After Party
1 Capítulo 1 - Dois cafés
Já era perceptível que Hyuuga vinha sentindo um certo desconforto ao lado de Teppei. Não era nem um pouco parecido com seu típico ódio que havia proclamado no telhado da escola. Hyuuga conhecia bem este ódio, algo mais voltado para uma rivalidade, uma forma de continuar a lutar pelo seu amado basquete sem tomar lição de moral de um idiota qualquer. Este sentimento era fácil de lidar e o mantinha motivado. Mas algo havia mudado, sem que ao menos pudesse perceber.
Sentia-se impaciente quando Teppei se aproximava. Nos treinos, era centrado e fazia corretamente passes e arremessos. Claro que isto só acontecia quando o pivô estava no banco. Bastava Teppei marcá-lo no time adversário ou até mesmo jogarem juntos que Hyuuga se descontrolava. Seus passes eram incertos e trêmulos. O que há comigo hoje? Maldição, pensava. Apesar de ser um bom capitão e trazer equilíbrio ao time, seus pensamentos o traíam. E tudo por culpa daquele idiota.
Não somente Kuroko, mas Riko também percebera a hesitação de Hyuuga, mandando-o dar dez voltas ao redor da quadra para esfriar a cabeça.
– Ei, capitão, você está bem? – Kagami perguntou.
– Hum, sim. Só preciso de um ar.
Hyuuga saiu da quadra como ordenado e foi correr. Se pudesse voltar no tempo um mês, a corrida seria tranquila e objetiva. Mas agora era diferente, tão diferente que podia sentir a presença do Coração de Ferro ao seu lado.
– Quer companhia?
Hyuuga se desequilibrou e quase caiu com o susto.
– Imbecil! Quer me matar do coração? Está achando que todos têm coração de ferro como o seu? Hã?
– Bem, você poderia não me chamar disso, por favor? – Teppei esboçou um sorriso sem graça enquanto continuavam correndo.
– Agora está todo sentimental? Fala sério. – e desviou o olhar.
– Né, Hyuuga. Não sei bem o que tem te incomodado, mas pode contar comigo caso queira conversar.
Mal sabe que você é meu problema, idiota, pensou. Apenas acenou com a cabeça e, apesar do silêncio, não foi um momento desagradável como imaginou. Com o tempo, foi se acostumando com sua presença e até chegaram a conversar sobre combinações para o próximo jogo. O resto do treino finalmente fluiu. Um capitão não deve hesitar, um capitão sustenta o time em todos os momentos. Não se importava em carregar este fardo, foi confiado por um rei sem coroa, um prodígio não reconhecido. E, por mais que o odiasse, sabia reconhecer os talentos de Teppei.
O dia havia chegado ao fim. Cada membro tomou sua direção, alguns juntos, outros não. A Winter Cup estava próxima, o antigo pivô certamente seria uma ótima adição ao time. Como de costume, Hyuuga comprou dois cafés da máquina e entregou um deles para Teppei.
– Não se acostume com isso. Não quero te deixar mimado feito um bebê chorão quando estamos próximos de um jogo importante.
– Por falar nisso, você acha que o time está se acostumando com a minha presença?
– He, certamente você foi uma decepção para os calouros – Hyuuga sorriu sarcasticamente com um ar superior.
– Eh? Como assim decepção? – Teppei parou de andar, confuso e chocado com o que ouvira.
– Não seja idiota, idiota. Você só é esquisito demais para eles entenderem seu gênio. – e tomou um gole de café.
– Eh? Esquisito? Esquisito como? Onde? Você me acha esquisito? – Teppei começou a andar de trás pra frente enquanto bombardeava Hyuuga com perguntas.
– É disso que eu estou falando, ande como alguém normal, daqui a pouco as pessoas da rua vão começar a te chamar de esquisito também.
– Ah, entendo... Já que todos pensam assim... Me diga... Tem problema eu ser esquisito pra você?
Hyuuga sentiu seu coração acelerar e seu rosto se corar. Obviamente, ele detestava várias coisas em Teppei. Várias mesmo. Mas sua esquisitice o tornava único e, de certa forma, trazia um ar de descontração diante de uma vida normal demais. Poucos acompanhavam o gênio de Hyuuga e, por mais que os dois discutissem e até mesmo se rivalizem na quadra, o gênio de Teppei encaixava com o dele. Era bem por aí, ele se sentiu um pouco sozinho enquanto o companheiro de equipe se recuperava no hospital. De certa forma, isso o aliviou para responder à pergunta.
– De fato você é esquisito. Mas não se preocupe, não acho isso algo ruim. – e escondeu um sorriso de canto enquanto caminham em direção a suas casas.
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