After midnight - The dispute of two times

3 Conheço um típico café de homens


“BUUM” e a névoa sumiu e eu estava... que carros são estes?

Na minha frente haviam alguns carros bem antigos, antigos eu quero disser com rodas muito parecidas com as de bicicletas e eram feito de um material que parecia ser bem rígido. Haviam mulheres com vestidos longos e meia calça bem finas, pareciam que qualquer coisa pudesse rasgar, os homens estavam vestidos com palitos – pelo visto eram grande nomes na sociedade – e todos possuíam um relógio de bolso. De repente todos ficaram sérios, as risadas se esgotaram, a rua ficou silenciosa, apenas com o forte barulho das rodas dos carros quando se encontravam junto ao paralelepípedo.

Todos olhavam com desprezo.

- Observe! – Falou Brianna e eu no mesmo momento olhei para o lado e percebi o porque do silencio.

Um homem, uma mulher e duas crianças, uma delas aparentava ter 17 anos, minha idade por sinal ,uma menina, já a outra aparentava ter uns 4, um menino.

Pelas vestimentas o homem parecia trabalhar em uma forja, as roupas estavam sujas de óleo, a pele era seca, os sapatos desamarrados e sujos do mesmo modo, mas ainda possuía um lindo sorriso no rosto.

A mulher estava vestida com um vestido florido, bem desgastado por sinal, os sapatos pareciam ser um pouco velhos, bem gastos também.

A menina vestia uma blusa branca e uma saia, também não muito nova, e o menino apenas uma bermuda e uma camiseta suja de lama, ambos estavam descalços.

A família parecia ser bem humilde, trabalhavam duro pra ganhar seu dinheiro enquanto as madames os olhavam de cima a baixo com seu nariz empinado como sempre.

Conforme a família ia andando os olhares os cercavam, olhares de pouco caso.

Aos poucos eles sumiram e a rua voltou a funcionar ‘normalmente’.

- Bem vinda ao passado! – Brianna falou me estendendo a mão e me conduzindo até um típico café da época.

Lá dentro a maioria eram homens, chapéus encima das mesas, alguns bêbados atirados na bancada resmungando alguma coisa que fizeram quando estavam com sua consciência boa, vários homens olhando para as garçonetes com olhares de malícia e algumas senhoras no lado de fora aguardando seus queridos maridos.

- O que achou? – Brianna perguntou – Gostou?

- Sim – falei pedindo meu café para um garçom – Você já conhecia isso aqui... pelo visto, não é?

- Menina... – Ela parecia minha mãe falando com suas amigas quando iria contar alguma fofoca da vizinhança. – Já perdi as contas!

- Se veio aqui tantas vezes... porque não sabe onde esta o amuleto?

- Você acha mesmo que eles nunca mudam ele de lugar? – ela falou batendo a xícara de seu café expresso extra quente na mesa e pegando um charuto que estava em seu bolso e o acendendo – Eles mudam, se fosse tão fácil eu saberia onde esta!

- Porque não me leva até lá? Talvez eles tenham escondido no mesmo lugar! – Falei pra ela que no mesmo tempo encheu meu campo de visão de fumaça. – Não sabia que você fumava.

- Ah, menina não seja louca, claro que não, em 400 anos eles sempre mudaram de lugar. E quem disse que eu o achei aqui... no pretérito? – Ela falou acabando de fumar seu tabaco e guardando seu charuto no bolso – Quer um?

- Não, nem pensar! – Falei meio assustada – Desculpa.

Neste momento a porta do estabelecimento se abriu, todos olharam assim como eu na direção em que entraram dois...