After The Storm

1 Capítulo único


Notas iniciais
Agradeço à Arlene, que leu o capítulo antes, me dando confiança para posta-lo.

Os primeiros raios de sol despontavam, infiltrando-se como pequenos invasores que vinham colorir quarto, para saudar o mais novo casal de amantes. Em linhas eles iam ganhando vida, tingindo o quarto de tons de laranja e amarelo, e ganhando espaço por entre os lençóis da cama, que, estando em completa desordem, um mundo próprio, criado pelas pessoas a quem eles cobriam. Ela foi a primeira a acordar. Os olhos piscavam vagarosamente, indecisos entre o sonho e a realidade. Ela não sabia distinguir um do outro, e por isso teimava em querer permanecer de olhos fechados. Enquanto permanecia naquela guerra pessoal, entre encarar ou não o mundo através de seus olhos, seu corpo começou a criar consciência das sensações. Ela toda estava despertando. Primeiro foi o cheiro, que a abraçou, envolvendo todo o seu corpo, o cheiro que saia do seu próprio corpo e a inundava, vindo de todos os lados. Do travesseiro, da cama, do quarto, do ar... Dela. O corpo dela poderia ser definido como uma mistura de aromas... Cerejas e... Ele. Ainda teimando com sua cabeça, inquieta por saber se tudo não era sua imaginação ou se realmente vivera um sonho, ela sente seu corpo. Estava nua, coberta pelo mundo de lençóis até a cintura, onde algo mais a envolvia. E ela sentiu. A pele dele contra sua, suas costas podiam senti-lo encostando-se a seu corpo nu, o sexo dele a toca-la intimamente, e o calor dele a envolvê-la por completo.

Não teria palavras para descrever o que sentira, e poderia ser até um crime tentar fazê-lo.

Sorriu.

Os olhos sonolentos finalmente venceram a guerra e abriram-se, encarando o ambiente que mais parecia um caleidoscópio, efeito dos raios solares invadindo em tirar o quarto, e sendo alterados visualmente pelos sentimentos da mulher que acordava.

-Castle...

E dessa vez tudo chegou de uma vez, em uma enxurrada. A noite anterior, todas as sensações sentidas poucos momentos antes, e a presença dela nos braços dele.

Ela vira-se lentamente, encarando-o. Ele, que ainda está adormecido, tem um rosto com uma expressão leve, como uma criança dormindo depois do almoço.

A mão dela veio de encontro com os cabelos dele, que em completa desordem, cama por sobre a testa, dando-lhe uma expressão ainda mais juvenil. Colocou-os para trás, olhando-o com ternura. Beijou-lhe rapidamente os lábios e levantou-se da cama, procurando algo para cobrir o corpo nu.

*-*-*

Ele acorda. Cerejas. Sorriso. Os olhos piscam, e o braço procura pela outra habitante de seu mundo sob os lençóis, mas encontra o vazio. Ela não está lá, mas ele sente o cheiro dela. Sente o cheiro dela nele. Seria sua mente viajando novamente no longo labirinto que compartilham sua imaginação e seu coração? Mas como poderia ter tanta certeza de que ela estivera ali? E o cheiro... Sentou-se, recusando-se a acreditar que fora somente um sonho. Olhou para cama, como se em algum lugar ele pudesse acha-la, perdida por entre os lençóis emaranhados, que tinha o cheiro dos dois. Então ele sente novamente, e mais forte... O cheiro dela. Não é como sempre, um cheiro claro e característico de cerejas, tem algo a mais... Mas tem certeza que é o cheiro dela. Levanta o olhar a tempo de vê-la sentar-se na cama, a sua frente, usando um de suas blusas sociais... Ela escolheu uma branca. Branco combinava com ela. Ele ainda a encara, num misto de felicidade e espanto. Era verdade. Sorri, apoiando-se nos braços.

-Então não era um sonho...

Os olhos dela o encaram, os fios de cabelo em completo desalinho, dando a ela uma beleza única, que ele queria prender para sempre consigo, e que dali por diante, ele fosse o único a contempla-la em tal estado.

-Então você gostou? – Ela o questiona.

-Sim.

Para ele essa pergunta era quase que retórica. Fora como um sonho, como viver em um de seus livros, como algo que ele nunca poderia descrever, pois não encontraria palavras o suficiente, ou palavras suficientemente dignas. Era tudo como um sonho, e uma realidade, uma quimera, uma contradição... E as palavras escapavam-lhe mais uma vez. Era um desses momentos onde só podemos sentir, sem traduzir em palavras.

E mais uma vez ele está entregue em seus devaneios de escritor, enquanto não deixava de encara-la, como se quisesse gravar aquele momento em sua retina, para poder ver de novo e de novo.

E suas mãos automaticamente seguem para os botões da blusa que ela usava, pois seus olhos estavam ansiosos para ver o que estava escondido. O pano desliza pelos ombros e cai, deixando a mostra o corpo nu. Cada pedacinho sendo gravada em sua mente, como se pintando uma tela. Ele a encara e ela sorri, inclinando-se para beija-lo. E ali ele sente mais uma vez, o sabor da noite anterior, o sabor de Kate Beckett, gravado para sempre em seus lábios, e a sensação que ele tinha certeza que seria para sempre sua droga, seu vício, sua dependência.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!