After Party

5 Capítulo 5 - High Five


Era o último jogo da Liga Final. Hyuuga estaria focado, mas havia dois motivos que o tiravam da razão costumeira: o adversário era a Kirisaki Dai-Ichi, o time que possuía aquela cria do diabo chamada Hanamiya Makoto. A segunda razão (e a que mais o irritava) era aquele beijo. Ah, maldito Kiyoshi. Mal consegui dormir pensando naquilo, fala sério, refletia enquanto se aquecia para o jogo. Os outros jogadores repararam que seu espírito estava no mínimo estranho, mas não disseram nada.

A bola escorregou para perto de Hanamiya, Teppei foi buscá-la de volta. Mas Hyuuga se juntou e encarou o Garoto Ruim com acusações ásperas sobre o jogo do ano passado. Obviamente, o adversário negou tudo. A raiva contida dentro do coração de Hyuuga só crescia, misturada à frustração de sua impotência. Mas agora era diferente, ele não ia deixar que algo acontecesse a Teppei. Hanamiya teria que passar por cima de seu cadáver. Antes de perceber, seu corpo já estava avançando para um confronto físico, mas Kagami e Kuroko o acalmaram. No banco, os calouros pediram para enfaixar o joelho de Teppei. Ele então percebeu que havia muito zelo e preocupação por parte deles e que sabiam de algo.

– Hyuuga, você contou?

– Contei ao Kuroko e ao Kagami. Não tem nada a esconder.

Teppei se corou um pouco por saberem da promessa dos dois. Isso trouxe um pouco de leveza ao seu coração pesaroso devido ao jogo que estaria por vir. Todos se dirigiram à quadra.

O juiz lançou a bola. O primeiro minuto já foi suficiente para ver o tipo de basquete que a Kirisaki Dai-Ichi jogava. Empurrões, cotoveladas, prensadas, tudo às escondidas. Teppei sabia que isso aconteceria, mas não sabia que seria tão evidente. Foi quando Koujirou saltou com a bola e, propositalmente, atirou o corpo sobre Hyuuga. Seria uma pancada forte em seu rosto, não fosse Teppei aparecer para impedi-lo.

– Kiyoshi!

– Pensei que vocês tentariam nos vencer com basquete. – disse com seriedade.

Hanamiya se aproximou de Teppei e disse:

– Essa foi por pouco. Quase esmagamos o quatro-olhos.

Ameaçar o time, especialmente Hyuuga, era muito além do que poderia aceitar. Então Teppei decidiu que marcaria o garrafão sozinho, a fim de ser o alvo de todos os ataques. À medida que o jogo seguia pesaroso, os roxos nos braços e pernas do pivô iam aparecendo gradualmente. Maldição, eu não consigo acertar um arremesso sequer, não consigo proteger Kiyoshi, não conseguimos marcar pontos pra abrir vantagem, me sinto um inútil, que droga!, eram os pensamentos que permeavam Hyuuga. Sentia-se impotente diante das faltas não marcadas e, principalmente, sentia-se frustrado por ver Teppei sendo machucado gratuitamente diante de seus olhos. Para piorar, Hanamiya fez o mesmo estalo de dedos do ano passado para machucar Teppei e, novamente, Koujirou foi para cima de seu corpo com o cotovelo. Não havia ninguém para impedi-lo, a pancada acertou sua testa e o derrubou. Mas isso não era suficiente para tirá-lo de campo. Ele seria a tala e o escudo para seu time.

Uma substituição aconteceu na Kirisaki, Seto entrou na quadra. O time não mais precisou de agressão para se sobressair. Hanamiya também era um rei sem coroa, bom o suficiente para criar estratégias e estudar todos os movimentos da Seirin. Com a ajuda de Seto, criou uma teia de aranha para prender o adversário. Foi um quarto que acarretou em uma virada. Teppei estava em seu limite e Riko decidiu substituí-lo, mesmo com a ameaça de odiá-la para sempre. A esperança voltou quando Kuroko, através de seus passes não planejados de última hora, conseguiu dar gás à equipe, mas não era suficiente. O time precisava desesperadamente dos arremessos de três pontos de Hyuuga. Ele temia que não pudesse vingar Teppei e isso o impedia de ser bem-sucedido.

Hyuuga encarou Hanamiya e precisava driblá-lo para marcar. Ele tentou uma arrancada, mas foi impedido. A bola saiu pela linha lateral e quem a segurou foi Teppei. Ambos se fitaram por um instante e as lembranças tomaram conta de sua mente. Ele se virou e começou a refletir sobre o motivo de seu fracasso durante a partida. Eu te odeio, ecoava em meio às lembranças. Eu não sei mais te odiar porque eu gosto de você – algo havia mudado em seu coração – Ah, acho que agora eu entendi. Kiyoshi, eu não o farei pra te vingar. Eu o farei para cumprir a promessa, seja contra Hanamiya, seja contra a Geração dos Milagres. Eu vou conseguir, vou cumprir a promessa e não teremos arrependimentos no basquete!”. Sua feição mudou, seus ombros relaxaram. Nunca fizemos um high five. Eu certamente o farei quando vencer esta partida. Também teremos todo o tempo do mundo a partir de agora, idiota.

