Ahd al-Ramad
6 Máscara de Ouro
O momento no jardim foi como um bálsamo temporário; Jacob e eu havíamos tido tempo suficiente para nos recuperarmos da primeira parte do dia, mas o calendário do banquete era muito mais extenso do que um simples almoço. Quando cruzamos os grandes arcos da ala interna, o calor artificial das tochas soava mais opressor do que as temperaturas do lado de fora.
O som dos alaúdes e o ritmo percussivo dos darbukas criavam uma tapeçaria sonora vibrante, anunciando que as festividades pós-banquete estavam apenas no início. Voltei minha atenção para o círculo composto por nossas casas. Sarah e Billy, bem como Esme e Carlisle, ocupavam o lugar de destaque, enquanto nossos irmãos estavam posicionados à volta deles.
Edward olhava em nossa direção sem nos encarar de verdade; pela sua expressão, eu sabia que ele estava mergulhado em nossas mentes, tentando capturar as nuances do que havíamos compartilhado a sós no jardim. Já os gêmeos Volturi escolheram se posicionar em um canto afastado do grande salão — uma escolha estratégica que lhes conferia uma visão privilegiada de cada um de nossos movimentos.
— Mantenha o ritmo — Jacob murmurou ao meu lado, a voz tão baixa que se perdia no som da música.
O olhar de Jane estava endereçado à base do meu pescoço; mesmo à distância, eu tinha certeza de que ela conseguia visualizar o pulsar da minha veia carótida. Ela tentava farejar o pânico em mim. Enlacei meu braço no de Jacob com uma naturalidade que me surpreendeu. Pela primeira vez, não precisei forçar o músculo; foi uma resposta instintiva ao perigo. Meu corpo o reconhecia, agora, como um importante aliado.
Em nossa travessia até nossos pais, pude observar Jacob por breves segundos. Ele cumprimentava os anciãos com uma inclinação de cabeça que exalava uma autoridade tranquila, mas sua mão livre, oculta pelas dobras da túnica, permanecia fechada em um punho rígido. Ele ainda estava lutando contra o lobo, mas agora eu sabia que ele o fazia por nós dois.
Havia uma beleza crua no modo como ele se movia — uma força que não era geométrica e precisa como a dos Cullen, mas fluida e imprevisível como o deserto. Comecei a reparar na simetria de seu rosto sob a luz das lamparinas: o vinco de concentração entre suas sobrancelhas e a firmeza de sua mandíbula. Ele não era apenas uma peça no tabuleiro de meu pai; era um homem que carregava o destino de um povo nas costas, e fazia isso com uma dignidade que eu, em minha arrogância, havia ignorado até então.
— Renesmee, querida — cumprimentou minha mãe assim que me aproximei. De forma protetiva, ela e Rosalie se fecharam à minha volta. Uma preocupação muda. — Precisa de algo?
— Eu estou bem, mãe — sorri, sustentando a máscara. — Jacob e eu estávamos precisando de um momento juntos. Recarregar as energias para o restante das comemorações.
Diante da minha fala, Edward se virou para me encarar pela primeira vez desde a chegada dos Volturi naquela manhã. Sua adoração ainda estava lá, mas de forma contida, sufocada sob o peso da realidade. Eu sabia que ele estava captando cada detalhe da minha mudança de percepção em relação a Jacob; ele lia o respeito que começava a florescer onde antes só havia desprezo. A culpa me atingiu como um golpe físico, mas, desta vez, foi rapidamente substituída por uma necessidade pragmática de proteção.
Para salvar meu “irmão”, eu precisava ser a melhor noiva que Jacob Al-Aswad já tivera.
Para os árabes, a primeira dança de um novo casal era o ponto alto do noivado; a solidificação pública da sintonia que ambos levariam para dentro do futuro casamento. No Marrocos, as danças iam muito além de simples movimentos coreografados; eram uma exibição de propósito em comum, um sinal para o povo — e para os nossos carrascos — de que o Sheik e sua Sultana se moviam sob uma única vontade.
