Age of Wars:A Era das Guerras
2 Aurora
A noite estava fria. Nevava sem parar a três dias. Mesmo acostumando com o frio, Vladmir se esforçava para não morrer de frio.
Vladmir Ibraiekovich, conhecido pelos soldados nazi-soviéticos como “O Veterano”, era o que se pode chamar de “super-soldado”. A tempos ele foi levado pelo governo para ser uma cobaia em um experimento que deu errado. Ele foi obrigado a tomar um soro feito para matar dolorosamente. Fazia os membros caírem, as traquéias fecharem e fazer perder a visão. Esse soro seria para os soldados usarem contra os seus inimigos na guerra. Mas o tiro saiu pela culatra. O soro deu defeito, e parou no estágio da perda de membros. Mas ainda assim conseguiu matar Vladmir, temporariamente. Considerado morto, foi jogado em uma caçamba e só “acordou” três anos depois. Como ele se virou para conseguir sobreviver era um mistério, até pro próprio Vladmir.
Vladmir, ou “Veterano”, como gostava de ser chamado, tinha o braço direito e a mão esquerda artificiais, junto as suas duas pernas. O seu braço direito podia se transformar em até 6 armas diferentes, uma proto-arma. O Veterano usava também uma máscara de ferro, com furos no lugar da boca e das narinas, para poder respirar. Tinha cabelo ruivo e os olhos verdes. Naquele momento, vestia uma roupa esfarrapada, com a blusa sem mangas e cheia de furos. E com aquele frio, não demoraria para que ele tivesse hipotermia.
Sentado em uma cadeira de madeira em uma cabana velha caindo aos pedaços, o Veterano tenta olha através da janela, mas não consegue por causa da grande camada de neve que cobria todo o redor da casa. Com bastante esforço, Vladmir pega o seu escuta e tenta falar com alguém no outro lado da linha.
–Leon, está na escuta, câmbio?- Diz Vladmir.
Demora por alguns segundos, mas aparece uma voz:
–Sim, estou na escuta, câmbio- Diz Leon.
–Quando é que vocês iram vir com o jipe?!- Pergunta Vladmir, com tom de raiva.
–Mudança de planos, Vladmir. Não seremos mais nós que iremos te buscar...
–Espera, como assim não será mais?
–Será o Hermann, aquele caminhoneiro que conhecemos no distrito da Alemanha, lembra?
Ele fica calado por alguns segundos, tentando lembrar-se do tal de Hermann, até que ele finalmente se lembra.
–AHHH o Hermann!-Fala Vladmir com cara de surpreso-Mas por que será ele e não vocês?
–Porque nós dois encontramos um compromisso que não pode ser adiado -Explica Leon –Não tenho tempo de explicar, por isso Hermann irá te explicar quando ele chegar ai, que deve ser a qualquer minuto.
Assim que Leon termina de falar, Vladmir vê um feixe de luz numa fenda da parede da cabana. Era o farol do jipe. Morrendo de frio, Vladmir correu na neve até chegar no jipe. Quando entrou bruscamente dentro do veículo, ele senta no banco climatizado, com bastante alívio. Então ele olha pro lado e vê Hermann no volante.
–Olá Vladmir, lembra de mim?-Pergunta Hermann, com um sorriso no rosto.
–Sim claro que me lembro-Responde Vladmir, e o cumprimenta. Hermann não tinha muita cara de alemão. Tinha olhos claros, mas cabelos negros. Ele era filho de uma alemã com um francês. Era um caminhoneiro que viajava por toda a Europa que um dia teve sua vida salva pelo Veterano. Hermann estava devendo uma para ele.
Estavam dirigindo pela estada coberta de neve na Sibéria. Hermann tenta puxar papo:
–Então, como você veio parar aqui?-Pergunta ele.
–Estava em uma missão de espionagem em uma base de teste do governo nazi-soviético -Explica Vladmir –Mas acabei descobrindo que era um alarme falso, e encontrei essa cabana caindo aos pedaços, e passe várias noites aqui esperando ajuda.
–Nossa, como não morreu de hipotermia?
–Meu sistema imunológico é mais avançado, mas faltava pouco para que eu morresse.
–Se fosse eu no seu lugar, eu não passaria de uma noite.
Então Vladmir se recorda de Leon.
–Ei, por que Leon e Putin não vieram me buscar?-Pergunta Vladmir.
–Eles terão um compromisso muito importante hoje em Berlim.
–E qual seria esse tal compromisso?
–É a posse do primeiro-ministro nazista, lembra? Estava marcada para hoje...
–Mas é claro, como pude me esquecer... todos os soldados do distrito tem que comparecer, e eu não acho que eles sejam exceção.
–E falando em posse, quando é que vai ser a posse do primeiro-ministro comunista?
–Se eu não me engano, vai ser amanhã em Moscou.
–Estará presente?
Vladmir olha para a janela do carro.
–Mas é claro. Eu quero ter o prazer de matar ele pessoalmente.
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