Adão e Eva, e os filhos de Agarta. Segunda parte

9 Viagem ao redor do mundo, (continuação)


Notas iniciais
Stonehenge possuía 8 telescópios gigantes olhando para o céu, através de aberturas entre as paredes. Como sustentação do gigantesco observatório, os Druidas haviam fincado pedras gigantes em pé, em forma circular. Entre elas, foi tecido um emaranhado de madeiras que posteriormente engrossaram com generosas camadas de barro e palha seca. Para fechar o teto do observatório, paus firmes foram amarrados às pedras centrais, deixando ao descoberto apenas as aberturas para as lentes. E por último, passaram camadas de cal, branquíssimo, por sobre tudo, convertendo-o num edifício moderno, diferente, mistura de construção primitiva e engenharia superior.

Os cavalos dos celtas eram elegantes, ágeis e fortes. E durante essa estada, Adão e Moisés cavalgaram por cima desses bichos magníficos, que pulavam para se safar dos homens, divertindo as esposas cada vez que caíam ao chão. Também fizeram corridas, brincaram de guerras, rindo felizes.

Mas, eles se emocionaram mesmo foi quando os Druidas os levaram a conhecer Stonehenge, o maior observatório astrológico da face da terra.

Stonehenge possuía 8 telescópios gigantes olhando para o céu, através de aberturas entre as paredes. Como sustentação do gigantesco observatório, os Druidas haviam fincado pedras gigantes em pé, em forma circular. Entre elas, foi tecido um emaranhado de madeiras que posteriormente engrossaram com generosas camadas de barro e palha seca. Para fechar o teto do observatório, paus firmes foram amarrados às pedras centrais, deixando ao descoberto apenas as aberturas para as lentes. E por último, passaram camadas de cal, branquíssimo, por sobre tudo, convertendo-o num edifício moderno, diferente, mistura de construção primitiva e engenharia superior.

Dentro do observatório, os sábios examinavam as estrelas, escreviam suas descobertas sobre couros curtidos, e periodicamente visitantes de povos migrantes chegavam para se nutrir desse conhecimento. Principalmente navegadores do Mediterrâneo passavam por Stonehenge a se aconselhar com os Druidas, sobre o mapa estelar. Guiados por esses mapas, eles se aventuravam nos oceanos olhando para o céu, guiados pela luz dos astros. Os assírios, os fenícios, os cretenses, e até indianos apareciam em Stonehenge. Poderia se afirmar que por aqueles anos a Ilha de Creta era o centro da civilização do Mediterrâneo, mas Stonehenge era o centro da sabedoria astronômica.

Adão aproveitou a estada nesse observatório para mostrar aos celtas lugares desconhecidos no mapa astral. Mostrou-lhes onde ficava o Mundo de Atalanta, invisível aos olhos humanos, mas pelo menos em qual direção se alinhavava na imensidão. Também assinalou o Mundo de “V de BETA”, onde vivia seu irmão e seu filho, bem perto da Constelação do Minotauro. Depois, lhes desenhou a Via Láctea, o lugar da Terra, mostrando para os celtas que a Terra era apenas um ponto minúsculo em meio de uma grande vastidão. Ainda deu palestras sobre a origem da matéria, dos elementos, e da existência dos espíritos.

Durante a noite, os Druidas costumavam se reunir ao redor da fogueira, para contar histórias, que não eram científicas. Eram apenas lendas. Rodeados de casais com filhos no colo, eles narravam episódios que entretinham o povo. E Adão também lhes contou muitas lendas. Principalmente fábulas da época em que os homens da terra viviam como animais, e articulavam com sons guturais. Também contou sobre as Glaciações, os grandes dilúvios, que de tempos em tempos assolavam o mundo em catástrofes cármicas.

Adão também lhes explicou que a evolução do planeta Terra se dava em ciclos regulares de 24.000 milênios. Esse ciclo era dividido em 12 Eras, cada uma delas regida por uma simbologia. Eles se encontravam vivendo nesse momento a “Era de Áries”, que acabaria em mais 1.500 anos, quando começaria a “Era de Peixes”. E que seria durante a “Era de Aquário”, a Era seguinte, que os homens da terra alcançariam a evolução completa. A inteligência seria altíssima, e o terráqueo poderia então, sozinho, desenhar o futuro.