Os músicos trocaram o ritmo acelerado por uma melodia mais profunda e lenta. O som do alaúde tornou-se quase hipnótico, preenchendo o salão com uma gravidade antiga. Jacob estendeu a mão para mim, e o gesto, embora ensaiado exaustivamente nos dias anteriores, carregava uma importância nova após a nossa conversa no jardim.
— Chegou a hora — ele sussurrou, próximo ao meu ouvido. Uma garantia baixa, que apenas eu poderia ouvir. — Vai dar tudo certo.
Caminhamos para o centro do salão de baile, onde um círculo se abriu para nos receber. Senti os olhares de Jane e — pior ainda — de Edward queimarem sobre minhas costas como brasa viva. Era como se eu estivesse caminhando sobre uma corda bamba esticada sobre um abismo.
Quando Jacob colocou a mão em minha cintura, o calor dele atravessou o tecido pesado do meu kaftan com uma intensidade que me fez perder o fôlego por um segundo. Encostei minha mão em seu ombro, sentindo a musculatura rígida, o lobo ainda latente sob a pele. Começamos a nos mover.
Não era a dança leve e etérea que eu praticava com Alice no Maine; era algo terreno, marcado pelo ritmo tribal dos tambores. Jacob guiava com uma autoridade que não admitia erros. À medida que girávamos, a proximidade forçada me obrigava a encarar os detalhes que eu passara dias tentando ignorar: o modo como a luz das lâmpadas a óleo acentuava o bronzeado de sua pele e a profundidade de seus olhos escuros, que agora me fitavam com uma seriedade absoluta.
— Você está indo bem, Nessie — ele sussurrou, seu hálito quente contra o meu rosto. — Só não olhe para ele. Olhe para mim.
— Eu estou tentando — respondi, me forçando a manter o contato visual.
Pela primeira vez, a encenação exigia que nossos corpos estivessem em total sintonia. Para quem assistia, éramos a personificação da paixão e do dever; para mim, cada passo era uma negociação de espaço com a criatura que eu jurara odiar. No entanto, havia algo naquela dança que eu não esperava: uma sensação de segurança. Jacob era sólido. Ele não vacilava, não hesitava. Em meio àquela coreografia de mentiras, ele era o meu único ponto real de apoio.
A música cresceu em intensidade. Jacob me girou, e o ouro do meu vestido tilintou, criando uma trilha sonora própria. Por um instante, o tempo pareceu desacelerar. Vi Alec observar cada ângulo de nossa proximidade, seus olhos vermelhos buscando uma fresta de repulsa no meu rosto. Em resposta, inclinei a cabeça levemente para o ombro de Jacob, um gesto de entrega que eu sabia que me destruiria por dentro, mas que salvaria nossas vidas lá fora.
O contato térmico, que antes era uma afronta, agora parecia fundir nossas essências naquele círculo de mármore. Éramos o fogo e o gelo tentando criar um equilíbrio impossível.
Quando a música finalmente cessou, Jacob não me soltou imediatamente. Ele manteve a mão em minha cintura por alguns segundos a mais, um gesto de posse que selou a performance diante de Alec e Jane. O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som da minha respiração e pelo calor que emanava dele, cobrindo minha pele fria.
Ao nos voltarmos para a nossa plateia, senti um nó se formar em minha garganta. Edward carregava em seu rosto um sofrimento cru, uma agonia comparável à sede de um recém-criado. Por um segundo, imaginei que, se ele fosse capaz de chorar naquele corpo de mármore, teria o feito sem se importar com quem estivesse olhando. Salvar a vida dele exigia que eu continuasse a estraçalhar seu coração, e aquela era a parte mais difícil do meu papel.
Após a dança, as festividades foram retomadas com o dobro da intensidade. Para mim, no entanto, a atmosfera havia se tornado rarefeita a ponto de eu precisar, desesperadamente, de um momento sozinha. Com um aceno discreto e uma desculpa polida sobre a necessidade de retocar o traje, consegui me desvencilhar do círculo social. Jacob me soltou com uma hesitação calculada; um último toque no meu braço que servia tanto para manter as aparências diante dos Volturi quanto para me dar um suporte silencioso.
