Agora mais Rápido, Ser Desprezível

12 Alguém pode parar o ruído na minha cabeça?


Notas iniciais
me desculpem por este cap escroto.

[Frank POV]

- Há dois anos passados -

O ritmo das pessoas transitando me dava enjoos.

Percorri todo o aeroporto em vão. É claro que ninguém viria. Como eu pude ser tão idiota?

Um homem segurava uma plaquinha “Frank Iero”. Talvez ele fosse da família. Não me lembro da maior parte do meu passado e a que me lembro, quero esquecer. E isso me enjoava, definitivamente, um milhão de vezes mais que o cheiro as pessoas.

Fui até o homem de meia idade que segurava o papel com meu nome e o olhei.

_Oi, Frank. – ele estendeu a mão pra mim. Claro, não retribui.

_Minha mãe. Cadê ela? – praticamente cuspi as palavras em cima dele.

_Ela está trabalhando.

_Nossa! Que novidade.

_Você está com fome? Podemos parar pra comer.

_Quero ir pra casa. – fiz mímica – Ca-sa. E parados nos já estamos.

Ele riu. Falou que era meu primo. Contou a história da família. Dirigiu devagar pra caralho. Cantou umas mulheres. Perguntou se eu tinha namorada. Falei que tinha namorado. Ele calou a boca por dois minutos antes de tentar me levar pra religião dele.

Eu sabia que Linda havia montado um consultório em casa pra ficar com Gabrielle. Então entrei pelos fundos. Tudo que eu não precisava era um abraço materno cheio de desculpas “por que não fui buscá-lo no aeroporto.”

Tudo naquela casa me levava ao pior d’javú do mundo. Era angustiante. Eu queria tanto me lembrar.

_Oi. – pulei de susto quando a voz me atingiu.

Um homem de meia idade e calvo sentou-se no sofá.

_Eu disse “Oi”. – insistiu.

_Não sou surdo.

Saí do campo de visão daquele homem. Sentando-me na escada larga.

_Você deveria respeitar os mais velhos, sabia? – ele se acomodou ao meu lado. Eu devo atrair gente insuportável.

O velho tocou nos meus cabelos e os arrastou pra trás da orelha. O olhei espantado antes de afastar seus dedos do meu rosto.

_Calma, garoto. – ele estendeu a mão pra mim, como o primo-idiota fez há uma hora – Sou Donald Way, amigo do seu pai.

_Devem ser iguais, então. – ri vendo-o recolher o braço de volta para si – Dois filhos da puta.

Levantei-me, procurando uma porta pra entrar e ficar um pouco sozinho. Em uma delas, havia um bilhete. “Bem vindo de volta, Frank!” Deve ser meu quarto.

A sensação de quase-lembrança voltou mais forte ainda. As paredes rabiscadas com giz de cera, as fotos que me pareciam vazias...

Pulei na cama. Estava tão cansado. Só puxei o celular do bolso e liguei. “Alê”.

_Oi, pequeno.

_Caralho, eu não me lembro de nada. Absolutamente nada. Eu...

A luz foi acesa, e aquele velho... Donald, entrou trancando a porta.

_Frank? Você está aí? – a voz grossa de Alexandre ficou preocupada – FRANK?

_SAIA DAQUI! – gritei.

O homem pegou o telefone das minhas mãos e desligou.

_Você deveria ser mais educado, garoto.

_SAI!

Donald empurrou-me pra trás e prendeu meus braços sob os seus.

_ME SOLTA!

_Já te disseram que você tem lindos olhos? – seu rosto se abaixava, quando eu tentei gritar, ele encostou os lábios nos meus.

Quando terminou, cuspi no rosto daquele verme tudo que ele derramara em minha boca.

_É muita valentia para um menino tão pequeno. – riu.

Eu me debatia fervorosamente.

_Vou fazê-lo se lembrar do tio Donald. – soltou-me para desabotoar o cinto. Nesse meio tempo, corri até a porta, numa tentativa frustrada de fugir. – Ninguém vai acreditar em nada que você disser, Juninho.

_O que vai fazer comigo? Isso é crime. Eu tenho catorze anos. – o vi se aproximar de mim e, segurando minha cintura, sussurrar:

_Melhor que fique caladinho ou te faço voltar pro lugar onde você estava. Você não quer isso, quer Frank?

_Não. – choraminguei.

Donald me arrastou até a cama. Eu estou acostumado a ceder sob chantagem.

Senti nojo dos movimentos que o homem fazia, lambendo meu corpo e arrancando meu jeans. Virou-me de bruços. Eu só desejava que aquilo acabasse rápido ou que eu pudesse alcançar algo pontiagudo pra matar aquele desgraçado.

Quando acontecia algo de ruim, e ser rude com as pessoas não funcionava, me limitava a tapar os ouvidos.

“Engole o choro, Frank!” Gritei para mim mesmo. “Qual foi a última vez que você derramou a porra de uma lágrima?” Mas aquilo doía muito.

_Já acabou, Junior. Pode parar de chorar agora.