Seria o tempo em que os sinais da besta ficariam finalmente soterrados, pois os homens que nasceriam nas “Eras” seguintes seriam todos bons. Dali para frente, o sofrimento não teria mais lugar na sociedade humana e a Terra seria um Mundo Superior.

Os druidas perguntaram:

— E qual é nossa característica atual?

— “A guerra”. A eterna luta entre o bem e o mal. A “Era de Peixe”, infelizmente, será dominada pelas forças do mal. Haverá morte, pestes, e sofrimento constante.

— Mas não podemos fazer nada para evitar?

— Claro que sim... Na vida espiritual, quem manda é o anjo. Quando uma “Era” se inicia, eles chegam a Terra, e realizam um “Grande Conselho Cármico”. Ali então os anjos decidem quem é removido. Geralmente partem as pessoas boas. Todos vocês vão ser promovidos para outras Dimensões, daqui a 1.500 anos. Irão para outros mundos, onde só existe a bondade. Vocês podem articular para os Anjos que preferem ficar. Que desejam ser lideres do bem, mas, depois de nascidos vão ser torturados, massacrados, vida após vida, e não haverá como voltar atrás, pois os Anjos partirão. Eles regressarão somente quando se passarem mais 2.000 anos e comece uma nova Era.

— Mas, a mãe natureza não faz nada para ajudar os homens de bem?

— Faz! Soterra cidades inteiras com erupções de vulcão. Vírus matam povos aos milhões. E, por último, chegam às tempestades. As primeiras são leves, para prevenir a humanidade. Depois, elas vão aumentando, para que os homens de bem façam a revolução final.

— Isso vai ser no início da “Era de Aquário”?

— Vai! Mais o terrível é que durante o governo das trevas pode ser inventada uma arma de destruição a nível mundial. Meu plano é reencarnar naquele tempo. Como filho da Terra. E tentar evitar o holocausto fatal, do fim da civilização.

— E depois? Se a civilização acaba?

— Esqueceu-se de Agarta? Ela é invisível. Mas, ela existe. Está na hora de vocês pensarem no futuro. Estudem mais sobre os poderes da mente humana daqui para frente.

— Mas o que pode ser feito com o poder da mente humana?

— TUDO! Até uma cidade embaixo do mar...

Como o povo em redor pensava que isso era “piada”, Adão deixou tudo por isso mesmo. Depois contou outras lendas, sobre outros povos, que os celtas desconheciam.

Depois de três meses de vida simples e de festas magníficas no palácio, eles chamaram o robô, nas alturas, subiram na nave, e rumaram para o continente americano.

Nas planícies da América do Norte, havia na ocasião 5 povos importantes. Ancestrais dos índios choctaw, chichasaw, creek, cherokee e seminole. Populações concentradas perto do rio Mississipi, no Sudeste, que viviam uma vida pacata, dedicadas à agricultura. Semeava-se o milho, as favas, batatas, girações, cabaças, e caçavam animais das planícies que lhes davam o couro, a carne e os ossos.

Todas as ferramentas agrícolas eram de ossos. As roupas eram de couro curtido, e as tendas cobertas de peles secas, que amenizavam o frio do inverno.

Adão e Moisés desceram sozinhos em meio dos ancestrais dos cherokee.

Caminharam ladeando o Mississipi, admirando a vastidão do rio e a beleza da selva refletida nas águas. A correnteza entre as pedras fazia um barulho forte. Enquanto caminhavam, vários índios os seguiram dentro das matas. Eram tão silenciosos, quanto uma serpente roçando entre as árvores. De repente, 30 índios os rodearam com machadinhas de pedra nas mãos, o rosto pintado, mostrando corpos fortes, musculosos e de uma cor cobrejada. Moisés e Adão foram amarrados, e carregados numa arara para a tribo.

