After Party
8 Capítulo 8 - Altura
Era hora de partir para o próximo desafio. Hyuuga e Teppei se encontraram no local de sempre e caminharam juntos até o metrô, onde se encontrariam com o resto da equipe. Por mais que tivessem vivenciado uma noite agradável, a seriedade havia superado as demais emoções. No dia anterior, a Seirin havia estudado os movimentos da Yosen. Não seria fácil marcar pontos com uma defesa tão impecável. Além disso, Teppei estava relativamente ansioso, uma vez que havia pedido reconhecimento a Murasakibara desde a competição de basquete de rua.
Ao entrarem na quadra, intimidaram-se com a altura dos jogadores da Yosen. Os adversários faziam jus a sua intimidação. O primeiro tempo foi completamente desesperador para a Seirin. Estavam perdendo de 18 a 0 e nada parecia ultrapassar a Égide de Zeus, como eram chamados. Com muita confiança e esforço, Kuroko conseguiu marcar um ponto com seu arremesso aprimorado e, consequentemente, abriu uma brecha para que o time conseguisse pontuar a partir do interior, equilibrando lentamente o placar.
Teppei, apesar de ser alto, teve de se esforçar ao máximo para competir com os adversários: pulava nos arremessos, defesas e rebotes. Além disso, a Seirin passou a usar uma estratégia mudando a posição dos jogadores. Teppei, além de exercer papel como pivô, também passou a ser armador, o que consumiu o dobro de sua energia. Após marcar uma cesta, correu em direção ao meio da quadra, mas acabou por desmaiar por um momento, sendo segurado por Kuroko.
– Kiyoshi! – Hyuuga correu para ajudá-lo, assim como o resto do time.
O que esse idiota está fazendo? Por que está se esforçando tanto?, pensava enquanto o ajudava a se levantar. Teppei se recusou a abandonar o jogo. Mesmo que dissesse pra parar, ele não escutaria. Então, no mínimo, devemos tentar tirar alguma pressão dele na defesa. Só não entendo o motivo disso tudo. Que maldição, foi o que veio a sua mente antes de roubar a bola e passá-la a Teppei, marcando mais uma cesta.
Hyuuga não tinha conhecimento de que havia uma batalha interna entre Teppei e Murasakibara. Neste instante, após a cesta, o ex-membro da Geração dos Milagres despertou, cansado de repassar em sua mente aquelas palavras, você não gosta de basquete?
Sua presença cresceu ainda mais em quadra. A defesa não era mais sua única área, agora ele também atacaria, com tanta fúria a ponto de quebrar a tabela. Kagami e Teppei, os mais altos da Seirin, tentaram ao máximo impedir o avanço de Murasakibara, mas nada era suficiente. O desespero começou a bater à porta do Coração de Ferro. Ele não poderia permitir que o time passasse pela mesma experiência que teve na Shoei. Ele precisava proteger o time acima de tudo, sua falha era inadmissível.
Murasakibara, novamente, fez uma cesta estrondosa, a ponto de desestabilizar a defesa. Teppei se desequilibrou e caiu. Quando viu uma mão estendida, apoiou-se nela, acreditando ser de alguém do seu time. Mas a mão era de Murasakibara, segurando seu pulso e suspendendo seu corpo do chão, enquanto lhe dirigia palavras extremamente dolorosas para quem quer ser o escudo de uma equipe. Hyuuga correu para socorrê-lo, mas aquele era o limite de Teppei. Não só seu corpo, mas seu espírito também estava esgotado. Ambos caminharam lentamente até o banco. Kuroko ouvia seu pedido pesaroso enquanto Teppei mordia seus lábios a ponto de sangrarem.
Hyuuga sentiu-se em um flashback. Era como se Yosen fosse uma Kirisaki, machucando Teppei de corpo e alma. Não sei de onde veio tudo isso, mas eu não vou deixar você se machucar mais, imbecil. Eu não sou o mais alto, eu não sou um rei sem coroa, eu posso ter poucos atributos como jogador, mas eu ainda sou o capitão desse time. Mesmo que não estivéssemos juntos, eu ainda te protegeria. Porque também sou uma tala e um escudo, mas, acima disso, eu também sou uma lança. Então apenas observe do banco a minha força, idiota!, Hyuuga pensou antes de executar seu Barrier Jump e fazer uma cesta perfeita.
– Kuroko não é o único! Eu também quero bagunçar os planos de vocês! – gritou de alto e bom som para que Teppei ouvisse.
Izuki, Mitobe, Kagami, Kuroko, Hyuuga. Nenhum deles havia desistido. Pelo contrário, estavam ainda mais motivados. Seirin se recuperou com toda a sua energia e motivação. No intervalo, Kagami planejou tomar conta da área sozinho, dizendo que o faria pelo Kiyoshi-senpai. Riko acenou e começou a explicar para todos uma estratégia a fim de se adequar à ideia de Kagami. Mas as palavras não chegavam ao ouvido de Teppei. Ele estava emocionado demais. Hyuuga achou que ele estivesse apenas distraído e já ia chamar sua atenção quando viu seus olhos brilhando enquanto algumas lágrimas escapavam.
