Ainda amo-te
1 Capítulo 1
Não sei o que sentir. Sento-me na varanda da nossa casa, numa manhã fria de inverno, com minha xícara de café. Lembro-me que tu amavas o inverno e que sentava-te na varanda para escrever teus contos, tuas poesias à mim, teus sonhos, com seu café ao lado. Recordo-me do dia em que te conheci, era um domingo frio, tu estavas sentado no banco de uma praça onde perto de sua antiga casa com teu caderno de poesias. Éramos tão jovens...
Ao recordar-me de ti, escapou-me uma lágrima de saudade. Saudade dos velhos tempos, saudades de ti, saudades de nós. Agora que tu partiste para não mais voltar, ó meu amor, o que diabos farei de minha vida? Tu me deixaste apenas teu caderno velho com suas poesias e seus contos inacabados, planos esquecidos e sonhos ultrapassados. Tu não estás aqui comigo, ó meu amor, também não estou aqui. Estarei muito em breve contigo ai, onde quer que tu estejas. Sei que foi melhor para ti partir pois tu estavas muito cansado de tudo, afinal, 84 anos não é pouca coisa e isso acarreta muitos problemas. Tinhas Alzheimer, não te lembravas mais de nada, nem de mim, sua doce amada. Sei que foi melhor para ti partir, afinal, a pior praga do mundo é o esquecimento. Mas tu me deixaste aqui. Se foi, de repente, me abandonando para até algum dia miserável e negro em que eu morra. Não sei se seguro por muito tempo, ó meu velho amor. Tu levaste parte de mim contigo.
Ainda amo-te. Mais do que ontem, e seiscentas vezes menos que amanhã. Até algum dia.
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