Airon: A Extinção

6 O Desabrochar da Flor (EDITADO 15/02/16)


Notas iniciais
A flor desabrocha e revela seu interior; A flor desabrocha e revela seu perfume exorbitante; A flor desabrocha e é ofuscada pelos espinhos da rosa; A flor desabrocha e é esquecida no tempo.

Eu estava deitado na minha cama. Eu tinha acabado de chegar do meu encontro com a misteriosa Annie. Logo depois dela ter dito aquilo, eu demonstrei o quanto estava apavorado e perplexo com nossa conversa, oque levou ela a decidir que iremos nos encontrar outro dia para eu processar informação. Então eu saí do parque junto com ela e, em frente ao portão principal. Ela me disse que estava muito feliz com a minha resposta aos convites, e que logo logo eu saberia do meu passado. Quando estava indo embora, Annie não veio comigo: Ela permaneceu no parque, desaparecendo mato a dentro. Parece que sobre ela ter dito que morava atrás do muro era verdade. Mas depois que passei por aquele portão de aço enorme, eu vi Annie como outra pessoa.

Eu sentia que ela era importante para mim, praticamente como uma irmã. E eu sabia que no passado nós vivíamos juntos, brincávamos juntos, chorávamos juntos. Eu não tenho prova concreta disso, mas ela é familiar demais para mim: Seu cheiro, seu rosto, seu sorriso. A primeira que vez que senti e vi eu achei familiar demais. Eu ainda por cima me sinto muito bem ao seu lado, uma paz interior que não consigo entender.

Qualquer um vê em seus olhos seu passado: Sofrimento. Quando ela citou nosso passado e que era òrfã, ela falava de forma tão melancólica. A única a sobreviver, seus pais mortos na sua frente...Eu não acredito que alguém tão nova assim passou por isso na vida.

Mas oque me chocou mesmo foi que Annie mencionou que morava logo atrás daquele muro. Sabendo que ela disse também que é quase impossível entrar lá e que só Leonard, um dos irmãos Vanue, conseguiu ter acesso uma única vez. Neste momento eu estava mais que perplexo.

Bom, eu não estava com cabeça naquele momento e decidi ir dormir logo. Mas não adiantava, onde eu tentava fugir, elas me amedrontavam.

Estou me referindo as minhas "memórias". Eu sonhei aquela noite com algo muito perturbador...

Abro os olhos em um lindo campo de margaridas, brancas como a neve e cheirosas. Parecia que eu estava em uma espécie de chalé, todo feito de madeira rústica. Eu estava sentado na sua varanda em uma cadeira bem pequena, confirmando que eu era uma criança no sonho.

Tinha dois adultos comigo, cada um de um lado: Na direita, uma mulher muito bonita, com longos cabelos loiros que chegavam a altura do quadril e olhos verdes bem claros. Vestia oque parecia ser uma roupa bem primordial: Um vestido feito de um só pedaço de tecido, que fazia uma volta por trás de seus ombros e as pontas ficavam para frente, sendo segurado por um cinto que era oque parecia ser de couro.

Na esquerda, um homem grande e bem forte. Moreno, com um cabelo comprido, que cobria uma parte de seus ombros. Tinha olhos verdes também, mas um pouco mais escuros que o da mulher. Vestia oque parecia ser uma armadura de ferro e segurava um capacete, como se estivesse indo para a guerra, com detalhes dourados e alguns fios de tecido azuis nos ombros.

Mas mesmo nós três estando e em um lugar tão lindo, com um campo gigante de margaridas e aves, peixes em toda parte, eu não conseguia encontrar uma harmonia lá, por que aquelas duas pessoas estavam com uma expressão de preocupação enquanto me encaravam. Eu não entendia nada do que estava acontecendo.

De repente, a mulher me pega no colo e todo o lindo campo e o chalé desaparecem, incluindo o homem com armadura.

Era eu e a mulher em um vazio. Ela então ergue sua mão diante de mim e a abre, revelando o amuleto que tanto sonho, que descobri a poucos dias que pertencia a Annie.

—Abra as portas para ele, encontre a chave.- fala finalmente a mulher, sorrindo.

—Mas que chave? Do que você está falando?! – Falo me debatendo em seu colo.

