Ainda assim, Amar

9 Capítulo 8 - Escolha Pública


Notas iniciais
Sinceramente eu não gostei muito deste capítulo mas foi o que deu, não consegui escrever melhor mas se tiver algum comentário posso tentar trazer outro ainda hoje pois ainda estou de folga só volto a trabalhar amanhã então comentem e eu trago mais um capítulo hoje


O sofá realmente era confortável.

Isabella estava sentada com as pernas dobradas, um livro aberto no colo, caneta presa entre os dedos. O escritório estava em silêncio, exceto pelo som distante de vozes abafadas do lado de fora e o leve teclar do computador.

Edward trabalhava.

Ou tentava.

Porque, pela terceira vez em poucos minutos, ele levantou os olhos.

Ela estava concentrada. A testa levemente franzida. O cabelo caindo sobre o ombro. Às vezes mordia a ponta da caneta sem perceber.

Aquilo o desarmava.

Não era sedução ensaiada.

Era presença.

Ele se levantou para pegar um copo d’água, mas parou atrás do sofá. Ficou ali um segundo a mais do que deveria.

— Você está me encarando — ela disse, sem olhar.

Ele não negou.

— Estou tentando entender como você consegue estudar aqui.

Ela fechou o livro devagar.

— Você me distrai menos do que imagina.

Um meio sorriso.

— Isso é um desafio?

— Talvez.

O ar mudou.

Ele se aproximou, apoiando as mãos no encosto do sofá, inclinando-se levemente sobre ela.

Perto demais.

— Eu prometi que não ultrapassaria nenhuma linha — ele murmurou.

Ela sustentou o olhar.

— E quem disse que eu não quero que você ultrapasse?

A respiração dele falhou por um segundo.

A linha invisível entre controle e desejo ficou perigosamente fina.

Ele afastou uma mecha de cabelo do rosto dela. O toque demorou.

O beijo começou lento.

Mas não era como antes.

Havia calor. Intenção.

As mãos dela subiram pelo peito dele. As dele deslizaram pela cintura dela, segurando com mais firmeza.

O mundo encolheu para aquele sofá.

Ela acabou sentada sobre ele sem perceber como.

O beijo aprofundou.

E por um instante… quase passaram do ponto.

Ele parou primeiro.

Testa colada na dela.

Respiração descompassada.

— Se eu continuar… eu não sei se vou conseguir parar.

— Eu também não — ela confessou.

O silêncio foi consciente.

Ele a segurou com menos urgência.

— Eu não quero que isso seja só desejo.

Ela tocou o rosto dele.

— Não é.

E ele acreditou.

A batida na porta veio minutos depois.

— Pode entrar.

Tânia entrou como se o espaço também fosse dela.

Alta. Elegante. Confiante demais.

— Edward, precisamos conversar sobre sexta…

O olhar dela encontrou Isabella.

Demorou.

Avaliação precisa.

— Oh.

Um sorriso polido.

— Não sabia que você estava ocupado.

Edward se levantou imediatamente.

— Tânia. Esta é Isabella.

Tânia inclinou levemente a cabeça.

— Claro.

Filha de um dos principais sócios. Presença constante em eventos. Em algumas ocasiões, Edward já a levara a festas corporativas por estratégia.

Ela queria mais.

Ele sempre foi claro.

Mas Tânia não acreditava em limites quando se considerava a escolha ideal.

— Imagino que eventos como o de sexta sejam… diferentes para você — ela disse a Isabella, suavemente.

Provocação doce.

Isabella fechou o livro.

— Nem toda novidade é desconfortável. Às vezes é só diferente.

O sorriso de Tânia vacilou.

— A imagem conta muito nesses ambientes — ela acrescentou.

Edward respondeu antes que Isabella pudesse.

— Sexta continua confirmada. E Isabella irá comigo.

A decisão foi pública.

Tânia entendeu.

E saiu com elegância.

Mas não derrotada.

A festa era grandiosa.

Cristais, champanhe, olhares calculados.

Isabella sentiu o peso do ambiente, mas não se encolheu.

A mão de Edward permaneceu firme na cintura dela.

Não como posse.

Como escolha.

Quando Tânia reapareceu, impecável em vermelho, o jogo começou de novo.

— Espero que esteja confortável — Tânia comentou. — Algumas pessoas demoram a se adaptar.

Isabella sorriu.

— Cresci cercada de mulheres que confundiam elegância com superioridade. Aprendi cedo a reconhecer a diferença.

O golpe foi silencioso.

Preciso.

Edward observava.

Orgulhoso.

Quando a música começou, ele a puxou para dançar.

Flashs capturaram o momento.

E Isabella não se sentiu pequena.

Sentiu-se escolhida.

No carro, já longe dos olhares, ela soltou os sapatos.

— Eu sobrevivi.

Ele riu.

— Você dominou.

Mas quando entraram no apartamento dele, o silêncio foi diferente.

Amplo demais. Sofisticado demais.

Ela ficou perto da janela.

— É lindo.

Mas havia hesitação na voz.

Ele se aproximou.

— Eu não trouxe você aqui para te impressionar.

Ela o olhou.

— Eu sei.

Ele tocou o queixo dela.

— Eu trouxe você porque queria que fosse a primeira vez com você.

O coração dela acelerou.

Não era impulso.

Era intenção.

— Eu estou nervosa — ela admitiu.

— Eu também.

Isso a fez sorrir.

O beijo começou devagar.

Sem plateia.

Sem jogo.

Sem defesa.

As mãos dele percorreram as costas dela com cuidado. As dela exploraram o peito dele como se estivessem aprendendo.

Quando foram para o quarto, não houve pressa.

Houve pergunta em cada toque.

Permissão em cada gesto.

E quando finalmente se entregaram um ao outro, não foi urgência.

Foi confiança.

Foi vulnerabilidade.

Foi escolha consciente.

Depois, deitada sobre o peito dele, ouvindo o coração que tantas vezes pareceu inacessível, Isabella murmurou:

— Eu quase deixei você ir.

Ele beijou o topo da cabeça dela.

— Eu quase deixei você ir primeiro.

Ela sorriu.

— Ainda bem que nenhum de nós conseguiu.

E ali, no silêncio do apartamento que antes parecia grande demais, Isabella percebeu algo com clareza:

Ela não estava apenas entrando no mundo dele.

Ele estava escolhendo construí-lo com ela.