Ai Nanka Kowakunai?!

11 Aprendendo a Amar


A garota se encontrava com a jaqueta de seu servo em mãos. Aonde ele tinha se enfiando, afinal? Nunca demorou tanto para voltar pra casa. E também nunca tinha deixado o emblema de sua compania de lado.

Apoiada na janela, olhava para fora preocupada, vendo o jardim pintado de amarelo e laranja por conta do outono. Ah... Black Star sempre gostou daquela estação. Quando eram pequenos costumavam brincar naquele mesmo lugar em meio às folhas e o vento gelado que não os afetava minimamente.

Tempos antes da tragédia que fez seu mundo desabar sobre sua cabeça. E os separou, mesmo se o garoto fez de tudo para ficarem juntos.

\"Eu... te amo. Por favor, cumpra sua promessa. [...] Passe a olhar para mim desde agora como um homem! Eu sou aquele que vai superar Deus, não sou? Eu posso muito bem esperar por toda a eternidade.\"

Ele lhe tinha dito aquilo com os olhos repletos de uma luz que até então desconhecia. Aquilo é o que chamam de \"amor\"? Se sim, parecia ser brilhante demais para alguém como ela que sempre esteve em um palco apagado que ninguém assistiria.

Ninguém além de Black Star. Mas naquele momento, até mesmo ele a havia abandonado. Ou ela mesma tinha desistido de tudo, acabando por fechar as cortinas? Entendia somente que aquele vazio doia mais do que ela pensou que seu coração jamais aguentaria.

Levantou-se, caminhou de um lado para o outro — sentia que poderia explodir se ficasse parada.

Pegou o celular, discou o número do mordomo. Tocava, tocava... Contudo, nenhuma resposta. As esperanças eram poucas, entretando não inexistentes. Se Tsubaki pudesse voltar no tempo, teria aceitado quando ele pediu para fugir com ela? Muito provavelmente sim. E o remorso era uma das coisas que mais lhe incomodavam.

Sabia muito bem que ficar parada ali não levaria a nada. O primeiro passo seria desistir do casamento forçado. Depois da cena que Soul tinha feito, ele sumiu no nada, sem deixar sequer uma pista sobre seu paradeiro. Aquilo era um alívio, de certa forma — ao menos por um tempo não teria que dizer mentiras para a imprensa. A mesma que foi calada pelos Evans com um rio de dinheiro. Maka realmente tinha dado muito projuízo para aquela família, mesmo se inconscientemente. Tsubaki tinha noção que eles não deixariam aquilo barato.

Todavia, por mais que se importasse com a amiga, tinha outras coisas com as quais se preocupar.

- Ei, você. — disse, assim que viu um empregado qualquer passar pelo corredor — Mande alguém preparar um carro, eu estou saindo.

- Hm? Black-san não pode cuidar disso? — a mulher indagou, olhando-se em volta — Ele sempre está com a senhora.

- Verdade. — forçou um sorriso — Porém ele tem uns assuntos a tratar, então, se não for atrapalhar suas atividades... Gostaria que providenciasse tudo.

- Certo, Nakatsukasa-sama! — exclamou rapidamente, indo atender ao pedido de sua mestre.

Suspirou, vendo o quanto se sentia esquecida e sozinha no mundo. Quando foi que aquele sentimento começou? Balançou a cabeça; Black nunca havia permitido que sequer iniciasse — ela foi mal-acostumada a ter sempre alguém com quem contar. Tsubaki realmente sabia que não o amava. Aquele tipo de sensação não era forte o bastante para fazer com que seu coração palpitaçasse. Então, por qual estranho motivo sentia tamanha vontade de revê-lo? Sua mente não encontrou respostas válidas — as perguntas sempre foram mais fáceis de se fazer.

- Nakatsukasa-sama — um homem alto e de terno e gravata se apoiou à porta, interrompendo seus pensamentos — A limousine a está esperando.

- Certo — disse, levantando-se.

Estava caminhando, porém não tinha um verdadeiro rumo a seguir. A única coisa que realmente perseguiu durante praticamente todos os 17 anos de sua curta vida foi a garota com o olhar mais gentil que havia encontrado — e que jamais encontraria. O vento batia sobre a camisa branca que portava sem nada por cima além da gravata negra e mesmo assim desamarrada.

Um suspiro. Ah, como queria que ela realmente precisasse dele. Dois suspiros. Como queria vê-la sorrir... Sorrir para ele. Unicamente para ele. Três suspiros. Como desejava que Tsubaki entendesse o quanto aquele sentimento era real. Mas parecia não conseguir, pois todos seus esforços tendevam a cair em meio ao chão, despedaçados assim como o coração que um dia afirmava ser forte. Contudo, a força que ele tinha não era nada comparada ao desejo de tê-la entre seus braços.

O \'amor\' tinha transformado-o em um fraco. E foi exatamente por este motivo que ele resolveu desistir e voltar para seu clã. Sabia muito bem que seu pai, White Star, o estaria esperando. Sempre o fez. Com certeza demorariam um pouco para aceitá-lo de volta depois do que fizera, mas antes ou depois o fariam.