Enquanto caminhava, Adão aprendia o dialeto às pressas para tentar dialogar.

Quando chegaram à aldeia, ele já sabia as falas e começou a conversar com os homens. Sempre amarrado naquele tronco. Contou-lhes que eram grandes feiticeiros e que estavam ali para ensinar muitas coisas. Como, por exemplo, atrair os pássaros, chamar a chuva, abraçar os ventos. E para impressionar, Adão desintegrou as cordas junto com o pau de arara, e ficou em pé com um salto, enquanto Moisés levantava os braços e chamava pelas águas do firmamento. Pouco a pouco, a atmosfera foi ficando negra, até ocultar o Sol e transformar o dia em noite. Depois, caiu uma chuva grossa, que empurrou as mulheres e as crianças para dentro das tendas de couro.

Quando todos os homens se curvaram em frente deles, admirando seus poderes sobre as forças da natureza, Moisés desintegrou as nuvens e o Sol iluminou o dia.

A seguir, tudo foi festa.

Os índios começaram uma dança com tambores em redor da fogueira, as mulheres a preparar o assado de bisão, e Eva e Séfora apareceram sorridentes a se juntar aos homens.

Nos dias seguintes, Adão e Moisés assistiam às reuniões com os mais sábios, e escutavam as conversas dos índios. Eles adoravam as forças da natureza e respeitavam todos os seres vivos. Temiam o trovão, mas sabiam que a chuva chegava para fazer crescer o milho e dar comida aos homens. Acreditavam na existência da alma, e na proteção dos espíritos de seus ancestrais. Quando uma pessoa morria, retiravam a carne dos ossos, queimavam a carne, e enterravam os ossos, como algo sagrado. Eles tinham o maior respeito pelos mortos. Faziam cerimônias especiais para eles, chamavam por proteção, e esses antepassados estavam sempre entre eles, no mundo invisível.

Mas a guerra entre as tribos eram corriqueiras e não tinha sentido algum.

Eles se matavam só por causa de territórios férteis, onde o milho crescia mais forte. Como todos eram nômades, era inevitável que as etnias se cruzassem de vez em quando na caminhada. Adão desenhou-lhes um mapa, com caricaturas infantis, onde havia terras muito férteis, e onde jamais se encontrariam com outras tribos. Mostrou-lhes que a terra era gigantesca, e sempre haveria um lugar para todos os filhos.

Enquanto isso, Séfora, que um dia cruzara o deserto, ensinou às mulheres a secar a carne, a desidratar frutas, e fazer pão com farinha de milho, enquanto Eva lhes mostrava como retirar sementes dos frutos e selecionar as mais fortes. Deu-lhes sementes de algodão, e trouxe algodão da nave, para ensinar como fazer fios. Também lhes construiu um tear simples para tecer fibras, fazer cintos, tapetes, bolsas, e indicou como tingir essas fibras com tintas das flores e das plantas.

E a doce rotina se alastrou por longo tempo.

Quando a noite caía, todos os trabalhos paravam, e as famílias se reuniam no centro da aldeia. A fogueira era acesa e os homens dançavam ao ritmo dos batuques e dos gritos que saíam das gargantas, imitando o som das bestas. Desta vez, Adão e Moisés se uniam na roda pulando, gritando, peito nu, penas na cabeça, e uma machadinha de pedra e madeira nas mãos. Na verdade, eles nunca se divertiram tanto. Entravam na tenda rindo, suados, e excitados. O fogo e a dança acendiam a paixão e aumentava a excitação dos homens. Cada índio dormia com três ou quatro mulheres, deixando-as felizes a todas elas, uma a uma. Não havia reclamação pela parte feminina. Somente Moisés e Adão se isolavam com uma mulher só. Os silvícolas até sentiam tristeza por eles. Tadinhos. Não possuíam riquezas suficientes para alimentar mais do que uma mulher.

