Notas iniciais
Olá.
Bom, eu espero que vocês gostem.

30 anos atrás.

-Não pode usá-la desse jeito, Thomas. –diz o menino moreno a sua frente com ódio e desprezo ao mesmo tempo, dando uma ênfase especial em seu nome. Thomas sente uma dor extrema a ouvir aquele individuo, que ele julgava como sendo da família, dizer aquilo, especialmente daquela maneira, com aquele... tom. Como se o odiasse.

Thomas discordava do ponto de vista. Não estava usando a garota, era muito mais complexo do que o garoto poderia imaginar. Ele era imaturo demais, não iria entender, tinha apenas quinze anos.

-Não estou a usando. Ela sabe o que está fazendo. É o que ela quer. – Thomas explica escolhendo as palavras com muito cuidado. Ele sabe muito bem que está lidando com alguém com um temperamento difícil e instável, como uma bomba nuclear.

-Ela acha que sabe onde está se metendo. -esbravejou. -Não contou tudo para ela, você sabe que não. Eu sempre o achei espetacular, queria ser como você, mas agora, só vejo um velho hipócrita e ambicioso.

Aquilo, vindo dele, foi como uma facada no peito de Thomas. Embora, o garoto, fosse emocionalmente instável, ele nunca havia falado algo assim. Thomas e o menino tinham um relacionamento bom. Ele nunca devia ter lhe pedido ajuda, não devia tê-lo deixado se envolver emocionalmente. Agora, Thomas estava pagando o preço. Talvez, um preço alto demais.

-Não tenha dúvidas que ela foi bem informada sobre a experiência. –Thomas falou, após instantes de um silêncio desconfortável entre os dois. O choque gerado pelas palavras do menino, ainda o perturbavam. — Não omiti nenhuma informação. Ela fez sua escolha, acho que se realmente nutre alguma coisa por ela, deveria respeitar sua decisão.

O garoto riu.

-Você é um ótimo exemplo disso, não é? Assim como fez quando Helen saiu de casa?

Thomas ficou pálido.

-Agora, você foi longe demais. –Ele disse com os dentes cerrados.

-Eu deveria dizer o mesmo. – O garoto rebateu com a mesma raiva.

Helen. O amor da vida de Thomas. Ela o deixou por um caminhoneiro sujo e gordo… ele não entendia o porquê. Tudo bem que Thomas, como tinha um serviço secreto para o governo, não podia revelar muito de sua vida profissional a ela. Mas ele era um bom marido. Levava Helen a jantares românticos duas vezes por semana e a acompanhava, sempre que possível, em coisas como: aulas de poesia, mesmo que isso fosse, para ele, a maior chatice do universo e ele mal tivesse tempo de ir. Ele sempre dava opiniões sobre suas roupas, notava quando ela cortava o cabelo…

Não foi suficiente. Ainda por cima, ela, deixou Thomas com dois filhos para cuidar. Uma coisa era querer se divorciar, outra era abandonar os filhos.

No dia em que ela partiu, Helen deixou uma pilha de papéis, sobre a mesinha de centro localizada na sala de estar e para sua surpresa eram papéis de divórcio. Nenhuma carta, ou breve explicação do motivo que a levara a tal decisão.

Ele soube através de uma amiga próxima de Helen, sobre o caminhoneiro. Como ele trabalhava para o governo, não foi difícil descobrir a rota, que a empresa que o contratou, traçara. Thomas foi atrás dele.

Ele encontrou Helen em um motel barato em péssimas condições, perto de um posto de gasolina, em uma cidade minúscula na Pensilvânia. Eles ficaram ali, se encarando até Thomas não aguentar mais. Ela não disse nada sobre o motivo de tê-lo deixado. Na verdade, ela ficou calada com uma expressão de dor, enquanto ele gritava de raiva, suplicava dizendo que a amava, que seus filhos precisavam dela e para que ela voltasse para casa. Quando ele viu o caminhoneiro passar pela porta, Thomas enlouqueceu e o atacou. Ele quase matou o cara de tanto socá-lo. Sua Helen chamara a policia. Ele ficara detido por duas semanas e agora, Helen sumira de vista…

Já fazia quatro anos.

Thomas reviveu essa história novamente, enquanto encarava o menino.

-Sei que a ama. Não deveria amá-la e também sei que sabe disso. — disse ele ao garoto. – Sei que é difícil, mas como eu, tem que deixá-la partir.

-E se ela se machucar? Isso nunca foi feito antes. Pode dar tudo errado. Pode acabar matando-a.

Thomas fechou os olhos. Ele se apaixonara. Era o que Thomas temia. Nunca imaginou a possibilidade. Ele apenas pediu para que o menino suprisse as necessidades da moça, enquanto conversava com o governo, para a aprovação do que seria o maior projeto da humanidade até então.

Tudo bem que os três já se conheciam há anos. Ela nunca fora próxima de ninguém até o momento. Thomas passou anos estudando a garota e ela mantinha distância de todos. Mas nos últimos dois anos, quando Thomas fez a descoberta e foi atrás do governo americano, ela e o garoto... criaram uma espécie de vínculo, de baixo do nariz de Thomas e ele não fez absolutamente nada para impedir.

Ele tremeu involuntariamente.

Thomas se arrepiou, ele já pensará na possibilidade de dar tudo errado, várias e várias vezes. Ele mal conseguia acreditar no que aquela realização poderia significar para sociedade. A pobre moça só queria ajuda. Ele iria a ajudar, a prometera isso. Mas tem algo incrível sobre ela. Ela não é algo comum. Ela sabe demais e ele invejava isso.

Além do mais, suas habilidades… eram necessárias para o futuro da humanidade.

-Não vamos a machucar. Não vamos usá-la.

-Se alguma coisa acontecer com ela, eu não posso simplesmente deixar…

-Você tem que deixar, é para próprio bem dela.

-Promete que só vai atender o pedido dela? Que não vai a usar como um rato de laboratório?

Ele sentiu a pressão da culpa o corroer.

-Eu prometo. –Thomas disse sentindo o gosto do veneno das próprias palavras.

Ele acabará de mentir para uma das poucas pessoas que ele amava. Assim como mentira para a moça que ele sentira uma compaixão enorme.

Quem sabe agora, ele não se esforçasse para que não fosse uma mentira? Mas… tinha muita coisa em jogo para arriscar agora.

O menino entenderia mais para frente, certo? Entenderia que isso é muito maior do que ele e a garota…

Pela primeira vez, Thomas, pode enxergar que talvez ele pudesse protegê-la… pelo garoto a sua frente.

O experimento iria ter início.

Mas o que ele ia escolher?

Uma promessa ou a revolução?


Notas finais
E ai? O que acharam? Continuam?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.