De repente ela começa a rachar e se desfaz em fragmentos. Fica eu, sozinho no vazio. Eu só vejo uma mão se estendendo para mim, e a pego sem pensar, como se o sonho estivesse me controlando.

A última coisa que foquei foi na cicatriz da mão. Um corte que ia do minguinho para o polegar, e era uma transversal com um corte menor, que ia do indicador para a palma da mão.

Acordo assustado, levantando o dorso da cama, mas logo relaxo e caio no travesseiro novamente. Vejo o relógio do criado-mudo: 7:30 AM. Era muito cedo para um Domingo, mas como eu tinha um convidado hoje, eu acordei sem reclamar ou tentar dormir de novo.

Primeira coisa que eu fiz foi desenhar o sonho, retomando a rotina. Desenhei aquele casal, depois o chalé, depois o campo, e na cadeirinha que deixei vazia, fiz um rabisco preto, sinalizando que eu estava lá. Como eu não sei oque sou nos meus sonhos, eu sempre faço um rabisco escuro no lugar, as vezes em forma de algo. No caso, fiz uma criança rabiscada. Eu decidi guardar aquela mão do final apenas na minha mente.

Quando terminei, eu sentei no sofá em frente a minha parede de desenhos: Centenas de desenhos colados com fita adesiva. Suspirei, olhando atentamente as artes, tentando achar uma resposta para tudo aquilo que fiz. Com a chegada da Annie, eu fiquei muito entusiasmado com aquelas retratações. Se eu encontrei o amuleto que tanto sonho, pode ser que tudo que eu esteja sonhando até agora exista, de alguma forma. Pode ser que aquelas pessoas no chalé possam existir e serem importantes para mim.

Me levantei e fui cuidar das tarefas diárias. Depois de escovar os dentes, fui regar as plantas da Max, uns bambus e alguns lírios, tinha também o seu sagrado bonsai, aquelas arvorezinhas, que tinha que regar quase toda hora.

Enquanto regava, eu estava pensando em oque fazer para o café da tarde. Eu estava ansioso para contar para a Max tudo que eu havia passado essa semana ,que eu conheci a Annie e tudo oque ela me disse. Se a minha mãe tivesse vindo ontem teríamos problemas, pois além da minhas aulas extras aos sábados eu ainda tive o encontro com a Annie de noite, então estava mais que aliviado de ela vir hoje á tarde.

Depois de regar as plantas, sento no meu sofá, junto com um copo de leite achocolatado e um pacote de biscoitos. Pego o celular para ver as mensagens: George estava querendo falar comigo.

George: Ei jeb tas ai?

Jebbet: eai

George: bom, eu tava querendo te encontrar hoje, algum problema com a sua mãe?

Jebbet: n sem problemas.

George: OK, é importante. É sobre a annie.

Eu não queria que George soubesse ainda dos meus papos com a garota, então decidi fingir um pouco.

Jebbet: George, deixa ela em paz. Ela só queria amizade, nada de mais

George: Eu vi vcs indo no BrotherWood ontem. Quando vcs saíram, ela me encontrou e me falou coisas bem tensas.

Naquela hora eu pensei bem em oque dizer ao George. Eu achei bem conveniente lhe falar sobre oque ela me disse no encontro, sabendo que a Annie teve um papo com ele também.

George: jeb?

Jebbet: mals. olha george eu acho que posso te contar algumas coisas. Vem hj as 4?

George: O.K., mas e sua mãe?

Jebbet: Ela é meio obrigada a saber da história. Então ok?

George: ss, flw.

Jebbet: flw

Vendo as outras mensagens, encontro uma da minha mãe e uma de um número desconhecido:

Max: Eai filhote! Tudo combinado?

Jebbet: Sim, o George vai vir também, temos coisas para conversar

Max: Que legal! Faz um tempo que não o vejo. Falando em conversar... Encontrei uma colega sua bem legal passando na rua. Ela me reconheceu e tivemos altos papos! Ela vai vir também, parece querer algo com você e.e

Jebbet: Uma garota? Como assim?

Max: Ah, ela era muito bonita e tinha cabelos negros... Olhos bem azuis e claros!

Meu mundo caiu. Eu tinha certeza que era a Annie

Jebbet: O nome dela era Annie Spector?