– Hã? Por que está chorando?
– É... Por que mesmo?
– É isso o que eu quero saber! – gritou.
Teppei explicou que estava feliz em ver o esforço e a perseverança do time. Finalmente havia percebido aquilo que Hyuuga havia lhe dito, para olhar ao redor. Um time não é apenas algo para proteger. Um time também o protege.
– Finalmente você entendeu, idiota. – disse, levantando-se, logo depois de dar uma bronca por ter demorado tanto. – Fala sério, fique aí e nos assista. Nunca mais eu deixarei que quebrem você. Ninguém vai quebrar a Seirin.
Novamente o jogo foi retomado. Kagami precisou entrar na zona para acompanhar Murasakibara e impedir Tatsuya. Por um tempo, foi suficiente, mas a Yosen não desistiu. Kagami estava com dificuldades, uma vez que a zona exigia muito de seu corpo e seu limite estava prestes a chegar. Seirin, em seu último minuto de jogo, foi abatida por uma melancolia. Entretanto, todos sorriram surpresos com a volta de Teppei. Curado de corpo e alma, estava pronto para retornar à partida.
Uma defesa era necessária caso quisessem vencer. Tatsuya segurou a bola e estava prestes a fazer seu Arremesso Miragem, mas Teppei apareceu para marcá-lo. Ele sabia que não poderia vencer o lance através de previsões, então pulou logo no início, confiando que jogadores mais baixos pudessem roubar sua bola. No caso, quem apareceu foi Hyuuga, que surpreendeu Tatsuya por trás e foi bem-sucedido no roubo. Por fim, mais uma cesta de três pontos permitiu que a Seirin encostasse o placar. Os últimos 20 segundos foram emocionantes. Kagami e Teppei pararam o ataque de Murasakibara juntos, mas ele também entrou na zona e fez de tudo para impedir o contra-ataque. Em um movimento desesperado, Kagami superou seu limite e pontuou, virando o jogo. Murasakibara, nos últimos segundos, tentou um contra-ataque, mas o esforço do jogo o impediu de saltar. Kuroko chegou a tempo e tirou a bola de sua mão, para alívio de todos. 73 – 72.
Teppei se dirigiu a Murasakibara e o cumprimentou, dizendo que gostaria de jogar contra ele novamente. Mas o adversário disse que desistiria do basquete, dirigindo-se aos seus pertences que estavam no banco. Hyuuga se aproximou de Teppei.
– Não sei se essa rivalidade de vocês veio desde Teiko e Shoei, mas espero que possa sentir alívio agora que estamos mais perto da taça.
– Desculpe, desculpe. Eu acabei não contando. Quando fomos à competição de basquete de rua, nossos times começaram a se enfrentar. Eu me lembrava dele por causa da Shoei, mas ele não se lembrava de mim até falar algo que o irritou. – Teppei explicou enquanto sorria, com seu semblante terno de sempre.
– Ei, ei. O que disse a ele para ficar tão irritado a ponto de tentar te esmagar dessa forma? – Hyuuga o perguntou com uma feição desconfiada.
– Hum, pelo o que eu me lembre, eu só perguntei se ele gostava de basquete.
– He? Duvido que tenha sido só por isso. Às vezes você fala coisas que nem lembra, aposto que o deixou irritado com algo sem sentido. Vamos logo, temos um jogo para assistir ainda. – e se virou, andando.
– Será mesmo? Hum... Ah, Hyuuga! Espere um pouco! – e correu para alcançá-lo no mesmo passo. – Desculpe ter demorado tanto pra perceber.
– Você é lerdo, eu acabei relevando no final. Mas não pense que não puxarei sua orelha mais tarde. Agora pare de enrolar que eu quero ver o jogo da Kaijo.
– De qualquer forma, preciso agradecer. Obrigado.
– Kiyoshi. Eu não sou alto como você ou como o Kagami, eu sempre preciso te olhar daqui debaixo se quero fitar seus olhos. Mas saiba que minha altura não determina nada. Ser mais baixo não me impede de protegê-lo. Eu disse que não quero nunca mais ver você estirado ao chão. Hoje, sua mente e seu corpo foram levados a um extremo e isso me deixou muito irritado. Me senti impotente por um momento. Mas lembrei que devo ser forte, não só pela Seirin, mas por você. Se eu não posso ser uma tala porque me falta altura, que eu seja um exemplo quando você estiver no banco. Que pelo menos eu possa proteger seu coração. Afinal, eu sei que ele não é de ferro.
Teppei se corou enquanto ouvia as palavras de Hyuuga. A última vez em que o vira tão determinado havia sido no hospital, no dia da promessa. Seus olhos brilharam. Ele soube, naquele momento, que Hyuuga jamais sairia de seu lado. Seirin toda pensava da mesma maneira, mas, obviamente, havia algo a mais entre a relação dos dois, algo que tornava tudo ainda mais especial. Definitivamente, vamos ficar juntos, Hyuuga.
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