Afinal, qual é a verdadeira?
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Em uma reunião, no local onde sua imaginação pode florescer ao redor, já que aquele local é visto diferente em cada ponto de vista, um homem estava sentado com sua taça com água dentro, observando algumas coisas.
Aquele era Jesus.
Ele olhava uma papelada realmente confuso com todas as coisas, então nem notou todos sentados ao seu lado. Nem mesmo Buda que exalava a calma, mais pleno que ele não tinha. Mesmo assim, estava pensativo sobre as coisas que via no dia-a-dia.
— Porque pensativos? Achei que a reunião fosse para colocarmos o papo em dia, e não ficar mentalizando. — resmungou Zeus, sentado tomando vinho.
— Hm? Oi Zeus! Como vai a Hera? — perguntou Jesus o olhando, e ele fez uma careta. — Desde quando está aqui?
— Desde que você começou a olhar essa papelada e o Buda a olhar para frente mentalizando alguma coisa. — disse cruzando os braços. — Porque estamos aqui nessa reunião?
— Era para comemorar um pouco, colocar o papo em dia, mas... — parou enquanto deixava tudo de lado. — Eu estou assustado. Acabaram de listar todas as coisas que os humanos disseram que Deus pediu e… Eu estou assustado!
— O que Deus fez? — perguntou Buda.
— Os velhotes só fazem coisa estranha. Por exemplo, olha o meu pai: Ele engoliu meus irmãos para não ser destronado, e no final eu que tive que o fazer vomitar tudo! — disse Zeus.
— Falou o certinho. — disse Poseidon, todo molhado, sentando-se ao seu lado. — Você nem faz coisas ruins. E desculpe a demora, o mar estava muito poluído e difícil de nadar.
— Zeus engoliu os filhos? — perguntou Jesus.
— Não. — disse Poseidon. — Mas vive traindo a Hera.
— Não explana. — disse Zeus cruzando os braços. — Ela é meio agressiva. E eu não quero dormir na portaria do Olimpo porque ela escutou você falando que eu a traio.
Jesus deu uma breve risada.
— Olha, em resumo, parece que meu Pai simplesmente estava com dedinho em quase todas as guerras, além disso ele mandou queimar pessoas vivas e cobrar para perdoar pecados. — disse calmamente.
— Mas você não já morreu para perdoar o pecado das pessoas? — perguntou Poseidon.
— Pois é. Mas parece que tem que pagar agora para ser perdoado, sendo que a pessoa bem pode falar comigo, pedir desculpas, ou não sei. Não acho correto cobrar.
Poseidon cruzou os braços e colocou seu tridente na mesa.
— Então você morreu na cruz atoa?
— Bom, a intenção foi morrer por eles, por todos os pecados. — disse. — Creio que, pensando por esse lado, sim.
— E nem foi pago. — disse Zeus. — Que miséria.
— Quer saber? Vou perguntar ao meu Pai! — disse. — Alguém o chama, por favor? Eu realmente deveria providenciar um celular.
Todos olharam para o lado, vendo Deus entrando no local pedindo desculpas ao filho pelo o atraso. O garoto respirou fundo.
— Pai, você pode me explicar tudo isso? — perguntou. — Desde quando alguém tem que pagar imposto para os pecados serem perdoados? Não basta eu morrer?
— Filho.
— Pai. — disse Jesus com calma.
— Eu realmente não lembro de nada disso.
—Velhice? — perguntou Zeus e Deus o olhou cruzando os braços. — Desculpa.
— Pode ser uma mentira dos humanos. — disse Buda se intrometendo levemente. — Não pode?
— Mas porque eles mentiriam? — perguntou Deus.
—Ah, qual é! — disse Zeus.— Humanos são humanos. Você viu como eu sou retratado Percy Jackson? Até Hades é mais legal! Desde quando Hades é legal?
— Isso me lembra daquela série, Lucifer. — disse Jesus. — De qualquer forma, tem certeza que você não disse nada disso?
