Notas iniciais
E um dia qualquer, Ênio e Madalena, junto a 12 irmãos de Eva partiram numa gira de turismo, e em busca de aventuras. Nestor só regressou para seu planeta com as filhas e os genros, quando “00” chamou-os ao batente um dia quaisquer. E foi depois da partida de Nestor, que Amon-rá, Jesus e Paulo tiveram que se isolar no mato, para se educar, ao lado dos trigêmeos de Viktor. Eles haviam envelhecido durante essa longa turnê. Agora eram adolescentes, prontos para escutar um mestre.

Quando chegaram de regresso dessa viagem desgastante, o único desejo dos artistas era ficar trancado em casa por longo tempo. Eva, com uma barriga notável, desceu nos braços de Adão. Imediatamente foram cercados pelos irmãos e pais de Adão, por João, Dina, suas irmãs, Nestor e Ana, suas filhas Diana e Sira com os maridos Aruma e Tana, que continuavam lá, mas, que haviam limpado e desocupado a mansão dourada fazia tempo, pois a gangue de Nestor já havia partido.

Nestor só ficou na casa do João para rever de novo Adão, pois ainda à saudade do cabeção era grande, e Ana não conseguia mais se separar da mãe Dina. Já Diana e Sira estevam em casa de Madalena, onde Ênio não parava de falar sobre a guerra dos três mundos com Aruma e Diana. Afinal, os três eram heróis desse mesmo episodio. E Madalena os escutava com orgulho. Afinal, Ênio era um guerreiro como ela. Havia lutado junto de Diana, e na reencarnação seguinte na guerra contra os iguanas. Tempo em que ambos se conheceram a se apaixonaram pela eternidade.

Enquanto isso, Amon-rá enfileirava uns 60 cavalos miúdos para descer.

E ninguém soube o que enlouqueceu mais esse planeta. O regresso de seus melhores artistas, ou, a manada de cavalinhos, pois em todos os cantos do mundo algum guri começou a chorar para ter um.

Adão explicava que a manada só poderia ceder cavalos adultos, em duplas de macho e fêmeas, e que seriam poucos, pois eles iam sofrer com a separação. A seguir Amon-rá escolheu os mais velhos, e uns 15 casais de anjos veterinários os levaram para outras cidades. O resto foi levado por um comboio aéreo, que os deixou ao lado do castelo.

E as famílias de Eva e Adão também viajaram para esse castelo, o qual nunca teve tanta gente dentro. A mesa encheu de comensais, os dormitórios superlotaram, e teve os que acamparam ao ar livre com tendas de panos. Ludmila e Dina organizaram o banquete de regresso dos artistas, e na mesa tudo foi alegria. E entre os adultos, os meninos, sentados no colo dos tios, contavam as aventuras desses outros mundos, que os primos escutavam maravilhados. Ênio e Madalena, cada um com um guri nos braços, riam com as histórias até sair lágrimas. Nossa! Ênio e Madalena queria ver a toda à gangue de “E de ALPHA”. As recordações dessa vida de índio, quando se brigavam entre a lama ao entardecer, traziam-lhe lembranças maravilhosas. Junto aos irmãos de Eva, antes do dia acabar, já tinham data e hora marcada para uma viagem estelar. Ia ser uma farra. Até João estava empolgado. Queria ir com eles. Afinal, estavam sozinhos em casa. Tatiana e Mariuska estavam perdidas em redor do mundo, recém-casadas, sem data para voltar.

E o tempo começou a se alastrar na doce rotina.

Adultos organizando os jantares. Crianças e adolescentes correndo no mato rodeado de cavalinhos miudinhos, ou nadando na pequena lagoa. Era uma festa diária, desde o raiar do Sol até o entardecer. Adão e Nestor conversavam o dia todo, Aruma e Tana faziam amizade eterna com Viktor e Ênio, e Eva com suas filhas Sira e Diana viviam abraçadas matando a saudade de tantos anos afastada. Cozinhavam juntas rindo, pois quem ensinava para Eva agora eram elas. E faziam planos futuros, pois a eternidade estava na frente. Viveriam longe, mas se visitariam sempre.