O arremesso foi feito, certeiro. A partir daquela cesta, não erraria mais. Ele não se importava com o jogo sujo da Kirisaki, sua única preocupação era jogar ao lado de Teppei e vê-lo feliz. Graças a isso, Seirin escapou da teia de aranha e venceu a partida, 76 – 70.

Hyuuga virou-se para Teppei, que o fitava ternamente. Aquele sorriso apaixonado fazia Hyuuga ter vontade de sair correndo de tanta vergonha, mas era tarde demais. Ele desviou o olhar para baixo e caminhou em sua direção, com a mão erguida. O toque foi retribuído. O mais curioso era que eles haviam se beijado antes mesmo de trocarem o primeiro high five.

Após o jogo, quando ambos já estavam sozinhos no caminho para casa, Teppei começou a dizer:

– Estou orgulhoso, Hyuuga.

– Hã? Você é idiota? Eu deveria ter me concentrado desde o primeiro minuto do jogo. Desculpe por demorar tanto, poderia ter evitado todos esses roxos...

– Seria pior. Você seria um alvo mais cobiçado que eu no garrafão.

– Por falar nisso, obrigado por me salvar da cotovelada. Eu saí ileso, mas você não... A propósito... – Hyuuga se corou, virou o rosto para o outro lado e começou a fraquejar em sua fala – T-T-Tem alguém p-pra c-c-cuidar de-desses ma-machucados?

Teppei se corou porque percebeu do que se tratava aquela pergunta.

– Meus avós já devem estar dormindo, então vou ter que me virar... – apoiou o indicador no queixo enquanto olhava para frente.

– S-Se vo-você quiser, e-eu posso en-enfaixar pra você... – seu rosto estava mais quente que uma panela de pressão pronta para explodir.

– Ahh, sendo assim, por que você não dorme em casa essa noite? – disse sorrindo com os olhos fechados.

– I-Idiota! P-Pervertido! – exclamou, batendo na cabeça de Teppei.

– Né... Não seja rude, não farei nada estranho. – sorriu colocando os braços atrás de sua cabeça.

– Acho que não tenho escolha. Fala sério.

Hyuuga passou em sua casa, pegou algumas coisas e avisou seus pais de que ajudaria Teppei com as lesões do jogo. Depois foram até a casa de Teppei. Ele se sentou na cama e tirou a camisa enquanto Hyuuga pegava a pomada e as faixas. Seu rosto se corou um pouco ao vê-lo sem camisa. Não era a primeira vez que o via assim, mas era a primeira que sentia vergonha.

– Só não me deixe parecendo uma múmia. – sorriu.

Hyuuga passou a pomada em seus braços, pernas, abdômen e costas. Enfaixou onde era possível e colocou esparadrapos em áreas menores. Teppei vestiu sua camisa novamente e se deitou.

– Estou realmente cansado.

– Ei, onde eu vou dormir?

– Aqui, aqui – e bateu no espaço vago da cama.

– Não há dúvidas, estou diante de um pervertido. – pôs a mão no queixo, refletindo.

– Já disse que não farei nada estranho, confie em mim. – e puxou Hyuuga pela cintura, fazendo-o deitar ao seu lado enquanto o abraçava.

Teppei tirou os óculos de Hyuuga, colocando-o no criado-mudo ao lado da cama, e o fitou.

– Estou em déficit hoje, ainda não te beijei. – acariciou o contorno do rosto de Hyuuga e aproximou seus lábios dos dele.

Delicadamente, começaram a movimentar seus lábios. As mãos de Teppei eram de fato enormes, mas também eram gentis o suficiente para fazerem um leve carinho em sua nuca. O ritmo do beijo era lento e suas bocas se preenchiam com perfeição. Era tarde demais para fugir, estavam mesmo apaixonados. Não que Hyuuga desejasse fugir. Apesar de toda a sua timidez e inexperiência, sentia-se conduzido misteriosamente por Teppei e, incrivelmente, ele não ansiava a respeito de pensamentos sobre o futuro. O tempo parava com maestria quando estavam juntos, mais do que quando a bola saía pela linha lateral. Sentia-se como se o mundo pudesse acabar ali mesmo. E não havia problema, parecia que nada era capaz de fazer o tempo voltar ao normal.

Quando terminaram o beijo, Hyuuga se virou envergonhado, enquanto Teppei o abraçou de conchinha, aconchegando-se em seu corpo.

Boa noite, seu idiota.