— Tenho. Porque eu provocaria esse tipo de coisa? Pessoas queimadas vivas, guerras, mortes… — disse Deus. — Não seria mais trabalho para mim?
— Tem razão.— disse Jesus. — Desculpe-me duvidar de você. É tão confuso tudo isso.
— Bom...— Buda respirou fundo. — Sabe o que me deixa meio triste? Minhas estátuas são feitas de enfeite nos dias de hoje, nada mais que isso!
— Como assim?
— Sabe aqueles vasos de avó que ela compra para ficar ali e quebrar porque um dos netos derrubou? — perguntou e Poseidon concordou. — Então, minhas estátuas não passam de enfeites na casa de muitas pessoas ao redor do mundo. Além disso, o pior é saber que minhas palavras são ignoradas na maior parte do tempo, normalmente as pessoas só a usam para falar bonito em redes sociais. No final, nenhuma delas sabe dizer se budismo é uma religião teísta ou não.
— Entendo, Buda. — disse Jesus.— Vendo tudo isso que acontece nesse mundo, me dá vontade de tomar um pouco de vinho. Alguém pega vinho?
—Não tem. — disse Deus.
— Droga. — disse Jesus e ele pegou a taça com água, transformando o líquido em vinho. — Vem cá, Pai, tem certeza que não recebeu nenhum dinheiro? Poderíamos usar para comprar vinho.
— Filho, realmente, não. Acho que eles gastaram em outras coisas, não recebi um centavo.
— Tenho medo disso. — disse Zeus. — Mas aliás, qual de nós é realmente verdadeiro?
Aquela pergunta fez um silêncio no local. Todos começaram a discutir sobre seus ideais, suas vidas, os relatos de vida e até mesmo ficaram confusos sobre a própria existência. No final, Buda apenas respirou fundo e bateu palmas, chamando a atenção de todos.
— Realmente, acho que não importa qual de nós é verdadeiro. — disse.— De certa forma, verdadeiros ou não, nós temos a importância na vida de alguém. Esse “alguém” acredita em nós, tem a fé em nós, então não podemos dizer que um de nós é mais importante.
Todos ao redor da mesa, até mesmo aqueles que estavam calados durante todo o diálogo, concordaram. Jesus respirou fundo, bebendo mais um gole de vinho, e disse levemente triste ao ver a listas de coisas que aconteceram em nome de seu Pai e até de si mesmo. Coisas brutais.
— Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei. — disse Jesus.— Será que eu não falei alto o suficiente para eles ouvirem?
— Jesus, a culpa não é sua. — disse Allah, sentado calmamente em seu silêncio absoluto em um dos cantos da mesa. — Talvez, se usasse um megafone…
Jesus arregalou os olhos.
— PORQUE EU NÃO PENSEI NISSO? — cruzou os braços. — Droga.
— Ok, então, podemos falar sobre essa pessoa que está usando a minha estátua como cabide? — perguntou Buda mostrando a foto cruzando os braços. — Assim, eu realmente nunca quis o reconhecimento, só quero mostrar o caminho para outras pessoas, mas é que tipo… Eu não sou um cabide.
Zeus pegou a foto e caiu na risada.
— Pelo menos não esculpiram suas partes íntimas! — disse Poseidon, rindo brevemente. — Desculpa.
Buda pegou a foto e cruzou os braços.
— Enfim, de qualquer forma… Vocês acham que eu deveria ensinar novamente os mandamentos para todos viverem em paz? — perguntou Buda.
E a reunião dos céus continuou, calma e pacífica, tentando arranjar uma solução brevemente sobre tudo isso.
Realmente, é difícil de dizer se algum deles estava feliz com a situação atual do mundo, mas uma coisa é certa e eles realmente estavam pensando quanto tempo os humanos vão demorar a entender: Seria muito mais fácil se as pessoas se ocupassem querendo saber mais sobre a sua fé do que espalhando ódio em cima de fé alheia.
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