Mirim em seu castelo dourado também deu inicio aos banquetes. Adão e Nestor chegavam a hospedar-se com Diana, Sira e os meninos. Afinal, havia 20 dormitórios, e na ausência de servos iguanas Mirim trouxera um robozinho faxineiro para limpar tudo como espelho. E Nestor finalmente lhes contou que vivera nele, como penetra. Viktor ria as gargalhadas. Nestor era um pirata. Ria e gargalhava por tudo. E sua mulher, Ana, possuía um cabelão cobre avermelhado caindo em cascatas, único no centro do Universo.

E um dia qualquer, Ênio e Madalena, junto a 12 irmãos de Eva partiram numa gira de turismo, e em busca de aventuras.

Nestor só regressou para seu planeta com as filhas e os genros, quando “00” chamou-os ao batente um dia quaisquer.

E foi depois da partida de Nestor, que Amon-rá, Jesus e Paulo tiveram que se isolar no mato, para se educar, ao lado dos trigêmeos de Viktor. Eles haviam envelhecido durante essa longa turnê. Agora eram adolescentes, prontos para escutar um mestre.

Nessa altura Adão já instalara, fora do castelo, o fornilho por sobre um balcão, e a máquina de moer trigo colocou-a junto à batedeira, numa outra mesa. Esse artefato batia e separava o leite da gordura, ou, cortava o leite para fazer queijos, ou, batia a gordura para fazer a manteiga. E construiu um galpão de madeiras para esses artefatos não pegarem humidade.

E Eva começou a fornear o melhor pão do planeta com essa gordura do leite, que Adão comia que nem guri. O único que pegou de surpresa foi quando a farinha terminou, pois nesse mundo os anjos iam procurar o trigo em meio da natureza. Não existia armazém de suprimentos.

E um dia, Adão subiu num cavalo para sair pelo mundo em busca de trigo. Eva estava tão empolgada, que vestiu roupas que ganhou nessa viagem. Uma saia rodada que a faziam parecer bailarina, belíssima, uma blusa tomara que caia, e uns brincos pequenos. Não usou colar, pois com certeza seu pescoço ia ser atacado durante o tempo todo com a boca de Adão.

Antes de Eva montar no cavalo, Adão já estava pronto para o chamego. Eva sentou em frente dele, foi rodeada de braços fortes na cintura, e recebeu o beijo no cangote. E namoraram sem presa por cima do cavalo durante o dia todo. Quando começou a anoitecer desceram do cavalo, armaram uma tenda pequena, e Adão espalhou folhas secas como colchão para dormirem abraçados em forma de conchinha. Com uma barriguinha proeminente, Adão abraçou Eva desde atrás, passando a mão sobre o ventre, acariciando as belezinhas com emoção. Finalmente suas gurias chegariam para lhes dar alegria e doçura. As imaginava correndo como borboletinhas nesse castelo, rindo, sempre agarradas as saias de Eva. No futuro Adão só via felicidade.

No dia seguinte, algazarras no mato os acordaram. Adão vestiu uma bermuda, e caminharam de mãos dadas em busca do barulho. E viram uns oito casais como eles colhendo trigo, rodeados de filhos, cavalos, cestas, num trabalho que já durava tempo. Eles se posicionavam em frente às matas, e desintegravam os caules das espigas. Em seguida os grãos voavam no ar e caiam nas cestas, se acomodando. Depois puxavam os caules com raiz, e amontoavam para secagem. E por último pegavam alguns grãos de trigo, e os sopravam ao vento. Assim que o grão tocava o chão, ele se enterrava sozinho, e ficava escondido na terra, para um dia fazer brotar outra colheita.

E como Adão e Eva eram principiantes, começaram por aprender a fazerem um cesto de taquara trançado. E rodeados de amigos, aprenderam os segredos da agricultura, num chão que dispensava vitaminas, pois no centro do Universo a energia descia, e a terra florescia sozinha como por encanto.

