Aisuru Baitariti
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
"Ela está... Chorando?"
10 anos antes na pequena Cidade de Meigetsu, Japão.
Conhecida por ter o céu mais belo do que qualquer outro local daquele país. Meigetsu era uma cidade tranquila, rodeada por diversos bosques e reservas florestais que davam um tom de serenidade, ideal para aqueles que gostavam de viver em contato com a natureza. Nesta pequena cidade vivia a família Homura, em uma casa de apenas três cômodos onde cresceu Saito, uma criança comum exceto pelo fato de ser extremamente medroso, fator que dificultava as interações com outras crianças. Sendo assim, passava a maior parte de seu tempo na creche, o único lugar que proporcionava a si momentos de paz e aconchego já que, se ficasse em casa, seria vítima de terríveis gripes alérgicas causadas pela poeira que ali surgia constantemente, pois ao lado de sua casa estava sendo construído um grande edifício.
Num domingo ensolarado, a mãe de Saito havia pedido para este sair um pouco de casa e trocar o vídeo game por uma divertida manhã no parque onde deveria interagir com as outras crianças de sua idade. A fim de fazer a vontade de sua mãe, mesmo contra a sua, foi em direção ao parque distante através de uma pequena trilha pouco movimentada, caminhando com ambas as mãos no bolso.
— Assim deve parecer legal para as outras crianças. — Murmurava ele para si mesmo, referindo-se ao modo como andava com as mãos escondidas em seu bolso. Saito continuava a caminhar por mais alguns instantes, levando somente 5 minutos para finalmente poder avistar seu destino mais a frente quando ouvira um grito que desviou completamente sua atenção. O som emitido aparentava ser feminino, levando-o a correr em direção ao som e deparar-se com uma pequena garota da qual nunca havia visto antes por ali.
A pele dela era branca como a neve, os olhos fundos e grandes, cujo a íris possuía uma coloração azul bebê muito chamativa, da qual prendia o olhar de Saito impiedosamente. Seus trajes resumiam-se em somente um vestido branco na altura do joelho, rendado na gola e extremidade inferior de forma que parecia ter sido feita a mão com máxima delicadeza. Ela não possuía mais que 1,39 de altura e ao seu lado encontravam-se três rapazes de aparência mais velha e definitivamente com más intenções, já que a pequena garota estava encolhida no canto esquerdo do beco. Sem saber do que se tratava Saito apenas observava.
— Ela é bonitinha, não acha Mashiro? — Disse um dos rapazes que se localizava em frente à garota.
— Heh, dá pro gasto! — Respondia o maior e definitivamente, o mais forte dentre eles que usava um tom malicioso do qual Saito nunca havia ouvido antes.
– Coloque-a aqui na minha frente, Satoshi. — Ordenava Mashiro, levando sua mão até o cós da própria calça. Obedecendo a ordem imediatamente, Satoshi agarrou a garota pelos cabelos de forma bruta e muito firme, levando-a a gemer de dor conforme a ação se prolongava. Um gemido do qual se tornou agudo no momento em que foi arrastada em direção a Mashiro.
Saito sabia que deveria proteger a garota, mas por outro lado não conseguiria partir para cima dos agressores, passando a analisar cuidadosamente a situação em que se encontrava. “Se eu atirar uma pedra com força o suficiente... Com certeza um sairá ferido... Deve ser o suficiente!” pensou ele pouco antes de abaixar, engatinhado pelo chão a procura de uma pedra. Não demorou muito para achar a pedra perfeita, grande e pontuda, já que assim obviamente causaria danos a qualquer um que fosse atingido.
Saito segurava a pedra com sua mão esquerda, voltando para o local anterior e levantando-se atrás do poste novamente para que em seguida pudesse arremessar a pedra em direção a Mashiro, que já estava prestes a abaixar a calça. Sem pensar duas vezes, atirou o objeto em direção ao seu alvo com força e rapidez, acabando por acertar um pouco acima da orelha de Mashiro, perfurando o local e causando sangramento, levando o alvo a cambalear para os lados e cair, desacordado.
Saito ria baixo, claramente divertido com a situação e cuidadoso para que sua presença não fosse percebida ali, levando uma das mãos em direção à boca e assim tampando-a para que o barulho não saísse mais alto do que deveria.
— Mashiro?! — Dizia em um tom de desespero o rapaz não identificado próximo a Satoshi, arregalando os olhos e correndo ao encontro de Mashiro, logo se ajoelhando ao lado do mesmo de forma incrédula. – Satoshi! Deixe de ser inútil e me ajude! — Vociferava o rapaz.
— Acalme-se, Yu! — Dizia Satoshi, olhando em volta a procura do motivo pelo qual Mashiro desmaiara. Sem sucesso, passou a andar até Mashiro e logo o apoiou um dos braços dele em seu pescoço, erguendo-o.
