Ah, Thats Not Such A Wonderful Cat Life
1 I. Dias nas Ruas
Notas iniciais
ODIJAODSJSODJSAIODSAJDISAJDOSAIDJASIUDASJDUIAOSJDSAIUDJSAIUDAS
TÔ DE VOLTA MANOLADAAAAAA!!
Voltei aqui no fandom de Soul Eater com mais uma das minhas absurdas ideias girando ao redor desse casal lindo: Kid x Chrona.
Como parece que ninguém ligou para minha outra tentativa de voltar ao fandom, resolvi resgatar uma ideia que tive há tempos e que nunca tive coragem ou real vontade de realizar: uma fic baseada em 'Ah, It's A Wonderful Cat Life'.
FALA SÉRIO CARA, quem já ouviu essa música sabe o quanto ela é cativants ♥ E o que realmente me interessou foi o fato de se tratar do romance entre duas pessoas de "mundos" totalmente diferentes, com valores completamente diferentes.
Mas, claro, tive de fazer as adaptações.
E, como foi adaptado, não posso mais recomendar a própria música para que ouçam enquanto lêem.
Então, mesmo que não tenha nada a ver, recomendo que ouçam Rain - SiD, a última opening de FullMetal Achemist: Brotherhood, ou então, se não conseguirem achar, ouçam POV - McFLY. (Point of View).
Enjoy! ~
Corria desengonçada pelo telhado de uma casa, atrás de uma pomba; Chrona precisava desesperadamente comer. Não sabia lidar com o fato de que agora tinha de achar sua própria comida, nem o quanto seus pés tropeçavam nas telhas de cerâmica em que estava pisando, mas era melhor do que ficar na casa de onde viera. De que valia a pena a comida que recebia se, muitas vezes, mal tratos vinham junto? Era melhor conseguir seu próprio sustento, obrigada.
Estava quase alcançando a ave quando uma telha solta fê-la escorregar e cair do telhado de uma casa alta em cima de uma tenda, que despencou com seu peso em cima da peixaria na rua.
-Saia daqui, seu gato de rua imprestável! – o lojista gritava furioso, erguendo um jornal bem enrolado na direção de Chrona, que soltou um pequeno grunhido de dor e correu para longe.
Saiu de perto do peixeiro o mais rápido que conseguiu, com o rabo entre as pernas e pequenas lágrimas em seus assustados olhos azuis; nunca tivera uma boa impressão dos humanos, mas estava ficando cada vez pior, agora que era tratada como uma mera gata de rua. Pior: ela não podia nem ao menos contestar o que lhe diziam; podia não ter sido desde o início, mas agora não passava de uma gata de rua, com seus pelos róseos sujo e desarrumado. Era uma realidade cruel, mas não podia negá-la.
Andava vagarosa pelo meio fio, mancando; suas patas doíam pela queda brusca. Se estivesse a mais tempo vivendo naquele meio, talvez já tivesse se acostumada, mas aquilo doía muito e ela estava sozinha; não tinha nem como pedir ajuda. Humanos não a entendiam quando ela tentava falar com eles e não conhecia muitos outros gatos, apenas alguns que não queria nunca mais ver. Não queria chorar; aquela era a pior hora para tal, mas ela simplesmente não conseguia mais controlar suas lágrimas. Não sabia como continuaria a viver daquele jeito, mas nem por um segundo pensou em voltar para os braços de sua maldosa dona, Medusa. O simples pensar dava-lhe arrepios na espinha.
A rua estava ficando mais movimentada, por isso fez um esforço para conseguir subir à calçada; os carros passavam perigosamente perto de onde ela estava, o que a deixou ainda mais insegura do que fazia. Será que tinha sido uma boa ideia ter saído de casa? Claro que Medusa e sua crueldade natural lhe causavam grandes feridas – tanto psicológicas quanto físicas – mas nenhuma agressão chegava tão perto da morte quanto as rodas negras dos automóveis que passavam. Para melhorar a situação em que se encontrava, as nuvens acima de sua cabeça ameaçavam chuva. Suspirou frustrada; já não gostava de água e ela ainda tinha de cair do céu apenas para lembra-la uma vez mais que ela não tem onde se abrigar?
Estava, agora, passando perto das maiores casas de toda a cidade; o bairro nobre, por assim dizer. Um lugar quase místico para Chrona, que vinha de um lugar realmente simples e isolado de toda a área urbana. Como ela havia parado ali era um mistério para ela mesma. Olhava ao redor extasiada; seria tão bom morar numa daquelas casas. Continuaria andando por lá eternamente até que sua perna não aguentou mais e cedeu; caiu no chão ao lado do portão de um casarão qualquer. Foi o que pensou até virar um pouco sua cabeça na direção de tal portão.
Deu um pulo para trás, com sua pata misteriosamente recuperada de tanto susto; aquele era o maior e mais caro casarão de todo o quarteirão, o que era esperado da casa do prefeito da cidade. Sentiu-se intimidada pelas caveiras tão características daquela pessoa tão importante; mas, ao mesmo tempo, lhe ocorreu:
-Se eu me abrigar aqui... ninguém vai me notar... – Afinal, aquele era um lugar grande, jamais notariam um ser tão pequeno.
Ainda relutava um pouco; e se houvesse cães de guarda pela casa? Tremeu; ela seria estraçalhada se esse fosse o caso. Foi quando a chuva começou a cair, começando por gotejar em seu focinho. Chacoalhou a cabeça; se cachorros viessem atrás dela, a solução era se esconder em algum canto que não pudessem alcança-la. Sem falar que, que mal uma gata franzina como ela faria?
Pulou as barras do portão com delicadeza, tomando cuidado para não fazer barulhos e acabar sendo percebida. O chão molhado quase fez com que Chrona escorregasse, mas não se deixou perder o equilíbrio novamente – tinha consciência de que, se ela caísse, não seria capaz de levantar-se de novo. Caminhou por um pátio central que levava até a porta da frente, mas não seria ousada de deitar-se ali; era imprudência. Por isso, meteu-se por entre o pequeno jardim de frente, até que achou uma planta de porte médio, porém com folhas largas que lembravam um coração; já vira aquelas folhas antes, mas não recordara o nome da planta, coisa que realmente não importava. Deitou-se embaixo da maior folha dali e enrolou-se com sua cauda, fechando os olhos enquanto suspirava.
“Finalmente, um momento de paz”, pensou.
Até que, de repente, uma das janelas da casa, uma mais ao alto, se abriu.
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