Eu não fui para os meus aposentos. Meus pés me levaram, quase por instinto, para a galeria das arcadas, onde o sol da tarde começava a baixar, pintando o mármore de um laranja sangrento.
Ele estava lá, encostado em uma das colunas, exatamente onde eu sabia que estaria. Edward não se moveu quando me aproximei. Sua silhueta era uma mancha escura contra a luminosidade intensa do deserto lá fora.
— Vocês dois estão sendo muito convincentes juntos — ele começou. Sua voz era tão baixa que era quase um sopro; não havia sarcasmo, apenas uma derrota que doía mais do que qualquer acusação.
— É necessário se moldar em tempos de guerra — respondi, parando a dois metros dele. A distância que eu mesma impus era uma proteção necessária para nós dois. — Jane não estava apenas assistindo, Edward. Ela estava sentindo. Se nós vacilarmos por um único instante, ninguém sai vivo daqui.
— Tenho plena consciência dos riscos. — Ele finalmente se virou. O rosto que eu amava estava endurecido, as olheiras escuras sob os olhos dourados denunciando a tortura de processar a cacofonia de mentes ao redor. — O problema não é o que os Volturi viram, Renesmee. O problema é o que eu vi através da mente de Jacob.
Senti meu coração falhar uma batida. Engoli em seco, sustentando o olhar dele, embora cada fibra do meu ser quisesse desviar.
— Ele não a odeia mais — Edward constatou, e houve uma vibração de desespero em seu tom que me estraçalhou. — O ódio dele era o meu único consolo, porque eu sabia que você estaria segura em sua própria aversão. Mas agora... o que ele sente por você é respeito. Proteção. Ele a vê como uma igual.
— E isso não é bom? — perguntei, tentando manter a voz firme apesar do tremor interno. — Não é melhor ter um aliado que me respeita do que um carcereiro que me despreza? Isso garante que o plano funcione! Isso garante que você saia daqui vivo!
Edward deu um passo em minha direção, a velocidade de mármore fazendo com que ele encurtasse a distância em um piscar de olhos. Ele parou tão perto que eu pude sentir o frio que emanava de sua pele — o contraste perfeito para o calor de Jacob que ainda parecia impregnado em meu vestido, como uma marca fantasma.
— Funciona para a nossa sobrevivência, mas me destrói por dentro — ele sussurrou, tocando levemente a ponta dos meus dedos com os seus. — Porque eu vi como você se sentiu nos braços dele durante aquela dança. Você se sentiu segura. Pela primeira vez desde que chegamos aqui, sua mente não estava gritando por socorro. Você estava em harmonia com ele.
A culpa, que eu vinha tentando sufocar sob camadas de pragmatismo, subiu pela minha garganta como veneno. Eu não podia mentir para ele; Edward via através de cada defesa que eu tentava erguer. Eu não podia negar que a solidez de Jacob havia sido meu único porto seguro na última hora.
— Eu estou tentando nos salvar — minha voz quebrou, e por um instante a máscara de Sultana desapareceu, revelando a garota apavorada que só queria voltar para casa. — Se eu tiver que aceitar a segurança que ele oferece para que os Volturi não nos destruam, eu vou aceitar. Eu faria qualquer coisa por você.
Edward fechou os olhos, encostando a testa na minha. O toque gélido era o meu lar, a minha única verdade em um mundo de simulações. Mas, ao longe, o som dos tambores Al-Aswad continuava a bater, e eu sabia que, assim que nos afastássemos, eu teria que retornar para o calor de Jacob.
— Eu sei que faria — ele murmurou contra minha pele, um sopro de agonia. — E é por isso que isso é um inferno, Nessie. Porque eu não posso te odiar por ser tão perfeita em me salvar.
O sol de Marraquexe mergulhou definitivamente no horizonte, sinalizando que a trégua do banquete estava chegando ao fim. O teatro exigia o meu retorno ao lado do Sheik. Edward soltou minha mão, e o vácuo de frio que ele deixou foi a coisa mais dolorosa que senti em toda a minha eternidade até ali.
