After This Time? Always!
1 Always.
Notas iniciais
“Deixarei bem claro, a constatação de um fato cujo é de imensa importância citar: Algumas pessoas dizem que não acreditam no destino, porém, elas acreditam que tudo que acontece na nossa vida, tem um porque, um motivo, então porque não chamar esse motivo de destino?”
Mais uma vez, por um curto período de tempo, eu me vi na mesma situação. Perdida em pensamentos e com falta de palavras. Logo eu que costumava tê-las ao meu dispor até nas horas mais inconvenientes da vida, porém, agora elas me faziam falta, tamanha a falta que eu não podia sequer medi-la, eu poderia até falar sobre essa falta, porém eu não tinha palavras, e eu me amaldiçoei por isso, praguejei aos sete ventos e aos quatro cantos do mundo o quanto eu sentia falta das palavras naquele momento, mas não quais quer palavras, as palavras certas para serem ditas. Palavras concretas. Palavras que não continham entrelinhas. Palavras auto suficientes e sem quais quer outro significado.
Eu olhei mais uma vez para o papel em minhas mãos. As letras bem desenhadas me chamam a atenção e as palavras ali contidas me prendiam em um transe infinito. Desde que eu havia recebido ele não tinha saído de meu alcance, e sempre que eu podia, eu o lia. Talvez lê-lo várias vezes fizesse com que as coisas parecessem mais reais, ou talvez isso fosse apenas mais uma de minhas alucinações sobre o fato de que eu na verdade, não era tão forte o quanto esperava para enfrentar o que estava prestes a acontecer.
Me lembrei, inconscientemente de uma noite, na qual eu me encontrava em meu apartamento, com o meu inseparável copo de whisky na mão, quanto Santana quase arrancou a porta dele enquanto fazia a sua entrava triunfal. Olhei-a com uma sobrancelha arqueada. Ela pareceu pensar por um momento sobre o que ia falar, e parece ter se lembrado assim que viu um envelope pardo rasgado em cima do bar e um papel branco ao lado dele com as letras negras.
- Despois de todo esse tempo?
- Sempre.
Estava concentrada de mais nas lembranças em minha mente, que nem ao menos percebi Santana entrar em minha sala. E pela sua cara, ela já estava ali a um bom tempo, pois estava impaciente, e eu sabia disso pois seus braços estavam cruzados sobre o peito e ela revirava os olhos quando eu finalmente olhei-a. Deixei o papel cuidadosamente pousado sobre minha mesa e me encostei na cadeira. Entrelacei meus dedos e continuei olhando para Santana, esperando ela dizer o que tinha para dizer.
- Você bem sabe que não adianta de nada ficar ai, remoendo essas palavras se não irá fazer nada a respeito, não sabe?
- O que você quer que eu faça? Vá até lá, roube-a de seu quarto na calada da noite, viaje com ela para Las Vegas e me case com ela lá? Por favor né Santana.
- Ta bom, isso é radical de mais, e olha que sou eu, Santana Lopez que estou dizendo. – Revirei os olhos diante de seu comentário.- Mas você tem que fazer algo, você sabe que tem, não importa o que for, você tem que fazer algo com relação a isso. – Ela indicou o papel sobre a mesa – Você a ama tanto, vai deixar esse amor morrer sem lutar, é isso mesmo que eu estou presenciando. Você está abaixando a sua guarda sem nem ao menos tentar?
Olhei-a incrédula. Era isso mesmo que eu acabara de ouvir. Era como se ela tivesse me pedido para atravessar a rua sem olhar para os lados, me jogar na frente de um caminhão, pular de um penhasco em direção ao mar. Por um momento minha expressão eu relaxei. Era isso. Era exatamente isso que eu iria fazer.
- Isso!
Exclamei enquanto pegava meu casaco e minha carteira e colocava no bolso do mesmo. Não iria para Vegas com ela, mas eu impedira de cometer uma loucura, isso eu iria fazer e Santana iria me ajudar, de bom grado ou não.
- Santana, preciso que você atrase a droga dessa festa de noivado o máximo que você conseguir. Terei a minha garota hoje, e isso é uma promessa.
- É assim que se fala, e sim, eu lhe ajudarei.
Ela sorriu para mim e eu devolvi o sorriso. Santana no fundo sempre fora uma boa pessoa, apenas era mal compreendida. Voei pelo escritório a fora, praticamente atropelando as pessoas a minha frente. Liguei para Kurt, ele ficaria encarregado de reserva um quarto do mais luxuoso hotel e prepara-lo para mim, a final de contas, a minha garota merece o melhor. Andei em direção a melhor joalheria e Nova York, ou pelo menos, a joalheria que toda mulher gostaria de ganhar uma joia de lá. Encolhe um anel simples, porém cheio de detalhes. Ele tinha uma pedra de jade, e vários pequenos diamantes ao seu redor. Era lindo. Era perfeito. Era igual a ela. Ambos tinham uma beleza única, eram perfeitos a sua maneira. Não me importei com o preço da joia, e o atendente se surpreendeu com isso.
Fiquei o dia inteiro pendurada no telefone, ora com Santana e ora com Kurt. Estávamos ajeitando os últimos, e por isso, menos importante do plano mirabolante.