Ela ficou sem me responder por uns 15 minutos.

Jebbet: Mãe?

Max: Eu não perguntei o nome dela. Annie é?

Jebbet: Sim, tenho certeza. Bom preciso falar com ela agora, Bjs.

Eu fui logo no número desconhecido por que tinha certeza que era a Annie.

Desconhecido: Oi Jeb, é a Annie, acabei de comprar um celular.

*Contato Adicionado!*

Jebbet: Oque você andou falando com a minha mãe?

Annie: Eu ia te dizer isso, mas parece que ela já disse. Ela é bem legal, eu conversei com ela que éramos muito amigos e que eu tinha que falar contigo e blabla... Ai ela me convidou para ir na sua casa. Tu não me disse que tinha encontros assim com a sua mãe todo o fim de semana.

Jebbet: Bem, se liga. O George vai vir também, não inventa de arrumar briga com ele.

Annie: Vc acha que eu sou cachorro ou algo assim? Eu posso ser algo parecido, mas não sou cachorro pra ficar brigando.

Jebbet: Espera só um pouquinho.

Eu estava com medo. ANNIE, GEORGE E MINHA MÃE? Isso não ia dar boas coisas.

Enfim, eu olhei o lado bom: Eu ia ter explicações boas....Como a Annie disse coisas como “me levar junto com ela para casa” , eu achei que poderia esclarecer algumas coisas para os dois ao mesmo tempo, e ainda, a Max devia tentar conhecer Annie melhor, sabendo que ela é do meu passado. O preocupante é o George, ele não gosta da Annie nem um pouco.

Jebbet: Pronto. Pode falar.

Annie: Olha, se você está preocupado se vou brigar com George ou algo assim, não fique com medo não, eu e ele já estamos nos dando bem. Bem, por minha parte pelo menos. Ele tem algo comigo, mas eu sou mestre em parar brigas, acredite. Isso acontece sempre lá onde eu moro.

Jebbet: Hahaha.... Muito engraçado.

Annie: Sério, meu pai um dia disse para mim abrir as portas do equilíbrio, mas eu sempre fui assim. É de sangue mesmo... Thau!

"Portas do Equilíbrio..."... Realmente, Annie me conheceu antigamente.

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Era duas horas, Max já estava para chegar. Arrumei o apartamento todo, principalmente a sala e a cozinha. Estava sentado no sofá esperando minha mãe chegar, com café passado, água quente, açúcar e alguns biscoitos, esperando ansiosamente pelo bater na porta.

Oque será que eu vou saber hoje? Bom, já que a Annie e o George chegarão as quatro, eu poderei falar com a minha mãe antes.

A porta bate: Vejo pelo visor a minha mãe fazendo careta. Abro a porta rindo, esperando um “jumpscare”.

— OIEEEEE- Max pula em mim e me abraça.- Que saudade eu estava meu bebê!- Fala me apertando as bochechas.

— Oi Max... — Falo quase sem respirar nos seus braços.- Se você continuar me sufocando assim, eu não vou poder te dar thau não.

— Ah, me desculpa. — Ela faz um sorriso de orelha a orelha. — Eai, novidades?

— Na verdade, eu tenho um assunto muito sério para falar contigo.

De repente ela abaixa os braços e fica cabisbaixa.

—Sobre oquê?

— Aquela garota com quem você conversou na frente do condomínio.

— A...Annie?

— Sim...

Eu começo a lhe contar tudo que Annie me disse e como aquilo se encaixava nos meus sonhos de memórias perdidas. Max estava bem preocupada e parecia não querer ouvir.

—Ela disse que vai me levar de volta ou algo assim. Fiquei meio assustado, então acho que você teria as mais belas respostas para me dar, já que você me encontrou naquela árvore.

Max estava pensante e permanecia cabisbaixa.

—Eu não queria acreditar que este dia chegaria. Então era realmente oque eu pensava, a Annie....

—Perai, conhece a Annie?! Você já encontrou com ela uma outra vez?

—Na verdade não. – Fala ela abrindo a bolsa.- Eu soube da existência dela por causa disto. – Ela estende a mão para mim, revelando uma carta com um selo já aberto...

Pego o papel e o abro.- Uma carta? Quem ainda escreve cartas nesse mundo?