Retornei ao salão sentindo cada centímetro do meu corpo protestar contra o peso do ouro e das mentiras. Jacob estava parado perto da entrada da ala leste, sua postura impecável, mas seus olhos captaram o rastro de desolação que eu tentava esconder sob a palidez da minha pele após o encontro com Edward. Ele não perguntou onde eu estivera; apenas deu um passo à frente, fechando o espaço entre nós como se fôssemos as duas metades de um mesmo escudo.
Jane e Alec já estavam em movimento. As capas cinzentas flutuavam pelo mármore com uma leveza que parecia zombar da gravidade terrestre. Eles pararam diante de nós, e o burburinho do salão morreu instantaneamente, como se o ar tivesse sido sugado do ambiente.
— Uma celebração... instrutiva — Alec disse, sua voz ecoando com uma clareza cristalina. Ele inclinou a cabeça para Jacob, mas seus olhos vermelhos permaneceram fixos nos meus. — Marraquexe tem uma forma curiosa de misturar o que é selvagem com o que é civilizado. É quase um milagre que essas naturezas não entrem em colapso.
— A hospitalidade Al-Aswad é tão vasta quanto o deserto, Volturi — Jacob respondeu, a voz estável, mas senti o músculo de seu braço tencionar sob o meu.
Jane deu um passo à frente. Ela não possuía a elegância diplomática de Alec; ela era a faca cega. Seus olhos infantis brilhavam com uma malícia que me fez querer recuar.
— Aro ficará encantado com nossos relatos iniciais — ela sussurrou, e um sorriso minúsculo e sem vida curvou seus lábios. — No entanto, ele sempre diz que o amor verdadeiro não se prova apenas com danças e banquetes sob o teto de um palácio. O amor é provado pelo sacrifício do que nos é mais essencial.
Ela fez uma pausa, deixando o peso das palavras afundar. Alec deu um passo à frente, completando a sentença da irmã:
— Como prova da solidez desta união, amanhã, ao nascer do sol, desejamos ver como o Sheik e sua noiva lidam com as fronteiras de seu reino. Desejamos que nos acompanhem até os limites das terras Al-Aswad, onde o deserto é implacável. Lá, faremos a pergunta que Aro nos encarregou de trazer.
— Que pergunta? — Jacob perguntou, a voz saindo em um tom de aviso.
Alec sorriu de forma enigmática.
— "O que Renesmee Cullen estaria disposta a deixar para trás para que o sangue Al-Aswad prospere?" — Ele recitou, como se estivesse lendo um decreto. — Pensem bem na resposta, pois o sol do meio-dia não perdoa a indecisão.
Sem esperar por uma resposta, os gêmeos se viraram em perfeita sincronia. Suas capas cinzentas desapareceram pela galeria de hóspedes, deixando para trás um rastro de frio que nem mesmo as centenas de tochas acesas conseguiam dissipar.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Olhei para Jacob e vi que ele estava tão paralisado quanto eu. A pergunta de Aro não era sobre política; era uma armadilha de lealdade. Ele queria saber se eu estava disposta a renunciar aos Cullen — ou a Edward — para validar a aliança.
— Eles sabem — sussurrei, sentindo o nó na garganta.
— Eles suspeitam — Jacob corrigiu, o olhar fixo no corredor escuro por onde os gêmeos sumiram. — E amanhã eles vão tentar nos forçar a dar a prova que precisam.
Ele se virou para mim, e pela primeira vez, vi uma sombra de empatia real em seu rosto. Ele não ofereceu o braço para a encenação, mas sim como um suporte real.
— Precisamos reunir Carlisle e seu pai. A resposta para essa pergunta pode ser o que nos salvará ou o que nos destruirá de vez.
