Aeonian
1 eternal and everlasting
Notas iniciais
Personagens de EFLORESCÊNCIA, um livro no qual eu tô trabalhando e amo de paixão
Eu a conheço pela primeira vez novamente em um Denny's, às 4 horas da manhã. Eu sei que ela está lá antes mesmo de virar em minha cadeira somente pelo arrepio que passa pelo meu corpo e meu coração acelerado. Ela derrama seu café em minhas apostilas ao sair e insiste em ficar para limpar a bagunça. Da última vez que eu havia a visto, ela tinha cabelos curtos e loiros. Agora, ele quase alcança sua cintura e se curvam de leve nas pontas. Os olhos, no entanto, castanho escuro e cheios de vida, continuam os mesmos.
"Eu sou Lexa, por sinal" ela diz. Lexa. É um lindo nome; definitivamente um de meus preferidos.
"Isabela"
Nós conversamos por horas, perdidas nas palavras uma da outra. Ela está se formando em fotografia, nessa vida. Faz sentido, eu penso comigo mesma, escondendo um sorriso. Ela sempre gostou de eternizar as coisas. Ela me conta sobre seus pais, seus amigos e sobre seu cachorro chamado Páscoa.
"Parecia um nome adorável na hora" ela se defende, rindo
Eu conto a ela sobre o começo da minha residência em um hospital perto de casa, sobre meu amor por poesia e meu desgosto por azeitonas. Ela deixa seu número de telefone comigo quando percebe que tem que ir embora
"Me ligue" ela diz, com um brilho nos olhos que eu conhecia tão bem "Talvez eu possa te levar em algum lugar e conversar sem ter arruinado metade das suas apostilas"
"Eu adoraria" eu sorrio. Lexa acena para mim ao sair, e eu aceno de volta.
Eu não conto a ela sobre nós.
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Lexa me apresenta ao seus amigos depois do terceiro encontro. Eu paro, surpresa, ao perceber quem eram os amigos de quem eu tanto ouvi falar. Eles não mostram sinal algum de me reconhecer então eu apenas sorrio e me permito ser apresentada a pessoas que eu já conhecia a séculos. Vinicius me encontra mais tarde e me chama por um nome que eu não ouvia a centenas de anos. Ele e James, também, costumavam nos encontrar na maioria das vidas.
"Quanto tempo?" ele me pergunta. Eu suspiro profundamente e passo as mãos pelo meu cabelo recém cortado.
"Eu não tenho certeza" eu respondo "Alguns anos, talvez"
"Sinto muito" ele diz, colocando a mão no meu ombro. Vinicius, mais vezes do que não, era quem lidava com as consequências de nossas mortes e nos ajudava a seguir em frente. Nem sempre funcionava.
"Não há nada que você possa fazer" eu dou de ombros, ignorando a dor que as palavras me trazem. Eu estou acostumada, eu quase digo, mas isso seria uma mentira. Mesmo depois de séculos, ninguém poderia se acostumar a algo assim. Era nossa maldição; achar e perder uma a outra em todas as vidas. E era minha maldição lembrar de tudo.
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Nós nunca duramos mais do que três anos. É algo certo, algo que eu sei por experiência. Nunca mais de três anos antes que uma de nós morra. Eu fico com ela de qualquer jeito, porque eu nunca consegui ficar longe, porque ela parece me chamar como fez todas as outras vezes, e a beijo como se não houvesse amanhã. Por tudo o que eu sabia, talvez não houvesse.
"Eu te amo" ela diz, segurando minha mão enquanto passeamos pelo parque ao anoitecer, e eu sei que esse é o começo do fim
"Eu também te amo" eu replico imediatamente "Sempre" eu não conto a ela que isso não é uma promessa vazia. Ela parece saber de qualquer jeito. Eu a beijo mais uma vez, de novo e de novo, e tento memorizar todas as suas características.
É algo estúpido, dessa vez. Um roubo e um homem com uma arma que ele não sabe usar. Eu me coloco em frente a Lexa, porque preferia que fosse eu a morrer e porque não sabia se conseguiria segura-la em meus braços e ver seus olhos perderem o brilho mais uma vez. Eu ouço seu grito antes de ouvir o som de um tiro; antes de sentir o sangue escorrendo pelo meu peito. Não dói, não fisicamente, ou talvez eu tivesse apenas me acostumado a morrer. Ela se ajoelha ao meu lado, tentando estancar o sangue. Eu pego suas mãos nas minhas e sorrio apesar das lágrimas que escorrem pelo meu rosto. Seus olhos se clareiam e ela arfa. Na maioria das vezes, ela não se lembra até que seja tarde de mais.
Eu havia morrido durante uma tempestade, da última vez. Hoje, no entanto, o céu está limpo e estrelado. Eu me lembro vagamente de Lexa me ensinando constelações, muitas vidas atrás. Nomeio elas em minha mente, uma por uma.
"Só me segure" eu peço. Ela me puxa para seu colo, acariciando meu cabelo. Nós duas sabíamos que nada me salvaria agora.
"Eu te amo" ela diz mais uma vez, a voz trêmula. Eu tinha escutado ela me dizer isso muitas vezes e ainda escutaria muitas outras, mas a dor em meu peito ao ouvi-la falar essas palavras é sempre diferente e ainda, tão fundamentalmente igual
"Nós vamos nos achar novamente" eu falo. É um fato; uma promessa, e minhas últimas palavras para ela nessa vida.
FIM
Notas finais
(amo você tanto quanto amo meus bebês)
(um milhão de dedicações não seriam o suficiente para
mostrar o quanto eu aprecio a sua amizade)
se você não tem nada a dizer mas gostou da história, uma estrelinha ou um emoji aleatório me deixam mais do que feliz
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