Agora mais Rápido, Ser Desprezível
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Perei.
frikey (só para os fortes) é verdade ou mentira?
_Cheguei!
Subi correndo as escadas pra não perceberem a da tonalidade vermelha que as mangas da minha blusa tomaram.
_Gerard, eu estou aqui. – mamãe falou da sala.
Lavei as mãos rápido, vesti uma jaqueta e pulei até o primeiro andar.
_Oi – abracei-a -, você esta linda.
Fui até a cozinha e abracei Julieta.
_Eu peguei umas toalhas ensangüentadas debaixo da sua cama. – ela interrompeu pra olhar nos meus olhos e voltou a sussurrar – Garoto, você tem que parar com isso. Sua mãe morre se fica sabendo.
Ai...
_E a senhora vai contar pra ela?
Ela se voltou para as panelas murmurou, mas pelo seu tom, eu não devia ter ouvido.
“Se eu contasse tudo que eu já vi nessa casa...”
_Obrigado. – sussurrei de volta.
_Gee, advinha quem vem pra cá semana que vem? – minha mãe chegou na cozinha e colocou meu cabelo atrás da orelha pra olhar meu rosto.
_Quem?
_A vovó! – ela bateu palminhas e eu tentei manter minha expressão a mais animada possível.
Ela não vinha pra cá desde quando Mikey e eu tínhamos 14 anos, há dois anos. E as coisas mudaram um pouco por aqui.
_Mas e o Mikey?
Mamãe suspirou pesado, como sempre que alguém tocava no assunto. As suas sobrancelhas caíram e ela alcançou um colar por debaixo do cachecol, nele, três pingentes: G, M e D. Gerard, Michael, Donald.
_Quer que eu ligue pra ele?
Ela assentiu com a cabeça.
Disquei os números no telefone da cozinha. Aquele garoto idiota sempre atendia depois do segundo toque.
_Sim? – do outro lado, a voz era tensa.
_Gerard falando.
_Oi, G, o que aconteceu? – a voz não ficou menos densa. Talvez pelo incidente do banheiro. Meu irmão estava na defensiva, o que era muito raro.
No meu bolso, meu celular vibrou.
“a mamãe tá na extensão?” Enviada por Mikey as 14:02
Corri a sala com os olhos e ela estava lá, grudada no telefone da sala e no colar.
_Está sim... A vovó vem pra cá na próxima semana.
_Aquela velha é louca.
_Você vem? É a primeira vez que ela vem pra cá depois que... você... – olhei pra mamãe – Ah! Sabe do que eu estou falando.
_Vou sim. Agora eu tenho que desligar.
Ouvi uma voz no plano de fundo do outro lado da linha. A voz que, de uns tempos pra cá, ecoava na minha cabeça. Frank estava com meu irmão. Ele não se despediu e eu só o ouvi um bater de telefone.
Fiz sinal positivo pra minha mãe e tentei sorrir. Ela também tentou. Mas ela era bem melhor do que eu nisso.
_Querido, seu pai mandou algum e-mail pra você hoje?
_Vou olhar. – Saquei o telefone outra vez do bolso, mas a conta de e-mail logada, era a de Mikey. Acho que não deu tempo de sair quando ele jogou o telefone em mim no corredor por causa da mensagem do papai, ante ontem.
Não lidos (por contato):
Frank I. (1)
Bruninha (52)
Tom (0)
Laura (160)
I de Iero? “Não, Gerard, desde quando você invade a privacidade do seu irmão” Mas eu preciso ler. Preciso.
Era como ter duas vozes na minha mente. Dois eu, mas eu só podia seguir um deles.
“Que bom que você tá bem. XD
Vai contar aquilo pro seu irmão?”
Não precisava abrir essa merda pra saber que eles escondiam alguma coisa de mim.
Saí e entrei na minha conta.
Não lidos (recentes):
Gabrielle I.
Carla
Mikey
Ray
Líderes de torcida
Pai
Aline Way
MAIS
Desde quando Aline virou Aline Way? Essas meninas estão loucas.
Cliquei em pai.
“Fale pra sua mãe que talvez não dê pra chegar aí até semana que vem. Se não der, mande um beijo pra sua avó em meu nome.”
Contei pra minha mãe que soltou alguma coisa como “Sogra é sogra até pra ele.” e riu sem jeito. Pelo menos, se ele não viesse, não toparia com Miks aqui, e isso evitaria muita coisa. Melhor assim.
Voltar. Gabrielle I.
“Porque me ignorou na escola? Pensei que significasse alguma coisa pra você. Era bom demais pra ser verdade. Me esqueceu, GeeGee?”
Esqueci mesmo, sem nenhuma ironia.
Voltar. Mikey
“O que você ouviu no banheiro?”
Responder: “Nada. Devia ter ouvido algo?” Enviar.
Como se eu precisasse que me lembrem da cena.
Voltar. Ray
“Vou estar te esperando na festa, mas desta vez NÃO TOMA NENHUMA PORCARIA.
P.S.: Gabrielle espalhoupor aí que você tem uma língua grande.”
Melhor nem abrir os outros e-mails, então.
E é claro que eu não iria à festa pra ver Mikey desfilar com Frank. Não que isso fosse uma coisa que ele costuma fazer, ou melhor, nunca fez. Mas ele também nunca ficou tão próximo de nenhuma garota a ponto de levá-las pra casa. Porque eu sei: Moik estava em casa quando eu liguei pra ele.
Qual o próximo passo? Me chamarem pra ajudá-los a escolher os anéis de compromisso?
O ciúme não é do Miks, é do Frank.
Umas garotas penduradas na varanda fizeram coro quando eu entrei pela porta da frente na casa de Tom: “Oi, Gerard!”
_Olá, meninas. – disse antes de sumir, tentando parecer legal.