— Yu, pegue o outro braço! Imbecil! — Dizia Satoshi num tom autoritário. Yu obedeceu imediatamente o comando, colocando o outro braço de Mashiro em torno de seu pescoço e erguendo-o, arrastando-o para fora do beco.
Saito desviava sua atenção para a pequena garota que permanecia imóvel, ajoelhada no chão com as mãos escondendo o rosto de onde pingavam diversas lágrimas, sem cessar.
“Ela está... Chorando?” Pensava Saito sabendo que, mesmo um deles tendo sido abatido, não estavam longe o suficiente dali para que pudesse ir até a garota e socorrê-la, então subitamente saiu de trás do poste na intenção de levá-la para longe dali. Porém, para a surpresa de Saito esta ainda encontrava-se com o rosto coberto, preocupando-o de um modo inexplicável e levando-o a dar passos lentos e suavemente silenciosos que o aproximavam dela.
Chegando a frente a ela, Saito se agachava, levando ambas as mãos até os pulsos desta e retirando ambas as mãos com cuidado do rosto da pequena, que imediatamente inclinava sua cabeça, deixando-o na altura do de Saito. O rosto da garota encontrava-se molhado devido às lágrimas que escorriam de seus olhos um pouco avermelhados por conta do choro, e não demorou muito para que estes se fechassem e uma reação acontecesse, debatendo-se contra Saito enquanto o mesmo segurava ambos os pulsos de forma firme, não sofrendo nenhuma agressão.
— Não me mate, por favor... Não me mate! — Gritava a garota.
— Tudo bem, eu te salvei! Não está mais em perigo, não chore mais, ok? — Dizia Saito num tom sereno e gentil do qual fez a pequena parar de debater-se pouco a pouco, abrindo seus olhos e passando a fitar o garoto a sua frente, com um largo e sincero sorriso em seu rosto.
— Tem certeza...? — Indagava a garota num tom manhoso, aparentemente acreditando nas palavras que ele havia dito, levando-o a soltar os pulsos que ainda segurava.
— Tenho! Vamos sair daqui antes que eles voltem – Saito se levantava ao dizer tais palavras – a Propósito, qual é seu nome?
— Alice... – Respondia ela, tendo sua mão tomada pela dele que a levantava sem esforço, puxando-a consigo para longe dali.
Sabendo que ir ao parque era perigoso, Saito a levou para outro local do qual conhecia como a palma de sua mão. Um lugar do qual jamais dividira com ninguém, porém estava disposto a mostrar para Alice. Ambos andaram por alguns minutos, indo em direção ao pequeno esconderijo secreto que o pai de Saito havia construído antes de falecer.
— Para onde vamos? – Indagava a pequena menina em um tom curioso e olhar delicado. Não parecia ter medo do garoto pálido, de cabelos negros e lisos cortados em um formato tigelinha e de altura mediana. Normal para qualquer menino de sua idade.
— Quero te mostrar um lugar especial... – Dizia, olhando de relance para o rosto de Alice, meigo e inocente do qual o fez corar e virar o seu para frente, de modo que ela não o visse.
— Onii-chan... – Chamava Alice de forma tímida, fazendo com que ele parasse de andar e a olhasse imediatamente. – Q-Qual é o seu nome...? – Gaguejava, corando e direcionando o olhar para os próprios pés. Ato que despertou um pequeno sorriso no rosto de Saito.
— Saito. Homura Saito. – Respondia ele, ainda segurando a delicada mão de Alice, que passou a fitá-lo assim que obteve sua resposta.
— Saito-nii... E se... E se eles voltarem? – Perguntava ela, claramente apreensiva com a ideia de que aqueles rapazes pudessem voltar para lhe fazer algum mal. Para sua surpresa, Alice sentiu um braço envolver sua cabeça. Era Saito, aproximando-a de seu peitoral em um abraço enquanto escondia o rosto em seus cabelos.
— Eu sempre irei protegê-la. É uma promessa. – Dizia de forma encabulada, corando novamente e desvencilhando-se do abraço aos poucos, de forma que ela não pudesse olhar para seu rosto avermelhado do qual logo voltou a ser direcionado para frente à medida que Saito caminhava novamente.
— Obrigada... – Murmurava ela, ainda mais corada com o acontecimento anterior enquanto era guiada pela mão que segurava a sua.
Não demorou muito mais para que ambos chegassem a uma pequena casa, onde Saito entrou levando Alice junto a si em direção ao quintal dos fundos. Lá, a pequena arregalou os olhos, surpresa com a bela casinha de madeira, construída em uma grande cerejeira, repleta de flores rosadas. Ao voltar a si, reparou que Saito já se encontrava na escada, acenando para que ela subisse também, e assim fez.
— A partir de agora, esse será o nosso lugar especial. – Dizia ele com um grande sorriso, sentado no chão da casinha enquanto observava Alice entrar pela pequena portinha e fechá-la atrás de si, sentando sobre a mesma, passando a sorrir abertamente.
— Hai! – Respondeu a pequena, com um grande sorriso no rosto.
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