Notas iniciais
comentem se quiserem continuação, fiquem com DEUS e esperem muito ácido dessa história, mas não nesse capítulo, ainda não vou dar motivos pra vcs me matarem kkkkkkkk



Eu tentava gemer baixo, mas a dor era muito boa. Se alguém entrasse no quarto, se meus pais entrassem no quarto... Como eu explicaria os anos de terapia que não me serviram em nada? Ok, só mais um e eu paro.

Peguei a faca com força e rasguei mais um pouquinho nas minhas coxas.

“Se controle, Gerard.” Disse a mim mesmo e engoli o grito. “Isso é bom.” Continuei.

Sete da manhã. Ótimo. A dor me fez companhia e não me deixou dormir. Limpei o sangue do chão com minha toalha e a joguei debaixo da cama. Enrolei gaze nas minhas pernas. Nos cortes de hoje e nos de ontem. Os outros pelo resto do corpo tinham se transformado em cicatrizes, contrastando com minha pele pálida. Vesti uma calça grossa, uma camiseta preta e a jaqueta de uniforme por cima: A mesma roupa da semana que usei durante a semana inteira. Foda-se. Escovei os dentes e, inevitavelmente, me olhei no espelho. Limpei o sangue respingado no meu queixo e observei bem minhas olheiras enquanto isso. Elas estavam tomando a mesma cor dos meus cabelos, mas algumas noites e elas ficariam tão pretas quanto, eu sei.

Quando olhei para o relógio na cabeceira já eram sete e dez. Desarrumei a cama, que estava intocada. “Faz quanto tempo que eu não durmo?” Perguntei a mim mesmo. Fui andando até a porta e descendo as escadas. Os cortes por baixo da calça pareciam se abrir, e eu gostava da sensação.

_Você ficou lá em cima até agora fazendo o que? Nem o cabelo você penteou, Gerard.

Merda, o cabelo. Mesmo tomando cuidado pra não passar minha mão ensangüentada por ele, com certeza havia alguma coisa que me incriminava. Mas se eu ficasse longe, meu cabelo era tão preto que nem ela perceberia.

_Mamãe, eu esqueci.

_Você demorou tanto que sei pai já foi embora.

Soltei fogos por dentro, mas minha expressão ficou indiferente. Abocanhei um pedaço de bolo e falei com a boca cheia, o que eu não fazia quando meu pai estava à vista:

_Vou ligar pro Mik, ele vem me buscar.

Mamãe suspirou fundo e olhou pra cima. Ela estava com os olhos marejados, as lágrimas querendo cair.

_Quer falar com ele, mãe?

_Não, querido, obrigada.

Coloquei o capuz, tampando meus cabelos e a abracei. Dois toques no telefone e meu irmão atendeu.

_Fala, bro! – A voz dele era sempre animada, mesmo de manhã.

_Mano, seu carro está cheio? – minha mãe virou o rosto e fungou, deitei-me no seu ombro.

_Não. Estou passando na casa do Ray, você quer que eu vá te buscar?

_Por favor.

_Claro, estou chegando. E... seu pai não está aí, né?

_Não, Moik, e para com isso – desarmei o abraço e dei um beijo na testa da mamãe. Me desfiz do telefone e sussurrei “Fica bem?” ela secou as lágrimas e devolveu o beijo, “Não vão se atrasar. E veja se Michael está agasalhado, sim?”.

Quando peguei minha bolsa, ouvi buzinadas do lado de fora. Abrindo a porta, cumprimentei Ray e Tom que estavam atrás. Olhei pra Mikey. O cabelo castanho claro, a armação dos óculos, tudo contribuía pro garoto parecer mais magro.

_Veste o casaco, agora.

_Mamãe, te amo! – ele gritou colocando a cabeça pra fora, só eu sei o quanto ela devia estar chorando agora. Quando olhei de novo para meu irmão, ele já tinha vestido o casaco de uniforme, que ele odiava, e arrancado com o carro.

_Gee, qual o meu primeiro horário? –ele disse sério, olhando pra estrada.

_Você não sabe?

Olhei pra Tom, que estudava na mesma classe que ele, o garoto apontava aqueles olhos verdes com sinal de interrogação e não pude acreditar como podia ficar surpreso, ainda, com aqueles dois.

_Química, e vocês tem prova!

Ray começou a rir primeiro baixo, mas depois foi aumentando gradativamente, até que estava gargalhando. Gargalhei em coro com meu melhor amigo. Depois Tom se juntou a nós e, logo após, Moik.

_Ouviu isso, Michael Way, estamos fudidos – disse Tom.

_Pensei que vocês estavam rindo da ironia de o Gerard saber das nossas aulas e nós não.

_Depois biologia, garotos. – Continuei.

Quando chegamos, percebi que Tom escrevia em seu braço, trechos do livro que abriu no colo. Pelo menos ele sabe a matéria da prova.

Olhei pra Ray, e ele sussurrou quando estávamos saindo do carro, “Nós não temos prova, né?”

_Não.

No caminho até a sala, todos nos cumprimentavam pelo nome. Principalmente as garotas. Era engraçado ver Ray dar trela pra todas elas. Olhei pra trás e vi Tom e Mik entrando na sala, passando o dedo pelo pescoço, meu irmão fez sinal pra mim. Fiz sinal de positivo e rimos juntos, apesar de sermos separados no corredor, por vinte pessoas, mais ou menos.

Passaram as aulas e eu não conseguia prestar atenção em nada além da imagem do garoto sentado na minha frente. Frank, ele era tão quieto e tão... lindo. O que não me torna gay. Até o Ray deve sentir atração pelo garoto. Ele era tão pequenininho e bem contornado. “Ele deve ter namorada.” E eu nem ligo! Só acho ele bonitinho, só. Eu também poderia ter uma namorada. Qualquer uma que eu quisesse, mas eu nem queria. Deixo todas, sem sacrifício para Ray.

_Way!

O grito do professor me acordou do meu transe e eu percebi que todos olhavam pra mim.

_Sim, professor.

_Nós estamos na aula de língua portuguesa, concorda?

_Sim. E se vai perguntar, eu li o livro. Aqui está o resumo.

Passei pra ele uma folha.

Do meu lado, Ray falou:

_Essa merda era pra hoje?

Professor se virou e retrucou o garoto de cabelos encaracolados.

_O senhor quer uma suspensão? Porque eu posso dar pelo uso de palavras de baixo calão dentro da sala de aula, Toro. –Ri baixinho antes do professor levantar minha folha e dizer para a sala toda – Estão vendo? O resumo era pra daqui duas semanas e alguém já me entregou. Posso baixar o prazo, então.

_Não, professor!

Se levantou Frank e eu estremeci sem querer com sua voz.

_É que eu já havia lido esse livro. De mais prazo pra eles. – Disse.

_Já que foi nosso melhor aluno que pediu, podem me entregar daqui duas semanas então.

Olhei sem graça pra Ray, que fizera um coração no seu caderno e levantava pra mim. Todos bateram palmas e eu me enrijeci na cadeira. Tanto, que os cortes nas minhas pernas voltaram a doer.

O garoto sentou novamente na cadeira na minha frente, se virou e sorriu pra mim. Meu coração disparou e eu não sabia o que fazer, foi quando eu percebi que já estava sorrindo.

Ele se virou rápido e eu voltei a observar sua nuca sob a rouquidão da voz do professor na frente da sala. Eu nunca olhara pra nenhum garoto. São a porra dos hormônios, claro.

Um sorriso se abriu nos meus lábios quando fiz questão de me lembrar da voz macia que Frank tem.

Notas finais
Obrigada, mereço reviews?