Adônis: Em Busca do Mundo Perdido
3 Capítulo 3- A pequena Esperança
Nós estávamos deitados no chão, desesperados com os olhos arregalados, mas nada se via apenas uma flecha perdida.
– O que aconteceu? – Perguntou Xavier desesperado junto com os homens que trouxe junto.
– Uma... Uma flecha quase me acertou. Não sabemos de onde ela veio. – Falei conflita.
– Foi igualzinha a que acertou Dasy. – Falou Xavier retirando a flecha da árvore.
–Tem alguma coisa de estranho por aqui. O que pode ser? – Falou um homem narigudo.
– Alguém está pela as nossas florestas. Espionando-nos. – Disse Xavier pensativo. – Temos que evitar sair muito, mas infelizmente precisamos sair, então de agora em diante vamos sair armados e vamos deixar essa tarefa para os aprendizes de arco e flecha.
– E o que nós vamos fazer? – Perguntei.
– Você vai às aulas de arco e flecha e Ian como é uma criança vai conferir os alimentos, se estão bons ou ruins, junto com as mães de vocês e colher alguns frutos da nossa colheita.
– Mas eu gosto mais de explorar, ir à floresta e desenhar nas árvores. – Falou Ian.
– Fique calmo garoto, é só por um tempo para vermos o que está acontecendo por aqui, é perigoso aqui. – Xavier disse agachando em sua frente ao ficar do tamanho de Ian.
– Está bem. – Concordou Ian.
– Também aceito. – Aceitei.
– Vamos voltar depressa, ele ou ela pode estar nos mirando. –Mandou Xavier nos empurrando.
Xavier é o chefe de toda vila, o mais guerreiro, o mais sorridente e um dos mais inteligentes. Ele nos ajuda e muito, sempre procurando o nosso bem, mas ás vezes em certas pressas, ele nos entrega trabalhos duros e difíceis, mas todos nós sabemos que é para o bem de Adônis.
Voltamos pela a trilha e ao chegar todos estavam de olhos regalados curiosos para saber o que havia acontecido. Mamãe rapidamente foi me abraçar.
– O que aconteceu minha filha? – Perguntou mamãe.
– Está tudo bem, o Xavier vai explicar. – Soltei um sorriso.
Mamãe deu um beijo carinhoso em minha testa e se virou para Xavier.
– Todos de Adônis, sentam-se, por favor. – Mandou Xavier. – Hoje estamos tendo um dia difícil, vamos desejar a Dasy Fillings que esteja bem e em um lugar melhor. Mas estamos aqui para falar da flecha perdida que está aparecendo por aí. – Suspirou- Uma flecha misteriosa acertou Dasy em seu peito e outra flecha idêntica a de Dasy, tentou acertar a nossa habitante Kiara, mas por pouco a flecha não a matou. Então peço á todos vocês não saírem mais da Vila. Apenas nós treinados para sair armados e os aprendizes já podem também. Quem estiver a disposição ás aulas de arco e flecha, nós adoraríamos. Enquanto os outros que saíam vão fazer as tarefas que tem que ser feitas dentro da vila, como cuidar da nossa horta, cavar buracos para as nossas necessidades, conferir os alimentos, arrumar as tocas, conferir as armadilhas, costuras as cestas de comidas, sapatos e roupas e fazer a lista das coisas que faltam em Adônis. Isso é temporário, depois quando tudo estiver corrigido, podem voltar as suas tarefas normais. Ok?
– Ok! – Respondeu todos sentados.
Rapidamente todos começaram a cochichar, reclamar e os deprimidos choravam, estavam todos desesperados e preocupados.
Já estava na metade do dia, cerca das três horas da tarde, ou seja, era 15h e o almoço estava sendo servido para os habitantes.
Era arroz com cenoura, um prato simples, mas tinha bastante e nas aquelas condições do mundo isso era um troféu.
As crianças foram as primeiras a encherem o prato feito com sisal, depois os adolescentes e em seguida os adultos. Todos estavam sentados nas mesas grandes de madeira comendo, enquanto os nossos protetores que já haviam comido, estavam de guarda, observando todo o lugar.
– Todos que vão à aula de arco e flecha, favor ir já. – Falou Xavier ao se retirar da mesa.
– Você vai Kiara? – Perguntou mamãe.
– Vou, eles precisam.
– Está bem, mas tome cuidado, te amo.
– Ok, pode deixar, eu também te amo.
Fui á direção ao espaço onde eles praticavam o arco e flecha, comecei a tremer, lembrando-se da flecha que matou Dasy e que quase me levou junto. Considerei-me sortuda, mesmo com tudo que está acontecendo no mundo, a nossa situação e tudo mais, eu fui sortuda de não ter morrido. Será que pode ser uma chance de eu mudar o mundo ou algo do tipo? Eu não sei, mas você já sentiu uma pequena esperança no peito onde você acha que um dia você pode mudar algo no mundo ou fazer algo importante? Naquele momento, eu me sentia assim, esperançosa, porém deprimida.
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