Para dormir, Adão e Moisés construíram sua casa, na moda indígena. Somente peles e uma abertura no alto para deixar sair a fumaça do fogo interno. Depois se cobriam com as peles de animais, suando de calor, fazendo amor sobre o chão duro, pois as peles serviam também como colchão. Apareciam fora da tenda para conversar com os homens, ao meio-dia, quando Eva e Séfora preparavam o desjejum.

Nessa tribo, o trabalho era realizado na íntegra pelas esposas.

Mas além das guerras com os vizinhos, os cherokee tinham uma grande responsabilidade. Entrar em meio de manadas de animais selvagens, apenas com uma machadinha na mão, para matar feras gigantes. Essas caçadas matavam muitos homens, e deixavam muitas viúvas aos prantos. E era por esse motivo que os índios possuíam tantas esposas. O irmão, o tio, ou o parente mais próximo, tinham o dever de proteger as viúvas e assumir seus filhos.

Adão ensinou-lhes a fazer arcos firmes e flechas com pontas de pedra afiadas, e mostrou-lhes como abater uma fera de longe, sem colocar a vida em perigo. Depois, espionavam as manadas de bisões, búfalos, escondidos atrás de pedras, arbustos, e a um sinal, as flechas invadiam os campos. Os animais abatidos no chão eram escalpelados, sua carne esquartejada, e no fim do dia os homens carregavam pedaços de carne, peles, e alguns ossos maiores. Chegavam à tribo como heróis, e eram abraçados pelas esposas, que nunca mais choraram por causa da morte de ninguém.

E a vida se alastrou por longo tempo, pois ficar na vida mansa era uma delícia. A falta de avareza, ganância, cupidez, que caracterizavam as sociedades evoluídas da América do Norte, fazia desses índios um povo tão encantador quanto os celtas. Eles também amavam olhar o pôr do Sol, adoravam a natureza, gostavam das aves do céu, e só matavam animais por causa da subsistência.

Um dia, os quatro partiram.

Deixaram para trás muitos amigos agradecidos, que lhes deram de presente um colar para cada um, que os protegeria dos inimigos do caminho.

Rumaram direto para as tribos do Cuzco.

Desta vez, uma urbe de pedra sobre pedra os recebeu. Uma urbe que desde o ar tinha a forma de avestruz. Encontraram edifícios levantados com pedra polida, encaixadas uma acima da outra com alinhamento matemático. Entre as pedras, as aberturas das janelas, das portas, e sobre o telhado madeiras cruzadas cobertas de fibras de palmeiras secas. Dentro dos edifícios, mobílias perfeitas, com encaixe e amarração. Para mais incrível, banheiros de fossa séptica, em todo lugar. Água escorregando em canais, que cruzavam as ruas para abastecer a população. E nenhum desses índios havia estudado em Agarta.

Onde é que eles aprenderam a fazer tudo aquilo?

Enquanto caminhavam pelas ruas de pedrinhas miúdas, examinaram as roupas elegantes, os tecidos de lã de lhama, os panos de algodão, ricamente tingidos, os sapatos de couro, as joias de ouro e de prata, e a limpeza do caminho.

Quando chegaram ao palácio dos soberanos, foram recebidos com um banquete. Frutas, pão delicioso, chocolate com leite, milho cozido, aves assadas, carne assada, e batatas. Muitas batatas.

Enquanto jantavam, uma mulher distinta lhes entregou uma carta, escrita em sumeriano, a língua mãe da terra, e desapareceu entre as pessoas. Adão viu um mapa, que assinalava a entrada para uma “cidade subterrânea”.

No meio de uma noite escura, Adão chamou a nave, subiram, e se perderam rumo à Cordilheira dos Andes em busca do Maciço do Pacuni. Desceram na parte baixa da montanha, seguindo as instruções do mapa, e foram recepcionados por uma comitiva de homens altos, brancos, cabelos longos, loiros e olhos azuis, vestindo túnicas alongadas, e um sorriso encantador. Era o povo das cidades “invisíveis”. Eles mostraram uma entrada na rocha, por onde caminharam até chegar num elevador. Desceram muitos metros, até sair numa cavidade tão grande quanto Agarta. Uma cidade com luz tênue, pois era de noite, e um silêncio interrompido apenas pelo canto dos bichos noturnos. As rãs eram as que faziam mais barulho.