A retirada de Jane e Alec não trouxe o alívio esperado; trouxe o silêncio pesado de uma sentença suspensa. O restante da tarde e o início da noite transcorreram em um borrão de formalidades exaustivas. Sob a luz das lamparinas de azeite que agora pontuavam o palácio, Jacob e eu circulamos entre os convidados, aceitando votos de fortuna que soavam como epitáfios. Eu sentia o olhar de Edward em cada canto, uma presença constante e dolorosa, enquanto Jacob mantinha sua mão firme sobre a minha, um lembrete constante de que o palco ainda não estava vazio.
Só quando o relógio de sol já era uma lembrança e a lua marroquina atingiu seu ápice é que o vácuo gélido finalmente deixou o palácio. Jane e Alec, impulsionados pela sede que nenhum banquete humano poderia saciar, saíram para caçar nas sombras do Atlas.
O sinal foi dado por uma Alice pálida e de olhos arregalados. Em questão de minutos, a biblioteca privativa de Billy — um reduto de couro antigo e cheiro de sândalo — tornou-se o nosso centro de comando.
As duas casas se reuniram na madrugada com uma urgência sombria. Não havia mais cadeiras por hierarquia ou distâncias diplomáticas. Carlisle e Billy ocupavam o centro, enquanto Jacob e eu permanecíamos de pé, ainda vestidos com os trajes luxuosos que agora pareciam armaduras pesadas demais. Edward estava encostado na porta, os braços cruzados, sua mente trabalhando em uma velocidade que fazia seus olhos escurecerem ainda mais.
— Eles não vieram apenas para observar — comecei, minha voz ecoando nas estantes de livros. — Eles vieram com uma pergunta direta de Aro. Ele quer saber o que eu estou disposta a deixar para trás para que o sangue Al-Aswad prospere.
— É um ultimato de lealdade — Billy concluiu, sua voz rouca de preocupação. — Aro está testando se esta união é uma aliança política ou uma renúncia total aos Cullen. Ele quer que Renesmee escolha entre o passado e o futuro que ele nos impôs.
Jacob deu um passo à frente, a mandíbula travada.
— Se ela responder que deixará tudo para trás, os Volturi exigirão que ela se mude para as terras Al-Aswad permanentemente, cortando laços com vocês — ele disse, olhando para Carlisle. — E se ela hesitar, eles saberão que o casamento é uma farsa para proteger os transfiguradores.
— Eles querem o isolamento dela — Edward interveio, sua voz carregada de um veneno frio. — Eles querem Renesmee longe da proteção de Carlisle e, principalmente, longe de mim. É a forma de Aro garantir que, se ele decidir atacar os Al-Aswad no futuro, não haverá um clã de vampiros para defendê-los.
O silêncio que se seguiu foi cortante. Carlisle caminhou até a janela, observando o deserto onde os nossos carrascos agora se alimentavam.
— Precisamos de uma resposta que seja um sacrifício aceitável aos olhos de Aro, mas que não nos destrua — Carlisle ponderou. — Renesmee, a resposta precisa ser emocional, não apenas política. Jane precisa sentir que a dor da sua escolha é real.
— Eu direi a verdade — eu respondi, sentindo o peso do olhar de Jacob sobre mim. — Direi que estou deixando para trás a minha liberdade. Que estou renunciando à vida que conheci para garantir que a paz não seja apenas um sonho.
— Não é o suficiente para Jane — Jacob rebateu, aproximando-se. Seus olhos encontraram os meus com uma intensidade brutal. — Ela quer sangue, Nessie. Ela quer saber se, no momento da crise, você escolheria a vida de um Al-Aswad sobre a de um Cullen.
A pergunta de Jacob ficou suspensa no ar da madrugada, crua e terrível. Naquele conselho de guerra, entre as paredes de um palácio que começava a parecer uma gaiola, percebi que a resposta que daríamos ao nascer do sol não definiria apenas o meu casamento, mas quem de nós sairia vivo daquela semana.
— O sol nascerá em três horas — Billy anunciou, quebrando o transe. — Decidam a resposta agora. Pois quando os gêmeos voltarem, não haverá mais espaço para ensaios.
Olhei para Jacob e, depois, para Edward. Eu estava no centro de dois mundos que colidiam, e a pergunta de Aro era a marreta que pretendia me estraçalhar no processo.
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