Black Star era o ultimo de sua familia, afinal.

Olhou para cima assim que viu que a calçada tinha acabado, encontrando os gigantescos portões da mansão Nakatsukasa à sua frente. Seus pés estavam tão acostumados àquele caminho que o levaram até lá sozinhos. Se bem que não sabia de nenhum outro lugar para onde ir, além de ter todas suas coisas ainda naquela casa.

Fitou por um segundo aquela estrutura, vendo o telhado azul-marinho cobrir as paredes grisalhas. O jardim -que naquele momento estava completamente coberto pelas folhas caidas as árvores — lhe trazia tantas boas recordações que um leve sorriso foi quase automático.

Adentrou aquele lugar pelo portão estranhamente meio-aberto, como se alguém estivesse por sair dali. Tsubaki com certeza não seria, comentou entre si. Naquele exato momento deveria estar ocupada em alguma reunião que duraria horas, e depois teria que ir para a escola destruida. E tudo isso aguentando sozinha a vergonha de ter um noivo que bateu no próprio irmão por outra garota.

Se perguntou mais uma vez o motivo de ela não ter aceitado sua proposta. Porém, ela também não a rejeitou. Simplesmente tinha se desculpado por algo que nunca tinha feito. Black Star tinha sido o único a pretender algo dela desde o começo, mesmo Tsubaki tendo lhe dado tanto sem pedir nada em troca.

Cada sorriso, cada palavra, cada lágrima, cada gesto. Ele havia assistido a tudo, pensando em como seria bom poder abraçá-la a cada momento. Ser aquele que segura sua mão para não cair... Poder sentir o doce gosto de seus lábios todos os dias.

Bufou, derrotado. Ele teria que ver seu rosto mais uma vez antes de partir, se não jamais conseguiria pegar o caminho de volta para sua verdadeira casa.

Estava caminhando pela estrada que levava à entrada principal daquele lugar quando uma limousine passou por ele a velocidade alta, fazendo com que aquele movimento produzisse um vento que desarrumou seus cabelos já despenteados. Olhou para trás assustado, vendo que o veículo tinha parado. A porteira anterior do mesmo se abriu repentinamente, e de dentro dela saiu a garota que estava em seus pensamentos desde que a viu pela primeira vez. Seus olhos derramavam lágrimas que vinham levadas pelo movimento que a garota fazia, porém um sorriso largo e confortante tinha se estabelecido em sua boca.

Black Star sorriu também, pensando que poderia finalmente se despedir dela como se deve. No entanto, antes que ele pudesse dizer algo Tsubaki já o havia alcançado, abraçando-o.

- Eu achei que você tinha me abandonado. — ela jogou todo o peso de seu corpo sobre ele, enquanto o choro caia sobre seus ombros pela milésima vez — Black... Eu sei que não sou uma boa pessoa, eu sei que não te mereço... Mas, por favor, não suma da minha vida.

- Do que está falando, Tsubaki? — Black corou, sem responder ao abraço — Você vai se casar com o Evans! Ele com certeza tem centenas de mordomos, mesmo se eu sei que nenhum deles é mais eficiente que eu. Mas tudo bem, você pode me ligar quando quiser pra bater em alguém ou até no seu marido! Eu vou, com certeza!

Ela riu. Ela sabia que acabaria daquele jeito. O Hoshizoku sempre a faria sorrir, independente da situação. Por mais que o momento seja triste... Aquela sua personalidade nunca mudaria. E era isso o que a garota mais gostava em seu mordomo.

- Eu... Não quero me casar com o Soul. — ela o largou, olhando para baixo com um sorriso mais timido que o precedente — Estava indo neste momento avisar a Azusa. Descobri que aquele contrato não tem valor se um de nós não for de acordo. Tenho certeza que o Soul gosta da Maka-chan, e eu não quero me prender pro resto da minha vida a alguém que não gosto.

- Isso quer dizer que...? — ele se viu incrédulo, sem entender aonda ela queria chegar.

- Perdão, Black-kun... Mas eu também não posso fugir contigo. Tenho mais deveres do que direitos, sei muito bem disso, mas essa foi a vida que eu escolhi. — ela direcionou seus orbes àqueles verdes do rapaz à sua frente — Porém... Eu realmente quero que você fique comigo. Você disse que esperaria em eterno, certo? Eu acredito que o homem que vai superar Deus com certeza pode fazer isso!

- Tsubaki... — ele desviou o olhar por um ou dois instantes, vendo-se sem saída. Black Star não tinha certeza se a vida de antes lhe bastaria... Que somente assisti-la seria suficiente — \"Pra sempre\" é um tempo longe demais, até mesmo para alguém como eu. Desculpe, mas eu tenho que ir pegar minhas coisas. Vou pegar o primeiro trem que achar para Sapporo hoje mesmo. Foi bom te ver. — sussurrou, segurando a cabeça da menina e dando-lhe um sutil beijo sobre sua testa. — Adeus.