—Não foi esses dias, foi á 13 anos. Essa carta estava com você quando te encontrei, filho. Apenas eu e seu pai a lemos e, pelo conteúdo, tentamos escondê-la de você. Bem...- ela hesita.- fique a vontade.

Max se senta no sofá e se serve de um café preto, evitando olhar para mim. Eu a observo, tentando imaginar o conteúdo da carta. Encarando os papéis, suspiro e começo a desdobrar o papel:

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Olá. Que noite linda né?

(Um pingo borrava o espaço da folha.)

Bem, se você encontrou esta carta, deve ter encontrado também uma linda criança adormecida que, infelizmente, não vou ter o prazer de vê-la como adulto.

Sabe, este é o Jebbet, ele é meu precioso filhote. Eu tive muitas hesitações para ter coragem de abandoná-lo aqui, mas é que meu povo está sendo massacrado hoje. Muitas famílias foram exterminadas agora a pouco e a única coisa que tive tempo foi escrever esta carta e apagar as memórias de Jeb, para que possa ser feliz e viver sem problemas. Muitos de nós já foram assassinados por uns seres parecidos com vocês.

Eu lhe peço por favor: Lhe dê uma família. Eu não quero que ele sofra mais, cuide dele por favor, Jeb já sofreu demais até então, primeiro foi ver várias pessoas sendo mortas, depois ver a casa de Annie destruída e minha querida Jiana e seu marido Thel decapitados, claro que ele pensou que Annie estava morta também, mas eu tenho certeza que não, ela não morreria por causa disso. Ele estava desesperado e chorando muito, e era uma criança de sete anos...

Eu não irei conseguir criá-lo mais, então estou o deixando aqui no bosque, espero que algum humano o cuide, então por favor o ame.

Mas eu lhe aviso: Ele não ficará ai para sempre, você não poderá viver com ele para sempre, por que afinal somos diferentes de vocês e, se ele continuasse com vocês até o fim, muitos problemas iriam acontecer e teria pânico e caos.

Por isso estou dando a missão para Annie ir buscá-lo quando chegar a hora. Você deve achar que vai sofrer, vai chorar, mas não, Annie nunca iria separar uma mãe de seu filho.

Então pessoa, por favor o cuide, o ame, chame-o de filho e deixe ser chamada de mãe/pai. Ele é mais dócil que qualquer animal, mais doce que qualquer açúcar, e quero que ele seja mais feliz que qualquer pessoa, mesmo sendo algo diferente.

Eu sempre confiei em vocês, que alguns de vocês podem ter uma alma pura e iluminada, mostre ser um destes alguns.

Eu confio em você, e o amo desde então.

Mesmo que eu e meu marido estejamos mortos, não faça Jebbet sofrer, nunca.

Adeus e muito obrigada.

Mary Neddai

(Diversos pingos estavam como marca no final.)

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—Neddai...-Fico pensante enquanto fecho a carta.- Então...Meu nome na verdade é Jebbet Neddai?

—Sim. Acho que sim.- Fala Max lavando a louça que deixei dos outros dias.- Essa Annie que é sua “colega” na verdade é sua amiga de anos, pelo que parece.

Eu estava confuso e iluminado ao mesmo tempo. Eu olhava para a rua, observando os pássaros migrando.

—Oque eu faço? Eu tenho duas vidas, praticamente.

Max bate um prato sem querer, meio cabisbaixa.

—Eu me lembro até hoje daquela noite. Estava chovendo e a alguns dias tinha perdido meu filho em um acidente na gravidez. O médico disse que meu ovário tinha sido afetado e não podia ter mais filhos também. Lembro que estava voltando de um bar, estava sóbria até, mas seriamente deprimida. Eu não sabia oque seria de mim aqui, com a minha família toda no interior e seu pai sempre em guerras. Eu iria ficar sozinha para sempre... – Ela faz um riso.- Até que eu te encontrei em um dos meus passeios depressivos, que desta vez era no BrotherWood. De repente ouço um gemido de criança que até achei ser minha cabeça afetada, mas era você. Logo ao meu lado, havia uma criança de mais ou menos 7 anos, enrolada em um cobertor debaixo de uma árvore que o protegia perfeitamente da chuva.

