Aham, é amor
17 Um sábado talvez perdido, mas que valeu a pena
PERCY (Point of View)
Aquele era o melhor dia da minha vida. Eu estava no altar, vestido adequadamente para a ocasião, naquela igreja que com certeza era a mais bela que eu já havia visto. Nos bancos da igreja estavam meus amigos e amigas, que assim como eu, estavam bem vestidos para o evento que logo começaria de verdade. Eles sorriam para mim, felizes. Eu também devia ter um sorriso estampado no rosto, que ficou ainda maior quando eu ouvi a marcha nupcial começar a tocar. Olhei rapidamente para a entrada da igreja, e vi que minha amada vinha andando lentamente em minha direção, com aquele seu vestido branco que a deixava ainda mais linda, ao lado de seu pai. Eu ainda não estava conseguindo acreditar que a Annabeth e eu iriamos nos casar, e quando...
– PERCY! – ouvi a doce voz da minha amada gritar, mas sua boca ainda estava fechada naquele instante. Muito estranho... – PERCY, ACORDA! – algo me sacudia agora.
Abri os olhos alarmado, e sentei-me rapidamente sobre a superfície fria e desconfortável que me sustentava. Minha visão logo obteve foco, e eu olhei assustado para a Annabeth que estava ajoelhada na minha frente, e tinha no rosto uma expressão de preocupação.
– Annabeth? – perguntei, confuso, levando a mão esquerda à cabeça – Mas nós não estávamos na igreja? – ela me olhou, também confusa.
– Igreja? – Annabeth perguntou, mais confusa ainda – Percy, você está bem?
Ah, agora tudo ficou claro. Essa é a única explicação. A Annabeth e eu não podíamos estar nos casando naquele instante. Aquilo era bom demais pra ser verdade. Nem namorados somos ainda! Como eu pude acreditar naquilo?
VAMOS, DIGA LOGO QUE AQUILO FOI APENAS UM SONHO. HAHA, ADORO QUANDO ESSAS COISAS ACONTECEM. – muito engraçado, cérebro idiota.
Notei que estava jogado no chão frio da minha sala de estar, ao lado da mesa de centro. A TV estava ligada, no que parecia ser o canal de séries. A Annabeth continuava ajoelhada na minha frente, sem entender nada do que acontecia ali.
– Eu estou bem. E sobre a igreja... Foi apenas um sonho. – falei, indiferente porém nervoso. Ela apenas assentiu.
– Tudo bem...
– Ei, já volto. Me espera aqui, ok? — disse, já indo em direção às escadas, enquanto olhava para aquela garota simplesmente linda. Ela assentiu novamente, confusa.
Quando cheguei ao meu quarto, foi ao banheiro para escovar os dentes rapidamente, afinal havia acordado naquele mesmo instante. Assim que terminei de fazer a minha higiene bucal, joguei água na cara e peguei uma toalha pra enxugar.
Poucos minutos depois, lá estava eu na sala de estar, novamente, enquanto a Annabeth me encarava e eu sorria de volta. Ela parecia não saber o que dizer, apenas me olhava.
– Hm, é... O que deu em você? Por que estava dormindo no chão da sala de estar? – ela perguntou quando saiu daquele transe, ainda me olhando. Ainda não parecia acreditar que eu estava bem mesmo. Mulher, eu não estou louco, ok?
Forcei a mente para lembrar dos momentos da noite anterior. Eu estava deitado no sofá que fica em frente à TV, assistindo The Big Bang Theory, comendo alguma coisa e tomando refrigerante, quando minha visão escureceu e... Bom, não lembro de mais nada, apenas de alguns instantes atrás quando estava casando com a Annabeth e a mesma me fez acordar. Tédio.
– Eu estava assistindo alguma coisa no sofá... – falei, sem olhar para ela – Devo ter dormido e caído no chão. Mas o que aconteceu? Por que você tá aqui?
E então, vi que a linda garota que estava em minha frente corou absurdamente.
– Bom, é que... – a Annabeth parecia não conseguir formar uma frase – É que já são duas da tarde, e eu ainda não havia escutado nenhuma explosão vinda daqui, e nem sentido o cheiro de algo queimando. Quis saber se você estava bem. – sorri com aquilo. Então a Annabeth estava preocupada comigo, mesmo.
Ah, qual é velho! Hoje é sábado! Já são duas da tarde?!
Levantei do chão duro e frio da minha sala de estar, que era formado por cerâmicas esverdeadas, ainda um pouco aborrecido. Estendi a mão para que a Annabeth levantasse apoiada nela, e a linda garota por quem eu sou perdidamente apaixonado o fez.
– Eu ainda não explodi nem queimei nada aqui. – falei.
– Claro que não, Perseu. Apenas a torradeira. – a Annabeth falou, segurando o sorriso.