Foram convidados a dormir numa casa maravilhosa, pois, ao raiar do dia, viriam buscá-los para conhecer o povo.

A casa era um amontoado de terras, numa mistura de argila e folhagens, em forma redonda, com cavidades sem portas, nem vidros, sequer uma cortina. Dentro dela, se descia numa passagem em curva. No fim do corredor interno, encontraram uma suíte afrodisíaca, iluminada por aberturas finíssimas, por onde se filtravam feixes de luz artificial. Tudo era cor de rosa. Mágico. A cama era redonda, macia, coberta apenas por uma manta fina de algodão, pois o clima era quente. Tiraram as roupas, deitaram, e um vapor saiu de algum lugar, com cheiro de flores silvestres. Uma cachoeira na parede começou a funcionar sozinha. As águas desciam suavemente entre um espaço com pedrinhas minúsculas onde a água no chão era sugada por canais subterrâneos. Puxaram suas roupas e entraram nessa água morna com espumas de sabão, que limpava o corpo, os cabelos, e deixava a pele perfumada. Secaram num ar quente, que saiu de outro buraco, aromatizando o ar.

Havia aromas em toda parte. Fragrâncias que esquentavam o sangue, e estimulavam ao sexo. Quando uma voz telepática os convidou a tomar o café da manhã, vestiram as roupas, e saíram abraçados, encantados com esse lar. Encontraram Moisés e Séfora na rua, que começava a receber a luz do Sol artificial. Pouco a pouco, foram vislumbrando a beleza dessa cidade. Edifícios pequenos, pois a maioria vivia em casa em forma redonda como aquela. Algumas amontoadas uma acima da outra, formando uma árvore artificial, com uma coluna central de sustentação, por onde as águas subiam e desciam, numa corrente sem fim.

Para se alimentar os homens utilizavam mesas ao ar livre, em todo lugar. Vizinhos jantavam juntos, conversando, ou as famílias com os filhos se reuniam ao amanhecer, antes de se dispersarem aos seus afazeres. As delícias eram deixadas de casa em casa pelos “padeiros”. Eles chegavam com carrinhos, e deixavam fora das casas uma bolsa térmica, e dentro havia café fumegante, sanduíches suculentos, frutas, tortas, bolachas, pois a quantidade desses alimentos dependia do número de pessoas.

Adão e Moisés sentaram encantados numa mesa, acompanhados da comitiva que os recebera na noite anterior. Todos perfumados. Recém-saídos do banho. As mulheres expunham roupas semitransparentes, deixando a mostra o volume dos seios, com delicadeza. Os cabelos eram encaracolados, e havia olhos de todas as cores. Os homens usavam túnicas, como os beduínos do deserto, mas estas eram delicadíssimas, refrescantes, prontas para abrir e mostrar o corpo nu.

Eva e Séfora observaram esses vestidos maravilhosos, e timidamente perguntaram se poderiam fazer troca-troca de roupas. Duas mulheres se ofereceram rindo, para fazer a permuta, depois do café.

Bem-vestidos e bem-alimentados, saíram a percorrer essa cidade.

Conheceram os laboratórios de pesquisas, os ateliês de artesãos, onde se fazia de tudo, conforme o talento de cada um. Ateliês com joalheiros que transformavam a prata e o ouro em joias fantásticas. Roupas bordadas com agulhas finas, tecidos realizados em teares simples, sapatos de lona grossa em forma de sandálias.

Todos os homens e mulheres trabalhavam. Apenas as mulheres com filhos com menos de cinco anos eram dispensadas dos afazeres. Quando o filho entrava na escola, ela se juntava as labores, na especialidade que quisessem.

Os horários de dedicação às tarefas, porém, eram folgadas. Somente até duas da tarde, quando era repartido o almoço de casa em casa. Depois se dormia a sesta, e, depois dela, os homens faziam festas onde se bebia, se dançava, se jogavam dados, ou baralhos, ou jogos com bola.