Quando li a carta, eu me apaixonei por você e senti de todas as formas o dever de cuidá-lo. Mesmo sendo uma criança já, eu te levei para casa no colo, feliz e extremamente , coincidentemente abençoada. Seu pai lhe aceitou sem pensar e o cuidamos com todo o amor que tínhamos...

Eu estava meio pensativo.- Você... Nunca me contou isso também. Como tens segredos. – Falo ao seu lado, enxugando suas lágrimas.

—É desconfortável falar esse tipo de coisa para os filhos, sabe...- Fala ela retribuindo com um abraço.- Eu só quero te proteger, mesmo você sendo mais forte. Eu não tenho medo que você me abandone, por que as palavras da Mary são como o aconchego de uma irmã para mim, sinto que ela era uma mãe igual a mim, dedicada aos seus filhos. Mesmo que esteja morta e que você não relembre dela nunca, eu não quero que você a esqueça.

A porta bate. Levanto e olho pelo visor: Era a Annie. Abro a porta e ela estava encostada na parede.

— Oi Jeb. — Ela entra e olha para Max- Olá Sr. Carrow.

— Spector...- Max dá um riso de lado.- Eu estou agradecida de conhecê-la pessoalmente.- Fala ela mostrando a carta.

— Vejo que Jebbet já esclareceu a situação, e muito bem.- Fala Annie se sentando ao lado de Max no sofá.- Tenho tanta coisa para explicar que estou com dor de cabeça...

—Quer um café? – Falo entregando uma xícara.

—Não, obrigada.

— Ele é mestre de passar café. – Sussurra Max no ouvido de Annie, mas mal porque escutei. – Vai se arrepender de não provar.

— É que... Eu sou intolerante.

—Ah, OK. – Fala Max levantando os ombros. – Se é assim não tem oque fazer.

Eu estranhei a intolerância ao café, por que nunca vi alguém que tenha igual. Mas deixei passar.

—Bom Annie, comece com suas explicações.- Falo me sentando na poltrona em frente ao sofá.

— Bom, vou tentar ser direta, mas vai ser difícil acreditar , O.K?

Nós concordamos com a cabeça.

—Bem, eu e o Jebbet não somos desta... Onda. Desda divisão...

—Onda?- Exclamo.

Annie pede um pedaço de papel e um lápis e começa a rabiscar.

—Bem, o universo se divide em cinco Ondas. Nós estamos no momento na terceira onda, onde a Terra é habitada por humanos evoluídos. Eu e o Jeb somos da Quinta Onda, onde os Airons e os Tenas.- Fala Annie desenhando cinco círculos no papel.- Nós só temos acesso a quarta, a terceira e a primeira. Infelizmente as outras duas ondas que visitamos estão inabitáveis no momento: Na primeira, um meteoro acabou com a vida terrestre até então, e na primeira nunca habitou vida, pois não existe o Sol.

—Perai, Airons e Tenas? Oque é isso?- Fala Max.- Vocês são Aliens?

—É, mais ou menos. Eu e o Jeb somos Airidianos. É uma espécie.

—Então eu não sou humano? Como assim, por que pareço com um?

—Na verdade isso é o mais complicado de explicar. Nós usamos uma espécie de “manto da invisibilidade”. Como os Tenistas estão tentando nos extinguir a muito tempo e está surtindo efeito, alguns dos nossos antepassados decidiu que se infiltrar na humanidade era uma solução para que possamos sobreviver. Nós temos conhecimento das Ondas Universais por causa da nossa pré-extinção: Tentamos habitar outro planeta sem conhecimento dos Tenas e conseguimos encontrar a passagem para a terceira, para a Terra humana. Desde então, nós temos a forma humana e a forma original que podemos nos transformar apenas pelo pensamento. Mas isso eu explico depois.

Quando a Mary te deixou aqui, ela apagou as suas memórias como Airon, adormecendo também seu verdadeiro eu, o seu corpo original. Essa era a única forma de você viver em paz.

—Meu verdadeiro....Eu?.

Eu estava extremamente confuso, mas Annie falou como se eu não fosse aquilo que vejo, e realmente era isso. Ou seja, eu passei a minha vida inteira aqui pensando ser algo que não sou. Acho que meus pensamentos melancólicos matinais encaixam nessa história.