Mesmo com a dor latejante, me virei, pegando um porta-retrato na cabeceira e jogando naquele verme asqueroso. Mas ele conseguiu se desviar a tempo.

Olhei para o lençol sendo pintado pelo vermelho que escorria por minhas pernas e gritei pouco antes da porta se fechar, levando Donald do quarto.

Meu estômago se embrulhou e mal tive tempo de chegar ao banheiro. Vomitei.

Rastejei até o chuveiro pra tirar aquele cheiro de mim. As lágrimas e a dor me cegavam. Tudo que podia ver era o vermelho embaçado do meu sangue indo em direção ao ralo.

_FRANK?

Eu não reconheci a voz, por isso fiquei com medo. Empurrei-me contra a parede, rezando pra conseguir atravessá-la.

_FRANK? OUVI UM BARULHO... – uma silhueta apareceu na porta, meus olhos não conseguiram identificá-la.

Meus gritos ficavam mais autos a cada passo que aproximava a pessoa de mim.

_Frank... Ah, o que você fez, meu amor?

A voz fez meu coração doer e minha visão se desembaçar.

_Mãe?

Meus soluços preencheram o tempo em que nós dois ficamos calados. Ela olhava horrorizada pra cena, ou pra mim, não sei.

Linda fechou o registro d’água e se abaixou, abraçando-me.

_Você está fervendo!

_Me solta. – tentei parecer independente. Queria que minha mãe pensasse que eu não senti falta dela nesses últimos cinco anos.

_Frank, mamãe está aqui.

_Não sou mais criança.

Aquela... Aquilo que Donald fez comigo voltou, sem permissão, pra minha mente. Abracei Linda, molhando sua roupa e atravessando meu orgulho.

_Mãe... Mãe! – minha boca tremia, meus dedos também. Agora, todo meu corpo latejava.

_O que aconteceu?

_MÃE! – gritei tentando afastar aquela lembrança da mente. Queria bater a cabeça de novo. Esquecer tudo outra vez.

_Eu estou aqui... Estou bem aqui.

Tapei os ouvidos.

_Frank. Vou chamar um médico. – Ela afastou os braços de mim. – Sua febre, seus delírios, esse sangue...

_NÃO ME DEIXE SOZINHO. – chorei – De novo não, por favor.

_O que aconteceu com você, filho? – ela tirou meu cabelo do rosto.

_Ele me... – a empurrei e voltei à ânsia de vômitos.

Foi aí que tudo escureceu.

- Um mês depois... -

_FRANKLIN IERO, SE VOCÊ NÃO SAIR DESSE QUARTO AGORA, VOU ENTRAR E TE TIRAR DAÍ A FORÇA.

Meu pai gritava a uma hora do outro lado da porta. E eu estava deitado no chão, encolhido, tapando os ouvidos.

Não conseguia dormir desde... Arg! Mas, às vezes, apagava de repente. E eram nesses momentos que eu me sentia bem. Nada de flashbacks.

_FRANK! ABRA ESSA PORTA.

_Não, pai. – sussurrei.

_RESPONDA!

Levantei-me e, lentamente, girei a maçaneta branca.

_Você tem que comer, vem comigo agora! – ele me pegou pelo pulso, descendo as escadas e entrando na cozinha.

Colocou um sanduíche em minhas mãos. “Porra, eu não estou cego.”

_Coma, Frank.

Na primeira mordida senti meu estômago embrulhar.

_Pai... – o vi revirar os olhos.

_Só engole.

Uma buzina soou do lado de fora.

_Bom, vou trabalhar. Então não quero saber que você ficou trancado o dia inteiro outra vez, ok? – ultimamente, ele invadia meu quarto pra me obrigar a comer. E só. Nós já fomos muito próximos.

Ninguém sabia de nada.

Ele me entregou uma xícara de café.

_Oi, Frank. – Gabrielle me acordou.

_Não.

Comecei a ouvir o que era dito na sala. “Sabe se mantiveram contato com aquele fornecedor?” “Ah, sim, mas eles estão...”

“Aquela voz... Eu não...” Meu coração falou. Como ele podia voltar aqui depois daquilo?

Senti algo quente encostar-se ao meu pé. Olhei. A xícara que segurava há alguns instantes atrás, estava em pedaços.

Donald Way. Tudo de ruim é melhor do que aquilo: Ser ignorado outra vez pela família por um motivo que você não pode ignorar ou simplesmente passar por cima. Não conseguir olhar nos olhos das únicas pessoas que amo no mundo. Donald Way merecia a morte, ou pior, merecia passar por isso.

Aquele verme merecia ser aniquilado pelas extremidades. Talvez ele tenha família... Mulher. Filhos. Alguém que pudesse o atingir com a dor com que ele me atingiu.

[/Frank POV]

Notas finais
NÃO FAÇAM MACUMBA PRA MIM
garotas, vcs que tem tantas idéias incríveis pra matar o Tom. alguma para o Donald? falei q ele não era flor que se cheire.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.