After Everthing
11 '' You are a freak ''
Notas iniciais
—Sam. Sammy, vamos la, abaixe isso – Disse Lúcifer com a voz tremida, xingando Amara mentalmente. Seu ódio pela mulher aumentou ainda mais quando notou marcas roxas vividas, em volta dos pulsos e pescoço do caçador.
A boca de Sam tremia. Como acontecia quando ele estava nervoso. Seus olhos demonstravam clara confusão... E dor.
Porém, a mão que segurava a arma não tremia.
—Você... – A voz de Sam era grossa. Para os que não o conhecessem, não iriam identificar a duvida. Mas Lúcifer conseguiu. – Você merece morrer. Eu... Eu tenho que mata-lo.
—Não, você não tem. – Afirmou Lúcifer, se aproximando um passo do Winchester, apenas para sentir a ponta da arma no meio de sua testa.
—Você me torturou. Você quis acabar com o mundo. Você matou Bobby e Cas. Iria matar Dean. Você... Você iria aniquilar o mundo só por um ressentimento...
Lúcifer sentiu como se facas entrassem por todo seu ser. Suas mãos começaram a soar. Incrivelmente, não pelo fato de estar a um passo da morte, mas sim por ouvir Sam falando todas aquelas coisas, sem poder negar nenhuma delas.
—Eu fiquei 1 ano na jaula. Sabe quanto tempo demora um ano no inferno? Sabe oque isso me causou!?— A voz de Sam começou a tremer de ódio – SABE!?
Lúcifer respirou fundo , a respiração saindo tremida. Sem conseguir encarar Sam, o arcanjo olhou para baixo e respondeu em um sussurro:
—Sim...
O Winchester fez um movimento de tombar a cabeça para um lado, com a boca curvada num sorriso de ódio e dor.
— Eu fiquei louco. Quase morri. Se Cass não tivesse chegado, eu teria definhado lentamente até a morte, ou a insanidade total.
Vendo que o arcanjo não responderia, ele continuou.
—Sem contar sobre sua diversão com minha alma, mesmo depois de eu ter saído. Eu quase matei Bobby quando estava sem alma. E quando finalmente a colocaram, eu quase morri. NOVAMENTE!
Lúcifer estremeceu por completo com o som do grito raivoso de Sam. O loiro não tinha a menor ideia que alguma criatura o pudesse machucar tanto so com palavras.
—Não... Apenas não finja estar arrependido.
Lúcifer olhou nos olhos de Sam, e com uma força de vontade que ele não conhecia em si mesmo, fixou o olhar.
—Sammy...É verdade, eu não me arrependo. Não me arrependo das pessoas que matei. Não me arrependo se o mundo iria explodir. Não me arrependo por ter matado seu irmão, Castiel e Robert Singer. Não me arrependo de ter me rebelado...
Algo se quebrou nos olhos de Sam. O arcanjo pode ver, e o metal fino se prensou com mais força quando o Winchester exclamou, com a voz literalmente tremida.:
—PARE! PARE DE FALAR! VOCÊ... – As próximas palavras machucaram Lúcifer de um jeito que ele mesmo não pode descrever, e tampouco tinha tempo para tal ato. Ele apenas não suportava ouvir isso novamente. E novamente por uma pessoa amada. – Você é uma aberração.
—Mas quanto a você – Lúcifer continuou, tentando ignorar a dor que se alastrava por seu peito – Quanto a você eu me arrependo de tudo. Desde o primeiro dia. Eu apenas não percebia o quanto você era especial, Sammy.
Sam contorceu o rosto, claramente sentindo dor. Ele estava lutando. Seu interior estava lutando contra o feitiço.
—Cale...a boca – Disse Sam, pausando para respirar, em seguida, forcando ainda mais a arma contra a testa do arcanjo.
Lentamente, Lúcifer levantou a mão, segurando a mão livre de Sam, que tentou tirar a mão, sendo impedido pela força de Lúcifer.
— No inicio, eu não me importava com nada. Apenas em conseguir minha vingança. Não ligava para você. Aliais, odiava o fato de ter de depender de um mero humano. Mas depois. Oh, quando você e Dean foram até a cidade onde eu estava invocando a morte, eu senti algo. Sabia que tinha de esperar até o dia em que você diria sim, do qual eu já tinha conhecimento, mas então... Então, aquele dia pareceu tão longe. Eu queria ficar pero de você. Todo o tempo. Tal como , antes disso, nos encontramos pessoalmente pela primeira vez. Quando você foi embora do hotel, eu senti como se tivesse sido... Roubado.