Eu cheguei ao hotel pontualmente ás 21h. Fui diretamente para o elevador. Em algum momento, daquele corrido dia, Kurt havia me encontrado e dado a chave extra do quarto para eu. Meu sorriso se triplicou quando em fim eu estava parada a frente da porta. Ajeitei minha roupa e passei o cartão pela identificadora, logo a luz dela mudou de vermelho para verde. Girei a maçaneta vagarosamente e assim que entrei encontrei seus olhos me fitando intensamente. Fechei a porta atrás de mim com precisão.
- Você pode, por favor, me explicar o que está acontecendo aqui? Santana não disse uma palavra sobre isso, muito menos Kurt, elas apenas disseram que era necessário fazer isso comigo e que seria para o meu bem, mas vejo que eles estavam errados.
- Eu não vim aqui para lhe causar mais sofrimento, acredite nisso, vim para me explicar.
- Explicar o que Rachel? O quão covarde você foi me deixando? O quão egoísta você foi quando me queria só para si mesmo e eu tinha que dividi-la com as outras?
- Quinn, por favor, me escute. Eu mudei está bem. Sei que não sou digna de seu perdeu e muito menos de sua confiança, mas eu mudei. Eu me vi devastada quando você se foi e me vi perdida sem você. Eu sentia um vazia toda vez que tomava alguma mulher em meus braços, um vazio porque nenhuma delas era você. Eu passei dias trancada naquela droga de escritório só para evitar voltar para a nossa casa, o nosso apartamento porque eu não teria você me esperando lá. Eu procurei incensáveis vezes você em tantas mulheres por ai, e a cada dia mais que passava eu sentia falta dos seus sorrisos, das suas risadas, das suas crises de ciúmes, das nossas brigas e do modo como nós nos reconciliávamos. Eu senti falta de me perder na imensidão verde se seus olhos, de me perder em seus detalhes e nas curvas de seu corpo como se fosse um carro derrapando em um dia de chuva. Eu me arrependo tanto de ter te deixado, mas a vida me mostrou que nunca é tarde de mais para se concertar um erro, não importa qual for. E droga, o meu maior erro, e acho que o único foi ter deixado você ir sem nem ao menos lutar, mas agora vai ser diferente, eu prometo que vai ser. Não vou mais me esconder, serei apenas quem sou, e seremos apenas eu e você, como deve ser.
- Você acha que vai ser fácil assim. Bolar um plano incrivelmente estúpido, me trazer para cá, falar meia dúzia de palavras bonitas que eu serei sua novamente?
- Não, mas isso já é um começo. – Olhei no fundo daqueles olhos, e como tantas vezes, me perdi em seu profundo verde. Retirei do bolso da jaqueta a caixinha e ainda olhando-a, estendi para que ela pegasse.
Ela pego a caixinha e a abriu. Seus olhos caíram sobre o anel e sua boca ficou levemente aberta. Ela estava surpresa. Ela não esperava isso, bom, ponto para mim.
- Nenhuma joia é tão bela quanto você e nunca será, mas essa foi a que mais chegou perto.
Ela veio em minha direção e eu juro que não pude me conter. Tomei seis lábios para mim. Ela correspondeu. Ela me devolveu o beijo na mesma intensidade da qual eu entreguei-o para ela.
Naquele momento eu pude perceber o que eu perderia se não tivesse feito nada sobre o fato de que ela iria se casar com Sam. Ele era um bom rapaz de fato, mas não era o melhor para ela e sim, daquele momento em diante eu seria o melhor para ela. Faria o possível e o impossível para o seu sorriso jamais abandonar seus lábios. Estaria ao lado dela, apoiando-a em suas decisões. Naquela noite, nos amamos inúmeras as vezes. Inúmeras foram as vezes que eu a ouvi gritar o meu nome em meio a um orgasmo e no final, ela adormeceu em meus braços, assim como tinha que ser.
Na manhã seguinte eu acordei primeiro e fiquei observando-a dormir. Ela parecia um anjo. Seus cabelos loiros estavam espalhados um pouco sobre a cama e outro pouco sobre meu peito, algumas marcas eram visíveis em sua pele sensível e branca. Minhas marcas. Sorri orgulhosa com isso.
- Porque o sorriso, posso saber?
Ela estava acordada, e agora me olhava com uma carinha tão fofa. Deus, eu era perdidamente apaixonada por um anjo e o tinha para mim e isso era de mais para o meu coração aguentar.
- Por você, meu amor.
Coloquei uma mecha de seu cabelo, que me impedia de ver seu rosto, para trás de sua orelha e selei nossos lábios. Ela sorriu com isso.
- Como será daqui pra frente hein?
Seu sorriso morreu ao me perguntar isso, mais o meu não.
- Seremos eu e você. Não quero mais me esconder, não quero mais nos esconder. Você é linda de mais para ser escondida do mundo meu amor.
Seu sorriso voltou a brilhar em seus lábios tão bem desenhados, e por Deus, se eu morresse naquele momento morreria feliz pois ela estava em meus braços e o mais importante de tudo, ela estava sorrindo, e eu não poderia mais esconder esse sorriso do mundo e muito menos o orgulho desse sorriso ser completamente meu.
“ Não importa qual erro você cometeu, é importante que você o reconheça, é importante que você saiba que não importa quanto tempo demore, nunca é tarde de mais para se pedir perdão assim como nunca é tarde de mais para se perdoar. Então permita-se. A vida é curta de mais para ficar se lamentando pelo que não aconteceu quando você nem ao menos tem coragem de lutar, ir atrás e fazer acontecer.”
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