunca pensou que aquilo podia ser um simples mal-entendido? Porque foi! Nunca pensou que eu REALMENTE te considerava um amigo? Porque eu considerava sim! Naquele dia, Daniel disse que queria falar comigo em particular e eu fui. Quando cheguei lá, ele tinha me perguntado aquilo e sim, eu respondi realmente aquilo. Mas não foi somente aquilo. Eu tinha dito: "Nós não somos colegas! Somos amigos!". Se VOCÊ tivesse tido um pouco de fé na nossa amizade e tivesse me questionado sobre isso depois eu teria te respondido. — Ela responde séria. — Agora venha me perguntar como eu fiquei. Veja do meu ponto de vista. Eu achava que tinha feito um novo amigo, e depois de um tempo ele simplesmente some sem dar nenhuma satisfação, e quando volta, age de uma maneira tão estranha que me fez pensar que poderia ser outra pessoa. Me xinga de estúpida, de ridícula, me odeia, mas agora me responda uma coisa. Você não acha que EU é quem deveria estar mais chateada aqui?! HÃ?!

Eu não sabia o que responder. Foi... Foi realmente tudo um mal-entendido?

—Ah! Quer saber? Que se dane! — Ela diz e me empurra, assim, podendo passar. — Vou pra casa.

—Es-espera! — Eu seguro sua mão antes que ela possa ir.

—O que foi?! Vai me chamar de estúpida de novo? Me dizer o quanto sou burra? Me chamar de idiota de novo? — Ela pergunta com raiva.

—Me...

—O quê?

—Me desculpa... — Eu falo baixo.

—O quê foi que tu disse?

—Me desculpa...

—Fala mais alto!

—Me desculpa! Ok? — Eu falo. — É que eu era meio tímido e não sabia como fazer amizades, e quando te ouvi falar aquilo eu realmente fiquei bem chateado pois você tinha sido minha primeira amiga... — Eu falo evitando contato visual. Ela ri. — O-o quê? Você tá rindo?!

—Desculpa. — Ela fala ainda rindo. — Eu tinha ouvido da primeira vez.

—V-você-

—Olha, você ficou igual um tomate! — Ela ri um pouco mais. — Mas, agora falando sério, tudo bem. Você foi perdoado com sucesso. — Ela diz e sorri. — Você tá sorrindo também!

—Hã?! Não tô!

—Haha Tá sim!

—Não t... Ah, tudo bem, eu tô. — Eu digo admitindo derrota para a felicidade que eu estava sentindo. — Mas sabe, tem uma coisa na qual eu ainda estou curioso.

—O quê é?

—Por quê você estava me seguindo?

—A-ah! Bom... Eu sabia que te conhecia de algum lugar, só não sabia de onde. Então, resolvi te seguir por... Sei lá! Eu pensei que talvez viesse uma "luz" na minha cabeça e eu lembrava de onde eu te conhecia.

—M-mas bem, não é como se alguma coisa fosse mudar agora! — Eu digo.

—Uhum... Ok então. Eu tenho que ir agora.- Ela diz e vai pelo corredor em direção a saída. — Você não vem?

Eu a sigo.

...

—Bem, é aqui que nos despedimos. — Ela fala. Nós paramos na saída do colégio.

—É...

—Sabe, se não for incômodo... Teria como me acompanhar até em casa?

—O quê é você? Uma menininha de seis anos que não consegue ficar sozinha? — Eu digo brincando.

—Hey, não precisa ser grosso. — Ela diz rindo um pouco. — É só que Daniel sempre me acompanha, mas hoje ele faltou então...

—Você vai me usar como substituto? Ok então.

—Sério?! E não, não estou te usando como substituto, eu só não quero ir sozinha, só isso.

—M-minha casa também fica por esse caminho então não pense que estou fazendo isso por você. — Eu digo e começo a andar. — Se você não vier vai ficar pra trás.

—Ei! — Ela diz e me acompanha.

...

—É aqui a minha despedida. — Ela diz em frente a casa dela. Ela se vira pra mim.

—Hum? O que foi? — Eu pergunto.

—Muito obrigada mesmo. — Ela diz. — Sabe, você é bastante sozinho, se não se importar gostaria de lhe apresentar meus amigos. Tenho certeza de que eles irão gostar de te conhecer, principalmente o Daniel!

—Não vá se empolgando. — Eu digo e me viro para poder ir embora quando:

—Gabriel!

—Hum? — Ela me abraça por trás. — E-ei!

—Vê se me procura na próxima vez que acontecer um mal-entendido, viu? — Ela diz e ri, logo entrando em sua casa.

P-por quê meu coração tá batendo assim? E-eu devo estar doente.

E assim eu segui meu caminho para casa, com um sentimento estranho me acompanhando no peito.

Notas finais
Espero que tenham gostado! ^^ Ficou um pouco mais longo que o normal, mas foi feito com muito carinho pra vocês ♥ E pessoal, não vai cair a mão se vocês comentarem, né? Um comentário, por mais pequeno que seja, já é bastante motivador. ~Bye ;*