No dia que regressaram para casa, colocaram os grãos na máquina, e uma farinha caiu numa sacola, pronta para ser convertida em pão. Eva misturou com milho verde ralado, fermentos, leite, ovos, gordura, para esse pão ficar delicioso. E para Adão, ver Eva amassando pão era estimulante. Viktor achava que Adão era doido. Mulher no batente ficava descabelada, suada, e ele preferia fazer os trabalhos de casa para que Mirim fosse uma princesa eterna. Mas com Adão era diferente. O suor o excitava, o cabelo molhado mais ainda, e beijava Eva a toda hora, enquanto esperavam a massa de o pão crescer. Função que demorava bastante, pois só usavam fermentos naturais do mato. E para que tudo fosse perfeito, um dia Adão lhe construiu um forno de barro, igual ao forno que João e Sergei fizessem para Dina e Ludmila. Eva fazia enroladinhos, que com manteiga por cima, faziam Adão babar. Ela ria. Era tão fácil fazê-lo feliz. Bastava encher sua barriga e depois fazer amor com ele.

Enquanto Eva cozinhava para seu macho, seus filhos recobravam a memória das vidas anteriores em meio de uma turma de adolescentes.

Paulina e Malaqui, esposas de Paulo e Jesus, os reconheceram gritando aos berros: — sou eu, sou eu, sou eu! Ao igual que o tio Ênio, ambos perderam a virgindade antes do segundo dia de acampamento, com pressa de serem felizes. Paulo, perdido no matagal, estava tão contente, pois nesta vida “00” cumprira sua promessa. Nada de se esquecer de um do outro, ou nascer longe em cidades distantes. E sua mulher estava como sempre fora, apaixonada até a alma por ele. E como Paulina já menstruava fazia tempo engravidou-a no primeiro encontro. Como papai Adão, tinha dez filhos esperando para encarnarem.

Já Jesus, com a mulher mais sensual, mais bela, mais doce, passou a noite na sua tenda, mais apaixonado do que nunca. Perderam a virgindade com juras de amor eterno, e ao raiar do Sol entraram na turma de amigos abraçados, trocando beijos, sentados na última fila.

E foi assim também, que a tortura de Amon-rá começou.

Quando se lembrou de Noemi, sua vontade foi sair correndo mundo afora em sua busca. Não havia nada que o consolasse da desesperança de saber que, seja lá onde fosse, outro homem estaria tentando-a conquistar, por causa de sua extraordinária beleza. E para aumentar sua tortura seus irmãos irritavam-no ainda mais:

Jesus gritou-lhe:

— E quem é que diz que ela nasceu tão linda, desta vez? Ah?

Paulo acrescentara, para atormentá-lo ainda mais:

— Isso! E se ela nasceu menos bela, ah? E se for morena? Ah?

— Parem de me torturar, eu sei que ela está radiante! Só de lembrar-se desse cabelo vermelho fogo, eu começo a me derreter!

Paulo gritou-lhe:

— HÁ! Não vai falar que, se ela não tiver cabelos vermelhos, não vai gostar mais dela? Achas que “00” nunca vai te colocar uma prova? Paulina já foi loira, morena, mas a coitada da Noemi sempre nasce de cabelo vermelho fogo. Nossa, cara, ela vida após vida nasce sempre igual! Só para te agradar!

Jesus acrescentou-lhe:

— E tu? Nasces sempre branco de olhos verdes! Achas que se fosses negro como carvão ela não ia te querer? Vê se cresce, cara!

E para não dar um soco na cara deles, Amon-rá isolou-se e começou a sofrer.

Nem as palavras do mestre conseguiam acalmar seu desespero. Relembrou de todas suas vidas, onde sempre amou a mesma mulher, e quando viu na retrospecção o nascimento de seus cinco filhos ele chorou tanto, que ficou doente. Ganhou febre, e o mestre cuidou dele em pessoa.

Enquanto isso, Paulina sentia o coração bater mais forte, pois ao lado de Paulo seu coração batia como tambor. Tomados da mão estudavam com o mestre, mas assim que o entardecer dava seu show de cores no céu saiam correndo com destino ao matagal. Carregavam uma manta grossa, pois havia ocasiões que dormiam olhando as estrelas.

Jesus preferia o aconchego da tenda e o colchão macio. Sendo adorado pela sua mulher, com caricias doces, ele ria dele mesmo. Havia infernizado Amon-rá pela aparência, enquanto ele mesmo estava exatamente igual. Cabelos dourados caindo pelos ombros e seus olhos estavam mais azuis do que nunca fora. Apenas Malaqui mudara um pouquinho. Não era mais a mulher morena do deserto cheia de sensualidade, estava de cabelos dourados, que nem ele, e seus olhos negros eram castanhos claros.