Sam parou de tentar forçar sua mão para livre do aperto do arcanjo.
Seus olhos estavam escuros. Lúcifer podia enxergar a dor ali. O arcanjo sabia que iria doer. Muito. Mas precisava continuar.
Precisava de Sam.
— Então você disse ‘’Sim’’... Creio que tenha sentido oque eu senti...desejo, complementação, poder, entre outras coisas. Eu o admirava. Sua força de vontade. Você era o único humano que eu não desprezava. Ainda é. Mas quando me venceu. Quando se jogou naquele maldito buraco...Primeiramente, senti admiração, mas depois...Depois eu percebi que realmente estava de volta lá. Estava na jaula novamente. Com meu irmão, e o seu. Não gostei daquilo, Sammy.
‘’ Porém, toda vez em que te torturava me sentia culpado. Chegou a um ponto em que eu apenas o torturava para acabar com aquele maldito sentimento. Quando eu o confortava, depois da tortura, quando o tocava, ou até lhe dava um pouco de água... Era quando eu não conseguia conviver comigo mesmo sabendo que você sentira dor por minha causa. Odiava isso. Mas não conseguia olha-lo com dor depois da tortura.
Então meu irmãozinho o tirou de lá. Tentei agarra-lo, mantê-lo lá, com todas minhas forças...Mas mesmo que você não se lembre, você lutou contra mim. Castiel estava em vantagem e o levou. Mas não conseguiu levar sua alma. Eu... eu me sentia culpado após cada vez em que destruía mais um pedaço de sua alma, mas não conseguia me controlar. Não gosto que coisas que eu considero minha me sejam retiradas.’’
Lúcifer acariciou a mão de Sam lentamente, e então, o soltou.
—Me mate então. – A arma já estava descendo, porém, Lúcifer pegou a mão de Sam que empunhava a arma e a colocou em seu próprio coração.
Sam arregalou os olhos olhando a arma e depois Lúcifer.
Lentamente a expressão do homem mudou. Não havia mais dor, mais nada. Apenas...
Apenas Samuel Winchester.
—Você sabe –Começou Sam –Sabe que nunca te mataria, seu idiota.
O ar acumulado nos pulmões de Lúcifer desde que Sam apareceu com a arma em sua nuca, foi solto.
—Sam?
O Winchester esqueceu tudo. Esqueceu as torturas. Esqueceu as rejeições, esqueceu o dia no banheiro. Esqueceu-se também que eles estavam lutando contra Amara, e provavelmente seu irmão estava em algum lugar por ali. Esqueceu-se de tudo. Apenas havia ele e Lúcifer.
Sam esticou os braços, agarrando a gola da blusa de Lúcifer, que deu um passo em falso quando seu corpo foi esmagado pelo abraço de Sam.
O arcanjo ficou tenso por alguns segundos, ou minutos, ele não sabia. O tempo apenas voltou a correr quando Lúcifer subiu uma mão para os cabelos de Sam, apertando-as, e seu braço para a nuca do outro, trazendo-o para mais perto de si.
—Sammy... Você, você ESTA BEM? – Perguntou Lúcifer, embaraçado com as palavras.
—Agora estou-Respondeu Sam enterrando o rosto na curvatura do pescoço do outro, inalando seu cheiro inebriante.
As mãos do Winchester enlaçavam a cintura do arcanjo, tentando traze-lo para mais perto, oque era impossível. Lúcifer acariciava os fios morenos dele, e passeava com a outra mão, ora pela nuca dele, ora pelas costas.
Sam se moveu subitamente, ficando de frente para Lúcifer. Os olhos verdes do Winchester se fixaram nos azuis do outro. Sam mordeu o lábios inferior antes de se aproximar mais.
Lúcifer previu oque iria acontecer. Pode sentir o Winchester se anuir em seus braços quando desviou o rosto dos lábios do outro.
Antes que o Winchester pudesse dizer algo, seus olhos se arregalaram, e Lúcifer estremeceu com o som do grito agonizante de Sam. O homem caiu no chão, sentado, com uma perna esticada, e outra encolhida em frente ao corpo. Suas mãos seguravam a cabeça, e ele ainda gemia de dor.
Lúcifer ficou estático. Não soube oque fazer.
Mas é claro. O feitiço de Amara nunca sairia tão facilmente.