Estava escuro e havia casais fazendo sexo por toda canto. A música era tocada ali mesmo por umas garotas da escola.
_Fala, gatão – a voz fina de Ray chegou do meu lado – Olha do seu lado direito.
Uma morena e uma ruiva se insinuavam pra nós. Eram gostosas, com decotes enormes e já estavam bêbadas.
_O que tem elas? — me voltei pra Ray.
_A morena é minha, ok. Traça a ruiva? – foi natural, acenando pras garotas.
Arregalei os olhos pra ele:
_Você da conta das duas. Vai lá.
Tentei encontrar Fr... Mikey pela sala. Mas ele não estava lá. Procurei demais, encontrei demais.
Uma garota baixinha, com olhos grandes, veio pulando na minha direção e me agarrou pelo pescoço, ficando suspensa no ar. De longe, suas amigas assistiam.
_Eu sabia que você viria!
_Gabrielle. – tirei os braços dela do meu pescoço.
_Vem pro jardim comigo?
Não foi uma pergunta, já que ela não esperou resposta pra me puxar pra fora. Nem pra tentar me beijar. Nem pra me puxar pela gravata. E puxar outra vez, até que eu caí com a boca em cima de uma pedra. Pelo menos não foi em cima dela.
_Gerard, tá sangrando muito.
Passei a mão nos lábios e a vi ficar vermelha. Eu gostava do sangue nas mãos e da dor na boca. Sem querer comecei a sorrir.
_Desculpa, Gee, vou chamar ajuda.
Levantei-me falando com os dentes serrados (pelo menos eles ainda estavam na lá):
_Não, pode deixar.
A menina foi empurrada da minha frente por alguém, que me abraçou de leve pelos ombros e me colocou dentro de um carro. Quando chegamos, lá, acenderam a luz.
Frank iero, com toda sua beleza, olhou pra mim, segurou o volante e arrancou.
Os olhos dele brilhavam em uma cor diferente.
_Vamos pro dentista agora. Isso aí tá muito feio.
Quando ele olhou de volta, sorri pra ele o máximo que pude. Estava sentindo meu coração bater nas pernas.
_Não dói?
_Muito.
_Então porque você esta sorrindo?
Não respondi o que eu queria. Queria que ele atravessasse o sangue e mordesse minha boca outra vez, mas namorado do meu irmão, pra mim, é do meu irmão.
Quando ele estacionou o carro, saí, parando a mão abaixo do queixo pra não pingar sangue no carro dele.
Andamos rápido até uma porta, que ele abriu pra que eu pudesse entrar.
Era uma sala branca, com uns sofás brancos e uma secretária sentada atrás de uma mesa branca. Ela arregalou os olhos pra mim. Não é possível alguém trabalhar num consultório e se impressionar vendo sangue. Frank passou direto, como se ela não existisse e me empurrou pra uma porta que dava em outro quarto branco. Lá dentro outra mulher me viu, mas essa me deitou na cadeira.
_Abra a boca, querido.
Ela começou o trabalho. Parecia calma e fazia alguns comentários de tempos em tempos com voz abafada por detrás da máscara. “Mas você é tão branquinho”, “tão lindinho”.
Depois ela falou pra Frank, que assistia tudo sentado ao meu lado.
_Bateram nele?
_Não, a Gabrielle – ele pronunciou o nome com desdém – o jogou numa pedra.
_Não foi culpa dela, foi acidente. – tentei falar, mas meus lábios estavam dormentes.
_Mentira, mãe, – “mãe”? – ele é bonzinho com todo mundo.
Eu não sou bonzinho.
_A anestesia vai fazer-lo falar algumas coisas estranhas, fique com ele, sim? — Frank revirou os olhos.
Ela saiu da sala e uma enxurrada de pensamentos pervertidos rolou por minha mente.
_Gabrielle é minha irmã, desculpe pelo que ela fez. – ele falou tentando quebrar o gelo.
Então o “I” do e-mail dela é de Iero.
_Ela não fez por querer.
_Mas se ela pudesse, te comeria vivo. As garotas do primeiro ano fazem umas festas do pijama e dá pra ouvir uns “se o Gerard estivesse aqui...”.
O baixinho me olhou de um jeito inédito.
_Todo mundo na sua família tem menos de um metro e meio?
Ele simulou uma risada irônica, continuando a me olhar, mas agora em pé.
_Quem está menor agora?
Rimos juntos, mas meu coração pesou de culpa por sentir tanta atração pelo namorado do meu irmão. Tentei afastar nossa conversa, mas ele se sentia a vontade para me provocar e sugar-me pra perto.
_Você não parece irmão do Mikey. Tanto por dentro, quanto por fora.
_Eu fui adotado.
_Ah, me desculpe.
_Não tem problema, Fronk – a anestesia estava fazendo muito efeito. “Fronk?” Puta merda.
_Pare de me perdoar? Isso me deixa sem jeito.
_Paro assim que você também parar.
_Parar o quê?
Ele se abaixou quando eu tirei aquele tubinho que suga a saliva da boca. Ficamos muito próximos e, apesar de contornar seus lábios com os olhos e estarmos sozinhos na sala, não era certo com o Moik. Levei o canudinho de volta à boca e virei o rosto.
Deixei-o voltar naturalmente à posição inicial. Depois, agradeci sua mãe e fiz questão de ir pra casa sozinho. “Desculpa por estragar sua festa, pode deixar que eu vou sozinho, Mikey deve estar te procurando. Obrigado.” Ele riu pra si mesmo, como se houvesse lembrado de uma piada que lhe contaram pela manhã. “Não fiz nada demais.”
Notas finais
Fiquem com DEUS e me desculpem por todos os erros. Podem xingar muito nos reviews
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