Havia coisas que eram trazidas das cidades da superfície. Milhos gigantes, gostosos, suculentos, que eram favorecidos pelo clima do altiplano. Café, cultivado entre os altos morros, erva de coca para fazer chás, batatas enormes, e frutas. Geralmente faziam troca, e pagavam tudo com barras de ouro.

Mas o que mais impressionou Adão dessa sociedade perfeita, foi o poder mental de seus habitantes. Num templo em forma de pirâmide, ele encontrou um espelho na parede feito de resinas translúcidas, que mostrava os povos da superfície. Os mais sábios examinavam o mundo, dia após dia, e socorriam aqueles que estavam em perigo. Hordas assassinas que chegavam perto dali eram detidas só com a força mental. Os sábios rodeavam as tribos pacíficas com “energia mental” até deixá-las invisíveis aos olhos inimigos. Os invasores sumiam na montanha, ou morriam de sede, ou se perdiam na selva.

Mas os sábios só protegiam os povos bons, pacíficos, que estavam do lado do bem. Os de aldeias sanguinárias que se matavam uns aos outros, eram desprotegidas pelos homens dessa cidade. Na grande selva da Amazônia, guerras entre canibais, as quais as havia desde sempre, eram ignoradas.

Adão teve um arrepio. Essa sociedade perfeita jamais interferiria, no futuro, numa possível “guerra nuclear”. Faria que nem seu irmão Nestor. Deixaria que a humanidade se auto eliminasse até o último homem e depois sairia à superfície a purificar o chão do veneno, limparia as águas, cuidaria da bicharada, e desintegrariam os cadáveres, sem sofrer por causa disso. Moisés pela sua vez, via na sua frente, finalmente, como salvar o mundo, de perto e de longe, pois nessa cidade havia pelo menos 40 aviões para sair de passeio. E havia tantos povos para proteger. A voz telepática de sua mulher o tirou do pensamento:

— Um dia, você vai ouvir o chamado... Só vamos viver uns 1000 anos... Nessa altura, a terra sequer vai ter um milhão de homens... Não vai poder salvá-los do extermínio final...

— Podemos nos congelar... Enganar a morte... Mas eu não vou fazer nada que você não queira fazer. Estou lhe devendo uma família, estou devendo netos aos nossos pais, esqueça o que eu pensei, esqueça tudo... Vamos voltar para Agarta, ter nossa linhagem e dar aulas na Universidade. O que acha?

— Eu nunca entendi Eva, meu amor. Ela rasteja ao lado de Adão nas maiores loucuras. Imagina deixar um mundo civilizado, maravilhoso, para viajar a este inferno a salvar assassinos... Eu quero ser como ela. Podemos ficar aqui, ter nossos filhos, e cuidar do mundo. Podemos tudo. Somos imortais... Eu sempre vou acompanhar seus sonhos...

E Séfora não falou mais nada. Moisés a beijou na boca, apertando-a forte contra si, e respirou fundo. Ainda não tinha um plano. Ainda não sabia o que fazer. Mas uma coisa já estava sabendo. Ficariam no Cuzco, e fariam desse lugar uma grande civilização. A maior do mundo. A mais linda. A melhor. E se Agarta o chamasse de regresso para alguma missão, eles estariam sempre prontos.

— Quantos filhos vamos ter, minha querida?

— Um a cada ano... O que acha?

— Ótimo... Filhos nossos serão, no mínimo, loucos...

— Profetas, meu amor... Todos os nossos descendentes serão profetas... Pode apostar...

Notas finais
- Eu nunca entendi Eva, meu amor. Ela rasteja ao lado de Adão nas maiores loucuras. Imagina deixar um mundo civilizado, maravilhoso, para viajar a este inferno a salvar assassinos... Eu quero ser como ela. Podemos ficar aqui, ter nossos filhos, e cuidar do mundo. Podemos tudo. Somos imortais... Eu sempre vou acompanhar seus sonhos...