After Party

4 Capítulo 4 - Playground


– Hyuuga? O que faz aqui?

– Podemos conversar a sós?

Teppei teve a ideia de ir até um parque perto de sua casa, então avisou seus avós de que sairia por um instante, mas não demoraria. Sentaram-se em um banco de frente para o playground, Teppei com a coluna endireitada enquanto Hyuuga permaneceu corcunda com as mãos entrelaçadas entre suas pernas.

– Vim me desculpar.

– He?

– Eu pedi que não jogasse contra a Kirisaki Dai-ichi. Foi rude da minha parte. Mas quero que saiba que não foi por maldade ou duvidar da sua capacidade.

– Bem, não precisava vir se desculpar... Pensando bem, eu é que fui rude gritando com você. Desculpe.

– Idiota. Eu imagino o quanto você se sentiu impotente em não poder jogar ao nosso lado. Não foi certo eu pedir para não jogar. Mas eu não quero me arrepender, se eu ver você estirado ao chão novamente por causa daquele infeliz... – suas mãos começaram a tremer. Teppei notou.

– Você não vai me ver caído. – sua voz estava firme e decidida. – Eu não passei um ano todo me preparando para abandonar vocês contra este colégio. Eu sei que você disse para não jogar porque se preocupa comigo e se culpa desde aquele jogo, mas eu não tenho medo, Hyuuga. Não vai acontecer nada, nem a mim, nem a vocês. Confie em mim.

O semblante de Hyuuga ficou surpreso com as palavras de Teppei. Fitou-o por um instante, observando sua determinação. Suas mãos continuavam trêmulas e receosas, mas uma força súbita tomou conta de seu corpo, ele não podia mais segurar o que batia com insistência para sair.

– Você sempre foi um idiota mesmo. Eu não posso proibi-lo de jogar, mas também não consigo deixar de me preocupar. Que saco, eu deveria dizer que te odeio, como eu sempre digo. Mas hoje eu não consigo... – e apertou seus punhos com força. – Eu não sei mais te odiar, eu não sei mais te odiar porque eu gosto de você.

Um silêncio cortante tomou conta do ambiente. Hyuuga não tinha coragem de encará-lo depois do que dissera. Ele já esperava uma reação negativa, palavras de desprezo e ira. Por que elas demoravam tanto para vir? A agonia de esperar estas palavras era maior do que ouvi-las logo. Diga que tem nojo de mim, idiota, não me faça agonizar até a morte com sua demora, pensava incessantemente. Foram segundos que duraram uma eternidade em seu coração, até que tudo cessou. O tempo parou quando sentiu as mãos grandes de Teppei segurando seu rosto. Ele delicadamente virou sua cabeça para que se olhassem. Hyuuga estava sem reação, resignado e deixando-se levar.

– Feche os olhos. – Teppei disse.

Hyuuga não podia ver seu próprio rosto, mas sentia que estava quente, provavelmente todo avermelhado de vergonha. Também não conseguia controlar seu corpo com a razão. Só seguiu a voz de Teppei e assim o fez. Sentiu um suave toque em seus lábios, enquanto seu coração acelerava. Queria abrir os olhos para ver se era verdade, mas não ousou. Suas mãos soltas ficaram desajeitadas com o beijo. Teppei movia os lábios calmamente e Hyuuga o seguia, deixando que suas mãos finalmente repousassem sobre sua cintura.

Teppei finalizou o beijo com um selinho, encostou seu queixo no ombro de Hyuuga e sussurrou em seu ouvido:

– Que bom, né? Eu também gosto de você. – e depois o envolveu em seus braços. Ficaram assim por um momento e, por incrível que poderia parecer, o coração de Hyuuga foi acalmando aos poucos com aquele abraço. Eram tantas sensações misturadas, mas nada mais importava a não ser aproveitar aquele momento. Momento este que durou apenas um minuto:

– I-I-Idiota! – exclamou, levantando-se. – N-N-Não pense que eu vou deixar você fazer isso sempre! E olha só, tá na hora de ir embora, temos um jogo amanhã! Boa noite! – e saiu em disparada como se estivesse em uma maratona.

Teppei sorriu e gritou de longe:

– Hyuuga, amanhã eu certamente farei de novo!