After Party

9 Capítulo 9 - Coração


O próximo jogo estava para começar. Após a entrevista que o time havia dado, dirigiram-se para os bancos. Izuki sentou-se entre Teppei e Hyuuga, mas isto não era problema. Algo que os tornavam um casal maduro (se é que podiam se chamar de casal) era sua cumplicidade e respeito para com o time. Portanto, em relação à equipe, não sentiam ciúmes um do outro. O que mudava quando estavam sozinhos. Hyuuga, por mais que não admitisse nem um terço dos seus sentimentos, ficava irritado quando Teppei passava tempo demais no celular, sem lhe dar atenção, por exemplo. Mesmo que ainda não tivessem se considerado um casal, portavam-se como um quando estavam juntos.

A partida havia começado. Quando Kagami chegou, um pouco atrasado, contou ao time que acabara de conhecer Haizaki, o adversário de Kise. De certa forma, ele compartilhava da mesma perversidade de Hanamiya, embora um tanto quanto diferente. Haizaki havia sido membro da Geração dos Milagres e a rivalidade dos dois vinha sendo fomentada desde aquela época. Foi uma partida intensa, Kise despertou seu verdadeiro potencial, usando habilidades dos seus ex-companheiros da Teiko. Graças ao seu intenso esforço, Kaijo avançou no torneio, 75 – 72.

– Então Kaijo será nosso próximo adversário...

– Bem, com isso podemos partir.

Todos os membros da Seirin se levantaram e se dirigiram à saída. Estavam decididos e concentrados. Depois da rotineira caminhada, ambos estavam sozinhos, como de costume.

– Estou relativamente empolgado. Temos uma promessa com o Kise, acho que os calouros já disseram. – Hyuuga puxou assunto.

– Tem? Estou por fora dessa... Mas também estou feliz. –disse, sorrindo.

– Está feliz por chegarmos à semifinal?

– Pode-se dizer que sim, mas não somente. – e se corou.

Hyuuga percebeu e fez uma feição de desconfiança. Queria perguntar o motivo, mas estava com medo da resposta.

– E... Qual o outro motivo pra estar feliz?

– Bem... É porque estamos juntos, não só jogando no mesmo time, mas juntos de verdade. Isso me deixa muito feliz.

Era o que ele temia. Uma resposta totalmente embaraçosa e, claro, o pior: não saber o que replicar. Estamos juntos, mas não somos nem ficantes, nem namorados, nem nada do tipo, pensou cabisbaixo e corado. Não deveria ficar feliz quando somos tão esquisitos assim.

– E sabe, não importa de que maneira. Tudo o que importa é que eu possa segurar sua mão enquanto caminhamos – Teppei fez o gesto que havia dito – e você retribuir.

Hyuuga apertou a mão de Teppei de volta, olhando para o outro lado.

– Kiyoshi... Você disse que só temos este ano para jogarmos juntos. Você vai embora depois do torneio? Digo, pra fazer sua cirurgia e reabilitação, não vai?

– Bem, acho que não tenho escolha. Já adiei isso para ficar ao lado de vocês. A cada jogo, o dano só aumenta. Não poderei jogar mais depois da Winter Cup... Então acho que a resposta é sim, irei viajar pra cirurgia.

– Entendo...

– Ah, por que está tão triste? Daqui pra frente vamos apenas sorrir e nos divertir. E, mesmo que eu vá pra longe, meu coração ficará aqui, conto com você para guardá-lo bem até minha volta, né?

– N-Não diga coisas que eu não sei responder.

– Apenas diga se deixará uma parte sua comigo também!

– S-Sim... Uma parte do meu coração fica com você a cada dia que passa...

Teppei parou de caminhar por um instante, segurando a mão de Hyuuga. O ala-armador nunca havia dito que gostava de Teppei, salvo algumas vezes em que fora forçado a fazê-lo. Aquela era a primeira declaração espontânea. Eles não sabiam, mas seus corações aceleraram ao mesmo tempo.

– Hyuuga... Eu não sei bem quanto aos seus sentimentos, então só falarei sobre os meus. A cada dia que passa, sinto meu coração acelerar mais e mais quando estamos juntos. Talvez, no começo, você pensasse que fosse tudo uma brincadeira de mau gosto da minha parte, mas acho que estamos em um ponto que, de modo algum, isso o que vivemos até agora seja brincadeira. A única diversão que existe entre nós é a felicidade de estar ao seu lado, de brincar quando você se irrita, de sorrir quando seu rosto fica corado. Acho injusto dizer isso, no meio da rua, de pé, mas talvez o momento possa passar se não o disser.

Hyuuga o fitou enquanto dizia essas palavras. Desta vez, não desviara o olhar. Sua ansiedade e curiosidade eram mais fortes, a ponto de deixá-lo intenso e concentrado. Teppei se aproximou e continuou:

– Resumindo, o que eu queria dizer são duas coisas. A primeira é que eu amo você. Amo tanto que sinto que meu coração vai explodir só de tocar seu rosto enquanto você fecha os olhos. A segunda é que – respirou profundamente – quero provar esse amor. Quero ser seu namorado.

Hyuuga, ouvindo essas palavras, teve mil vontades diferentes: vontade de sair correndo, vontade de enfiar a cabeça na terra, vontade de se fingir de morto. Mas nenhuma das opções era viável naquele momento. Precisava enfrentar sua timidez e responder, mas foi interrompido.

– Não precisa responder agora. Na verdade, eu quero que você responda após a Winter Cup. Mesmo que não consigamos vencer, só quero que me responda antes da viagem.

– T-Tudo bem... Mas acho que preciso responder pelo menos à primeira coisa que você disse... Eu sou péssimo com palavras e sou ainda pior com relação a esse sentimento, sei que sou estourado e é difícil me aturar. Como não consigo pôr em palavras, eu espero que você entenda dessa forma... – Hyuuga abraçou Teppei, de modo que ambos seus peitos se encostassem. – Você disse que seu coração parece que vai explodir quando você está comigo. Consegue ouvir o meu? Também me sinto da mesma forma...

Teppei o abraçou bem apertado depois de ouvir suas palavras. Com uma de suas mãos, entrelaçou seus dedos no cabelo de Hyuuga enquanto sorria. Sentia as batidas dele com a mesma intensidade das suas.

– O mundo poderia acabar, o tempo poderia parar, ainda assim eu estaria feliz.

Permaneceram assim por um bom tempo, ouvindo as batidas de seus corações, até que pudessem diminuir o ritmo. Em seguida, beijaram-se delicadamente, com alguns toques de intensidade. Finalmente, despediram-se quando seus caminhos se separaram.

Hyuuga andava com as mãos nos bolsos, pensando no que tinha acabado de acontecer. Ah, que droga, agora tá na cara que eu amo ele pra caramba. Como eu consegui fazer aquilo? É muito vergonhoso se parar pra pensar! Fala sério. Mas agora já foi. Não tem como esconder dele tudo o que eu ando sentindo, o que é um saco. Bom, eu vou ter que responder ele na final da Winter Cup. Não que eu não queira namorar, eu só acho que eu não levo jeito. E ele me pede isso quando vai embora? Kiyoshi, seu idiota! Eu não posso ficar pra trás, eu preciso pensar em algo pra compensar esse pedido. Mas nada vai superar isso, ah, maldito Kiyoshi!, refletia enquanto fazia feições de revolta. Chutou uma pedra que estava na sarjeta, mas acabou pisando em falso com o chute e acabou chutando a própria sarjeta com força. Pulou com uma perna só e xingou a pedra até a última geração, caminhando em direção a sua casa. Ele me paga amanhã!