—Como eu disse, minha casa foi a primeira a ser invadida. Minha família a primeira a ser extinta. De famílias exterminadas apenas a Spector e a Neddai, a sua, por que seus pais quiseram te enviar para a terceira onda a fim de sua sobrevivência, oque custou a vida deles. Bem, já eu, acabei sendo bastante machucada pelos Tenas, mas eu sobrevivi depois do líder deles, Nerug, ser morto por alguém que não vi. – Annie mostra suas mãos, uma delas com a cicatriz do meu sonho.

—Essa cicatriz ...-Falo me levantando rapidamente e pegando na mão de Annie, perplexo.- Eu sonhei com ela hoje... – Eu a encaro apavorado.- Foi você.

—Jeb, você sonha conosco?- Fala Annie com os olhos arregalados.- Como assim?

Falo meio envergonhado.- Err...Memórias perdidas no tempo , sabe? Eu desenho as cenas para não me esquecer, eu penduro elas na parede do quarto e-

De repente Annie dispara da mesa em direção ao corredor, procurando meu quarto. Eu e Max gritamos seu nome, correndo atrás dela, mas logo ela encontra, arregalando os olhos diante a minha parede. Em frente aos papéis pendurados, ela olha para todos os desenhos, mas quando seus olhar encontra o retrato do colar dela, ela passa delicadamente a mão por ele e com a outra mão ela segura o amuleto em si em seu pescoço, olhando para ele. Ela cai de joelhos e solta um riso meio abafado.

—Mary... Você é íncrivel...

—Oque houve?- Pergunta Max. – Quero ouvir o resto da história. – Fala emburrada.

—Não...É que...- Annie olha para o desenho da mão dela com a cicatriz.- A Mary não apagou o Jebbet, ela apenas o deixou confuso, para eu poder te trazer de volta. – Ela de repente tira o sorriso de seu rosto.- Mas fico com medo e confusa, não quero tirá-lo de seus braços, Max. Quero poder voltar aqui sempre que puder. Não suportaria tal peso nas costas de ver mais uma mãe sem seu filho.

—Não se preocupe Annie, sempre será bem-vinda e será cobrada se não vier todos os fins de semana!- Fala Max brincando com os braços envolta do meu e eu rio junto...

“Acho que vou deixar essa conversa acabar assim por enquanto...”

De repente a porta da frente bate. Fui até o visor novamente: Era o George. Abria porta, o cumprimentei com um aperto de mãos e um abraço e então vem minha mãe com suas maluquices, mas nada da Annie sair do quarto. Depois de George se sentar e eu e a mãe perguntarmos “Ah, como foi seu dia?” “Ah, como tá a família?”, Annie aparece com a sua bolsa no ombro.

George se levanta. – ANNIE? OQUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI?!

—Eu só vim conversar com o Jebbet, eles falam contigo depois. Preciso ir embora agora.-Ela cumprimenta o George.- Tenham um bom dia.- Ela abre a porta da frente e sai, mas em questão de segundos, vejo um papel na mão dela.

—Oque aquela garota está fazendo aqui Jeb? – Pergunta George meio desconfiado.

— George! Respeite a Annie! Ela é gente fina!- Fala Max puchando a orelha de George.

Enquanto os dois estavam brincando entre si, eu fui no meu quarto para dar olhada se oque eu pensava era verdade.

Annie levou o desenho do amuleto, e no lugar dele colocou um bilhetinho.

“Preciso mostrar para os nossos amigos! :D”

Eu deitei na cama e fiquei olhando para o teto, suspiro e começo a rir. Afinal, hoje foi tenso. Agora eu descubro que não sou um humano e não sou dessa Terra.

Eu sou um Airon. Mesmo não sabendo oque é, me sinto tão confiante e curioso.

Oque será que eu sou na real?

Notas finais
OIEEEEEE Capítulo tenso ehim, a partir de agora, o clima da história vai mudar! No próximo capítulo, Jebbet se depara com oque assombra sua espécie natal, os Airons! Minha página: facebook.com/gotoarting (de desenho) *Capitulo editado por que eu achei que estava muito imcompleto e mal explicado.* AEOOOO É NOIS ANIMAÇÃO