Agalesia

7 O ramo partido


Ao amanhecer o Ravi resolveu acordar-me com pulos de alegria na minha cama.

Íris- Ravi?

Ravi- Graou? (inclinou a cabeça)

Íris- Eu sei que é hoje o casamento deles, mas tinhas mesmo de me acordar cedo?

Ravi- Graou! (deu mais um pulo)

Eu estava mal humorada por acordar aquela hora, mas a alegria daquele animalzinho era contagiante e acabei a fazer-lhe festas na barriga.

Íris- Espera!

Íris- Como é que entras-te aqui?

Ravi- Graou.

Íris- Aposto que foi o filho do teu dono a querer fazer uma última partida antes de casado.

Ravi- Graou! (concordando)

Íris- Vamos. Sai daqui!

Ravi- Graou. (saltou da cama)

Ele saiu e a Claire entrou como se aquilo fosse normal.

Claire- Vejo que conheceste o acordar do Ravi.

Íris- Vocês fazem isto a todos os hóspedes?

Claire- Talvez

Soltei uma gargalhada.

Claire- Aqui está a sua roupa e o pequeno-almoço será servido em 10 minutos.

Íris- Obrigada Claire.

Assim que ela saiu tomei um banho, vesti aquela roupa que ela me tinha trazido e desci para o pequeno-almoço.

Raul- Bom dia!

Íris- Bom dia para ti também! Estás ansioso?

Raul- Muito!

Íris- Não é todos os dias que te casas com uma princesa. Muito menos uma princesa como a Mia.

Raul- Eu sei! Mas acho que a minha sorte grande não veio com a Mia.

Íris- O quê? De que é que estás a falar? A Mia é incrível!

Raul- Sim eu sei, mas se não fosses tu eu não saberia disso.

Íris- Ha. Bem...não tens que agradecer.

Raul- Eu sei... Por isso é que mandei o Ravi agradecer-te.

Íris- Eu sabia!

Deu-lhe um murro no braço.

Ele soltou uma gargalhada.

Íris- Não te rias! Eu acordei com um dragão saltitante na minha cama.(fez uma pausa) Aposto que seria hilariante se eu te fizesse a mesma coisa. (sarcástica)

Raul- Ainda bem que nunca me terei de preocupar com isso.

Íris- O que é que te faz ter tanta certeza disso?

Raul- Tu mesma mo disses-te. És minha amiga, e... És muito sensata.

Íris- Como podes ter tanta certeza acerca disso?

Raul- Não sei. O que eu sei é que enquanto conversamos o meu estômago está a dizer-me alguma coisa? Espera...

Põe as mãos na barriga e faz uma voz grossa engraçada.

Raul- Tenho fome! Estou tão vazio. Não esperem pelo casamento. Dêem-me comida agoooora.

Rimos os dois e fomos comer.

O casamento seria as 12:00H no terreno do Palácio, já só faltavam os detalhes de última hora. Enquanto todos estavam ralados com isso, eu e o noivo observava-mos aquela correria enquanto comíamos o pequeno-almoço junto com a mãe da noiva que se divertia tanto como nós ao ver toda aquela gente em alvoroço.

O relógio bateu 11:00H e o Raul despediu-se para se ir preparar para a cerimónia tal como a mãe da Mia deixando-me assim sozinha no salão que mais perto ficava da entrada por onde começavam a chegar os convidados importantes, como elfos, fadas, alguns feiticeiros que gostavam de socializar e também alguns atletas de jogos de Dragões que eram vistos como celebridades.

Eram 11:10H e eu já estava a ficar aborrecida com aquilo tudo. As boas maneiras, os sorrisos falsos, os insultos á velha e boa inteligência humana. Mas parece que eu não era a única com aquela opinião acerca de tudo o que se estava a passar.

Um elfo já com uma idade avançada ( para um elfo ) aproximou-se e sentou-se na mesma mesa onde eu estava.

Radoness- Vejo que és sábia humana.

Íris- Por não fazer parte do show de ignorância gratuito que estamos a assistir?

Radoness- E direta ( ri ).

Íris- Não sou atriz para estar a interpretar o papel de ignorante.

Radoness- Concordo plenamente. Como te chamas?

Íris- Íris. E o senhor?

Radoness- Radoness.

Íris- Fogo protetor elfico certo?

Radoness- Sim. Pareces conhecer bem a nossa língua. Posso saber como, Íris?

Íris- A minha casa sempre foi o lugar em que eu me sentisse em casa, e por muito tempo, a minha casa foi uma pequena cabana numa floresta. Uma floresta onde habitavam elfos muito generosos que me ofereceram muito conhecimento e amizade.

Radoness- Fico muito feliz enquanto lider ancião por saber que os meus irmãos e irmãs te trataram bem.

Íris- Você é o lider ancião desta geração?

Radoness- Surpreendida minha jovem?

Íris- Um pouco. Sinto-me especialmente honrada por estar a falar consigo Radoness.

Radoness- Não sintas. Eu senti-me especialmente confortável ao seu lado pois, acredite ou não faz-me lembrar Evita. Uma das ultimas rainhas de Agalesia, ela era bela, generosa, direta e também não suportava este tipo de "insulto á inteligência humana". Você é muito parecida com ela em todos estes aspetos. Posso dizer-lhe isto pois eu cheguei não só a conhecê-la, fui um dos poucos que ela considerava ser um verdadeiro amigo para ela.

Fiquei chocada e curiosa com toda aquela informação sobre a rainha Evita mas bem na hora tocaram os sinos e a cerimónia começou. Antes que eu pudesse matar a minha curiosidade com um monte de perguntas Radoness já estava perto de outros líderes elfos que se estavam a preparar para o ritual onde iriam actualizar a árvore genealógica da família real depois do casamento.

Dirigiram-se todos para o terreno do Palácio onde se iria realizar a cerimónia.

Padre- Estamos hoje aqui reunidos para celebrar a união de Príncipe Raul Dias Cabral de Agalesia e Princesa Mia Carolina Santos de Nebel no santo matrimo...blá blá blá...e assim vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.

Todos aplaudiram incluindo eu que estava muito feliz pela felicidade deles.

Seguiu-se o ritual elfico da atualização da árvore genealógica. Era uma tela mágica gigante com o desenho muito realista de uma árvore que simbolizava a família real em todo o seu esplendor. Quando um casamento é realizado ou em situações de Nascimento ou morte de um membro da família o ritual é realizado e a árvore fica maior ao receber o sangue de todos os membros vivos da familia real, incluindo os novos como a Mia, mas algo de estranho aconteceu, depois do ritual um ramo da árvore partiu-se. A árvore deveria crescer. Não partir-se. Segundo o elfo ancião Radoness só havia uma explicação para aquilo.

Havia um membro da família real vivo entre os presentes no ritual que não havia dado uma gota do seu sangue o que estava a impedir a árvore de crescer.