- Espere! — Tsubaki gritou, segurando a mão do empregado que já tinha se virado e começado a caminhar, parando-o — Isso é tudo?

- Hm? — perguntou, com os olhos tristes demais para demonstrar qualquer outra expressão.

- Então, quando disse que me amava, era mentira? — indagou, com o mesmo tom elevado de voz — Eu... Sempre achei que você nunca mentiria pra mim. Estive enganada todo este tempo, Black Star?! — Ela estava chorando mais uma vez. Por causa dele. Começou a se odiar; a única coisa que queria era ver o sorriso gentil que Tsubaki costumava lhe mostrar quando eram crianças.

- Não, eu realmente nunca mentiria pra mulher que eu amo. — virou-se, fitando o rosto da Nakatsukasa repleto de lágrimas.

- Eu não te peço anos. — ela se encolheu por um segundo, soltando a mão do rapaz que tinha desistido de fugir dela — Tanto menos meses. Eu quero que você espere somente o suficiente para... Que eu me apaixone por você.

- Do que você est...? — Black Star francamente tentou perguntar, todavia seus lábios foram tomados por aqueles de sua amada antes que pudesse sequer completar a frase. Aquele beijo foi delicado e gentil, porém salgado graças às lágrimas da Nakatsukasa que pareciam ter desistido de parar de cair.

- O casamento vai ser cancelado no máximo em uma semana. — ela prosseguiu, olhando a face rubra do garoto ainda perplexo — Eu vou dar um jeito de arrumar tudo isso, e poderemos ficar juntos.

- Por que tão de repente?

- Por que eu finalmente entendi que se eu aprender a amar nos seus braços... Eu poderei ser feliz e dar felicidade de uma vez por todas. — Tsubaki se viu assustada pela verdade que aquelas palavras continham. Ela estava tão cega pelas responsabilidades de todos os dias que não viu que aquela felicidade que tanto perseguiu sempre esteve ao seu lado.

- Eu aceito seus sentimentos, Tsubaki. — o rapaz conseguiu sorrir, puxando-a para o enésimo abraço, que porém foi o mais significativo de todos. — Eu sou uma estrela que sempre segue em frente, e vou te levar comigo, definitivamente!

- Sim! — ela concordou, condividindo o mesmo sorriso.

O Hoshizoku entendeu que sempre esteve aonde deveria estar, ajudando-a no que for preciso, e amando aquela gentileza que comandava seu coração. E, se pudesse ficar daquele jeito com ela todas as vezes que quisesse...

Dali ele certamente não sairia.

Soul estava em um hotel perto de sua escola. Não queria continuar ali, mas também não tinha forças o sufiente para deixar aquele lugar sem ter visto Maka mais uma vez. As palavras de Kid ainda lhe rondavam pela cabeça, e ele sabia que o certo seria enfrentar seu pai e seu irmão sem hesitar.

Mas falar era muito mais fácil do que fazer.

Escutou o celular tocando pela enésima vez. Deveria ser alguém de sua familia ou da escola, portanto deixou tocar. Contudo, o acessório continuava e continuava fazendo aquele barulho irritante. Pegou-o em mão, pronto para arremeçá-lo contra a parede... Quando viu que aquele número era conhecido — mesmo não tendo-o salvado na memória do celular.

- Alô? — atendeu com receio, esperando que não fosse mais uma de seu pai.

- Soul? — ele escutou uma voz fina e apreensiva do outro lado da linha, reconhecendo-a imediatamente.

- Maka?! — ele gritou, espantado — O... Que foi? Está bem?

- S-Sim... — ela hesitou — Mas... A Tsubaki-chan... não volta faz tempo, e eu me sinto tão sozinha... — As voz incerta, a respiração fraca, o gaguejar continuo... Maka estava claramente recitando. Porém, porque? Ele sabia muito bem que ela jamais ligaria para ele pra dizer algo do gênero, também porque não possuia seu número.

- Maka. — a loira pôde sentir a tensão tomar conta das cordas vocais do garoto — Tem alguém ai com você? Responda com \"Tudo bem\" se sim e \"Certo\" se não.

- Tudo bem. — ela obedeceu sem mais devaneios.

- Sabia. — ele suspirou, já imaginando quem poderia ser — Por acaso é alguém da minha familia? \"Eu sei disso\" se sim e \"Vou ficar bem\" se não.

- Eu sei disso. — Wes começava a desconfiar de algo, fuzilando-a com o olhar.

- É o Wes?

- Sim.

- Me espere, estou chegando. — O Evans terminou a chamada sem nem mesmo se despedir, indo procurar algo que estava bem no fundo de sua mala.

Ele sabia que um dia aquilo iria lhe servir.

Notas finais
Eae, final feliz pro casal? YES BABY! Mas pra quem não entendeu, esse cap. acontece 2 dias antes da parte em que paramos no capitulo anterior com SoulxMaka. (e que prosseguiu nessa parte pra ninguém relcamar)
Agora vai ter finalmente o grande final...
Esperem ansiosos pelo proximo, viu?! *Convencida.*
Reviews, minna!