Leopold acaba de sair e vai directamente para o escritório resolver uns assuntos ou coisa do tipo.

Raul vira-se para mim e diz impressionado.

Raul—Foste ótima. Como é que te lembraste daquela história?

Íris—Não é a primeira vez que tenho de mentir sabes.

O Raul olhou-me como se estivesse a espera de alguma outra explicação, por isso completei a minha lógica...

Íris—E assim explica as minhas roupas e o fato de vir sem criados ou acompanhantes.

Raul sorriu

Raul—Tens razão. Agora segue me, vou levar-te até ao quarto de hóspedes onde vais ficar e arranjar-te algumas roupas limpas.

Sem argumentos apenas o segui até ao quarto de hóspedes. Rapidamente chegamos lá, era a 6° porta á esquerda do único corredor do 2° andar.

Raul—Aqui está ele... Eu sei que é pequeno mas os outros es...

Não o deixei terminar a frase.

Íris—É ótimo! Não poderia querer melhor. Obrigado.

Raúl—De nada.

Quando já ia a sair do quarto não me contive.

Íris—Raul

Raul—Percisas de mais alguma coisa Íris?

Íris—Porquê?

Raul—Porquê o quê?

Íris—Porque é que estás a fazer isto por mim?

Raul—Como assim?

Íris—Isto. Deixar-me ficar aqui no teu castelo, dar-me um quarto e roupas limpas. Porque é que estás a ser tão generoso e simpático comigo?

Aquela pergunta fez o seu coração acelerar a um ritmo descontrolado. Ele não tinha pensado muito nisso, aliás, ele tinha agido sem pensar muito quando lhe pediu que viesse para o castelo, então decidiu responder-lhe da mesma maneira. Sem pensar. Apenas falar com o coração.

Ele aproxima-se fecha a porta do quarto e começa a falar.

Raul—Hoje, quando vi uma princesa a chegar ao castelo, tive medo. A chegada dela era o começo da minha vida com sua altesa rei de Agalesia, apesar de que todos os meus estudos e toda a educação que recebi ao longo da minha vida se tenham basiado no fato de vir a ser rei,(suspira) nunca ninguém me perguntou se eu queria ser rei. Então fugi. Precisava de uma fulga para pensar em...tudo

Íris—Porquê a floresta?

Raul—Quando era pequeno a minha mãe e o meu tio levavam-me a brincar naquele rio, foi lá que eu passei os melhores momentos da minha infância.

Hoje, voltei a sentir falta da minha infância, então peguei no cavalo e voltei aquele lugar. Fiquei uns 20 minutos a observar o rio, as árvores, os sons. Até que tu chegaste lá e sem quaisquer rodeios me perguntas-te o que é que eu estava lá a fazer. Naquele momento eu vi algo em ti que não via em ninguém...desde a morte da minha mãe. Verdade e coragem. Mesmo sabendo quem eu era foste...tu mesma e isso é algo que as pessoas por aqui tendem a esconder, e muito bem. Por isso eu decidi que eras alguém de quem, mesmo que quisesse muito, jamais me poderia esquecer e não te quis deixar para trás.

Íris olha Raul nos olhos e pega as suas mãos.

Íris—Raul, eu não teria ficado para trás.

Raul—Não queria correr esse risco.

Íris—Não te preocupes. Eu prometo que estarei aqui quando precisares.

Raul—Prometes?

Íris—Prometo.

Raul—Porquê?

Íris tinha percebido o motivo pelo qual estava ali, Raul podia ser o futuro rei e estar prestes a ter todas as riquezas que alguém pode desejar, mas havia algo que nem todas as riquezas do mundo poderiam comprar, um verdadeiro amigo, e era disso que ele precisava.

Íris—Porque sou tua amiga.

Eles abraçaram-se e ao separarem-se um sorriso verdadeiro surgiu nos rostos de ambos.

No dia seguinte...

Ao acordar Íris percebeu que tinha uma empregada na porta do quarto a sua espera com um lindo vestido dourado e com detalhes em azul mas bem simples nas mãos.

Claire—Bom dia. O príncipe Raul pediu que vesti-se este vestido e que o encontra-se no salão principal.

Íris—Quem é você?

Claire—O meu nome é Claire. Serei a sua aia princesa Íris.

Íris—Então isso quer dizer que estás as minhas ordens?

Claire—Exatamente sua altesa.

Íris—Ótimo! Primeiramente agradeceria-lhe imenso se me chamasse Íris. Apenas Íris.

Em segundo lugar, obrigada por me trazer o vestido, eu visto-me sozinha.

Claire—Claro sua alt...Íris.

Íris—De nada. Pode sair eu já desço.

Depois da saida de Claire vesti-me e fui directamente ao salão onde o Raul me esperava. Via-se que estava preocupado, o pé direito não parava de bater.

Íris—Olá.

Reconheceu a voz dela e quando se virou, lá estava ela. O cabelo estava perfeitamente desarrumado o que a deixava muito bonita assim como o vestido que lhe realçava a cor dos seus lindos olhos cinza.

Raul—Olá.

Raul—Dormis-te bem?

Íris—Sim. Já agora obrigado, pelo vestido... e pela Claire.

Raul—Tu estás linda.

Íris—Obrigado.

Íris corou um pouco com o elogio mas não o quis mostrar. Raul também estava muito bonito, trazia vestida uma blusa de algodão branca, umas calças de ganga e um casaco com o brasão de Agalesia. Tudo no seu figurino realçava os seus olhos azuis e os seus lindos cabelos loiros.

Íris—Tu também não estás nada mal.

Raul—Obrigada.

Íris—Porque é que me chamas-te aqui?

Raul—Apenas queria convida-la a acompanhar-me durante o pequeno-almoço.

Íris—Foi para isso que acordei tão cedo? (Brincalhona)

Ambos riram e dirigiram-se à sala de jantar onde já estavam os reis e alguns membros da família de Mia que não estavam muito felizes por me verem.

Leopold—Guardas! Levem esta impostora.

Íris—Impostora? Eu? Mas a que é que se está a referir?

Raul—Sim pai. Íris não é uma impostora.

Leopold—Se não é uma impostora explique o fato de ninguém saber da sua existência, não estar na lista de convidados e os familiares da princesa Mia afirmarem convictamente o fato de Mia não ter nenhuma prima chamada Íris.(diz isto num tom condescendente)

Íris—Tem razão, eu não sou prima de Mia. Sou uma amiga de infância, foi ela que me convidou para o casamento mas apenas o Príncipe Raul e a Princesa Mia sabiam disto. Não queríamos espalhar a história de que uma princesa como ela tinha uma relação de amizade com alguém como eu.

Raul—Pedimos desculpa por não o termos informado desta situação, mas esta é a verdade e sou da opinião de que a minha noiva possa ter a presença de uma amiga durante a cerimónia.

Leopold apenas se levanta chocado com aquilo que tinha acabado de descobrir vai em direção ao filho e abraça-o.

Leopold—(ainda a abraça-lo) Estou orgulhoso de ti filho( solta-o) ninguém tem o direito de julgar um indivíduo pela sua posição social. Peço desculpas Íris, quero que saibas que devido a tua história e ao comportamento do meu filho és bem-vinda neste castelo.

Íris—Obrigado sua alteza.

Nesse momento ouvem-se aplausos vindos de todas as partes. Mas agora Íris terá de explicar esta história a Mia que não fazia a menor ideia do que se passava.