E os irmãos recuperaram todas as lembranças e as genialidades de vidas passadas. Foram gênios em energizar “coisas”, Jesus e Paulo nas risadas e Amon-rá na languidez e na impaciência desses dias sem fim.

Adão ajudou Paulo e Jesus a energizar duas casas grandes perto do castelo, pois ambos iam parir como coelhos. E sabiam que um dia isso seria uma pequena vila povoada apenas com a descendência de Adão. Como fora uma vez no passado em “Z de ALPHA”. Uma tribo. A tribo de Adão, como era chamada na ocasião.

Eva fez a festa dupla de casamento no castelo, que lotou como nunca. Jesus e Paulo irradiavam de felicidade. Amaram essas mulheres vida após vida, e elas só tinham olhos para eles. E dentro dessa pirâmide, “00” os abraçou emocionados, e os quatro receberam, cada um, uma cor diferente. Jesus e Paulo laranja como anjos destruidores, Paulina azul, como anjo auxiliar, e Malaqui era branco, o anjo do amor. De regresso a essa festa, cinco músicos vieram alegrar a festança, e se dançou dentro e fora do castelo. Ao raiar do Sol cada casal saiu pelo mundo numa lomga viagem de lua de mel.

Só faltou na alegria familiar Amon-rá, perdido pelo mundo, pois ninguém sabia por onde ele andava. Ele saira no aviãozinho de Adão, desesperado em busca do amor.

Após um cinquenta dias, Amon-rá descobriu seu sogro Fernando, numa outra cidade desse planeta, fazendo uma exposição de fotografias numa galeria de arte. Ao seu lado estava sua esposa Mônica com um bebê no colo. Moreno, cabelos em pé, gordo, e Amon-rá respirou aliviado, pois só podia ser Fernando Júnior, marido de sua irmã Nohiki. Lógico. Eva estava com três meninas na barriga. Uma delas deveria ser Nohiki. E correu ao abraço.

Fernando viu Amon-rá com cara de espanto, e tentou acalmá-lo com um abraço fraterno, pois não sabia como dar-lhe uma má noticia.

— O que foi, sogro? Noemi casou-se com outro? Fala sogro, pois se for assim vou ser um anjo-assassino! Acho que o primeiro...

Mônica deu o filho para o marido, abraçou Amon-rá e lhe disse:

— Nada disso! É que ela enlouqueceu! Foi para o espaço em busca de uma cirurgia de cabelos... Ela acha que tu não vai gostar dela, pois nasceu com cabelos castanhos... E nada do que nós falamos deu certo... Nem sabemos onde ela está... Eu disse que o amor nada tem a ver com a cor de cabelos, ou de olhos. Coloquei o exemplo de teu pai quando Eva nasceu preta como carvão e teu pai se babou todo no primeiro olhar... Mas, ela é teimosa... E se foi... Não sabemos para onde...

Como Amon-rá na altura chorava como bebezinho, sentado numa cadeira como um tonto, varias pessoas chegaram junto, comovidos com a história. Desta vez “00” pegara pesado. Mas, o teste do amor verdadeiro era algo que todo ser humano tinha que provar. E antes desse vernissage acabar, havia uns seis amigos dispostos a ajudar Amon-rá a descobrir onde estava Noemi.

Mas, Amon-rá sabia mais do que todos eles sobre os outros planetas. Dançara neles. O mais provável é que enquanto ele regressava, tivesse se cruzado no espaço com ela. E quando sua mente começou a raciocinar direito, soube que ela só estaria onde os gênios inventavam metais. Isso! Os joelheiros, os homens de ciência que lhes deram tantos presentes. Ele inclusive vira cabeças coloridas na plateia. Verdes, azuis, amarelo ovos, brancas. Era ali que ela deveria estar.

E rodeado de gente, ele saiu numa nave espacial em busca de sua amada.

Notas finais
Como Amon-rá na altura chorava como bebezinho, sentado numa cadeira como um tonto, varias pessoas chegaram junto, comovidos com a história. Desta vez “00” pegara pesado. Mas, o teste do amor verdadeiro era algo que todo ser humano tinha que provar. E antes desse vernissage acabar, havia uns seis amigos dispostos a ajudar Amon-rá a descobrir onde estava Noemi.