– Aquilo foi um acidente. – falei, fingindo estar irritado. Foi aí que a Annabeth começou asorrir o sorriso mais lindo que já devo ter visto em todos os meus dezesseis anos de vida.
– Eu já falei antes que você é um péssimo ator. – ela disse, ainda sorrindo. Admito que não consegui continuar com minha atuação quase perfeita, e logo estava sorrindo junto da Annabeth.
– Eu sou um bom ator, sim.
– Não é não...
E um silêncio desconfortável tomou conta do lugar. Droga.
– Bom, agora que já vi que você está bem... – Annabeth disse apontando para a saída, e logo depois andou alguns passos em direção à ela.
– Ei, espera! – falei, e Annabeth parou de andar no mesmo instante, e virou-se para me olhar novamente – Sabe... É que eu quero fazer um churrasco antes que os meus pais e meu irmão voltem... E vou chamar alguns amigos. Você também quer vir?
Annabeth pareceu considerar a ideia por alguns instantes.
– Fico feliz em saber que faço parte da sua extensa lista de amigos, Perseu. – a minha lindaquase-namorada falou e eu me senti o maior idiota. Eu falei aquilo mesmo!? Droga!
Rapidamente aproximei-me dela, e nossos rostos ficaram à poucos centímetros de distância, tanto que eu já podia sentir sua respiração. Ela pareceu se surpreender com minha aproximação repentina.
– Eu estou louco pra ser mais que um amigo seu. – sussurrei, encarando seus lindos olhos cinzentos, e então juntei nossos lábios. Ela pareceu hesitar no começo, mas logo retribuiu, e eu tive o segundo melhor beijo da minha vida. Poucos instantes depois nos separamos pela falta de ar.
– P-Percy, eu... – Annabeth tentava dizer algo, sem olhar nos meus olhos. Eu segurei seus ombros, e ela pareceu estremecer.
– Seu beijo é viciante, Annabeth. – sussurrei novamente, e ela corou – Te vejo às oito? – falei, agora um pouco mais afastado dela, meio que sem jeito. Ela apenas assentiu.
– Até as oito. – ela falou, ainda sem olhar nos meus olhos, e andou até a saída da minha casa, me deixando sozinho, com um sorriso meio bobo no rosto e um pouco preocupado.
Por que eu estou preocupado? Simples, ela ficou um pouco... Não sei como falar... Diferente? É, a Annabeth ficou um pouco diferente depois que eu roubei esse beijo. Será que ela não gostou da minha ação, que foi beijá-la sem seu consentimento? Qual é, mulher! Eu te amo e você também me ama! Qual o problema então!?
Fiquei mais alguns minutos ali, lembrando do nosso beijo. Lembrando do sabor de morango que eu sinto ao beijar a Annabeth. Bom, algumas linhas atrás, eu falei que esse foi o meu segundo melhor beijo. Se quer saber o motivo, eu explico então...
...
...
...
Ahn, Cérebro?
OLÁ. – bom... como posso dizer isso? Você não vai dizer coisas como: “Perseu explicando coisas... Parece até que é inteligente!” ou algo do tipo para me humilhar? – BOM, SEU QI AUMENTOU UM POUCO DEPOIS QUE VOCÊ CONHECEU A LOIRINHA. JÁ ESTOU ATÉ ME ACOSTUMANDO COM O NOVO PERSEU, QUE É MAIS INTELIGENTE. ENTÃO, NÃO SE SURPREENDA.
Nossa velho, valeu. Vai ver você não é tão idiota quanto eu pensava...
OBRIGADO.
...
...
...
Bom, deixe-me tentar me recuperar... Certo... Ok, vamos lá.
Esse não podia ser o meu melhor beijo. O meu melhor beijo foi justamente o meu primeiro beijo com a Annabeth, na noite da segunda feira passada. E incrivelmente, meu segundo beijo com a Annabeth, que aconteceu nesse sábado, foi o meu segundo melhor beijo da vida. Sensacional. Talvez não tenha sido tão ruim dormir tanto hoje...
Esse sabor de morango que eu sinto quando a beijo é incrível! Continuei ali por mais algum tempo lembrando dos lábios delicados que eu tanto amava na Annabeth. Na minha Annabeth.
Decidi subir para o meu quarto e me jogar na cama, pra tentar dormir mais um pouco. Não consegui. E quando peguei meu celular e olhei as horas, vi que havia perdido mesmo a maior parte do meu último sábado antes da volta às aulas apenas dormindo, enquanto sonhava que estava me casando com a Annabeth. Eu acordei cedo hoje, fiz o que devia fazer e fui pra sala de estar assistir. Dormi muito e agora já são 14h35. Estranhamente, eu não fiquei irritado. E ao lembrar que havia beijado a Annabeth novamente alguns minutos atrás, vi que não tinha mesmo motivo nenhum para me irritar.
Fale com o autor