Um segundo depois, o arcanjo caiu de joelhos ao lado de Sam, segurando o rosto do outro, forçando-o a olhar para ele.
—Sam?
—Esta...está lu-lutando! –Exclamou Sam, fechando os olhos com força, e apertando ambos os braços de Lúcifer com força, tentando aliviar a dor. O arcanjo mal sentiu. – O feitiço!
—Sammy-Repetiu Lúcifer, sem saber oque dizer, ou fazer.
Então a compreensão veio a sua mente. Amara era má, mas acima de tudo,era sua tia. Claro que ela o conhecia. Ela o viu ser criado.
Ela sabia sobre seu conceito de não beijar humanos.
Lúcifer olhou para Sam. Pode quase sentir a dor do homem em si próprio. E lembrou-se de tudo que o Winchester disse. Sobre oque ele sofreu por sua causa. Ele merecia. Merecia esse sacrifício pela parte de Lúcifer.
E o arcanjo tinha de admitir. Não era sacrifício nenhum. Sam mudara tudo. Ele estava pouco se fodendo para seus próprios conceitos.
Lúcifer, mais uma vez, levantou o rosto do homem, que o encarou com dor e dúvida.
Pela primeira vez em eons, o coração de Lúcifer bateu mais forte no peito. Pela primeira vez em eons, suas mãos começaram a soar, e ele sentiu como se tivessem milhões de borboletas em sua barriga. Pela primeira vez em toda sua existência, sentiu o tão falado aperto no peito, um aperto no coração. Algo relacionado a nervosismo, ele escutara.
Sam era sua primeira vez em muitas coisas.
A cabeça de Sam dava voltas, e doía. Era uma dor sufocante, nauseante. Mesmo apertand o braço do arcanjo com força total, não aliviava. Lágrimas escorriam quentes, pelos cantos de seus olhos, e sua visão estava turva.
Sentiu as mãos de Lúcifer levantarem seu rosto com carinho, e determinação. A mente de Sam explodiu em inúmeras possibilidades sobre oque estava acontecendo, fazendo sua cabeça doer mais ainda.
Entretanto, tudo parou. A dor parou. Seus batimentos cardíacos pararam, o tempo parou.
Tudo parou quando sentiu os lábios de Lúcifer contra os dele.
A respiração de Sam voltou. O menino arregalou os olhos verdes, e encarou Lúcifer. Os olhos azuis estavam fechados. Apenas os lábios estavam colados, mais nada.
Porém, Sam sentiu a necessidade de mais.
Muito mais.
Agarrando a cintura de Lúcifer, que estava ajoelhado em frente a ele, Sam o trouxe mais para perto. Eles estavam do mesmo tamanho agora. Lúcifer ficou ajoelhado entre as pernas de Sam, que enlaçava sua cintura.
O Winchester sentia que estava caindo em uma escuridão sem fim.
E ele gostava.
Lúcifer sentiu o aperto do outro e o desespero em trazê-lo para mais perto. Claramente, Lúcifer não dificultou a vida do outro, indo de bom grado para mais perto do caçador.
Quando Sam teve o intuito de abrir a boca, Lúcifer já o tinha feito. Suas línguas se juntavam em uma dança frenética e desesperada. A de Sam, tímida, afagando a do arcanjo carinhosamente e ao mesmo tempo excitantemente, oque fez Lúcifer ir a loucura. O arcanjo arranhou levemente as costas do moreno e agarrou os cabelos dele, passando os dedos por dentre os fios.
Sam gemeu suavemente quando o arcanjo deixou a mão que arranhava suas costas, e passou a dedica-la a arranhar o abdômen de Sam por baixo da blusa do moreno.
Depois de um tempo, o Winchester teve de se separar para tomar ar. Abriu os olhos, e encontrou Lúcifer o encarando. Seus olhos cristalinos brilhavam, e havia um sorriso safado e carinhoso em seu rosto. Sam não conseguiu deixar de sorrir ao encara-lo.
O Winchester respirou fundo, sua face adquirindo uma cor avermelhada, e temeu que aquele momento fosse passar assim que saíssem daquele lugar, ou até, assim que Lúcifer percebesse que o Winchester estava bem.
Lúcifer se balançava nas pontas dos pés, encarando Sam, com as mãos por cima dos joelhos do caçador. Sam sorriu para ele, e esticou as mãos, o puxando pela gola do casaco, e trazendo-o para mais perto de si, mordendo o lábio inferior dele.

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